Capelas dos Passos: Tesouro religioso no coração da Ovar 7ª Capela do Passo do Calvário - Ovar, visita encenada "Passo a Passo", tendo por cicerone, "Zé dos Pregos", interpretado pelo artista Leandro Ribeiro, da Sol d'Alma - Associação de Teatro de Válega Ondas da Serra
domingo, 14 janeiro 2024 00:28

Capelas dos Passos: Tesouro religioso no coração da Ovar

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As Sete Capelas dos Passos, ficam localizadas no centro de Ovar, tendo sido construídas no século XVIII, com o objetivo de recriar a Via Sacra de Jesus Cristo, para expiar os pecados dos homens, pelas ruas de Jerusalém, desde o Pretório de Pilatos até ao Calvário. Estes templos possuem uma forte carga simbólica, emocional e religiosa, pelas cenas da paixão de Cristo e Santos Bíblicos representados. Os artistas recriaram estes quadros com frescos e centenas de esculturas que parecem imbuídas de vida, transparecendo dor, emoção, justiça e vingança. No passado estas procissões da quaresma eram feitas com capelas de lona portáteis e santos de palha, tendo sido substituídas por estes templos que foram erigidos com o dinheiro de um curioso imposto da venda de vinho. Neste trabalho fizemos uma exaustiva pesquisa para dar a conhecer a sua localização, história, aspetos técnicos, simbologia, representação, descrição e curiosidades. Em cada uma das capelas fizemos também uma recolha fotográfica de forma a os visitantes saberem de antemão quem são as figuras bíblicas representadas e frescos pintados. Este património está classificado como de interesse público, mas tem problemas de conservação, restauro e projeção que vamos enumerar. Nós tivemos o privilégio de rever e redescobrir estas capelas participando num evento organizado pelo município vareiro, através duma visita guiada e encenada denominada “Passo a Passo”, tendo por cicerone, "Zé dos Pregos", interpretado pelo artista Leandro Ribeiro, da Sol d'Alma - Associação de Teatro de Válega. 

Capelas dos Passos de Ovar 

As Sete Capelas dos Passos, ficam localizadas na cidade vareira de Ovar, distrito de Aveiro, tendo sido construídas no século XVIII, dentro da malha urbana da vila. A Procissão dos Passos realizada na quaresma visita estas estações e no passado era feita com capelas portáteis em lona e santos de palha, alugados no Porto. Um Rei deu ouvidos ao povo e impôs o “Real Imposto do Quartilho de Vinho”, que financiou a construção destes pequenos templos em tamanho, mas grandiosos em significação.

Esta Via Sacra foi feita para recordar aos penitentes, a Paixão de Cristo, através da sua história triste de sofrimento representada nas cenas em cascata das suas sete estações. As capelas são martirizadas pela sua dura expressão dramática e forte significado religioso, através das centenas de esculturas e frescos interiores, de forma a que no passado o povo iletrado as pudesse compreender. A sua força e carga psicológica está presente em pormenores como o olhar piedoso de Cristo ou fulminante dos romanos seus algozes.

Quando se abrem as pesadas portadas das Sete Capelas dos Passos, parece que somos lançados involuntariamente para o passado. A luz invade as trevas e o seu interior é revelado provocando um choque e apreensão sempre que os seus atores representam estas cenas até ao final dos tempos e dia do juízo final. Jesus Cristo e os Romanos parecem vociferar a todos, “COMO SE ATREVEM A VIR INCOMODAR-NOS”.

As esculturas provocam especialmente aos crentes católicos imbuídos de fé muitas emoções contraditórias e medo que aquelas figuras os aprisionam na história bíblica, ou sejam mesmo os crucificados. Todos os visitantes que contemplam estas capelas se atemorizam com a beleza deste raro exemplo de arquitetura religiosa.

Pode ler esta reportagem na totalidade ou clicar no título abaixo inserido para um assunto específico:

  1. Capelas dos Passos de Ovar
  2. Nome, localização, mapa e como chegar às 7 Capelas dos Passos de Ovar
  3. Horários e contactos para marcar visitas às Capelas dos Passos de Ovar
  4. História da Igreja Matriz, Capelas e Irmandade dos Passos
  5. Visita guiada e encenada “Passo a Passo”
  6. 1ª Capela do Passo do Horto ou Passo do Pretório
  7. 2ª Capela do Passo do Horto ou Queda
  8. 3ª Capela do Passo do Encontro
  9. 4ª Capela do Passo do Cireneu
  10. 5ª Capela do Passo da Verónica
  11. 6ª Capela do Passo das Filhas de Jerusalém
  12. 7ª Capela do Passo do Calvário
  13. Final da Visita às Capelas dos Passos de Ovar
  14. Avaliação das Capelas dos Passos de Ovar
  15. Procissões quaresmais de Ovar
  16. Outros pontos de interesse em Ovar

Sete Capelas dos Passos de Ovar 

Capela do Passo do Encontro - Ovar

Descrição das Capelas dos Passos de Ovar

As Capelas dos Passos, também referidas como os Passos de Ovar ou Passos da Via Sacra de Ovar, são um conjunto de sete capelas tardo-setecentistas localizadas na freguesia de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã, da cidade e município de Ovar, distrito de Aveiro, em Portugal.2

"Percurso evocativo da caminhada de Jesus pelas ruas de Jerusalém, desde o Pretório de Pilatos até ao Calvário (já fora dos muros da cidade), a Via Sacra foi recriada nos mais variados locais, para recordar, a quem a percorre, a Paixão de Cristo, observando a iconografia presente em cada uma das estações."5

Passos de Ovar retratam cenas da Paixão de Cristo

"Os Passos de Ovar são um conjunto de sete capelas espalhadas por vários locais da cidade, que retratam cenas da Paixão de Cristo, que são considerados desde 1946, como Imóveis de Interesse Público.

As fachadas das cinco capelas intermédias são aparentemente iguais, contudo, estas apresentam elementos iconográficos distintos e relacionados com o Passo retratado. A articulação entre a arquitetura, a pintura mural, a talha e a imaginária resulta numa composição cenográfica bastante rica, incluindo o vestuário das personagens e a sua expressão naturalista e toda a carga cenográfica própria do Barroco.

Primeiro Passo fica localizado no interior da Igreja Matriz de Ovar

O primeiro Passo, do Pretório, encontra-se no interior da Igreja Matriz de Ovar e foi a primeira capela a ser construída (1727), tal como confirmado recentemente durante as obras de restauro.

Os restantes retábulos seguem uma estrutura decorativa semelhante entre si. Ao Passo do Horto ou Queda, na Rua Alexandre Herculano, que representa o momento em que Cristo caiu pela primeira vez depois de condenado à crucificação, segue-se o Passo do Encontro, que simboliza o encontro de Jesus com a sua mãe e que corresponderá ao momento alto da procissão. Seguindo a ordem da Paixão de Cristo, sucedem-se os passos do Cireneu (Rua Cândido dos Reis), da Verónica (Praça da República) e das Filhas de Jerusalém (Largo Mouzinho de Albuquerque).

A sequência chega ao seu fim no Largo dos Combatentes, com a Capela do Passo do Calvário, onde foram erguidas cerca de 30 figuras em tamanho real. Esta é a maior das sete capelas, e inclui o reaproveitamento de alguns materiais da extinta Capela de São Pedro, que estaria localizada nesta área."6

Descrição técnica das Capelas dos Passos de Ovar

"Conjunto formado por capela lateral, cinco nichos e capela monumental. Massas diferenciadas e coberturas em telhados de duas águas. Na igreja paroquial, à direita, capela lateral rectangular (Pretório) com portal arquivoltado toscano emoldurado por enrolamentos laterais e motivos vegetalistas e coroado por frontão interrompido com volutas laterais e motivo concheado central. Interior revestido por talha policromada.

Pela zona antiga da cidade distribuem-se cinco capelas, albergando retábulos em talha dourada, estrutural e decorativamente idênticos, desenvolvendo na fachada - portal remate curvo decorado com enrolamentos e elementos vegetalistas, no centro flores de acanto e elementos concheados nas ilhargas. Nos extremos do remate piramidal erguem-se dois balaústres e uma cruz, com igual correspondência na cabeceira.

Portas de madeira com almofadas rectangulares e no interior retábulos de talha dourada com cenas da Paixão de Cristo. Em local isolado, uma longa escadaria com guardas descontínuas, dividida em quatro patamares, dá acesso à capela monumental do Calvário de planta rectangular à qual se justapõem dois corpos laterais igualmente rectangulares, dividida em dois registos por verga recta, com tripla entrada e corpo central elevado, emoldurado por pilastras, com portada em arco ultrapassado, janelão central e coroamento curvo interrompido emoldurado por coruchéus e cruz central.

Os corpos laterais, circunscritos ao primeiro registo da capela e unidos por aletas triangulares simples, inscrevem portais rectangulares com molduras em orelha e frontão curvo interrompido por óculo circular. Interior rectangular com nave única e altar-mor. Nave constituída por dois tramos com pilastras toscanas, entablamentos interrompidos e arcarias cegas onde se inscrevem, nos alçados laterais, portal com molduras em orelha, mísulas interiores e remate curvo. Lambril de azulejo, púlpito cilíndrico e retábulos em talha dourada e polícroma. Arco cruzeiro em arco de volta perfeita, com revestimento em azulejo com temática religiosa, com entablamento pronunciado e coberturas em abóbada de arestas vivas e arcos torais. Altar-mor com alto embasamento, pano estatuário e cobertura em meia cúpula.

