Relvado Sintético do Clube Desportivo de Tarei Equipa de juvenis do Clube Desportivo do Tarei
sexta, 19 janeiro 2018 07:40

Relvado Sintético do Clube Desportivo de Tarei Destaque

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Na manhã chuvosa do dia 14 de janeiro 2018, os juvenis do Clube Desportivo do Tarei e do Arada Atlético Clube, defrontaram-se no campo D. Maria da Guia em Tarei, perante uma pequena assistência em número mas grande no entusiasmo e boa disposição. O encontro sorriu a equipa da casa que ganhou por 4-0. No final os jovens tiveram direito a um merecido repasto nas instalações do clube, composto por frango assado, onde extravasaram toda a sua alegria.

A equipa do ONDAS DA SERRA assistiu ao encontro e aproveitou para ouvir algumas opiniões acerca da introdução de relva sintética no campo há cerca de dois anos, obra da responsabilidade da SAFINA, empresa de Cortegaça fundada em 1971.

  
 

Presidente do Clube Desportivo de Tarei – Américo Silva 49 anos, empresário do ramo automóvel.

“Orgulhamo-nos de ser um lugar dos poucos que pertencem à Feira com este projeto…”

Neste clube o Presidente faz um pouco de tudo e fomos encontra-lo durante o jogo a controlar os acessos aos balneários das três equipas. O Clube Desportivo do Tarei foi fundado em 1972, fruto de algumas contingências desportivas, algumas de má memória, esteve sem atividade quatro ou cinco anos, sobre isto disse o Presidente, “Eu fui quase um bocadinho empurrado, porque isto esteve parado uns anos, e então nós começamos com a formação, com as escolinhas, que agora já são juniores, provavelmente para o ano já serão seniores, e estamos a pensar em ter os seniores”.

A nível de instalações o clube tem um campo de futebol de 11, que engloba dois de futebol de 7 e um ringue aqui ao lado, que segundo o Presidente vai ser aproveitado para treinos e está em fase final de conclusão. A formação é composta por cerca de 107 atletas, repartidos por oito equipas, petizes, traquinas, benjamins A, infantis B, iniciados, juvenis, juniores e femininos.

O Clube tem mais de uma centena de sócios principalmente do lugar, mas “Os poucos que somos já nos ocupa muito tempo aqui e não há tempo para andarmos de porta a porta a cobrar as cotas.”

Durante muitas décadas o clube só teve um pelado, “Era complicado, não tínhamos condições, nos dias que chovia tínhamos que andar a fazer novas marcações e alisar novamente o campo, foi isso que nos motivou a criar estas condições.” Esta falta de condições levou a direção do clube a introduzir a relva sintética, “Foi um projeto que a Câmara da Feira lançou às associações, à qual nos candidatamos, tivemos um apoio de 50%, o restante foi assumido pelo clube.”

Ao fim de alguns meses todos estão satisfeitos com a sua introdução, “Agora temos o prazer de dar outras condições aos nossos atletas, que representam o emblema do CDT. Eu nunca fui jogador oficial, mas faço parte duma equipa de veteranos e dá outro gozo, nos jogarmos com estas condições.”

A própria manutenção ficou mais facilitada, “Dá muito menos trabalho porque no primeiro e segundo ano é mais uma questão de rega. Quando tiver mais tempo é necessário colocar mais borracha, mas acaba por ser mais fácil, porque é uma manutenção anual e não diária, como no pelado.”

Sendo um clube duma pequena terra os problemas e dificuldades tendem a ser maiores e o Presidente disse com mágoa que gostaria de ver mais gente da terra assistir, “Havia de haver mais apoio da população, deveriam comparecer mais e valorizar o pouco que temos, mas o pessoal não está para isso.”

Apesar destes melhoramentos o Presidente gostaria de futuramente concretizar novos projetos, “Provavelmente umas bancadas, vedar o recinto do campo, fazer um outro balneário, na parte lateral para apoio ao ringue. Recentemente fizemos dois vestiários para termos quatro equipas, duas a jogar e duas a prepararem-se para o próximo jogo.”

