Parque urbano de Ovar | Onde os caminhos se cruzam Parque Urbano de Ovar
quinta, 14 dezembro 2017 13:52

Parque urbano de Ovar | Onde os caminhos se cruzam Destaque

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O parque urbano Ovar, inaugurado em 5 de Janeiro de 2013 pelo, então, presidente da Câmara Municipal Manuel Alves de Oliveira, permitiu reabilitar uma zona importante da cidade. Agora, vareios e forasteiros podem passear pelos seus recantos, brincar, praticar desporto, caminhar, descansar ou ficar pelo café. Ali bem próximo, junto ao parque da Srª da Graça, outra zona foi reabitada e dá acesso à zona do Casal, onde foi reabilitada uma antiga fábrica de papel para dar lugar à Escola de Artes e Ofícios. As duas zonas têm em comum o facto de partilharem o Rio Cáster e as suas margens comunicarem por bonitas pontes.

Rogério Paulo  - JardineiroHistórias que o tempo apagou

Antes da inauguração do parque, esta zona era constituída por quintais e reza a história que durante o Carnaval muitos rapazolas mais atrevidos atravessam os mesmos para não pagarem bilhete.  Tinham de ter cuidado com os donos dos terrenos privados por onde passavam e ao chegar perto das traseiras do antigo cinema, agora demolido parcialmente, esperar alguns momentos para o Sr. Agente de Autoridade desviar a vigilância e eles poderem passar e sair por debaixo da ponte situada na Rua Ferreira de Castro. Um ano a coisa correu mal a um grupo e a história andou de boca em boca, o rio levava muita água e eles tiveram que descalçar os sapatos, tirar as meias e arregaçar as calças. A coisa ia dando para o torto porque um policia deu com esta malta, nesta triste figura ao chegar ao cimo da rua, mas como no carnaval ninguém leva a mal, lá os deixou passar, mas de certeza que soube o que fizeram, tiveram sorte. 

Acessos

Este parque tem acessos muito úteis pelas artérias principais de Ovar, Avenidas Sá Carneiro e do Bom Reitor, Ruas Ferreira de Castro, José Falcão e Alexandre Herculano. Nesta última, o forasteiro pode apreciar os azulejos, que levou o falecido Rafael Salinas Calado, classificar esta cidade como museu do azulejo. Esta artéria tem também várias estabelecimento de venda do pão de ló de Ovar. Bem próximo deste parque fica situada a estação da CP de Ovar.

Pessoas

O parque é um centro de vida onde as histórias se cruzam, pessoas que zelam pelo mesmo, outras que passeiam os animais, que as rotinas levam a encontrar amigos que fazem o mesmo e aproveitam para trocar dois dedos de conversa e os animais brincarem, todos já se conhecem. Outras alimentam gatos, os jovens executam acrobacias em cima do skate, passam pessoas a correr ou de bicicleta. No verão há rapazes e raparigas que tomam banho no rio.

O jardineiro Rogério Paulo, ovarense, é um dos homens que cuida deste local há oito meses, 43 anos, é casado e tem duas filhas. Já percebia de jardinagem, mas foi um curso que tirou durante sete meses no Centro de Formação de Aveiro que o ajudou a conseguir este trabalho. Ali cuida das plantas, faz limpeza e relata as anomalias verificadas. Gosta de ver as pessoas no parque com os seus animais e algumas já colocam os dejetos caninos nos locais próprios, mas outras ainda se esquecem. O maior problema que o parque enfrenta na sua opinião é o vandalismo, árvores partidas e pinturas nas estruturas em pedra. Pede para as pessoas terem mais respeito pelo parque, que é de toda a gente. Quando o encontramos andava a apanhar erva que tinha sido cortado. Todas as estações são diferentes, na primavera há muito trabalho com as flores, no verão é a rega e no outono a queda das folhas. Recentemente foram cortadas vastas áreas do parque que tinham ervas em excesso para as pessoas terem uma melhor visão e não permitir comportamentos menos próprios. Disse que é o seu primeiro trabalho em jardins, está a gostar muito e gostaria de continuar.

Encontramos a dada altura um casal com quatro cães, todos em pulgas para darem as suas corridas. Cada um segurava dois animais, que pela cor e movimento quisemos conhecer. Fernando Ferreira, com 69 anos e a esposa Cândida Ferreira, são residentes em Ovar na zona da estação e costumam vir ao parque sozinhos ou para passear os animais. O homem segurava o Cai, de cor castanha, com oito anos e a Cuca, de cor preta, com um ano e que foram buscar ao canil. A mulher segurava a Cassey, com seis anos e a Nina, que foi adotada ali no parque. Gostam do parque por ser airoso, verde, ter bancos onde se podem sentar e aparelhos para fazem alguns exercícios. 

Fontes

Em alguns acessos ao parque é possível visitar as fontes Júlio Diniz, escritor que viveu em Ovar e tem uma casa museu no Jardim dos Campos. No outro parque já mencionado, junto à Escola de Artes e Ofícios existe outra que merece ser visitada. Infelizmente os locais por serem recatados estão continuamente a serem vandalizados.

Problemas

Mas as pessoas têm preocupações, pelos que fazem grafites, os que pescam e apanham pássaros de forma ilegal junto ao rio e as espécies invasoras. Ouvem-se histórias como pequenos arbustos e árvores são destruídas ou cortadas para usarem os seus ramos em ornamentação. Pelos vários relatos um casal de lontras foi visto no rio várias vezes, mas tal deixou de acontecer há algum tempo. Será que não aguentarem a poluição ou a pressão exercida e foram viver para outro sítio mais calmo? Nunca o poderemos saber, mas lembra-nos a fragilidade dos ecossistemas e a importância da biodiversidade. Há também quem não confie na limpidez das águas do rio que pelo cheiro e espuma que por vezes faz parece indicar que vem poluída.

Parque Urbano de Ovar 

 

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social com distribuição da informação pela Internet, que visa promover a identidade regional e o turismo através da promoção da cultura, património, monumentos, museus, desporto, economia, gastronomia, ecologia e coletividades dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, Arouca e dos restantes municípios desta região.

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