A historia do “Rio Mau” no tempo em que afogava mineiros Destaque

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Ondas da Serra nas suas explorações do percurso pedestre 2.3 - “Cabreia e Minas do Braçal”, esteve primeiro nas instalações abandonadas dumas antigas minas da Portucel, onde encontramos no chão restos do passado em forma de antigos documentos de “Guias de Amostras de Aparas” dos anos 70 do século passado. No interior por entre os escombros fomos surpreendidos pelo esvoaçar dum morcego, o animal não gostou que fossemos importunar o seu descanso. Neste local em tempos existiu um jardim bem cuidado e encontramos uma espécie que parecia a árvore da vida tal a sua imponência e majestosidade.

Encontramos no percurso conforme nos indicava o nosso mapa as minas do Braçal, onde formos recolhidos pela quietude do lugar num emaranhado de construções abandonadas e que foram vencidas pela natureza. Num grande edifício onde já só restam as paredes interiores, uma escadaria na lateral parecia só querer terminar no firmamento. As paredes já não tinham no cimo telhado, permitindo a entrada da pouca luz que o arvoredo deixava passar e projetando no espaço uma dança de claridade e sombras que tornavam o local ao mesmo tempo mágico e fantasmagórico. Nenhuma captação da realidade por meios artificiais é capaz de reproduzir a sensação de ver aquele espetáculo ao vivo.

Regressando à caminhada e tendo perdido tempo de mais no local, passamos por uma plantação de mirtilo que é rei em Server do Vouga e tem permitido a estas gentes ter outra fonte de rendimento.

Em todo o percurso só encontramos uma pessoa para conversar já na parte final que nos levava de volta à Cabreia. A dada altura fomos encontrar um velho homem num pequeno campo cheio de forças a limpar um terreno de ervas invasoras. Ondas da Serra respeita as pessoas e calmamente sem invadir ostensivamente o seu espaço perguntamos se podíamos falar com ele. Ele rapidamente parou de trabalhar e começou a falar connosco dizendo que se chamava Hilário Tavares de Almeida, com 87 anos de idade, morador no lugar da Senhorinha.

Quisemos saber o que andava a fazer tendo ele dito que estava a limpar um terreno para nas suas palavras “ver se os eucaliptos vinham para cima”. No chão podia-se ver as pequenas árvores plantadas espaçadamente com sinas de fraqueza. Disse que é nos eucaliptos que o agricultor tira algum dinheiro e que as terras não dão nada. Elucidou-nos que as minas que tínhamos deixado para trás eram de chumbo, não trabalhou lá, mas um avô seu que era da Nespereira de Cima, foi lá carpinteiro no escoramento das minas.

Chegou a haver acidentes nas minas, onde homens na procura do seu sustento e da família, encontraram ali a morte. Certo dia, pensa que em 1940, o “Rio Mau” abriu um buraco chão e a água entrou para um poço da mina tendo afogado sete trabalhadores. Desde os anos 60 que as elas não funcionam, levando à debandada dos homens dessas terras que nas suas palavras “foi quando abriram as emigrações”. Ele também teve que ir para França onde trabalhou na agricultura na apanha da beterraba e percorreu esse país em muitos ofícios, nos telefones, águas e eletricidade. Foi este homem que olhando para várias amostras de rochas que tínhamos recolhido nas Minas do Cabeçal nos disse que era das mais escuras que se extraia o chumbo.

Este idoso confirmou que a plantação que vimos antes de o encontrar era de mirtilo e que trabalhar na sua cultura é “trabalhar para aquecer”, porque dá muita despesa e trabalho na plantação, só dá uma vez por ano, sendo necessário fazer a colheita a tempo dos frutos maduros não serem comidos pela passarada. Lembra-se que as mudanças nas últimas décadas não foram as melhores, porque fecharam muitas cooperativas de leite e que permitiam ao lavrador governar-se apenas com uma "vaquita ou duas". A filha toma conta das suas terras para cultivar mirtilos e framboesas.  

Ao virmos embora, pisámos, inadvertidamente, um pequeno eucalipto que ficou mais tombado do que já estava. O Sr. Hilário Almeida ficou irritado e obrigou-nos a colocá-lo de pé. Curiosa vida a destas gentes que vivem o tempo presente. Esperemos que este ancião possa ver estas pequenas árvores já crescidas.

Faça um aventura nos percursos pedestres do Parque da Cabreira. Veja um trabalho realizado pelo "Ondas da Serra" e fique com uma ideia do que pode encontrar, ver artigo.

Ondas da Serra esteve no terreno e percorreu um dos trilhos do Parque da Cabreira. Veja um artigo e vídeo que fizemos sobre o PR1 - Sever do Vouga - Minas da Malhada e do Braçal.

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social com distribuição da informação pela Internet, que visa promover a identidade regional e o turismo através da promoção da cultura, património, monumentos, museus, desporto, economia, gastronomia, ecologia e coletividades dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, Arouca e dos restantes municípios desta região.

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