O maior troféu que este clube tem é na sua opinião, “Orgulhamo-nos de ser um lugar dos poucos que pertencem à Feira com este projeto, porque a maior parte é tudo Vilas e Cidades, e penso que nível da Feira somos o único lugar com um campo com relvado sintético.”

 

Treinador do CD Tarei - António Almeida, 43 anos, de São Miguel de Souto.

“Estou satisfeito, porque há maior facilidade do atleta ter controle de bola, velocidade, domínio, condução e não haver tantos ressaltos…”

No decorrer da partida com o Arada, o treinador do Tarei, diferenciava junto à sua área técnica pela forma apaixonada como vivia cada lance. Nada faz indicar que é a sua primeira época como treinador dos juvenis.

Este treinador já viveu as dificuldades de jogar nos pelados, como júnior e sénior, no Clube Desportivo Soutense, “Havia muitas dificuldades, no inverno com os terrenos pesados, lamacentos, era tudo muito mais difícil. Mesmo a questão das bolas, que antes eram mais pesadas, nos últimos anos houve uma grande evolução, a nível de campos, bolas e métodos de trabalho.”

Pelo facto de ter jogado em pelados e treinado em sintéticos a sua opinião sobre esta evolução é positiva, “Estou satisfeito, porque há maior facilidade do atleta controlar a bola, velocidade, domínio, condução e não há tantos ressaltos. Os pelados antigamente eram muito irregulares, hoje os sintéticos têm um piso muito mais regular. Todo o processo entre aprendizagem e a formação dos jovens mais adultos ficou mais facilitado.”

Apesar desta evolução há que ter cuidados, porque segundo o António Almeida “Os sintéticos também são suscetíveis de causar lesões, há campos que no verão não são regados e a relva torna-se muito abrasiva, nos pelados se calhar não acontecia tanto isso.”

Por tudo isto segundo ele o desempenho dos jogadores aumentou porque “É muito mais fácil para eles jogar num sintético que jogar num pelado.”

A introdução deste novo piso aumentou segundo o treinador a responsabilidade dos atletas, “Porque facilitou a sua forma de jogar, condução, domínio, a bola ressalta menos e não foge para o adversário. Hoje o pelado está associado a clubes mais pequenos, pobres, que não tem capacidade para jogar mais acima. Os próprios atletas e pais entre o pelado e o sintético optam por este último, porque não suja a roupa, não chegam a casa cheios de areia, esfarrapados, com aqueles arranhões fundos que acontecem naturalmente nos pelados.

Antes do CDT ter o sintético os jogadores fugiam para outros recintos sintéticos, eles aproveitavam os clubes que já tinham relva sintética, como o São Vicente ou o Rui Dolores em Travanca. Os atletas e os próprios pais optavam por levar os filhos para sintéticos que era uma questão de mais limpeza, do que para os clubes que só tinham pelados.” Mas este novo piso também necessita de cuidados, “A relva tem que ser regada, mesmo no verão e durante os treinos, para não estar seca, porque no inverno há mais humidade, chuva e a relva requer menos cuidados.”

 

 

Colaborador do Clube - Altino Pinto, Macieira, 53 anos.

“Aquele a quem os adeptos 'acusam' de ter posto fogo ao campo.”

Ondas da Serra falou com Altino Pinto, colaborador do Tarei há nove anos, ainda do tempo em que se faziam as marcações no pelado e para isso tinha que acordar bastante cedo.

Durante muitos anos ele cumpriu o ritual de fazer as marcações, “O campo tinha que ser alisado com uma grade puxada por um Mercedes 200, depois as marcações eram feitas para os jogos de futebol de 11. Eu tinha uma máquina parecida com um semeador, que está guardada no nosso barracão, onde era colocado pó para as marcações. Agora usa-se um pó de tijolo antigamente chegou-se a usar pó de cal branca que queimava os jogadores quando caíam.

