Fuste | Rota do Ouro Negro Fuste - Moldes - Arouca: Uma casa construída aproveitando a lateral de um penedo
domingo, 19 novembro 2017 08:41

Fuste | Rota do Ouro Negro Destaque

Classifique este item
(1 Vote)

Depois dos incêndios que devastaram Arouca em 2016, grande parte das demarcações dos percursos pedestres foram danificadas. Recebemos recentemente informações da Câmara Municipal de Arouca, que as marcações estão quase todas repostas, nomeadamente a do PR 8 – Rota do Ouro Negro, que pode ser feita de Fuste a Rio de Frades ou vice-versa. Foi este que fomos fazer no dia 13 de novembro e sobre a qual vamos falar um pouco.

PR8 - Rota do Ouro Negro - AroucaEm muitos locais de Arouca, no meio das serras vêem-se nos trilhos de montanha, marcas da passagem dos séculos, nos socalcos efetuadas na rocha pelos rodados dos carros, puxados por animais. Aqui é possível ver que a passagem do tempo entre o passado e o futuro ainda se está a fazer pela ruinas do casario de pedras.

Iniciamos o mesmo junto à capela de Santa Catarina em Fuste. Pusemo-nos ao caminho pelo trilho já mencionado seguindo as placas. No entanto demos duas voltas à aldeia, porque há uma indicação pintada numa pedra que desbotou com o tempo e que nos passou despercebida e não viramos à direita como deveríamos.

Duma forma geral estre trilho está bem assinalado, claro que passamos em zonas onde se nota a destruição provocada pelos incêndios, mas os poucos simpáticos habitantes ainda estão por lá, bem como os seus campos e animais.

Embora o panfleto oficial informe que o seu grau de dificuldade é medio/baixo, há pontos difíceis e até perigosos. Num local onde se pode observar a Cascata da Ribeira de Covela, tem até um arame para as pessoas se segurarem. No acesso à mesma podemos observar vários locais na serra, onde era extraído o minério de forma clandestina deixando os buracos coloridas na roxa para memória futura.

Neste percurso como podem ver pelas fotos fomos acompanhados por um pequeno cão, a sua história pode ser lida noutro artigo que fizemos.

Em Rio de Frades uma jovem confidenciou-nos que lá não tem internet e a rede de telemóvel só existe em certo locais para uma operadora. Também vimos e fotografamos uma ponte em Rio de Frades, que deixa muito a desejar em termos de segurança.

Este percurso é para ser feito de forma linear, para não termos de voltar pelo mesmo caminho no regresso apanhamos boleia duma senhora que estava a descarregar lenha em Rio de Frades e que nos deixou junto ao acesso ao campo de futebol em Quelhas – Ponte de Telhe – Moldes - Arouca. Aqui para não se perder poderá ser necessário ter um sistema de navegação GPS, como o do aplicativo para telemóvel do Google Maps. Depois do campo de futebol, encontramos um casal de namorados que também estava a fazer o trilho e que nos fez companhia. Mas na dúvida regresse pelo mesmo caminho de forma linerar.

O casal era composto pela Joana Santos, com 24 anos de idade, residente em Arrifana, a sua área profissional é o marketing, mas neste momento não está a exercer. Apesar de estar a trabalhar fora da sua área em estética, disse também gostar. Aprecia a natureza e faz estes percursos porque gosta de desporto, estar no meio da natureza e também por ser escuteira.  Gostou muito deste percurso e incentivou o namorado a faze-lo, porque habitualmente fazem mais percurso à beira-mar. O rapaz chama-se Tiago Leite, com 28 anos de idade, residente em Pindelo – Oliveira de Azeméis. Tem uma licenciatura em marketing e foi sincero nos motivos que o levaram a fazer a caminhada. O mesmo está de dieta e o ar e exercício fazem-lhe bem, juntando o útil ao agradável. Gostou do percurso embora o ache muito cansativo e que tem alguns pontos mal sinalizados e que deverá ser mais divulgado.

Durante o percurso podemos observar ainda os efeitos dos incêndios de 2016 e a extração de madeira. A natureza tem o poder de regeneração, leva o seu tempo, mas se os nossos responsáveis pela coisa publica quiserem estes problemas podem ser minorados, se existir vontade genuína.

Caraterísticas:

  • Partida: Fuste – freguesia de Moldes;
  • Chegada: Rio de Frades – freguesia de Cabreiros;
  • Tipo de Percurso – pequena rota por trilhos de montanha;
  • Distancia a percorrer – 6 000 metros (para cada lado);
  • Duração do percurso – 2.30 horas (para cada lado);
  • Nível de dificuldade – médio/baixo;
  • Desníveis – pouco acentuados;
  • Época aconselhável – todo o ano;

Pontos de interesse:

  • Capela de Santa Catarina – Fuste;
  • Casas em granito em Fuste;
  • Rocha em forma de “casca de cebola” – Fuste;
  • Uma casa construída aproveitando a lateral de um penedo;
  • Cascata da Ribeira de Covela;
  • Minas da Pena Amarela;
  • O rio de Frades que nasce na serra da Freita, Arouca a 1097 metros de altitude e desagua na margem esquerda do rio Paiva.
  • Minas de volfrâmio de Rio de Frades. Do subsolo deste local e das montanhas circundantes foram extraídos e exportadas toneladas de volfrâmio, sobretudo para as forças do eixo, as quais serviram para o fabrico de material bélico, utilizado em grande parte, na II Guerra Mundial, período durante o qual as minas estiveram concessionadas a empresários Alemães que faziam a sua exploração.

 Download do panfleto.

 Leia também:

Lida 219 vezes

Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social com distribuição da informação pela Internet, que visa promover a identidade regional e o turismo através da promoção da cultura, património, monumentos, museus, desporto, economia, gastronomia, ecologia e coletividades dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, Arouca e dos restantes municípios desta região.

Itens relacionados

UA | População ajuda biólogos a contar 1400 esquilos

Investigação do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro

Os esquilos estão definitivamente de volta ao território nacional. Depois de extintos durante centenas de anos até aos anos 80, altura em que, lentamente, foram atravessando a fronteira no Minho, nas últimas duas décadas a espécie expandiu-se até ao rio Tejo e está fora de perigo. As conclusões são do estudo realizado em Portugal sobre a distribuição do esquilo-vermelho, um trabalho do Departamento de Biologia (DBio) da Universidade de Aveiro (UA) que contou com uma preciosa ajuda: as centenas e centenas de cidadãos anónimos que nos últimos anos avisaram os investigadores sempre que viam o simpático animal.

Drave | Galeria - Yoga nas Ondas da Serra

O ONDAS DA SERRA e o Espaço Yoga de Ovar organizaram, neste outono, um passeio a Drave. Desde 2003 que esta "Aldeia Mágica", enfiada numa cova criada pelo encontro das serras da Freita, São Macário e Arada, serve de Base Nacional ao Corpo Nacional de Escutas. Viaje com o nosso grupo, de 24 caminheiros, entrando na galeria que preparámos para si. Fotos de Fernando Manuel Oliveira Pinto.

E a Moita aqui tão perto…

Em Ovar existe um local que passa frequentemente despercebido, a Moita. Nós passeamos com regularidade pelos seus caminhos, apreciando os campos, aves, insetos, flores, águas, esteiros e ria. Os quadros variam com as estações, humores do tempo, pessoas, fauna e flora.

Faça Login para postar comentários
Pub