sábado, 20 maio 2017 21:00

Miguel Oliveira|Fotógrafo paisagista

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Luís Miguel Oliveira Vaz nasceu em Ovar no dia 1 de março de 1973. Apaixonado pela Natureza, MIGUEL OLIVEIRA é um dos mestres da Fotografia de Paisagem em Portugal, como podem comprovar pelas belíssimas imagens que oferece aos leitores do "ONDAS DA SERRA".

Miguel, que paisagens gostas mais de fotografar? Waterscape e Landscape, ou seja, paisagens que metam água, como cascatas, rios, mar, Ria, e a parte mais ligada à terra, como planícies e montanhas. Estamos a conversar debaixo das árvores que acompanham a ribeira da Senhora da Graça, perto do Centro de Arte de Ovar. Lá ao fundo, ribeira e rio Cáster beijam-se... São estes recantos que te inspiram? Sempre procurei estar em contacto com a Natureza. Quando estás a fotografar, seja no mar ou na montanha, não podes deixar escapar estes momentos únicos. Podes descrever um desses instantes? Na montanha, por exemplo, deixas o carro a 15 km e depois tens de ir a pé até chegares a um lago. Estás ali, sozinho, podes gritar, que ninguém te ouve... Só ouves o teu eco! Deves ter muitas "estórias" para contar... Amigo Fernando, já passaste alguns episódios desses comigo, quando andávamos juntos a fotografar a Ria, com água pela cintura [risos]. As tuas paisagens são humanizadas? Se for uma pessoa que esteja ali, a observar, não me importo, mas eu não costumo colocar pessoas nas minhas composições. Nos Picos da Europa, por onde ando agora, raramente encontro pessoas pelo caminho… Mas já avistei ursos e veados! Pelo teu tom de voz, vê-se que gostas de partir à descoberta de novos lugares... É isso que te move? Ao estar por minha conta e risco, consigo presenciar esses momentos mágicos. Em Drave [concelho de Arouca], sentes isso, e, no entanto, estás a poucos quilómetros da civilização... Costumo dizer aos meus alunos que para se ser fotógrafo de paisagem é preciso ter espírito de aventura. Já tive alguns que desistiram quando lhes disse que tínhamos de andar alguns quilómetros, a pé, com o equipamento às costas… A Fotografia de Paisagem é uma espécie de peregrinação? Muitas vezes, amigo, temos de fazer sacrifícios para chegarmos aos locais onde vamos fotografar... É nesse percurso que, na minha opinião, reside a verdadeira Fotografia. Sim, é uma espécie de peregrinação, porque quando chegamos ao nosso destino dizemos que valeu na pena todo aquele esforço. Não tenhas dúvidas, Fernando, que somos uns privilegiados por podermos contemplar paisagens incríveis… E não há terapia melhor para os nossos problemas, acredita! Aqui, onde estamos a fazer esta entrevista, também temos o som da água a correr, o cantar dos passarinhos, música Zen [risos]. A paisagem vareira, o nosso mar, atrai a tua lente? O nosso Furadouro continua a ser para mim um desafio, maior do que aquele que encontro nas outras praias portuguesas, porque não tem rochas para colocarmos em primeiro plano, como acontece, por exemplo, em Miramar, junto à capela do Senhor da Pedra, um dos locais mais fotografados de Portugal. Muitas pessoas de Ovar veem as minhas fotos e nem sonham que aquilo é a praia do Furadouro... O desafio não está em fotografar só aquilo que é, à primeira vista, paradisíaco, é isso? Exatamente! Qualquer foto tirada na Nova Zelândia ou na Islândia fica bem, mas no Furadouro tens de ser criativo, porque não existem rochas naturais.. Somos nós que fazemos a foto! Octávio Paz disse que “por causa da composição, a fotografia é uma obra de arte”. Concordas com o Nobel da Literatura? Concordo! A nível da construção de uma imagem temos de ser nós a criá-la, daí a singularidade da arte fotográfica. Na nossa Ria já temos mais elementos em primeiro plano, barquinhos e ancoradouros, simetrias... No nosso mar, não! E não levas com as