História de Arouca com passado sarraceno romano e germano Mosteiro de Arouca

História de Arouca com passado sarraceno romano e germano

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A história de Arouca é conhecida desde os tempos longínquos, devido à existência de alguns vestígios pré-históricos. A civilização romana também deixou a sua marca através de uma via romana que começava em Viseu e cruzava o concelho de Arouca rumo ao Porto. Nota-se a presença de populações de origem germânica, que resultam das invasões bárbaras, devido à toponímia como exemplo os nomes Sá, Sarail, Alvarenga, Burgo, Escariz, Friães e Melareses. Neste artigo vamos conhecer a sua história e evolução deste concelho de Aveiro. O Mosteiro de Arouca, está profundamente ligada ao seu passado e granjeou grande reputação com o ingresso nos seus claustros de D. Mafalda, filha do rei D. Sancho I, o Povoador.

História de Arouca remonta à pré-história e domínio romano

"Com as invasões muçulmanas, os núcleos habitacionais de Arouca ficaram quase desertos da população cristã, que se asilou em sítios mais a Norte, de onde terá voltados mais tarde com os avanços da reconquista cristã para Sul e a instabilidade afastou-se.A Infanta D. Mafalda, filha de D. Sancho I contribui para a história e desenvolvimento de Arouca com a fundação do Mosteiro no século X.

A história de Arouca anda de mãos dadas com o Mosteiro de Arouca. O povo arouquense viveu, trabalhou, rezou e gozou os seus tempos livres em seu redor durante muitos séculos. O Mosteiro de Arouca, nos primeiros anos do século XIII, passou para a posse da Coroa e D. Sancho I deixou-o em testamento para a filha D. Mafalda.

Já no controle de D. Mafalda, o Mosteiro, era o responsável pela dinâmica económica de Arouca. Após a morte de D. Mafalda evocou-se a sua proteção, sua memória, sua fama de santa e o seu culto (Saraiva, 2004)."1

A evolução do concelho de Arouca ao longo da história2

"O Concelho de Arouca é composto por dezasseis freguesias

O atual concelho de Arouca é composto por dezasseis freguesias e resultou de uma evolução que se processou ao longo de alguns séculos. Arouca herdou freguesias de concelhos suprimidos no século XIX e até concelhos na sua globalidade.

O concelho de Vila Meã do Burgo deu origem à freguesia do Burgo quando, em 1817, foi anexado ao de Arouca. Com a extinção dos municípios de Alvarenga (1836) e Fermêdo (1855), Alvarenga acrescentou a Arouca as freguesias de Santa Cruz de Alvarenga, Canelas, Janarde e Espiunca e Fermêdo as freguesias de S. Miguel do Mato, Fermêdo, Escariz e Mansores. A freguesia de Covêlo de Paivó, que pertencia ao concelho de S. Pedro do Sul, foi anexada em 1917 ao concelho de Arouca.

O antigo couto de Arouca, que congregava a maior parte das atuais freguesias, era constituído pelas freguesias de S. Bartolomeu – em 1846 foi desdobrada nas de S. Bartolomeu de Arouca e Santo Estêvão de Moldes – Cabreiros, Albergaria da Serra, parte da de S. Salvador do Burgo, Santa Eulália, S. Miguel de Urrô, Várzea, Rossas, Santa Marinha de Tropêço e Chave.

Arouca tem vestígios de ocupação pré-histórica, romana e normanda

O território de Arouca foi povoado desde tempos remotos, como o comprovam múltiplos vestígios pré-históricos encontrados. É, contudo, difícil determinar e estudar os vários períodos da sua ocupação pelos nossos antepassados mais longínquos.

Da época da presença e domínio dos romanos na Península Ibérica, há pouca informação disponível. Pelos vestígios arqueológicos encontrados, deve ter sofrido uma romanização tardia, talvez por estar localizada já fora das zonas mais próximas do litoral das vias de circulação Norte/Sul.

Pela toponímia é atestada a permanência de populações de origem germânica (resultante das chamadas invasões bárbaras). Nomes como Sá, Saril, Alvarenga, Burgo, Escariz, Friães, Melareses, são exemplificativos.