A iluminação é feita por janelão central recortado e frestas ovaladas laterais. Corpos laterais rectangulares sem relevo arquitectónico, com duplo acesso interior."3

Descrição histórico artística das 7 Capelas dos Passos de Ovar

"Percurso evocativo da caminhada de Jesus pelas ruas de Jerusalém, desde o Pretório de Pilatos até ao Calvário (já fora dos muros da cidade), a Via Sacra foi recriada nos mais variados locais, para recordar, a quem a percorresse, a Paixão de Cristo, observando a iconografia presente em cada uma das estações.

O período barroco, com toda a carga cenográfica e penitencial que lhe é própria, recriou com frequência esta ideia de caminho que conduz à vida eterna, ou percurso de Salvação, através dos longos escadórios evocativos da Paixão de Cristo, e de que são exemplo, entre outros, o santuário do Bom Jesus do Monte, ou a Via Sacra do Buçaco.

A Via Sacra de Ovar é um trajeto urbano, com cinco passos integrados na malha urbana

No caso de Ovar, e tal como acontece em tantas outras vilas e cidades, a Via Sacra é um trajeto urbano, constituído por um conjunto de cinco passos integrados na malha urbana, pela capela do Pretório, junto ao alçado lateral da igreja matriz, e pela capela do Calvário, esta última de grandes dimensões e à qual se acede através de uma longa escadaria.

A procissão dos Passos de Cristo era uma tradição antiga de Ovar, realizada com figuras de palha e com capelas portáteis até à construção deste conjunto, ocorrida entre 1747 e 1756. Inicialmente, eram edificações isoladas, que a cidade foi integrando e envolvendo por outros imóveis de maiores dimensões.

O primeiro passo é o da capela do Pretório, na igreja matriz, rematado por frontão de volutas interrompido e com retábulo de talha polícroma no interior. Os restantes cinco conservam uma estrutura idêntica, com fachada-portal definida por pilastras, coroada por cimalha curva assente sobre aletas e decorada por enrolamentos de folhas de acanto. Sobre o frontão triangular, encontram-se dois balaústres laterais e uma cruz na empena.

As portadas são de madeira e foram acrescentadas posteriormente. No interior, as paredes são pintadas e os retábulos são de talha dourada e policromada com esculturas de grandes dimensões, numa iconografia que se relaciona com o respetivo passo - Senhor caído por terra, Encontro, Cireneu, Verónica e Filhas de Jerusalém.

Por fim, a capela do Calvário é antecedida por uma longa escadaria, apenas concluída em 1782 e, segundo se crê, desenhada por Francisco Rodrigues Ferreira (Gonçalves, 1981). A sua fachada divide-se em três corpos, correspondendo os laterais à sacristia e o central à nave. Este, é definido por pilastras e aberto pelo portal principal, em arco ultrapassado, que se relaciona com o registo seguinte, em cantaria, e onde uma janela de moldura recortada antecede o remate em frontão de lanços, ao centro do qual se ergue uma cruz. Nos corpos laterais, as portas são de moldura recortada e remate semicircular.

No interior, com nave única de dois tramos, destaca-se a composição do Calvário, com esculturas de grandes dimensões. Esta, marca o final de um longo percurso pelas ruas da cidade, evocativo dos principais passos de Jesus a caminho do Calvário, à qual se acede depois de ultrapassar a escadaria que antecede o templo e percorrer o espaço interno daquela que é a capela de maiores dimensões e aparato de todo o conjunto. (Rosário Carvalho)"5

Construção das Capelas dos Passos de Ovar

As capelas primitivas dos Passos eram portáteis

"As capelas primitivas dos Passos eram portáteis, humildes barracas, «templosinhos de madeira forrados a baeta e crepes, com as suas cortinas de correr» (Padre Manuel Lírio, Os Passos, 1922) e abrigavam autos sacros representados com figuras de colmo.

À custa do lançamento de um real em cada quartilho de vinho que se vendesse em Ovar e seu termo, concedido por provisão régia de 1747, foram construídos de 1748 a 1756 novos passos de pedra e cal e adquiridas as suas imagens e figuras.

De má construção, as capelas necessitaram de consertos em 1760, 1783 (reforma radical à custa do real), 1790, 1868, 1903 (o da igreja, principalmente) e 1943 (pinturas de Germán Iglesias).

Em 1968, a câmara assinou um contrato de conservação dos passos com Luís José Lopes Vieira; e, a 30 de Abril de 1996, em cerimónia presidida pelo Ministro da Cultura, professor doutor Manuel Carrilho, e sendo Presidente da Câmara o dr. Armando França Rodrigues Alves, foi assinado o Protocolo com o IPPAR de assistência técnica à obra de restauro e conservação do interior das Capelas dos Passos.

E, nesse mesmo ano, foram adjudicadas as obras das capelas: conservação e restauro do exterior (substituição das coberturas e rebocos, limpeza das cantarias, novas pinturas, reposição de peças de pedra, e iluminação exterior) e interior (restauro do retábulo, elementos escultóricos, pinturas murais, recolocação de gradeamentos e substituição da iluminação interior).

Os Passos de Ovar não têm rival em terras portuguesas

Para João Frederico Teixeira de Pinho «Os Passos de Ovar não têm rival em terras portuguesas» (Memórias e Datas, 1959). Para A. Nogueira Gonçalves (Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Aveiro. Zona do Norte, 1981), as Capelas dos Passos <<constituem, depois da igreja matriz, o motivo artístico mais representativo da vila, e tema de propaganda regional».

<<Consta o conjunto de cinco grandes nichos, introduzidos por alto arco, de pequena profundidade, encerrando, em composições retabulares, as cenas de Paixão. Completam-se da capela do flanco esquerdo da igreja e da grande capela do Calvário». <<Encontram-se hoje encravadas em edifícios, o que lhe faz perder certo efeito, quando inicialmente se encontravam desligadas na maior parte.

Todas as cinco capelas possuem o mesmo traçado. A frontaria nada mais é que a própria composição do arco de ingresso: duas pilastras sobre as quais assenta a composição curva da abertura, curva que nasce como sendo zona inspirada do tema de mísulas e acaba pela volta da cimalha, sobre que se desenvolve o ornato, rematando-a a cornija da empena, tendo cruz e, a cada extremo um pináculo. Fecham os vãos espessas portas de madeira>>.

<<Compõem-se as cenas de figuras independentes, em número que oscila de dez a treze. Em peanhas, soltos e fora dos altares, há sempre dois anjos ceroferários». E acrescenta A. Nogueira Gonçalves: - «Será necessário acentuar que a concepção geral, tanto a ideológica como a de composição, e a execução das figuras se encontra fora dos conceitos de arte superior, para seguir uma de regulares artífices.

As figuras esculpidas: "nestas o que chama a atenção são as qualidades de caricaturista de que o artífice era dotado e que lhes dão individualidade"

Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

A execução é de oficina habituada à imaginária comum das igrejas. As figuras de Cristo, Virgem e S. João, mulheres e Cireneu procuram ser patéticas dentro de certa nobreza. As dos soldados e mais figurantes, seguindo a interpretação do povo, possuem uma certa excentricidade. Se naquelas se encontra um ou outro pormenor de agrado, nestas o que chama a atenção são as qualidades de caricaturista de que o artífice era dotado e que lhes dão individualidade».

Capela do Passo do  Calvário

A Capela (ou passo) do Calvário, também conhecida por Capela de S. Pedro, pelo facto de ter sido alçada junto ao local onde se ergueu a extinta capela deste nome, levanta-se a nascente do centro da cidade, no bairro da Ruela, no Largo dos Combatentes da Grande Guerra.

O plano da capela é formado por um rectângulo que abrange o corpo e o santuário, acompanhado de duas sacristias aos lados do corpo. A frontaria, abrangendo na sua composição as referidas sacristias, dá um aspecto alargado; o corpo central que corresponde à nave, todo em cantaria, e os laterais só de cantaria nas portas, nas pilastras e cimalhas, o resto caiado.

Em altura divide-se em três zonas: a das portas, a da janela e a da empena decorativa. Todo o conjunto é bem composto arquitectonicamente, como as capelas dos Passos» (A. Nogueira Gonçalves, Idem).

Artista construtor da Capela do Passo do Calvário

A capela é servida por uma espaçosa escadaria de granito com alguns lanços e patamares, obra concluída em 1782 pelo mestre Francisco Rodrigues Ferreira, em terreno oferecido à irmandade dos Passos pelo padre Manuel da Costa Mendes.

É da irmandade dos Passos a escadaria do Calvário, conforme sentença proferida, a 30 de Janeiro de 1833, pelo juiz de fora António José de Sousa Pinto Basto.

Para Correia de Campos (Imagens de Cristo em Portugal), o Cristo crucificado do Calvário, concluído por volta de 1755, é uma «bela escultura, de autor desconhecido, de concepção originalíssima, com as massas musculares e pormenores anatómicos trabalhados com grande independência e rebeldia».

A Capela do Calvário e a sua escadaria.

Na Capela de S. Pedro a cena do Calvário tem uma vintena de figuras. <<No alto e no fundo, a cena da tragédia, Cristo-crucificado e os ladrões com ele, Longuinhos, as mulheres e costumados comparsas; na frente, formando o plano da atracção da curiosidade popular, os carrascos jogando as vestiduras do crucificado.

