Aldeia de Noninha na Serra de Montemuro Casa na Aldeia de Noninha - Alvarenga - Arouca
quarta, 13 março 2019 09:40

Aldeia de Noninha na Serra de Montemuro Destaque

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Ondas da Serra regressou ao local onde nasceu, nas encostas da Serra de Montemuro em Arouca. Não nos cansamos de trilhar os seus caminhos, respirar os seus ares e escutar os seus silêncios, por vezes distraídos pelos chocalhos dos rebanhos das vacas, cabras e ovelhas que já vão rareando.

Marco de altitude na Serra de MontemuroO percurso que fizemos foi o PR1 – Caminhos de Montemuro, com cerca de 19 Km, que começa junto ao santuário de Nossa Senhora do Monte em Alvarenga. Aqui o visitante tem uma visão magnifica das povoações que brotaram do vale, Alvarenga, Bustelo e Noninha. O horizonte é pontilhado pelas cristas das serras a perder de vista, só casualmente é permitido ao sol vigiar pelas frestas das nuvens.

O percurso é longo e difícil devido à maior parte dos caminhos serem em cascalho, só melhora no topo da serra, nas imediações da Capela de Nª Senhora do Campo e parque eólico.

Se for cedo e tiver sorte poderá encontrar rebanhos de animais e alguns dos últimos pastores.

No vale a aldeia de Noninha é muito bonita e as vacas andam sozinhas pelos matos e caminhos ancestrais, o que não deixa de colocar uma certa inquietude aos citadinos menos habituados, mas não tenha medo que são animais pacíficos, não sendo atormentados.

Estávamos nós nesta aldeia, sentados na beira de um muro, a contemplar os campos verdejantes e o rio defronte, quando surgiu um simpático homem, com a sua enxada ao ombro e depressa se entabulou uma conversa. Abel Costa, com 48 anos, aqui casou, tem um casal de filhos já adultos e três netos. Trabalha no Porto de onde regressa aos fins-de-semana para ajudar a esposa na agricultura e criação de gado da raça Arouquesa. Quando nos encontrou ia cortar a ceia do gado, composta por feno, erva, ração e água, depois ia leva-las para os currais. Quisemos saber se não existia por ali algum estabelecimento de comidas e bebidas, disse que não, mas convidou-nos para sua casa, reforçando aquele fado da Amália, “E se à porta humildemente bate alguém, Senta-se à mesa com a gente”, aqui fizemos mais uns amigos.

Este percurso está bem assinalado, tem poucas árvores, só no começo junto ao santuário e nas margens do rio que passa em Noninha. Aconselhamos fazer este trilho na Primavera, depois da mudança da hora, porque é muito extenso e difícil. Deverá levar umas boas botas de caminhada porque a maior parte do piso é muito difícil.

O tempo acabou, regressamos ao santuário da Nossa Senhora do Monte onde vimos um magnifico por-do-sol e quisemos congelar o tempo, esse rio interminável que flui do passado para o futuro e que ainda nem os físicos se entendam se é possível navegar nele em várias direções.  

Já a noite tinha coberto com o seu manto toda a serra, mas ainda fomos a tempo de provaremos num restaurante em Alvarenga a posta a Arouquesa.

Antes de acabar temos um pedido a fazer aos clubes e associações que organizam caminhadas, BTT e trails. Nós pedimos que no final retirem os plásticos de sinalização, encontramos espalhados pela serra que visitamos uns vermelhos, era fácil para nós identificar a associação que os deixou espalhados, mas não é o nosso objetivo, depois o vento e o tempo acabam por os destruir e aumentar este tipo de poluição. Quem organiza estes eventos deve gostar da natureza, então para terem coerência não a conspurquem.  

Pontes de Interesse: Santuário de Nossa Senhora do Monte, Capela de São Pedro do Campo, Marco Geodésico de Pedra Posta, aldeias de Noninha e Bustelo.

Mais informações sobre o percurso.

 

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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