Depois destes jogos voltava a fazer novas marcações para os jogos de futebol de 7. Tinha que fazer isso em todos os jogos, o que era um trabalho muito grande. A melhor coisa que aqui fizeram foi o sintético. Eu vinha para aqui as 4 da manhã, ainda no escuro e fazia tudo sozinho, por isso era um trabalho que ninguém queira. Se houvesse jogos à sexta, sábado e domingo tinha que acordar cedo para fazer o mesmo. Ás 09h00 o campo estava pronto para o primeiro jogo de futebol de 11 e depois para o jogo seguinte de futebol de 7, quer fizesse chuva ou sol.

Além das vantagens atrás referida a manutenção também se tornou mais fácil, “A manutenção é feita pela Safina e nós só temos que regar quando tem neve ou há muito calor, porque se não houver cuidados isto também fica estragado. Se não estiver regado também queima as pernas das crianças.”

Agora o Altino Pinto já não precisa de acordar tão cedo antes dos jogos, “Basta vir às 07h30 para abrir o campo, é só as equipas chegarem aqui e jogarem.”

Estávamos nós a falar com ele e os adeptos não paravam de o acusarem na brincadeira de ter posto “fogo ao campo”, não resistimos e quisemos saber a razão, “Há uns anos, num sábado de muito calor eu andava com o Mercedes alisar o campo, o pessoal como viu tanto fumo a sair daqui chamaram os bombeiros da Feira para virem apagar um incêndio no campo do Tarei. Os bombeiros chegaram deram várias voltas ao campo e nada viram, mas perceberam que era o pó das marcações que andava todo no ar e que tinha causou aquele falso alarme e foram para trás, ainda hoje falam nisso.”

Mas pelos vistos não era só os bombeiros que por lá apareciam a GNR também, “Eu quando chegava aqui às 06h30 da manhã colocava como era habitual a musica a tocar e aparecia a GNR a dizer que os vizinhos tinham feito queixa. É um hábito que ainda tenho chego ao campo, abro o bar, tudo o resto e coloco a musica.”

 

 

Pai de um jogador do CDT - Fernando Morais, residente em Ovar, 37 anos de idade.

“É uma mais valia, para já no aspeto que dá ao espaço, na facilidade do trabalho em campo…”

No interior do recinto, por detrás da baliza no topo sul, Fernando Morais, pai do jogador do CDT, Rúben, com 16 anos de idade, extremo direito, seguia o jogo atentamente e no intervalo lá foi dizendo ao filho que se tivesse mais calma poderia ter marcado um golo. O Rúbem joga há 3 anos neste clube, anteriormente já tinha jogado um ano no Clube Desportivo do Furadouro.

Fernando Morais sempre apoiou o filho no desporto, “Porque é benéfico em todos os sentidos, enquanto aqui está não anda noutros vícios, dá-lhe coordenação, exemplos de trabalho em equipa, acho que os benefícios são muito positivos.”

Ainda se recorda do antigo pelado e o seu filho ainda jogar neste tipo de piso, ”Que tinha inconvenientes porque acumulava água em poças, e quando por qualquer razão não tomavam banho, chegavam todos muito sujos a casa, agora com o sintético não, mesmo que não tomem banho e tenham que ir para algum lado nem se nota que estiveram a jogar.”

Este pai tem a experiência de ver o seu filho jogar nos dois tipos de piso, considera que, “É uma mais valia, para já no aspeto que dá ao espaço, na facilidade do trabalho em campo, embora posso aqui partilhar o testemunho do meu filho, que considera que tinham curiosamente melhores resultados no pelado do que agora no sintético, mas é uma situação excecional. Eles inclusive aqui há uns tempos foram jogar a Milheirós e lá ainda têm um pelado e os jogadores sentiram que voltaram um pouco ao antigamente mas bateram-se muito bem. O que nos leva a pensar realmente o que é que dá mais rendimento, mas aqui no sintético, é outra limpeza, isso trás mais valias, mesmo para a questão de preservar mais os equipamentos e facilitar o trabalho em campo."

Agora tem que haver adaptações, por parte dos jogadores, porque a bola num relvado sintético, principalmente molhado tem outro tipo de velocidade, muitas vezes eles é que não estão preparados para isso e como o tempo tem que se ir adaptando.“

Jogador - Ruben Cardoso, 16 anos de idade, jogador dos juvenis do CD Tarei, na posição de extremo direito.