Neste conjunto, destaca-se a figura de Cristo-crucificado. Sendo espécie de imaginária que o artífice mais frequentemente produzira, conseguiu aqui, posto que sempre dentro do seu nível, uma obra de notar: corpo dramaticamente movido, músculos fortemente acentuados, volumes dispostos mais por instinto que por conhecimento deles, a vincar o conteúdo trágico da representação» (A. Nogueira Gonçalves, Idem).18 (Sousa Lamy, A)

Cena do Calvário na Capela de S. Pedro

Entre outras esculturas existentes na Capela do Calvário salientaremos um S. Pedro, do século XVIII, representando o sumo-pontífice; e um Cristo-crucificado, do mesmo século, de marfim, em cruz de ébano restaurada."

Nome, localização, mapa e como chegar às 7 Capelas dos Passos de Ovar

Nome e localização das 7 Capelas dos Passos de Ovar

  1. Capela do Passo do Pretório
    • Interior da Igreja Matriz, acesso pela Avª do Bom Reitor e Rua Gomes Freire, perto do Mercado Municipal;
  2. Capela do Passo do Horto ou Queda
    • Rua Alexandre Herculano, perto das escadarias do Tribunal de Ovar;
  3. Capela do Passo do Encontro
    • Rua Alexandre Herculano, perto da Câmara Municipal de Ovar;
  4. Capela do Passo do Cirineu
    • Rua Cândido dos Reis, perto da Esquadra da PSP e em frente à Rádio Antena Vareira. Curiosidade, ao seu lado fica o antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Ovar;
  5. Capela do Passo da Verónica
    • Praça da República, Largo onde o trânsito não circula, em frente à Câmara Municipal de Ovar;
  6. Capela do Passo das Filhas de Jerusalém
  7. Capela do Calvário
    • Largo dos Combatente, perto do Mercado Municipal de Ovar;

Mapa da localização das 7 Capelas dos Passos de Ovar

Mapa da localização das 7 Capelas dos Passos de Ovar

Legenda do mapa das 7 Capelas dos Passos de Ovar

1) - Capela do Passo do Pretório: Interior da Igreja Matriz, acesso pela Avª do Bom Reitor e Rua Gomes Freire, perto do Mercado Municipal;
2) - Capela do Passo do Horto ou Queda: Rua Alexandre Herculano, perto das escadarias do Tribunal de Ovar;
3) - Capela do Passo do Encontro: Rua Alexandre Herculano, perto da Câmara Municipal de Ovar;
4) - Capela do Passo do Cireneu: Rua Cândido dos Reis, perto da Esquadra da PSP e em frente à Rádio Antena Vareira;
5) - Capela do Passo da Verónica: Praça da República, Largo onde o trânsito não circula, em frente à Câmara Municipal de Ovar;
6) - Capela do Passo das Filhas de Jerusalém: Largo Mouzinho de Albuquerque, perto do Museu do Traje de Ovar e Tribunal de Ovar;
7) - Capela do Passo do Calvário: Largo dos Combatente, perto do Mercado Municipal de Ovar;

Como chegar a Ovar para ver as 7 Capelas dos Passos

  1. Automóvel:
    • A1 - Saída em Santa Maria da Feira, se vier do Norte, ou Estarreja se vier do Sul, continuando pela A29;
    • A29 - Saída em Ovar Norte ou Ovar Sul;
  2. Autocarro: Serviço interurbano até Ovar, Transdev;
  3. Comboio, CP Linha do Norte, Lisboa - Porto: Distância da Estação de Ovar, até à primeira Capela no interior da Igreja Matriz, cerca de 500 m;

Onde estacionar para ver as 7 Capelas dos Passos de Ovar

As 7 Capelas dos Passos de Ovar, com exceção da Capela do Calvário, ficam todas localizadas perto do centro da cidade, tendo como referência os edifícios da Câmara Municipal de Ovar, Tribunal e Museu do Traje de Ovar. Existem dois parque para estacionar a sua viatura:

  1. Parque de estacionamento do Parque Senhora da Graça, em frente à Biblioteca de Ovar, perto do Mercado Municipal. Este será o local mais adequado para estacionar, começando pela início na Capela Capela do Passo do Pretório, situada no Interior da Igreja Matriz;
  2. Parque de estacionamento Júlio Dinis, perto Câmara Municipal de Ovar, situado na Rua Júlio Dinis;
  3. Parque de estacionamento da Rua Dr. Francisco Zagalo, perto do Hospital de Ovar, sendo o maior e mais distante, cerca necessário fazer uma caminhada de 600 metros, até à Igreja Matriz de Ovar. Se estacionar neste local aproveite o passeio para passar em pontos de venda do famoso Pão-de-ló de Ovar.

Classificação das Capelas dos Passos de Ovar

"Consideradas desde 1949 (Decreto n.º 37450, 16 de junho 1949) Imóveis de Interesse Público, constituem um conjunto de sete capelas de estilo rococó, datam do século XVIII e representam um registo arquitetónico e artístico único em Portugal. O percurso efetuado pelas Capelas simboliza a Paixão de Cristo."1

Ficha técnica geral das 7 Capelas dos Passos de Ovar3 e 5

  1. Descrição:
    • Conjunto de 7 capela espalhadas pela cidade, datando de meados do século XVIII, ligadas às cerimónias da quaresma;
    • "Ao Passo da Queda, na Rua Alexandre Herculano, que representa o momento em que Cristo caiu pela primeira vez depois de condenado à crucificação, segue-se o Passo do Encontro, que simboliza o encontro de Jesus com a sua mãe e que corresponderá ao momento alto da procissão. Seguindo a ordem da Paixão de Cristo, sucedem-se os Passos do Cireneu (Rua Cândido dos Reis), da Verónica (Praça da República) e das Filhas de Jerusalém (Largo Mouzinho de Albuquerque). A sequência chega ao seu fim no Largo dos Combatentes, com a Capela do Passo do Calvário, onde foram erguidas cerca de 30 figuras em tamanho real. Esta é a maior das sete capelas, e inclui o reaproveitamento de alguns materiais da extinta Capela de São Pedro, que estaria localizada nesta área."14 - Falta completar
  2. Nomes/localização das capelas/acessos: 07 Capelas:
    1. Capela do Passo do Pretório
      • Interior da Igreja Matriz, acesso pela Avª do Bom Reitor e Rua Gomes Freire, perto do Mercado Municipal;
    2. Capela do Passo do Horto ou Queda
      • Rua Alexandre Herculano, perto das escadarias do Tribunal de Ovar
    3. Capela do Passo do Encontro
      • Rua Alexandre Herculano, perto da Câmara Municipal de Ovar;
    4. Capela do Passo do Cireneu
      • Rua Cândido dos Reis, perto da Esquadra da PSP e em frente à Rádio Antena Vareira. Curiosidade, ao seu lado fica o antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Ovar;
    5. Capela do Passo da Verónica
      • Praça da República, Largo onde o trânsito não circula, em frente à Câmara Municipal de Ovar;
    6. Capela do Passo das Filhas de Jerusalém, acesso pelo Largo Mouzinho de Albuquerque, perto do Museu do Traje de Ovar e Tribunal de Ovar. Curiosidade, neste Largo ficam localizados muitos bares da cidade de Ovar, alguns com pistas de dança, local predileto da diversão noturna da cidade e onde no Natal e Carnaval se realizam espetáculos;
    7. Capela do Passo do Calvário
      • Largo dos Combatente, perto do Mercado Municipal de Ovar;
      • Esta é a maior das 7 capela construídas, sendo o acesso feito através duma extensa escadaria;
      • Esta capela tem 30 figuras em tamanho real;
      • Na sua construção foi reaproveitado alguns materiais da extinta Capela de São Pedro, que estaria localizada nesta área;
  3. Construção das Capelas dos Passos: As Capelas dos Passos foram construídas entre 1748 e 1756;
  4. Arquitetura: As 7 Capelas dos Passos têm uma arquitetura semelhante, com exceção da primeira que está no interior da Igreja Matriz de São Cristóvão de Ovar e a última, do Calvário que tem uma grande escadaria de acesso; 
  5. Descrição: Percurso evocativo da Via Sacra, caminhada de Jesus pelas ruas de Jerusalém, desde o Pretório de Pilatos até ao Calvário (já fora dos muros da cidade), a Via Sacra foi recriada nos mais variados locais, para recordar, a quem a percorresse, a Paixão de Cristo, observando a iconografia presente em cada uma das estações.
  6. Morada e contactos: 
  7. Tutela: Irmandade dos Passos, fundada, para o padre António Descalço, em 1570 ou 1572;
  8. Data da construção: A construção das 7 Capela dos Passos de Ovar foi feita entre 1747 e 1756;
  9. Onde pode estacionar: (A ordem exibida representa a maior distância até à Capela no interior da Igreja Matriz)
    • Parque de estacionamento da Senhora da Graça (100 metros), onde foi construído a Biblioteca de Ovar e passadiços junto ao Rio Cáster, com cerca de 300 metros, que o levam à Ponte do Casal, Fonte Júlio Diniz e Escola de Artes e Ofícios;
    • Parque de estacionamento Júlio Diniz (300 metros). Junto do mesmo existe o ponto de venda do Pão de Ló Cruz e Museu Júlio Diniz, na antiga casa onde viveu nesta cidade;
    • Parque de estacionamento da Rua Dr. Francisco Zagalo (600 metros), perto do Hospital e Centro de Saúde de Ovar;
  10. Categoria: Arquitetura religiosa;
  11. Interesse: Turístico e religioso;
  12. Proteção pública:
    • Categoria: IIP - Património de Interesse Público, desde 19444;
  13. Enquadramento: Urbano;
    • O conjunto inclui a Capela do Pretório junto à fachada lateral esquerda na igreja Matriz (v. PT02011505004), cinco nichos adossados a edifícios, harmonizados nos intramuros do centro histórico da cidade, as Capelas das Filhas de Jerusalém, Encontro, Cireneu e Verónica (frente aos Paços do Concelho), e a Capela do Calvário, localizada excentricamente em local de destaque, precedida por escadaria.
  14. Utilização inicial e atual: 
    • Inicial: Religiosa: Via Sacra;
    • Atual: Turística e Religiosa: Via Sacra;
    • Falta colocar os eventos municipais
  15. Propriedade: Privada;
    • Igreja Católica da Diocese do Porto;
  16. Época Construção: Séc. XVIII;
  17. Arquiteto/Construtor/Autor:
    • Mestre de Obras: Francisco Rodrigues Ferreira (1782);
  18. Cronologia da construção:
    • 1748 - Início da fábrica das capelas, por iniciativa do Juiz da Irmandade Padre Manuel de Resende, à custa do imposto real do vinho;
    • 1756 - Conclusão das obras;
    • 1782 - Construção da escadaria de acesso à Capela do Calvário, por Francisco Rodrigues Ferreira;
    • 1868 - Pintura retabular a cargo de Gabriel Pereira da Bela;
    • 1980 - Execução das portas almofadadas dos cinco nichos;
  19. Dados técnicos da construção: Paredes autoportantes;
  20. Materiais da construção:
    • Enchimentos de alvenaria, cantaria em granito, portadas em madeira exótica (exceto na capela do Pretório, ferro), coberturas em tijolo.
  21. Intervenções realizadas para a sua preservação:
    • DGEMN: 1962 - Obras de reparação das coberturas em telha de tipo nacional (Capela do Calvário);
    • 1969 - Obras de beneficiação e conservação;
    • 1979 / 1980 - Obras de reparação e limpeza de ferragens e execução de portas almofadadas de madeira exótica; protocolo entre a Câmara Municipal e o IPPAR:
    • 1996 / 1997 - Capela do Pretório: substituição de coberturas, aplicação de nova estrutura e telha, picagem de robocos, reparação e limpeza das cantarias, Capela do Calvário: substituição da cobertura, picagem de paredes, substituição de rebocos, restauro do pórtico E., melhoramento do dro (remoção de cimento), reparação de juntas de pedra e da escadaria; Capela dos Passos de Verónica: substituição da cobertura, remoção do entulho acumulado entre a cobertura e o tecto;
  22. Zonas de proteção das capelas:
    • A georreferenciação foi feita à Capela do Passo do Calvário, Rua Fundação Pepolim;
    • As capelas foram construídos em meados do séc. XVIII, e começaram por estar isoladas.
    • As Zonas Especiais de Proteção agora definidas tiveram em conta a implantação das capelas espalhadas pela cidade de Ovar e a realidade urbana local. Assim foi determinado que 5 das capelas foram integradas numa zona especial de proteção conjunta pela sua integração no traçado urbano do núcleo primitivo, e as outras duas possuem zonas especiais de proteção em separado por se encontrarem localizadas em lugares limítrofes, urbanizados posteriormente.
    • Restauro: quanto às capelas avulsas, uma cruz, na cabeceira de um nicho, e alguns balaústres, ou partes destes, já não existem. A repetição do modelo tornará fácil a sua reconstituição. A reparação de todas as coberturas dos nichos, deve ter particular incidência para o do Largo dos Bombeiros e da R. Alexandre Herculano. Os Passos de Ovar incluem o Pretório, o Passo do Horto, Passo do Encontro, Passo do Cireneu, Passo da Verónica, Passo das Filhas de Jerusalém e O Calvário (iconografia tradicional).
    • A fachada da capela do Calvário inclui os símbolos da Paixão de Cristo (lanças, martelo, turquês e pregos);

