Ana Pires: a exploradora de todas as fronteiras Ana Pires participou no projecto PoSSUM - Ciência Suborbital Polar na Alta Mesosfera, apoiado pela NASA e que decorreu na Flórida (EUA)
sexta, 08 março 2019 16:07

Ana Pires: a exploradora de todas as fronteiras

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Ana Pires: “Não consigo passar muito tempo sem respirar o ar do mar! Este mar de Espinho que me dá forças!”

A primeira mulher cientista-astronauta portuguesa é natural de Espinho e vive em Lourosa, Santa Maria da Feira. Ana Pires nasceu a 13 de janeiro de 1980 e cresceu na vila portuguesa de São Paio de Oleiros. Aos 38 anos participou no projecto PoSSUM - Ciência Suborbital Polar na Alta Mesosfera, apoiado pela NASA e que decorreu na Flórida (EUA).

“Querer saber mais” levou Ana Pires a querer explorar o mar e o espaço. Falamos com a investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) numa entrevista sobre o espaço, o mar e Espinho.

  1. Como é que saltou do mar e das rochas industriais para o espaço?

Para mim é tudo engenharia e tecnologia, tem esta ligação comum nas diferentes áreas em que trabalhei e continuo a trabalhar. A área das geotecnologias do mar levou-me ao INESC TEC onde estou agora a trabalhar em mineração debaixo de água e robots/sistemas autónomos subaquáticos. Tendo este enquadramento, e tendo já desde 2015 curiosidade sobre este projecto apoiado pela NASA, o Programa PoSSUM, levou-me a concorrer. E fui uma das selecionadas. Penso que no Laboratório de Robótica, que é onde estou, esta ligação ao espaço faz todo o sentido, porque o nosso Lab poderá apoiar projetos na área das tecnologias e servir como Lab de validação de dados e testes.

  1. O espaço é essencialmente vazio. O que é que a fascina?

Será que o espaço é vazio??? (Risos) Não me parece... O que me fascina, e deve ser intrínseco a todo o ser humanao, é o desconhecido! O querer saber mais!

  1. O desconhecimento é o ponto comum entre o que é feito debaixo de água e no espaço.

Concordo, vai de encontro ao que respondi acima. Existe este denominador comum que é o desconhecido e que nos faz querer explorar o fundo do mar e o espaço. Se calhar o fundo do mar como um ambiente ainda mais extremo e difícil de explorar. Basta percebermos que apenas 3 pessoas foram até ao local mais profundo do mar (cerca de 11 km) e ao espaço mais de uma dúzia já exploraram!

  1. A Ana enquanto investigadora dos mares vê o espaço de que forma?

Vejo como uma oportunidade de poder aprender mais sobre este ambiente, e vejo como uma oportunidade de poder explorar com as Instituições onde trabalho (ISEP/INESC TEC) em futuros projectos ligados à Indústria espacial.

  1. Quando ingressou no Possum, foi com que objetivo?

Poder perceber quais os meus limites, aprender mais, conhecer colegas de todo o mundo e com diferentes backgrounds! Mas acima de tudo, poder levar o meu know-how, e trazer conhecimentos para o Laboratório.

  1. Os conhecimentos que adquiriu serão importantes para o seu trabalho futuro enquanto investigadora?

Sem dúvida, trabalho cada vez mais para continuar a fazer mais cursos no âmbito do projecto PoSSUM, e aproximar-me cada vez mais do Espaço.

  1. De todas as experiências que viveu, qual a foi dura?

Para mim a mais dura, e mais espetacular, foram os voos acrobáticos para experimentar as forças G.

  1. Foi recentemente selecionada para fazer parte de um curso ligado a tecnologias e instrumentação. Pode falar sobre ele?

O Curso que irei fazer em maio no Arizona, será sobre Geologia Lunar e de Marte, no âmbito do Projecto Otter, ainda no programa PoSSUM. Este curso irá permitir preparar idas ao terreno (análogo ao Espaço) para recolha de rochas, sedimentos, preparar os testes e ensaios que são necessários quando se está mesmo numa missão. Recorrendo aos fatos espaciais. Para saber mais, clique aqui.

  1. Sendo natural de Espinho, tem uma ligação especial com o mar?

Tenho! Muito próxima! Está dentro de mim, o mar, a água, as pedras dos esporões de Espinho. Conheço muito bem a costa de Espinho, no âmbito do meu Mestrado em Minerais e Rochas Industriais, e posteriormente no meu trabalho de Doutoramento. Não consigo passar muito tempo sem respirar o ar do mar! Este mar de Espinho que me dá forças! Foi a cidade que me viu nascer. Por outro lado, São Paio de Oleiros foi a Vila que me viu crescer, e onde tenho a minha família e amigos e obviamente que também está sempre no meu coração. Por isso tenho dois amores!

  1. Quais são os planos para o futuro?

Continuar a trabalhar e a estudar, estou neste momento muito empenhada no Curso de Mestrado (mesmo com um Doutoramento em Geociências voltei a estudar) Engenharia Eletrotécnica e de Computadores - Sistemas Autónomos (Robótica) do ISEP. Estou muito interessanda em trabalhar em projectos futuros na indústria espacial, continuar a formação nesta área. E recentemente tive oportunidade de conhecer o primeiro cientista-astronauta, o homem mais bem prepado para ir à Lua, o Prof. Rui Moura, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, e estamos a trabalhar em conjunto.

 

 

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Autor

Ricardo Grilo

Histórias capazes de entrar em contacto com as emoções de quem as lê justificam a minha paixão pelo jornalismo. Natural de Santa Maria da Feira, acredito no potencial de um concelho em ensaios para escrever a sua autobiografia. Aos 24 anos, e enquanto colaborar do ‘Ondas da Serra’, procuro a beleza em escrever sobre uma terra tão especial.

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