“É melhor para passar a bola, correr e não dá tanto medo para ir ao chão….”

O desporto favorito deste jogador é o futebol, tendo já jogado no clube Desportivo do Furadouro. Este jovem acalenta o sonho de poder vir a ser jogador ou treinador profissional de futebol.

A sua experiência nestes dois clubes já formou a sua opinião sobre a introdução deste relvado sintético no Tarei, “É melhor para passar a bola, correr e não dá tanto medo para ir ao chão, é bom para quem tiver velocidade, porque conseguem ganhar muitas bolas em profundidade e também para rematar.”

Antigamente quando chovia nos pelados as dificuldades aumentavam, mas na relva sintética “quando a bola bate aumenta a velocidade e fica bom para correr”.

 

 

Adepta do CDT, mãe do capitão - Maria dos Anjos, 43 anos, de Santa Maria da Feira.

“É uma mais valia, chama mais pessoas, isto ficou mais evoluído.”

Os tempos evoluíram e felizmente o futebol começou a receber as mulheres como jogadoras ou adeptas. Maria dos Anjos é simpatizante do CDT há cerca de dois anos, contribuindo para isso o facto de ser mãe do capitão Tiago Fonseca, que tem 16 anos de idade e joga a defesa esquerdo.

Este jogador ingressou no CDT duma forma diferente, a mãe contou que “Ele gosta de futebol e na escola e há cerca de três anos, um senhor que o viu jogar convidou-o a vir para aqui para o Tarei. Ele veio experimentar e gostou.” O filho dela já não conheceu a realidade de jogar num pelado, mas já teve essa experiência quando foram jogar ao Milheiroense, sobre isso disse o mesmo, “Que é muito mais difícil, aleijam-se mais facilmente, tem mais água, mais covas, é mais complicado.”

Como mãe dum atleta o campo com relva sintética, “É uma mais valia, chama mais pessoas, isto ficou mais evoluído.” O filho está satisfeito porque “quando acabou a época passada teve uma proposta para ir jogar para outro clube, mas acabou por não ir porque gostava aqui deste pessoal.”

 

 

História do clube

Com a denominação oficial de Coletividade de Recreio Educação Cultural e Desporto de Tarei, foi fundado a 25 de setembro de 1972. Durante as décadas de 70 e 80 mantiveram o futebol federado e na década de 80 chegou a ser campeão distrital de Aveiro da 2ª divisão. Em 1988 terminou o futebol sénior federado e, alguns anos mais tarde, termina também o futebol juvenil federado.

No campo das atividades lúdicas e culturais, esta associação tem igualmente um significativo historial. Em 1976 e 1977 a coletividade desenvolveu uma secção cultural que trouxe a Tarei o TUP - Teatro Universitário do Porto. Levou a cabo vários espetáculos com o grupo de teatro local encenando várias obras de António Aleixo.

Também o cinema passou pela antiga Escola Primária de Tarei pelas mãos desta associação. Nos anos 90 a coletividade patrocinou o Rancho "As Fidalguinhas de Tarei". Em 1992 a coletividade apoiou a realização de uma exposição de trabalhos de artesanato, em madeira, do Sr. António Santos (António da Couta).

Durante a década de 90, por vários anos, juntamente com Alberto Ferreira Correia, apadrinhou o Dia Mundial da Criança (1 de junho) para as crianças da Escola Primária de Tarei. No campo desportivo, o Clube Desportivo de Tarei mantém a sua atividade com os Veteranos, participando em diversos torneios dentro e fora do país.

Desta forma, na atualidade o Grupo dos Veteranos do CDT é o principal representante do Clube, de Tarei e de Santa Maria da Feira, mas o seu grande objetivo é representar os melhores valores que o Futebol pode gerar: desportivismo e amizade.

Fonte para a história do clube: http://clube-desportivo-tarei4.webnode.pt/sobre-nos/

 

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social com distribuição da informação pela Internet, que visa promover a identidade regional e o turismo através da promoção da cultura, património, monumentos, museus, desporto, economia, gastronomia, ecologia e coletividades dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, Arouca e dos restantes municípios desta região.

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