Horários e contactos para marcar visitas às Capelas dos Passos de Ovar

Horário de funcionamento das Capelas dos Passos de Ovar

A única capela habitualmente aberta ao público é a que se situa na Praça da República, em frente à Câmara Municipal de Ovar. Para visitar as restantes capelas é necessário contactar a Igreja Matriz de Ovar.

Morada e contactos para marcação de visitas às Capelas dos Passos de Ovar

Paróquia de Ovar - São Cristóvão
Telefone: 256 572 247
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Posto de Turismo de Ovar
Rua Elias Garcia - Edifício da Câmara
Telefone: 256 572 215
Email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

História da Igreja Matriz, Capelas e Irmandade dos Passos

História da Igreja Matriz de São Cristóvão

Igreja Matriz São Cristóvão de Ovar

"A Igreja Matriz é referida pela primeira vez, em Maio de 1132, como Igreja de S. Cristóvão de Cabanões, todavia, só em 1550, surge a primeira alusão documental, até agora conhecida, à Igreja de Ovar, comprovando, assim, a transferência da Igreja Matriz de Cabanões para a vila de Ovar. Em 1665 encontrava-se bastante arruinada, sendo necessário proceder à sua reedificação. Aberta ao culto em 1679, em 1755 afigurava-se necessária uma reedificação parcial."10

Contexto Histórico: Termo da Guerra Civil à Regeneração 1834 a 1851 - O anticlericalismo liberal

"O decreto de 28 de Maio de 1834, redigido pelo ministro Joaquim António de Aguiar, o matafrades, extingue «todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e quaisquer casas de religiosos de ordens regulares», incorporando os seus bens «nos próprios da Fazenda Nacional»>.

Este anticlericalismo liberal não reflecte, contudo, uma atitude anti-religiosa ou anticatólica; é uma posição crítica e reformista em relação a algumas práticas e devoções religiosas, a certas instituições, designadamente à Inquisição e às ordens religiosas.

O liberalismo afirmou a religião católica como a religião do País, e só os religiosos que apoiaram ostensivamente ou colaboraram com o miguelismo, excluídos dos benefícios do Estado (côngruas e subsídios) vieram a sofrer com a implantação do novo regime."18 (Sousa Lamy, A)

A terceira Igreja de Ovar (1834-1844)

"Dado o clero e o povo de Ovar terem suplicado a continuação do real aplicado para as obras públicas (pontes e fontes), para conserto e reparos necessários da igreja paroquial, em vista do estado lastimoso e de ruína em que esta se encontrava, D. João VI, por provisão de 22 de Outubro de 1825, concedeu um novo real em cada quartilho de vinho vendido na vila e seu termo para a reedificação daquele templo.

O real da igreja começou a correr em 1826, tendo sido, então, arrematado pelo capitão de milícias Manuel Correia Pais. A obra de alvenaria e pedraria foi arrematada, a 13 de Maio de 1833, pelo mestre da igreja, António José da Silva, do lugar de Agoncida, da freguesia de Mosteirô; o madeiramento foi arrematado, a 29 de Outubro de 1834, por Manuel Lourenço Afonso, do lugar de Porto de Tonse, da freguesia de Avanca.

De 1833 a 1834 procedeu-se às demolições necessárias e «do corpo antigo pouco se aproveitou além das paredes interiores das naves, que também foram elevadas» (João Frederico Teixeira de Pinho, Memórias e Datas. Para este autor o seu «risco foi mal traçado, mal modificado, e pior executado>>)."18 (Sousa Lamy, A)

A reconstrução da Igreja de Ovar

"A reconstrução teve início somente em 1834, tendo em 1836 sido arrematadas as torres e o coro; em 1837 surgiram desinteligências graves com os contratantes, sendo a questão levada a tribunal; a 25 de Janeiro de 1840 foi arrematada a obra interior da igreja; em 1842 a dos caixilhos e vidraças das janelas; no ano seguinte a do soalho e respectivas campas e a do emboço e reboco das paredes exteriores e interiores.

Só em Setembro de 1844 se deram as obras por terminadas, acontecimento que foi celebrado com um Te Deum na Igreja. As obras de reedificação excederam em muito a importância orçamentada de 12.800$000 réis e demoraram onze anos (1834-1844), o que se ficou a dever, segundo o padre Manuel Lírio, aos graves acontecimentos políticos que forçaram ao exílio (1834-1841) o vigário miguelista Joaquim de Sequeira Monterroso e Melo.

Com estas obras, ficou a igreja com o aspecto que ainda hoje apresenta: - o mais imponente e grandioso edifício de Ovar, sito num lugar elevado desacompanhado de casas, com duas torres, três naves, cinco altares e duas capelas, com a fachada virada a poente, ao centro da cidade, podendo acomodar cerca de 4.000 pessoas.

Júlio Diniz (Inéditos e Esparsos. Cartas particulares a sua madrinha D. Rita de Cassia Pinto Coelho), durante a sua estadia na vila, frequentou-a amiudadamente. Na carta dirigida à Ritinha, de 9 de Agosto de 1863, revela: - «Quantas vezes, encostado às grades da nave direita daquela igreja, quando ainda ela está despovoada de fiéis e portanto mostrando melhor toda a solene severidade da sua arquitectura, eu deixo correr o pensamento pelo passado onde me surgem, à luz da saudade, as imagens daqueles que, em tempos mais felizes, ali encontrava também».

