Ricardo Vieira: “A música é um caminho infinito” Ricardo Vieira
quinta, 29 março 2018 21:42

Ricardo Vieira: “A música é um caminho infinito” Destaque

Classifique este item
(2 votos)

Ricardo Vieira imortaliza os compositores e as suas criações a cada concerto. O pianista nasceu em Santa Maria da Feira há 33 anos e hoje conquista plateias em todo o mundo. Dezassete anos depois do primeiro concerto com orquestra, no Teatro São Luiz, em Lisboa, garante que nunca vai com “receio para cima do palco”.

Foi para a Academia de Música, no concelho de Santa Maria da Feira, por iniciativa da avó. Estuda música desde os nove anos e continua com dezenas de projetos por cumprir.

Um piano de madeira da mãe foi o brinquedo favorito da sua infância. A 5.ª Sinfonia de Beethoven pela Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Karajan tornou-se a sua música de eleição com apenas cinco anos. O amor pelo piano passou de uma brincadeira para profissionalismo num ápice.

 Leia também: A escola que mudou o ensino da música em Portugal

Ricardo vive em Paris há vários anos, onde também trabalha em escolas favorecidas. Tem sobretudo saudades da “família e dos amigos” e não esquece “o contraste com que flutua a cidade [Santa Maria da Feira], entre a calma natural da cidade e o dinamismo cultural e noturno”, e que adora.

A digressão na China com o duo Musicorba já terminou. Ricardo Vieira e o japonês Tomohiro Hatta fizeram 18 concertos em 23 dias. “Percorremos milhares de quilómetros, apanhamos sete aviões, vários barcos, comboios e perdemos a conta às viagens de carro”, explica. Apesar do cansaço, o balanço é muito positivo: “Levar a nossa musica a público tão longe é de uma satisfação enorme. Os aplausos foram imensos. Várias obras ‘interrompidas’ por aplausos.  Não podíamos estar mais gratos”.

China recebeu o duo depois de países como Índia, Estados Unidos, Chipre, Turquia e França. O país asiático poderá voltar a receber mais duas digressões em 2019 e em 2020. A digressão de 2018 teve “muitos clássicos, alguma musica portuguesa e chinesa”.

O sucesso do duo Musicorba, segundo o pianista português, tem como base “a simbiose que é notada pelos demais nas performances”. “É a nossa cumplicidade musical, aliada a um domínio instrumental elevado, que tem captado as atenções pelo mundo fora”, refere.

A colaboração entre os artistas surgiu em 2009, no âmbito das comemorações dos 150 anos do Tratado de Amizade Paz e Comércio entre Portugal e o Japão. Partilham o piano, o palco e as mensagens dos artistas que tocam há nove anos.

Mozart, Beethoven, Samson François, Herman Hesse e Fernando Pessoa são algumas das influências do pianista. “São homens de uma linguagem ímpar e que me falam muito”, explica. “Herman José e Rita Ferro não são pianistas e são enormes referências para mim”, conclui.

A diversidade de referência tem um motivo simples: “A minha vida vai muito para além do piano, e é isso que tento transmitir a cada nota que toco. Por essa mesma razão quem me inspira não pode ser somente pianista”.

O regresso a Santa Maria da Feira pode acontecer ainda no final de 2018, mas “ainda não está confirmado”. Enquanto os palcos da cidade berço do pianista português aguardam, Ricardo Vieira conquista o mundo a cada concerto.

“A música é um caminho infinito” num destino que soube muito cedo a sua vocação e Santa Maria da Feira fará sempre parte das paragens obrigatórias de Ricardo Vieira.

 

Vídeo

 

Lida 200 vezes

Autor

Ricardo Grilo

Histórias capazes de entrar em contacto com as emoções de quem as lê justificam a minha paixão pelo jornalismo. Natural de Santa Maria da Feira, acredito no potencial de um concelho em ensaios para escrever a sua autobiografia. Aos 24 anos, e enquanto colaborar do ‘Ondas da Serra’, procuro a beleza em escrever sobre uma terra tão especial.

Itens relacionados

Válega | Igreja Nossa Senhora do Amparo

A equipa do Ondas da Serra visitou a bonita Igreja Nossa Senhora do Amparo, em Válega, situada a poucos quilómetros de Ovar. Oficialmente é conhecida como Igreja Matriz de Santa Maria, esta obra imponente define-se pelas suas fachadas e interior em azulejos onde estão retratadas passagens religiosas. A Senhora do Amparo é a padroeira desta vila, no concelho de Ovar, e enche-se de vida todos os anos no dia 15 de agosto. Muitos emigrantes regressam a casa e participam na romaria.

6 Fragmentos vezes 60

Tratam-se de excertos de realidades, cada um construído sem a menor preocupação com o outro. Não querem saber se encaixam nas expectativas que os restantes fragmentos possam ter. Numa clara postura narcisística, adotam o seu discurso, as suas crenças e as suas opiniões. São seis fragmentos vezes 60 com a subtileza de mudanças que ocorrem em segundos e que tantas vezes não são vistas.

Alunos do secundário mergulham no Imaginarius

Projeto “Fractions of Whole” é uma criação em estreia absoluta

Para os alunos do 10.º ano do Curso de Animação Sociocutural da Escola Secundária Coelho e Castro, de Fiães, a criação de um espetáculo para o festival Imaginarius é um grande desafio e uma oportunidade única que – acreditam os jovens – vai marcar o seu percurso escolar e ajudar a definir o seu rumo profissional. O performer e acrobata Daniel Seabra assume a coordenação artística de um amplo projeto de capacitação para o circo contemporâneo e criação artística, que arrancou em fevereiro, intitulado “Fractions of a Whole”, cujo resultado será apresentado em estreia absoluta no Imaginarius, nos dias 25 e 26 de maio.

Faça Login para postar comentários
Pub