Viagem à Pré-História e fragrâncias da Serra da Freita Serra da Freite - Aldeia da Castanheira - Local das conhecidas "Pedras Parideiras"
domingo, 24 maio 2020 10:28

Viagem à Pré-História e fragrâncias da Serra da Freita Destaque

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Ondas da Serra regressou Arouca para conhecer melhor a Serra da Freita, pelos caminhos do trilho “Viagem à Pré-História”.Esta é uma das épocas do ano mais aconselhadas para fazer este percurso, porque a mãe natureza acordou para florir as encostas despidas destes montes com urze, carqueja e giestas, pintando-as de tonalidades amarelas e lilases, que enchem o ar com doces odores perfumados.

Bois da raça arouquesaComo já sabíamos a extensão do trilho fomos cedo para não sermos surpreendidos pela noite na serra. Ainda o sol timidamente brilhava no horizonte quando já saíamos da aldeia do Marujal com o marco geodésico de São Pedro Velho à vista. Por uma ponte demos os bons dias ao pequeno Caima, que se irá juntar mais tarde ao Vouga para navegarem juntos até à Ria de Aveiro e se perderem na vastidão do Oceano Atlântico.

A nossa máquina fotográfica foi incapaz de captar toda a beleza apresentada, com a sua perfusão de cores e tempo difuso encoberto com algumas abertas que deixavam entrever a luz azul do céu. Nós bem tentámos congelar estes momentos de rara beleza para a eternidade, mas há poemas que nem os poetas os sabem declamar.

A primeira aldeia que visitamos foi Albergaria da Serra, por estas bandas o gado da raça Arouquesa sabe sair e regressar ao curral sozinho. Este gado deambula pelos montes em redor em liberdade para se alimentar.

Estávamos nós a fazer um vídeo, quando surgem alguns exemplares com a sua imponência e que passaram imperturbáveis pelo apertado caminho. Não fossemos nós conhecedores da sua mansidão e teríamos apanhado um grande susto, como aconteceu há muitos anos. Não fossem estes bois saberem a sua força e os homens não lidariam com eles da forma bruta como por vezes o fazem. Enquanto não fazem isso vão lutando entre si, conforme podemos observar numa rápida contenda entre três machos e que por via das dúvidas saímos dali de mansinho rapidamente.

A caminho do Junqueiro fomos ver o geossítio das “Pedras Boroas”, assim chamadas pelos sulcos que a grande amplitude térmica provoca e que fazem lembrar ao povo a côdea das "boroas de milho".

Ao chegar à Castanheira, conhecida pelas pedras parideiras, não foi preciso as ver no seu Centro Interpretativo porque aquela parte do caminho estava atulhada de exemplos deste curioso fenómeno de geológico de "pedras que dão à luz outras pedras". Aqui aconselhamos as pessoas que ainda tenham energia para saíram um pouco do trilho, caminharem mais alguns metros pela estrada que ladeia esta aldeia para irem ver doutro ângulo a queda de água da Frecha da Mizarela.

Para aquelas pessoas que não possam fazer o trilho avisamos que o Centro Interpretativo ainda se encontra fechado, mas pode fazer a visita à parte exterior. Se for de automóvel aproveite para ver as “Dobras da Castanheira”, onde existe um fragmento dum estrato rochoso com 350 milhões de anos, dobradas pelas forças das placas tectónicas.

Lembre-se de consultar o tempo antes de ir caminhar para as montanhas, nós já estávamos avisados que poderíamos ter alguns chuviscos e tivemos sorte porque isso aconteceu quando passávamos na aldeia de Cabaços.

Acabamos esta visita a observar mais de perto da Frecha da Mizarela e ao longe a Ria de Aveiro. Ali perto existe o geossítio denominado “Marmitas Gigantes do Caima”, onde poderá observar no leito rochoso do rio a erosão que as águas e os sedimentos provocam.

Aqui também existe uma praia fluvial e se a visitar no verão, aproveite para descer esta encosta que dá acesso ao vale onde corre o Caima. Na vertente onde as águas caem vai encontrar pequenos lagos em patamares, onde os jovens locais se divertem e namoram. O acesso a este local faz-se da seguinte forma: No sentido Frecha da Mizarela - Praia Fluvial de Albergaria da Serra, encontra uma estrada que desce à sua direita, logo de seguida surge um pequeno trilho à esquerda que deve seguir. Leve calçado apropriado e vá preparado para caminhar um pouco até encontrar o rio no fundo do vale.

Já o sol se preparava para dormir quando terminamos o trilho felizes e extenuados, não pelas dificuldades do terreno, mas sobretudo pela sua extensão.

Download do panfleto: Viagem à "Pré-história"

 

 

Vídeos do percurso

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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