Em 1906, ao visitar Ovar, Antero de Figueiredo (Serões, 2.a série, vol. II) passa <<por uma igreja, de adro triste e dois campanários tão agoirentos que parece que as corujas uivam aí ao sol alto do meio dia»; o juiz Francisco António Pinto (O Despotismo) deu-nos, em 1912 uma descrição muito sua da igreja matriz, «que é vasta e duma arquitectura pesada, está orientada à antiga e encravada no cemitério, que lhe fica a Leste. Estendida sobre a margem pouco alta da várzea que a separa da vila, e ladeada de pinheiros bravos e árvores fúnebres, que lhe escondem o fundo e a emolduram, solitária, num grande quadro de sugestiva tristeza, espreita a população do lado Ocidental, como um plesiossauro monstruoso, prestes e devorar um formigueiro humano>>.

Para o padre Manuel Lírio (Monumentos e instituições religiosas, 1926), a Igreja de Ovar em sítio um pouco elevado, servido por escadaria de granito, com a fachada virada a poente, ao coração da cidade, é «um corpulento edifício pesado, desafogado e amplo, fachada sem grandes ornatos de cantaria, com duas cornijas, abrigando a inferior, nas suas extremidades, ao meio das torres coroadas, dois quadrantes de relógio; entre esta e a porta principal o nicho do padroeiro, ladeado de duas janelas rectangulares, e por cima, ao centro, outra redonda. Remata-a um frontão, no vão das duas torres, tendo no alto uma elevada cruz florida de granito.

A Igreja Matriz de São Cristóvão de Ovar possui três amplas naves

Interior da Igreja Matriz de São Cristóvão de Ovar

Possui a igreja, interiormente, três amplas naves, achando-se a central firmada em doze sólidas colunas de ordem toscana, um coro assente em arco abatido de alvenaria sobre o guarda-vento, baptistério com porta e janela, e dois púlpitos com seus dóceis».

O historiador e investigador padre A. Nogueira Gonçalves (Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Aveiro. Zona do norte, 1981), descreveu minuciosamente a Igreja Matriz de Ovar, que «ocupa uma posição topográfica excepcional, na extremidade de leve morro que as ribeiras da Graça e das Luzes destacam, formado por um dos esporões do xisto ante-câmbrico que avança entre as antigas areias litorais.

A frontaria da Igreja, «com as duas torres metidas na obra, dá um aspecto maciço e forte; o exame pormenorizado mostra porém que não excede a artificiania de certo nível, procurando interpretar modelos correntes. Entre as torres desenvolve-se a composição normal de fachada: alta porta, nicho do padroeiro e duas janelas do coro, zona que forma a ligação entre o corpo inferior das torres ao dos sinos, remate recortado num certo gosto de transição. Na porta a data do começo 1834 e uma legenda de carácter comum: Pavete ad Santuarium meum, Ego Dominus. Levit cap. XXVI, v. II.

Na fachada lateral abriram portas a meio do corpo e rasgaram quatro amplas janelas, simples por fora, por dentro a imitar as da capela-mor, regularmente espaçadas entre si mas não em relação com os eixos dos arcos internos. Um telhado geral, de duas águas, cobre o conjunto das naves. O tecto de madeira da capela-mor, em quartelas, segue um traçado curvo. O do corpo é novo, executado depois da derrocada do anterior.

O soalho unido, lançado em 1921, substituiu a divisão em sepulturas. Além do altar-mor, a Igreja tem duas capelas e quatro altares: restaurado e dourado em 1894 à custa do abade Manuel Barbosa Duarte Camossa. Peça de verdadeira categoria é o retábulo principal, a que o completo douramento imprime grande cunho de riqueza. Provém do último quartel do séc. XVIII, tendo sido o douramento restaurado em 1894.

Formam os lados dois conjuntos de altas colunas, dispostas triangularmente; são elas de ordem compósita, lisas mas enrolando-se-lhes ao fuste grinaldas de flores, posto que o terço inferior seja ornamentado de motivos concheados; entablamento seguindo plano curvo, ressaltado sobre a coluna da frente; ramos de cornija de frontão dispõem-se em sentido contrário, para fora, onde descansam duas grandes e regulares figuras femininas; alto remate, recortado, e para maior desenvolvimento, avançando sob forma deitada; o envasamento apresenta formas pouco correntes, com grande empastamento, em forma de complicadas volutas; trono de largos e decorados degraus. Ornato geral do tipo concheado, de vigoroso tratamento."

Os altares e capelas da Igreja de Ovar

  • "Capela do Santíssimo Sacramento, que começou a ser construída em 1831 e foi aberta ao culto em 1835. Actualmente acha-se nela o Sagrado Coração de Jesus;
  • Altar do Senhor da Agonia, colateral, ao lado do arco da esquerda, datando de 1670. A seguir à capela do Passo do pretório para o corpo da igreja. Há nele «um Cristo-crucificado, de madeira, tamanho quase normal, do fim do séc. XVII, que, não sendo cuidado anatomicamente, impressiona agradavelmente» (A. Nogueira Gonçalves).
  • Altar do Sagrado Coração de Maria, anteriormente da Senhora do Pilar, ao lado direito do arco cruzeiro, fazendo simetria com o da Senhora do Rosário, do outro lado do cruzeiro;
  • Altar da Senhora do Rosário, do lado esquerdo do arco cruzeiro;
  • Altar da Imaculada Conceição (da Congregação Mariana ou das Filhas de Maria desde 16 de Março de 1921, tendo sido benzido a 2 de Fevereiro do ano seguinte). No ano de 1854 foi demolida a fábrica, pequena casa que se encontrava perto da igreja; a 14 de Outubro de 1862 foi estreado no coro um pequeno órgão oferecido por António Ferreira Meneres, Filho (a junta de paróquia recebeu-o na sua sessão de 13 de Outubro de 1862, com a imposição feita pelo dador: - «que a Junta garantisse a nomeação vitalícia do organista que indicasse e fê-lo na pessoa de seu parente Manuel José de Oliveira Luzes, que morava defronte do Serrado e era pintor de tabuletas para o cemitério e não sabia uma nota de música, nem a técnica do instrumento», segundo relato do dr. Zagalo dos Santos, no Notícias de Ovar, de 27/3/1952);
  • Luz elétrica, a 8 de Abril de 1914 foi pela primeira vez a igreja iluminada a luz eléctrica; no final de década de 1910 iniciaram-se as obras de restauro do templo que se achava desprezado e em estado lastimoso; a 30 de Agosto de 1918 foram colocados na torre sul o sino dos Passos e a garrida que tinham sido refundidos em Cucujães, pesando, respectivamente, 730 e 114 quilos; em Outubro do mesmo ano começaram as obras de assentamento das escadas graníticas em frente à igreja, com o produto da venda das árvores que rodeavam o templo; em Dezembro ainda do mesmo ano foi aberta uma subscrição pública para reparos interiores, sendo primeiros subscritores o dr. Pedro Chaves e cunhada; em 1922 o pavimento da igreja, que «era todo tomado por sepulturas de bordos graníticos e tampas de madeira, não obstante já há cerca de um século ali não se fazerem inumações», foi todo soalhado (Manuel Lírio, Monumentos e instituições religiosas, 1926)."18 (Sousa Lamy, A)

Conclusão das obras da Igreja de Ovar

Interior da Igreja Matriz de São Cristóvão de Ovar

"A 10 de Dezembro de 1922, concluídas as obras no interior, foi a igreja reaberta ao culto, sendo conduzido para ali processionalmente o S. S. da Capela de Santo António, que servira de paróquia durante as obras» (Idem).

Em 1925 foram colocadas na nave central 12 bancadas de encosta provenientes do extinto colégio das Doroteias; em 1927 começou a obra da cobertura externa do templo a azulejos; em 1943 uma grande derrocada do tecto obrigou a reparações urgentes que foram arrematadas pelo empreiteiro do Porto, António Oliveira de Sousa (durante as obras, até 31 de Dezembro de 1943, serviu de paroquial a capela de N.a Sra da Graça); no ano de 1946 foi erecta a Via Sacra por fr. Francisco Joaquim Nunes, superior da Casa da Ordem Terceira de S. Francisco do Porto (quadros de azulejo embutidos na parede, em volta da igreja, oferecidos por Maria da Gloria Lopes de Carvalho).

O abade Crispim Gomes Leite, que governou igreja de 1944 a 1952, levou a cabo obras no templo que importaram em mais de 300.000$00, tendo o Estado comparticipado com pouco mais de um terço: - «ajardinou todo o recinto em volta, fechou os portões de ferro a escadaria da frente, depois de importantes modificações; construiu outra, ampla, de acesso do lado dos Pelames, fez o paredão do poente, fronteiro do teatro, cobriu a placas de cimento toda a vedação do adro, pôs cancelas no ângulo e centro do adro, etc.» (padre José Ribeiro de Araújo, Poalhas da história da freguesia e Igreja de Ovar, 1952).

A 28 de Abril de 1957 foram colocados o novo relógio e o seu mostrador no lado sul da igreja (o antigo relógio existente na torre sul, obra de João Rodrigues de Aveiro, datava de 1782. Em 1957-1958 travou-se polémica, entre o semanário católico João Semana e o Notícias de Ovar por causa do novo relógio. Nova polémica surgiu em 1959 entre os mesmos órgãos da imprensa local, ora pelos fiéis defuntos); em 1962 foi alindado o adro e iluminada a sua fachada com projectores; a partir de 1969 iniciaram-se na igreja obras de aformoseamento e conservação.
Na noite de 19 de Maio de 1972, a convite da comissão das procissões quaresmais, e com a igreja repleta de paroquianos, o coro de câmara Gulbenkian, dirigido pelo maestro Michel Corboz, deu um concerto.

