Igreja Paroquial de São Mamede de Guisande Igreja Paroquial de São Mamede de Guisande
quinta, 30 maio 2019 03:39

Igreja Paroquial de São Mamede de Guisande Destaque

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Nas nossas voltas pelo distrito de Aveiro, fomos até Guisande em Santa Maria da Feira, onde descobrimos a sua bonita Igreja Paroquial em honra de São Mamede e Capela de Nossa Senhora da Boa Fortuna.

Sobre tão peculiar nome de terra, as nossas pesquisas revelaram que, “Os mestres da língua alemã inclinam-se para a opinião que sustenta ser a palavra “Guisande” de origem visigótica. Datará pois, Guisande da época em que os visigóticos, de origem germânica, invadiram a península… ” (Pinto, 1999).

Terra com uma história tão antiga fez nascer uma bonita igreja que sendo nós de Ovar, apaixonados pelo azulejo, nos agradou sobremaneira encontrar. Incrustada no meio de um vale e com um belo adro de acesso, a sua fachada de azulejos retrata cenas do Mosteiro de Alcobaça e vários pormenores que denotam a qualidade da pintura à mão livre efetuada.

Consultadas as nossas fontes obtivemos as seguintes informações, “De muito razoáveis dimensões e equilibrada traça é o templo paroquial de S. Mamede de Guisande, estrutura edificada entre o último quartel do século XVII (a respectiva capela-mor andava em obras por 1686) e os meados setecentos (a torre sineira datará já de 1764). No seu interior figuram aliás as datas de 1712 e 1737, apostas respetivamente à pia batismal e ao arco cruzeiro. O Imóvel apresenta, adossada ao flanco norte, uma sólida torre quadrangular de dois pisos, rematada ao alto por uma alva cobertura piramidal alongada. Quando ao alçado principal da igreja, este surge rasgado por um austero portal liso, de pesada arquitrave; um pouco acima, surge então um também sóbrio janelão quadrangular gradeado, este rematado em frontão triangular. A empena, interrompida por um par de volutas na sua zona central, sobreleva-se ligeiramente a partir desse exato ponto, com os vértices engalanados de altivos pináculos. Toda a frontaria surge dotada de um curioso revestimento azulejar com belos painéis figurando, em tons de azul e branco, dois alçados do Mosteiro da Batalha, as armas e estandarte da Ordem de Aviz, entre outros motivos envolvidos por uma cercadura em grinalda." (Anégia Editores, 2000)

Ali perto no Monte do Visio fomos também visitar a Capela de Nossa Senhora da Boa Fortuna, que também alberga o Santo António e tem romaria no primeiro domingo de agosto em honra destes santos.

No chamado Monte do Vizio ergue-se por seu turno e desde 1670, a Capela de Nossa Senhora da Boa Fortuna, rodeada por um amplo e aprazível recinto arborizado, onde não falta um elegante coreto e um conjunto de cruzes pétras a compor uma espécie de Calvário. O frontispício é singelo, mostrando também forrado a azulejo.” (Anégia Editores, 2000)

Este mundo está cheio de intrigadas ligações e a fachada desta igreja fez-nos lembrar uma outra em honra do mesmo santo, situada em Valongo. A diferença é que a de Guisande glorifica um monumento nacional e de Valongo retrata a vida do santo.

Mas o assunto não termina aqui porque passado uns dias desta feliz descoberta, fomos visitar a exposição “Da fotografia ao Azulejo” de José Luis Mingote Calderón (Museu Nacional Soares dos Reis)”, integrado no “Maio do Azulejo”, promovida pela autarquia de Ovar. O seu autor ao ter por nós conhecimento deste templo, quis a sua localização, para possivelmente a visitar no âmbito do seu trabalho. “A exposição "Da Fotografia ao Azulejo. Povo, monumentos e paisagens de Portugal na primeira metade do século XX.” remete-nos para a temática nacionalista que vai caracterizar a pintura de muitos painéis de azulejos daquele período. Encontramo-los um pouco por todo o país em espaços públicos, com grande relevo para as estações de caminho-de-ferro e para os mercados. Em muitos casos a sua fonte iconográfica são as fotografias da época, divulgadas através de livros, revistas ou postais, elementos fundamentais na difusão da imagem do país, com os seus heróis, monumentos gloriosos, paisagens características de cada região e o povo rural como modelo de felicidade.” (CM Ovar - 2019)

Pinto, António Ferreira. (1999). Defendei as vossas terras.            

Anégia Editores, prod.; Silva, João Belmiro Pinto da, ed. lit.; Gomes, Catarina Sofia, ed. lit.; Veiga, Fernando Mendes, fotogr. (Paços de Ferreira : Anégia, D.L. 2000). Feira, Terras de Santa Maria.

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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