Válega | Igreja Nossa Senhora do Amparo Igreja Nossa Senhora do Amparo - Válega
quarta, 28 março 2018 11:12

Válega | Igreja Nossa Senhora do Amparo Destaque

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A equipa do Ondas da Serra visitou a bonita Igreja Nossa Senhora do Amparo, em Válega, situada a poucos quilómetros de Ovar. Oficialmente é conhecida como Igreja Matriz de Santa Maria, esta obra imponente define-se pelas suas fachadas e interior em azulejos onde estão retratadas passagens religiosas. A Senhora do Amparo é a padroeira desta vila, no concelho de Ovar, e enche-se de vida todos os anos no dia 15 de agosto. Muitos emigrantes regressam a casa e participam na romaria.

Válega | Igreja Nossa Senhora do AmparoDepois de admiramos o seu exterior quisemos sentir como era o seu acolhimento, mas a Igreja estava fechada.  Contudo, um idoso ali perto seguia-nos com atenção e descobrimos que era o seu guardião. Prontificou-se a abrir o tesouro para nós.

António Matos tem 84 anos e ajuda a esposa, Almerinda Borges, a zelar o edifício. Enquanto comerciante, a proximidade com a Igreja permite-lhe estar sempre atento e quando se apercebe de movimentação vai de imediato abrir as portas.

Entretanto chegou para trabalhar Maria Patrício, 77 anos, responsável pela limpeza da Igreja há 33 anos. Três vezes por semana. Já conheceu quatro párocos, Padre Pinho (já falecido), Padre Mota, Padre Tiago e o atual Padre Fernando.

O interior é ricamente trabalhado e remete o visitante para um estado de serenidade que o ajuda apreciar as belezas que o rodeiam.

Como não podia deixar de ser, e sempre que podemos fomos ver a torre sineira, não havia era necessidade de terem batidos as duas horas mal chegamos ao cimo o que nos deixou com os ouvidos a zunir, mas não deixou de ser uma experiência nova.

Leia também: Igreja Matriz de Santa Marinha de Cortegaça

No local compareceu também o sacristão, Fernando Lopes. Contou-nos algumas particularidades histórias, como o incêndio durante a inauguração da primeira Igreja, referido também no livro do Padre Miguel Oliveira: “(…) o edifício estava quase concluído, foi tudo devorado por um incêndio em resultado dum foguete que lhe caiu sob a abóboda… E depois de acabada até ao ponto de ser forrada, e os dois altares colaterais com suas tribunas, e retabulos de excelente talha e bom gosto, foi tudo reduzido a cinzas em 18 d’Ábril de 1787 ou 88… O bom do abade aproveitaria melhor o tempo se lesse os documentos do arquivo paroquial em logar de se lançar em conjecturas. Verificaria, como eu que o desastre se deu em 25 de Abril de 1788, sob a paroquialidade de Domingos Alves Vale... A reedificação decorreu muito morosa em virtude da falta de recursos e dificuldades da época.”, OLIVEIRA, Miguel de. Válega: Memória histórica e descritiva. Ovar, 1981.

O sacristão revelou também que as obras que foram feitas há cerca de 10 anos para estabilizar o arco do coro, revelaram junto à entrada por debaixo dumas tijoleiras umas lajes de pedras de sepulturas antigas, "A actual igreja de Válega serviu muito tempo de cemitério da paróquia. Contavam-se a partir da porta principal nove linhas transversais de sepulturas destinadas aos adultos, tendo cada uma em média 10 campas separas entre si por pequenas paredes. Seguia-se-lhes, junto ao arco cruzeiro, as sepulturas das crianças, reservando-se a capela-mór para abades e demais eclesiásticos." OLIVEIRA, Miguel de. Válega: Memória histórica e descritiva. Ovar, 1981.

Ao longo da sua história esta Igreja foi alvo de cobiça pelos amigos do alheio que a visitavam de noite, aproveitando-se muitas vezes do seu mau estado, da falta de vidros nas janelas ou mau estado das portas, um dos roubos mais importantes aconteceu em 1841, "Os membros da Câmara bem entendiam que, enquanto as aves nocturnas procuravam a igreja, não lhes perturbavam o sono com os seus pios agoirento. Tudo facilitava o assalto aos filhos da noite que de 24 para 25 de Maio levaram todos os vasos e cálices sagrados e muitos outros objetos avaliados então em mais de 115$00 rs.", " OLIVEIRA, Miguel de. Válega: Memória histórica e descritiva. Ovar, 1981.

 

Descrição da Igreja

“A atual igreja de Válega é de arquitetura extremamente simples, em estilo moderno. Não tem naves. É um templo bem proporcionado, e pode comportar cerca de 3.000 pessoas… A fachada está voltada para o mar, e nela se vê, acima da porta principal a imagem da Padroeira, Nossa Senhora do Amparo, em pedra de Ançã. É cercada pelo adro que em tempo serviu de cemitério paroquial e atualmente se encontra arruado e, desde 1912 arborizado.

O coro, sustentado por um arco abatido, já em 1886 se encontrava em condições de pouca solidez, em virtude do grande vão… Tem cinco altares, que a devoção dos fieis conserva sempre adornados com decência e até certos luxos. Em todos se nota a mesma sobriedade de linhas que revelam um artista pouco pretensioso, mas dotado de boa estética”, OLIVEIRA, Miguel de. Válega: Memória histórica e descritiva. Ovar, 1981.

 

Azulejos (Fonte: Turismo de Portugal)

A Igreja da Válega é uma verdadeira obra-prima da arte da pintura do azulejo e, sem sombra de dúvida, uma das mais impressionantes igrejas em Portugal! Ao pôr-do-sol, a fachada da igreja, virada para poente, é particularmente bela, banhada pelos raios de sol. Um verdadeiro templo dourado que brilha com os seus fantásticos azulejos de múltiplas cores.

O patronato da igreja pertenceu a mãos privadas até ao ano de 1150. Desde essa data até 1288 foi o Mosteiro de São Pedro de Ferreira. De 1583 a 1833 foi propriedade do Bispo e da Sé Catedral do Porto.

A Igreja da Válega encontra-se na sua localização actual desde meados do séc. XVIII. 

São de destacar no interior da igreja:

  • intervenções do séc. XX, como por exemplo os tectos em madeiras exóticas, patrocinados por la Família Lopes, assim como revestimentos exuberantes em azulejos, produzidos na Fábrica Aleluia de Aveiro;
  • trabalhos em mármore nas paredes interiores da capela-mor, do côro baixo e do dos ladris gerais.

 

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social com distribuição da informação pela Internet, que visa promover a identidade regional e o turismo através da promoção da cultura, património, monumentos, museus, desporto, economia, gastronomia, ecologia e coletividades dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, Arouca e dos restantes municípios desta região.

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