Nas últimas duas décadas do século XX, sendo abade de S. Cristóvão de Ovar o padre Pires Bastos, efectuaram-se, na Igreja Matriz, com condições excepcionais, uma série de magníficos concertos: da Orquestra Sinfónica do Porto..."18 (Sousa Lamy, A)

Contenda da Igreja Matriz de São Cristóvão de Ovar com o Cineteatro de Ovar

A Igreja Matriz de São Cristóvão de Ovar, foi aberta ao público em 1679, tendo ao longo dos séculos sofrido grandes alterações, que se acentuaram no século XIX. Uma das principais foi a colocação de azulejos nas fachadas. O nicho por cima da entrada frontal, já teve uma imagem quatrocentista, que representava o São Cristóvão, padroeiro de Ovar. Agora tem uma em bronze.

Quando foi construído o edifício do Cineteatro de Ovar, o povo achou que a sua grande envergadura iria ensombrar e tirar importância a esta igreja. O padre da altura ficou preocupado e foi falar com os donos e empreiteiros da obra em construção. Como acontece sempre nestes casos, os responsáveis disseram ao clérigo em jeito de confissão para não se preocupar porque o edifício não seria assim tão grande. Quando a construção já ia adiantada o padre viu que tinha sido enganado e mandou chamar o bispo, que percebeu que a população queria este espaço de cultura e que não era possível a sua demolição.

Foi já no século XXI que os desejos deste padre se concretizaram. Os muitos herdeiros deste património não se entenderam e deixaram que ele se degradasse, por falta de obras de manutenção que conduziram a sua pouco utilização e por fim destruição. O município Vareiro tomou a sua posse administrativa e ordenou que por motivos de segurança o restante fosse colocado abaixo, sendo colocado umas chapas metálicas a delimitar o espaço que em nada contribuem para a beleza do coração da cidade.

Agora resta apenas a fachada principal daquele tão majestoso ardil. Ninguém sabe o que lhe fazer, embora já tenham surgido algumas ideias, até nas piadas do Carnaval. 

Capela do Passo do Pretório ou Horto

Capela do Passo do Pretório ou Horto

"A Capela do Passo do Pretório ou Horto, construída alguns anos antes do terramoto de Lisboa (1755), é o primeiro de sete Passos e, atualmente, o mais documentado, sendo o seu retábulo (1735) e ilhargas (1750) da autoria do mestre entalhador portuense José Teixeira Guimarães. Esta estrutura atinge uma grandeza ímpar e será arquitetonicamente determinante, como prova a capela do Santíssimo Sacramento, construída em 1831-1834 à sua semelhança. Construídas de pedra e cal entre 1748 e 1756, as restantes Capelas dos Passos, vieram substituir os primitivos templos de madeira. Situadas na zona histórica da cidade, as sete capelas, apresentam cenas da Paixão de Cristo, numa articulação perfeita entre a arquitetura, a pintura mural, a talha e a imaginária, articuladas em composições cenográficas de grande qualidade."10 

História das Sete Capelas dos Passos em Ovar

O "Real Imposto do Quartilho de Vinho" que financiou a construção das Capelas dos Passos

As primeiras capelas dos Passos eram portáteis, construídas em madeira com figuras de colmo. A construção das Capelas dos Passos de pedra e cal, tal como hoje são conhecidas, foi iniciada em 1747, ano em que foi concedido pelo Rei o imposto de um real por cada quartilho de vinho que se vendesse em Ovar. O produto deste imposto foi aplicado na construção das Capelas que foram concluídas em 1755. As figuras foram pintadas por António José Pintor, natural da freguesia de Válega.

"Os Passos de Ovar são um conjunto de sete capelas espalhadas por vários locais da cidade, que retratam cenas da Paixão de Cristo, que são considerados desde 1946, como Imóveis de Interesse Público. A Procissão dos Passos, frequentemente designada por Procissão do Encontro, decorre no quarto domingo da Quaresma. As fachadas das cinco capelas intermédias são aparentemente iguais, contudo, estas apresentam elementos iconográficos distintos e relacionados com o Passo retratado.

A articulação entre a arquitetura, a pintura mural, a talha e a imaginária resulta numa composição cenográfica bastante rica, incluindo o vestuário das personagens e a sua expressão naturalista e toda a carga cenográfica própria do Barroco. O primeiro Passo, do Pretório, encontra-se no interior da Igreja Matriz de Ovar e foi a primeira capela a ser construída (1727), tal como confirmado recentemente durante as obras de restauro. Os restantes retábulos seguem uma estrutura decorativa semelhante entre si.

História das Irmandade dos Passos

"A Irmandade dos Passos é a mais antiga e a mais importante irmandade de Ovar, tendo sido fundada, para o padre António Descalço, em 1570 ou 1572, mas, com toda a certeza, antes de 1646, ano em que uma bula do papa Jerónimo X, de 23 de Novembro, lhe concedeu várias indulgências. Os seus estatutos primários perderam-se, sendo de 11 de Setembro de 1727 os mais antigos que se conhecem."18 (Sousa Lamy, A)

Trata-se de um conjunto exemplar de arquitetura religiosa ovarense, constituído por sete capelas edificadas no século XVIII, ligadas às cerimónias da Quaresma.

A devoção dos Passos de Ovar vem da primeira metade do século XV. Desde a fundação da Casa da Feira, em 1452, os seus titulares deram grande proteção à Irmandade dos Passos e, aos mesmos, deve-se a organização e aprovação da Instituição, como testemunham os estatutos da Confraria, reformados em 11 de setembro de 1727, onde se recorda:

"E porque esta Irmandade foi erigida com a proteção dos Condes da Feira, que de presente se acham extintos, no caso que pelo decurso do tempo tornem a haver na Casa da Feira, os Irmãos da Mesa serão obrigados a oferecer à sua ilustre proteção esta Irmandade que era costume eleger para protetores dela aos sobreditos Condes; e isto no caso que haja Conde no Castelo e Casa da Feira, ficando sempre em seu vigor a forma da eleição e o mais disposto nos Estatutos."

As atuais capelas, em pedra e cal, foram edificadas entre 1747, ano em que foi concedido pelo rei o imposto de um real em cada quartilho de vinho que se vendesse em Ovar e seus termos, e concluídas em 1755, substituindo as anteriores, de madeira.

O percurso simboliza os Passos da Paixão de Cristo, representados em composições retabulares nas várias capelas. Inicia-se na Igreja Matriz de São Cristóvão, e prossegue por outros cinco nichos na zona histórica da cidade, terminando na Capela do Calvário, de maiores dimensões e precedida por uma ampla escadaria.

O Papa Inocêncio X concedeu-lhes graças e privilégios em 23 de novembro de 1840, o mesmo o fazendo o Papa Gregório XVI, a 8 de abril de 1892.2

Características das 7 Capelas dos Passos de Ovar

"As capelas, de programa construtivo e decorativo rococó, apresentam uma grande depuração e unidade estilística. As figuras, em puro castanho, foram pintadas pelo mestre António José Pintor, artista natural da freguesia de Válega, a quem o Provedor de Esgueira recomendou se esmerasse na pintura.2 

Portas em madeira das 7 Capelas dos passos

As portas das 7 Capelas são em austera madeira maciça e dotadas de forte personalidade austera. A sua grande e pesada envergadura dá-lhe humores que as impedem por vezes de abrir quando chove copiosamente ou o sol reina com força, por incharem ou empenarem. Quando isto acontece nem toda a força humana as faz vergar, porque séculos de experiência trazem personalidade. Para as conseguir demover o povo tem que rezar e pedir inspiração divina. Não se sabe ainda a origem desta madeira.

Procissão antiga dos Passos de Ovar

A Procissão dos Passos de Ovar é uma tradição muito antiga, sendo no passado feitas com capelas portáteis, feitas em lona e os santos de palha, que se alugavam numa loja do Porto.

Germán Iglesias: Artista Espanhol que pintou as Capelas dos Passos

No século XIX, a autarquia vareira contratou o artista Espanhol, Germán Iglesias, para recuperar as Capelas dos Passos, que tinham frescos setecentistas e esculturas em mau estado de conservação. O mesmo no entanto pintou novos motivos por cima e apagou para sempre essas trabalhos originais. Reza a história que os responsáveis camarários ao saberem da afronta ficaram furiosos e o espanhol antes que o caldo entornasse regressou à sua terra. 

Apesar de tudo este artista era talentoso como comprovam os frescos que pintou sobre as antigas pinturas e outros trabalhos que realizou como na "Igreja Paroquial de São Cristóvão de Ovar, no "Altar-mor da Igreja Matriz, com a tela (1946)" e "Fecha o camarim grande tela, de 1946, de Germán Iglesias, um espanhol aqui residente, de nível comum, que na vila fez trabalhos diversos» (Idem)."18 (Sousa Lamy, A)

Visita guiada e encenada “Passo a Passo”

Capela Passo do Pretório, Visita guiada e encenada, Passo a Passo, artista Leandro Ribeiro, da Sol d'Alma - Associação de Teatro de Válega

Alguma da informação apresentada foi obtida na visita guiada e encenada, que assistimos, denominada “Passo a Passo”, que decorreu 26 de maio 2023, organizada pela Câmara Municipal de Ovar. A mesma foi encenada pelo artista, Leandro Ribeiro, da Sol d'Alma - Associação de Teatro de Válega, que vestiu a pele do "Zé dos Pregos" e foi o cicerone da visita. Este artista disse que foi buscar a inspiração para esta personagem à figura do homem que transportou os pregos para a crucificação do Senhor e que aparece na figura de um rapaz na 3ª Capela dos Passos do Encontro.