Ondas... Nem levamos com as ondas nem ficamos com água até ao pescoço [risos]. Aprende-se a fotografar? Aprende-se no terreno, falhando, muitas vezes, ao longo dos anos. É assim que evoluímos! Quais são os teus limites no terreno? Antes de ir fotografar para os Picos da Europa, como sabes, andei pelas nossas serras. Os limites que imponho a mim próprio são a minha segurança e a do meu equipamento. É claro que quando apanhamos tempestades de neve estamos sempre sujeitos… Mas os teus alunos confiam em ti, na tua experiência... Muitas vezes "puxo-lhes as orelhas" e digo-lhes que primeiro está a nossa segurança. Algumas pessoas para capturarem a foto da sua vida são capazes de tudo. Vale a pena arriscar? Mas o desafio não é esse... O desafio é irmos a um local onde todos fotografam e fazer diferente, porque cada um tem o seu próprio olhar. Quem anda nisto há muito tempo, como tu andas, como eu ando, consegue recriar uma fotografia. Há muitos "fotógrafos de flash" por aí [risos]. Falaste há pouco nas serras portuguesas. Qual delas te marcou mais? Já fiz as serras da Freita, Arada, São Macário, Montemuro, Peneda Gerês, Estrela, Caramulo, mas a de Arada é a que mais me entusiasmou, porque me faz lembrar os Alpes. É de vegetação rasteira, muito verde, e na primavera está coberta de flores... Temos o amarelo da carqueja, que dá para fazer chá, e o cor-de-rosa da urze. A serra da Freita é rochosa, muito parecida com a serra da Estrela, não é? Sim, tem rochas grandes, penedos, como a de São Macário. Que serra aconselhas aos principiantes? A da Freita, porque não é muito grande e está bem sinalizada. Não há o perigo de nos perdermos... Qual é o erro que os teus alunos cometem mais? Alguns vão de chinelos de praia para a serra e outros vão para o mar de sapatos, apesar das minhas recomendações. Sabes, muitas pessoas não estão para comprar botas de neve e de montanha e, passados alguns minutos, estão com os pés roxos. Depois, é claro, arrependem-se... Que outro equipamento levas para a montanha? Uma tenda, mantimentos, bússola, GPS, primeiros-socorros, óculos e protetor solar. A água é essencial! O que procuras nestes locais quase inacessíveis? Fascinam-me os picos! A melhor época para fotografar estas belíssimas paisagens, com lagos espetaculares, é no outono e no inverno. O mar, as paisagens marinhas, deixo para os finais do verão. Como todo o artista, com o passar do tempo vais enriquecendo o teu portfólio... Se uma editora quisesse publicar o teu trabalho fotográfico, aceitavas? Aceitava, se o projeto fosse interessante para ambos. Se aparecer essa possibilidade é uma questão nos sentarmos à mesa... Que mestres da Fotografia segues? Ansel Adams, Ryan Dyar, Karl Taylor, Marc Adamus, Max Rive e David Noton. Tive a minha formação em Fotografia com este último fotógrafo de Natureza e Viagens. Os fotógrafos de Paisagem costumam ser pessoas solitárias... Mas nós podemos ter uma vida a dois, nem que seja numa tenda ou numa autocaravana, para apreciarmos os maravilhosos cenários que o planeta oferece. É claro que gostava de ter a minha "menina" ao meu lado... Olha, tenho a minha câmara fotográfica, que é o meu segundo amor… Neste momento, Fernando, estou focado nos meus projetos. Convido os leitores do “ONDAS DA SERRA" a visitarem esta galeria e também a minha página do Facebook, em https://www.facebook.com/PhotographyMiguelOliveira

 

TEXTO: Fernando Pinto - FOTOGRAFIAS: Miguel Oliveira

 

 

 

Lida 18 vezes Modificado em sexta, 22 setembro 2017 18:49

Autor

Fernando Pinto

Fernando Manuel Oliveira Pinto nasceu no dia 28 de junho de 1970, em Ovar. Jornalista profissional, fotógrafo e realizador de curtas-metragens de vídeo. Escreve poesia e contos. A pintura é outra das suas paixões. Colaborador do "Ondas da Serra".

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