Arouca teve presença incursões de mulçulmanos e guerras com dos cristãos

Nos períodos mais recentes, como as incursões muçulmanas, há mais informações. Neste período, os núcleos habitacionais de Arouca ficaram quase desertos de população cristã, que se refugiou em locais pouco acessíveis ou noutras paragens mais a Norte, donde só terá regressado quando, mais tarde, com os avanços da Reconquista Cristã para Sul, a instabilidade se afastou. (A lenda da Sr.ª da Mó refere-se a este período).

A história de Arouca está ligada à fundação do seu mosteiro e presença de D. Mafalda

No entanto, a história de Arouca só ganha destaque entre outras terras, a partir da fundação e posterior crescimento do seu Mosteiro e, sobretudo, após o ingresso, na sua comunidade de religiosas, de D. Mafalda, filha do nosso segundo rei, D. Sancho I. A história de Arouca não pode, por isso, dissociar-se da história do seu Mosteiro. Foi à sua sombra e à sua volta que, durante muitos séculos, grande parte do povo arouquense viveu, trabalhou, rezou e gozou alguns dos seus poucos tempos livres.

O Mosteiro de Arouca foi erigido no século X e o seu primeiro padroeiro foi S. Pedro. Foram seus fundadores Loderigo e Vandilo, nobres de Moldes. O primitivo edifício não seria mais do que uma pequena moradia, abrigando no seu interior um pequeno número de professos de ambos os sexos. Já no século XII, com o domínio da congregação religiosa por parte de D. Toda Viegas e família, a sua riqueza e engrandecimento tornaram-se notáveis.

D. Afonso Henriques concedeu privilégios às monjas do Mosteiro de Arouca

D. Afonso Henriques, ainda antes da independência nacional, concedeu a esta fidalga e às monjas de Arouca vários privilégios e doações. Entre eles constam as cartas de couto de 1132 e de 1143. Nos primeiros anos do século XIII, o Mosteiro de Arouca passou para a posse da Coroa e D. Sancho I deixou-o em testamento a sua filha D. Mafalda. O seu ingresso na comunidade religiosa de Arouca deu-se entre 1217 e 1220.

O Mosteiro de Arouca granjeou fama com D. Mafalda

D. Mafalda levou o Mosteiro a uma época de esplendor, que o marcou para sempre, não só pela honra de nele se ter recolhido, como pelos benefícios materiais que consigo trouxe e lhe atribuiu. O Mosteiro, já apenas feminino, era o principal polo de dinamização económica do vale de Arouca.

Após a morte de D. Mafalda, em 1256, o prestígio do mosteiro continuou evocando a sua passada proteção, a sua memória, a sua fama de santa e o seu culto. Foi beatificada em 1792. O seu corpo repousa numa urna, executada em ébano, cristal, prata e bronze, numa das alas da Igreja do Mosteiro, para onde foi trasladada em 1793."2

O que fazer em Arouca - O que ver em Arouca - Onde comer em Arouca - Onde dormir em Arouca

O concelho de Arouca incrustado no meio das serras do distrito de Aveiro, possui uma grande riqueza que o nosso leitor poderá conhecer na uma síntese que fizemos do que pode fazer, ver, comer e dormir em Arouca. Neste artigo o visitante poderá conhecer o passado geológico da terra, fósseis dos maiores trilobites do mundo, onde os romanos exploraram minas de ouro, um Mosteiro onde está sepultada D. Mafalda, Passadiços do Paiva que colecionam prémios internacionais, uma ponte suspensa de arrepiar que já foi a maior do mundo, praias fluviais paradisíacas e percursos pedestres maravilhosos e outras atrações ímpares do património natural e arquitetónico.

Neste concelho destacam-se as suas aldeias, perdidas nos montes, incrustadas em granítica rocha, onde o tempo corre devagar. O visitante depois de tanta atividade tem que comer a conhecida posta arouquesa e provar a doçaria conventual com as conhecidas castanhas doces, mas onde há outros manjares dignos de reis, numa terra que nunca se esgota e tem sempre aventuras e surpresas para descobrir.

Créditos e Fontes pesquisadas

Texto: Ondas da Serra com exceção do que está em itálico e devidamente referenciado.
Fotos: Câmara Municipal de Arouca
1 - Silva, M. F. O turismo aventura no Rio Paiva e o turismo rural em Arouca (Tese de Mestrado). Disponível na RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro. (Uhttp://hdl.handle.net/10773/12393)
2 - cm-arouca.pt/municipio/concelho/

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Autor

Ondas da Serra

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