Do cimo dum pequeno banco este artista representou a peça teatral, com factos históricos sobre a paixão de Jesus Cristo, elementos arquitetónicos das 7 Capelas dos Passos e curiosidades históricas. O mesmo sempre que a situação o pedia lançava farpas de humor sobre assuntos sérios, gerando risos que não apagavam as preocupações e aflições da espécie humana, que o Senhor quis salvar, mas que outros querem matar. 

A visita começou na 1ª Capela do Passo do Horto, no interior da Igreja Matriz de São Cristóvão, padroeiro de Ovar. O cicerone envolvido no seu manto negro, com o rosto semioculto pela penumbra retirou-se momentaneamente em recolhimento e meditação. As vozes e burburinho dos visitantes foram-se extinguindo e o silêncio abarcando o interior deste templo. De súbito todos acordaram violentamente do aquietamento em sobressalto, quando rebentou uma portentosa voz que parecia vir do altíssimo e a todos acusou, "UM DE VÓS NÃO ESTÁ LIMPO". O nosso coração estremeceu, conheceria o "Zé dos Pregos" os nossos pecados, porque todos os temos, quase corremos porta fora, como medo das atrozes revelações, mas não passava duma referência à traição de Judas que iria ser recordada.

Depois de terminar em cada capela a sua explanação, "Zé dos Pregos" não partia sem antes lançar uma sentença sobre os defeitos do homem e das suas malfeitas ações. Depois de terminar a sua alocução este homem dava por encerrada essa parte da encenação dando uma estrondosa martelada no pequeno banco em madeira, como se fosse juiz e tivesse decidido uma querela. O pobre do banco levou com tamanhas arrochadas que não fosse estar bem preso teria fugido do seu algoz. Se tivéssemos a honra de ter tido o Rei Salomão por companhia, que humilde ficaria na presença de tamanha sabedoria.

1ª Capela do Passo do Horto ou Passo do Pretório

Localização da 1ª Capela do Passo do Horto ou Passo do Pretório

Capela do Passo do Pretório ou Horto

1ª Capela do Passo do Horto ou Passo do Pretório, fica localizada no interior da Igreja Matriz de São Cristóvão, num nicho lateral do lado esquerdo da nave central. A mesma tem acessos pela Avenida do Bom Reitor e Rua Gomes Freire, perto do Mercado Municipal de Ovar. 

Representação da 1ª Capela do Passo do Horto ou Passo do Pretório

Capela do Passo do Pretório ou Horto

Esta é uma das capelas dos passos mais ricas em termos arquitetónicos e iconográficos, com três figuras de Jesus Cristo e os seguintes quadros iconográficos em alto relevo:

  • Última Ceia;
  • Lava pés;
  • Oração do Horto;
  • Prisão de Cristo;
  • Via Sacra;

Descrição do 1ª Capela do Passo do Horto ou Passo do Pretório

Capela do Passo do Pretório ou Horto

"Capela do Passo do pretório (Passo da Igreja ou do pretório - Jesus toma a cruz), construída entre 1748 e 1756, é a do ângulo do flanco esquerdo, destacando-se pelo revestimento total de talha.

«A parte mais antiga é a do retábulo, de três nichos, quatro colunas salomónicas com grinaldas de flores no cavado e de capitéis compósitos, na fase não só final mas já tardia deste tema, sanefas a rematarem o conjunto. Nos nichos duas esculturas que dizem ser um pouco anteriores, Cristo sentado, o dos opróbrios e preso à coluna (da Flagelação). Revestem as paredes dos lados dois quadros em baixo-relevo, em cada uma, trata da a sua envolvência como largas molduras, completadas de alto remate e sanefas, tendo igualmente recortada e decorada a parte da base. Representam, à direita, Ceia e Lava-pedes, ao outro lado Oração no Horto e Prisão. Agradam como obra de artificiania, mostrando porém aquelas deficiências próprias deste nível, tanto na figura como na composição, na perspectiva, etc.» (Idem)."18 (Sousa Lamy, A)

Esculturas da 1ª Capela do Passo do Horto ou Passo do Pretório

Capela do Passo do Pretório ou Horto

  • Três esculturas de Jesus Cristo;
    • Um escultura central em tamanho real;
    • Duas menores laterais;
  • Quadros iconográficos em alto relevo: 06;
    • Capela dos Passos: Em cima, Última ceia e Lava-pés;
    • Capela dos Passos: Em baixo, Oração (ou Agonia) do Horto e Prisão de Cristo.
    • Via Sacra

Quadro iconográfico “A Última Seia”

Capela do Passo do Pretório ou Horto

Este quadro “A Última Seia”, representa a última ceia que Jesus Cristo partilhou com os seus 12 apóstolos. A dada altura o Mestre previu que um deles o iria atraiçoar, “Em verdade vos digo, aquele que mete a mão no prato me entregará, um de vós me trairá.” Poderá ser difícil identificar o traidor porque o artista colocou dois discípulos com a mão no prato. No entanto, o escultor colocou junto de Judas um cão, que representa o diabo, indicando assim a autoria da traição.

Nesta cena o Apóstolo João, preferido do Senhor, é representado sem barba. Em todas as capelas pode ser encontrado este discípulo com estas características físicas.  

Quadro iconográfico "Lava pés"

Capela do Passo do Pretório ou Horto

Neste quadro do "Lava pés", surge Jesus Cristo na última ceia, rodeado pelos seus 12 apóstolos, a quem disse, "Um de vós não está limpo”.  Pedro ao ouvir o Senhor proferir estas palavras, depressa se prontificou a tirar as sandálias para lavar os pés. No entanto, não era a ela que Cristo acusava mas a Judas Iscariotes. Este traidor é aqui representado com um saco dourado, representando os 30 dinheiros que recebeu pela traição de ter vendido o seu Mestre aos sumos sacerdotes judeus, que o queriam ver morto, por ameaçarem o seu poder.

Neste quadro surge o Senhor a lavar os pés de Pedro, simbolizando o facto Dele ter vindo ao mundo para salvar a humanidade. O seu acto reflete a sua humildade, porque naqueles tempos eram os criados que lavavam os pés dos hóspedes, dando assim o seu exemplo de humildade aos seus fiéis seguidores.

Quadro iconográfico "Oração (ou Agonia) do Horto"

Capela do Passo do Pretório ou Horto

O quadro "Agonia do Horto”, é um dos mais perturbadores e simbólicos desta capela e possui muitas formas de ser lido e interpretado. Depois de Jesus Cristo cantar os salmos com os seus discípulos, dirigiram-se todos para o Monte das Oliveiras, pedindo para aguardarem por ele enquanto estivesse a rezar. Neste quadro o Cálice representa a dor e o sofrimento de Jesus. A pesada cruz alude à sua crucificação.

Enquanto Cristo enfrenta a morte, os seus seguidores Pedro, Tiago e João, dormem um sono descansado, alheando-se do seu Mestre e fechando os olhos para a sua execução. Em termos modernos, quantas pessoas públicas e privadas não fazem o mesmo quando preferem não ver as injustiças, crimes e maledicências que acontecem à frente dos seus olhos.

Quadro iconográfico "Prisão de Cristo"

Capela do Passo do Pretório ou Horto

Este quadro “A Prisão”, representa Judas a dar um beijo na face de Cristo, sinal combinado para os soldados o identificarem no meio da multidão para o prenderem. Nesta cena estão representados cinco soldados romanos, devidamente armados, com capacetes, elmos, lanças e archotes. O mesmo é levado sob escolta para a casa de Caifás, para ser julgado no tribunal.

Um dos seus discípulos deu um golpe na orelha direita de Malco, um dos servos do Sumo Sacerdote, aqui representado por uma figura caída que segura um objeto na mão esquerda, que pensamos ser uma lamparina. Jesus contudo ajuda o ferido colocando a sua mão direita na orelha do servo e curando a ferida.

Quadro iconográfico "Via Sacra"

Capela do Passo do Pretório ou Horto

O quadro “Via Sacra”, possui duas outras figuras de Cristo, com ele amarrado a uma coluna e outro com a sua coroa de espinhos. A primeira escultura referida é uma relíquia de Portugal, por só ter meia coluna, por norma esta imagem é representada com uma coluna inteira. Jesus Cristo foi preso, castigado e crucificado, por ter afirmado ser o rei dos judeus.

Por esta razão colocaram uma coroa de espinhos na sua cabeça, nos ombros um manto de cor púrpura, na mão uma cana, simbolizando o septo real, ajoelharam-se diante do Senhor numa atitude jocosa e cuspiram-lhe na cara, na lenta caminhada que fez pelas ruas de Jerusalém até ao Monte de Golgota, tendo caído três vezes até lá chegar.

Capela do Passo do Pretório ou Horto

Martelada pelos proprietários que não preservam os edifícios

A visita a esta capela terminou com uma martelada do "Zé dos Pregos", pelos proprietários que deixam ruir os seus edifícios. 

2ª Capela do Passo do Horto ou Queda

Localização da 2ª Capela do Passo do Horto ou Queda

Capela do Passo do Horto ou Queda

A Capela do Passo do Horto ou Queda fica situada na Rua Alexandre Herculano, perto das escadarias do Tribunal de Ovar.

Representação da 2ª Capela do Passo do Horto ou Queda

A 2ª Capela dos Passos, denominada do Horto ou Queda, alude para o primeiro momento em que Jesus Cristo, que transportava a cruz pela via sacra para ser crucificado, caiu pela primeira vez.

