As Giestas da Maria Alice Maria Alice Soares - Vila Viçosa - Canelas - Arouca
segunda, 28 maio 2018 07:43

As Giestas da Maria Alice Destaque

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Os nossos leitores devem estar recordados de termos contado a nossa aventura de bicicleta entre Castelo de Paiva e Alvarenga. A dada altura em Vila Viçosa – Espiunca - Arouca, no final duma subida, surgiu na curva uma pequena casa, com um bonito e colorido jardim à beira rua plantado. A pequena casa e terreno estavam totalmente submersos por todo o tipo de plantas, flores, vasos e onde as giestas eram rainhas. Como gostamos de fotografia e dos aromas que o ar adornava, paramos um pouco para contemplar a maravilha.

Maria AliceA nossa presença chamou atenção da proprietária que simpaticamente acedeu a falar connosco. Ali vive Maria Alice Soares, com 74 anos de idade, viúva, já ali vive há 23. Tem três filhos, o rapaz está em Andorra, as filhas uma está em Sintra e a outra em Arouca, disse com orgulho já ter uma neta com 28 anos.

Em relação ao seu jardim disse gostar muito de flores e especialmente de giestas, possuindo quatro qualidades, cor-de-rosa, amarelo/vermelho e duas de amarelos. Foi apreendendo com a vida a tratar das suas plantas e agora reformada passa o tempo a cuidar delas. Para ali muita gente para ver as suas flores.

Como muita gente não teve uma vida fácil, também teve trabalhos e canseiras. A sua família no tempo do mineiro foi para Rio de Frandes, onde o seu pai trabalhou nos compressores de ar, para os mineiros usarem nos martelos pneumáticos. Naquela altura as minas de volfrâmio eram exploradas por Alemães. Esteve nesta terra dos sete aos dez anos, corria os anos de 1958/60, quando aquela exploração acabou tiverem que regressar.

Leia também: De bicicleta por rios, aldeias e florestas de Castelo de Paiva e Alvarenga

Regressada à terra natal foi guardar gado para as serras, depois foi viver para Vilarinho e quando casou regressou novamente com o marido a Rio de Frades, onde trabalharam na venda de minério a particulares.

Durante a exploração das minas pelos Alemães, havia pessoas muito ricas e outras muito pobres. Os mais necessitados eram obrigados a dormir debaixo dos sobreiros ou dentro das minas. Ainda se lembra da história do seu tio, que estava dentro duma mina, “Um dia o meu tio Venceslau foi atacado por lobos, gritou e o irmão veio ajuda-lo atirando nos lobos com uma pistolazita.”

Naquele tempo havia muita miséria, muitos mineiros morriam dentro das minas, contou que só de uma vez morreram cinco, porque as paredes das minas não eram protegidas por escoras e desabavam em cima dos esforçados trabalhadores.

No final da nossa conversa foi buscar algumas memorias que trouxe dos tempos de Rio de Frades e mostrou-nos as peças caleira e rapeta, que eram usados para retirar o minério e um gasómetro para os iluminar. Ainda tem na sua posse uma malga por onde os Alemães davam de comer aos trabalhadores.

Antes de seguirmos viajam matou-nos a sede com água, mas não deixou de nos oferecer um copito de vinho.

 

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Ondas da Serra

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