Pedras Boroas do Junqueiro | As côdeas do povo Pedroas Boroas do Junqueiro Ondas da Serra
quarta, 17 junho 2020 18:13

Pedras Boroas do Junqueiro | As côdeas do povo Destaque

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A Serra da Freita é dotada de prodígios geológicos, rochas dobradas com milhares de anos, pedras que dão à luz ou são pão para o povo. Lá para os lados do Junqueiro - Arouca, os penedos resolverem tomar forma de boroas para enganar o engenho humano.

Nesta terra as amplitudes térmicas, metereologia, composição das rochas e quem sabe inteligência destes seres que se dizem inertes, criaram-lhes uma curiosa textura que depressa “enganou” o povo, já que parecem côdeas de boroas, daquelas saborosas de milho, que desde tempos imemoriais saciou a sua fome.

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Seja como for nem umas dão à luz nem outras matam a fome, contudo apesar de mentirosas, não deixam de ser bonitas, excêntricas e dotadas de personalidade.

 

Rota da Água e da Pedra – Montanhas Mágicas*

As Pedras Boroas são o resultado da erosão diferencial que o granito sofreu e que pós em evidência a sua estrutura base. Este fenómeno dá origem à formação de uma rede de fissuras poligonais nas partes da rocha mais erodidas que, à vista desarmada, lembra a superfície de uma boroa, pelo que a rocha foi assim batizada. As Pedras Boroas do Junqueiro são um importante geossítio do Arouca Geopark que se enquadra num relevo residual de granito da serra da Freita, aflorante no planalto de Albergaria da Serra. A erosão que origina este padrão resultou do clima agreste com grandes amplitudes térmicas que se faz sentir no cimo da serra. Este planalto é marcado por uma paisagem deslumbrante, onde as pastagens e urzais alternam com as turfeiras (habitat muito raro e protegido), que se formam nas imediações das linhas de água que alimentam o rio Caima.

Turfeiras*

As turfeiras são um dos habitats mais raros e diversos das nossas montanhas. Relíquias vivas dos tempos dos glaciares, estas são hoje refúgio de muitas espécies de plantas e animais que aqui prosperam. Localizadas no planalto da Freita, entre os 950 e os 1050 metros de altitude, algumas foram constituídas microreservas pela Quercus. Ao longo de todo o planalto da Freita este raro habitat desenvolve-se junto às linhas de água, juncando de verde as ribeiras que serpenteiam entre os maciços graníticos. O esfagno, musgo que constitui os alicerces das turfeiras, forma tapetes almofadados capazes de uma enorme retenção de água nos seus tecidos. Junto à casa florestal, um imponente filão de quartzo de mais de 3 metros de largo rasga a montanha no sentido NW-SE, testemunhando os fenómenos orogénicos que ergueram a serra da Freita.

*Fonte: Arouca Geopark

Leia também: Viagem à Pré-História e fragrâncias da Serra da Freita

 

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Ondas da Serra

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