Esculturas da 2ª Capela do Passo do Horto ou Queda

  • Esculturas: 11;
  • Jesus Cristo;
  • José de Arimateia;
  • Nicodemos;
  • Cobrador de Impostos, com vestimenta do Séc. XVIII;
  • Sete soldados romanos;

Descrição da exterior Capela do Passo do Horto ou Queda

Capela do Passo do Horto ou Queda

Existem 5 Capelas semelhantes à do Passo do Horto ou Queda, esta ainda conserva duas fachadas, a principal e a lateral. Aqui existe uma placa com a data de 1757. Antigamente estas capelas estavam isoladas, mas com a urbanização foram sendo absorvidas pela construção.

Capela com duas cruzes no telhado para ser identificada ao longe

Um sinal desta característica deste passo é ter ainda duas cruzes no telhado, na parte frontal e traseiras, de forma a poder ser identificada ao longe como um edifício religioso pelas pessoas que se aproximassem da antiga vila em várias direções.

Esta capela demorou nove anos a ser construída. Todas elas estão protegidas e quem tiver uma propriedade num raio de cinquenta metros não pode fazer qualquer alteração no seu exterior, nem mesmo uma limpeza sem autorizações legais.

A sua fachada é muito característica, toda ela feita em granito, com duas colunatas laterais, encimada por frontão triangular, ornamentado com folhas de acanto, dois balaustres na pontas e uma cruz ao meio.

Ornamentação com folha de acanto

"A folha de acanto, na arquitetura, é reproduzida como forma de ornamentação, não necessariamente fiel à natureza, sendo utilizadas na ornamentação de colunas da ordens coríntia e compósita."7

Descrição do interior Capela do Passo do Horto ou Queda

Capela do Passo do Horto ou Queda

No interior desta capela existem 11 estátuas, com um Jesus Cristo caído sob o jogo da cruz, sete soldados romanos.

O Rosto de Cristo apresenta as marcas da flagelação e um olhar a invocar piedade dos fiéis. Por detrás os soldados romanos seguram as lanças e objetos de flagelação. Um deles não tem nada nas mãos, porque o tempo o fez perder o chicote. No entanto, não é necessária muita imaginação para sentir o seu som sibilante a cingir as carnes vivas do Senhor que deu a vida para nos salvar.

Num plano mais superior no fundo da capela encontram-se duas pessoas comuns, vestidas à paisana, que nenhum historiador sabe a sua real identificação. Poderão, contudo, ser José de Arimateia e Nicodemos, que foram os responsáveis por tratar do corpo de Jesus Cristo após a sua morte. Os restos mortais eram depois devorados pelos lobos, cães, aves de rapina e outros animais selvagens.

Naquele tempo os corpos dos crucificados eram deixados abandonados ao relento, em locais isolados altaneiros, mas bem visíveis junto aos caminhos, para servirem como exemplo e atemorizar que usasse enfrentar os poderes instituídos políticos, religiosos, sociais ou económicos. Jesus Cristo usou enfrentar todos, como quando expulsou os vendilhões do templo.

José de Arimateia convenceu o governador a dar-lhe poderes para tratar do corpo do Nazareno e fazer o seu sepultamento. Uma legião de soldados romanos fez o transporte do corpo para o túmulo e ficaram de sentinela para que não fosse pilhado. Mas o corpo de Cristo desapareceu, sendo atribuídas culpas a José de Arimateia e Nicodemos, que foram julgados, condenados e presos e acabaram abandonados por familiares e amigos.

Em lugar de destaque do lado esquerdo, o escultor colocou a sua assinatura, através da escultura dum severo homem, vestido de capote preto, coberto com um chapéu e segurando uma enorme vela ou bastão. As mesmas foram criadas nos anos de 1700, o artista quis deixar-nos uma referência do seu tempo, esculpindo esta figura vestida com as roupas daquela época, em contraste com as dos tempos bíblicos. Esta era a figura mais icónica de Ovar daquela altura, o cobrador de impostos da vila.

aqui correção

Capela do Passo do Horto ou Queda

Estas construções foram financiadas com o imposto do “Real Imposto do Quartilho de Vinho”, que era uma taxa extra que se pagava por cada quartilho de vinho vendidos nas tabernas daquele tempo nesta região. A brincar pode-se imaginar a quantidade de vinho que teve que ser vendida em nove anos, tempo que demorou a sua construção. Ainda hoje podem ser encontrados voluntários que se mutilaram desta forma para financiarem construções similares nesta e em outras regiões da Lusitânia pátria.

Capela do Passo do Horto ou Queda

No teto destaca-se os frescos onde dois anjos seguram o cálice da última ceia e cruz da crucificação de Jesus Cristo. 

Martelada pelos que conduzem com excesso de álcool

No final da visita a esta capela “Zé dos Pregos”, deu uma martelada pelos crimes cometidos quando os condutores conduzem com excesso de álcool. 

3ª Capela do Passo do Encontro

Localização da 3ª Capela do Passo do Encontro

Capela do Passo do Encontro

A 3ª Capela do Passo do Encontro fica situada na Rua Alexandre Herculano, perto da Câmara Municipal de Ovar.

Representação da 3ª Capela do Passo do Encontro

Capela do Passo do Encontro

A 3ª Capela do Passo do Encontro representa o primeiro encontro na Via Sacra de Jesus Cristo, transportando a cruz, com a sua mãe Maria.

Descrição da 3ª Capela do Passo do Encontro

Capela do Passo do Encontro

A 3ª Capela dos Passos em Ovar, denominada “Passo do Encontro”, representa o primeiro momento em que Jesus Cristo vê pela primeira vez a sua mãe Maria. A virgem faz-se acompanhar por João, o homem sem barba. Ao fundo pode-se ver a escultura representando Maria Madalena, fiel seguidora de Jesus. Esta mulher pecadora que também pecadores quiseram apedrejar quando soube da morte do Senhor correu para o seu túmulo, escavado num monte, com o intuito de perfumar o cadáver segundo as exéquias fúnebres e rituais judeus da época.

Capela do Passo do Encontro

Na entrada já se encontrava a Virgem Maria, Maria Madalena ao entrar na caverna, em lugar de ver o corpo de Jesus deitado, viu dois Anjos que estão representados nesta capela, em frescos pintados no teto, onde um deles segura uma coluna inteira. A mesma saiu para o exterior e passou por Jesus sem o reconhecer.

Capela do Passo do Encontro

Jesus Cristo carregou a pesada cruz às costas acompanhado pelos judeu, romanos, que o cuspiam, flagelavam, chicoteavam e escarneciam chamando-lhe “Rei dos Judeus”, na presença da sua mãe Maria que terá sofrido o martírio de ver a vida esvair-se a cada pesada passada e queda do Filho.

Nesta capela também se pode encontrar uma pequena escultura do que parece ser uma criança, com uma caixa com um martelo e pregos e onde o nosso artista foi buscar a inspiração para o "Zé dos Pregos". Esta criança parece contudo amedrontada com o poder divino e com a sua mão direita parece querer defender-se do mal que inocentemente praticou.

Capela do Passo do Encontro

Martelada pelos algozes de mau coração

O “Zé dos Pregos” , cicerone da visita, relembrou o papel desempenhado por Jesus como vítima para salvar a humanidade e deu uma forte martelada no banco de madeira pelos algozes atuais que tudo fazem para combater as ações meritórias das pessoas com bom coração.

Esculturas da 3ª Capela do Passo do Encontro

  • Esculturas: 11;
  • Jesus Cristo;
  • Virgem Maria;
  • Maria Madalena;
  • Apóstolo João, o homem sem barba;
  • Homem dos pregos;
  • Cinco soldados romanos;

Curiosidades da 3ª Capela do Passo do Encontro

Em França existe um crânio atribuído a Maria Madalena, esta relíquia está exposta na basílica de Maria Madalena, na Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, na Provence. Em 2015, uma equipa de designers brasileira, especialista em três dimensões, constituída pelo pesquisador de Santos, do litoral de São Paulo, e um designer do Mato Grosso, através de uma técnica denominada fotogrametria, onde são captadas várias fotos em 360 graus, dum objeto de estudo, e recriaram aquele que pode ser o rosto desta Santa.8  

"La Sainte Baume, a gruta de Maria Madalena na Provence

Padroeira da Provence, santa Maria Madalena chegou no litoral francês numa jangada sem remos, em companhia de são Máximo, santa Maria Jacobé e santa Maria Salomé, assim como santa Sara (santa padroeira dos ciganos), fugidos da Palestina depois da morte de Jesus.  Eles teriam desembarcaram na cidade de Saintes-Maries-de-la-Mer, onde foi erguida a igreja em homenagem à santa Sara (outra hipótese é que ela teria recebido os santos que desembarcaram ali). Em companhia de são Máximo, Maria Madalena percorreu a região provençal num trabalho de evangelização, e recolheu-se no coração colina da Sainte Baume (baoumo, em provençal, significa gruta), onde viveu seus últimos anos de vida.

O monte que abriga a gruta é localizado a 21 km ao sul da cidade de Saint-Maximin-la-Sainte-Baume, onde fica a basílica de Santa Maria Madalena na Provence, local considerado como terceiro santuário do cristianismo e importante lugar de peregrinação.

É na basílica que fica o relicário da santa contendo os restos mortais de uma mulher mediterrânea de aproximadamente 50 anos de idade, datando do século I: crânio e pele da fronte, que teria sido tocada por Jesus após sua ressurreição, quando ele teria dito “noli tangere me” (não me toques). Uma vez por ano, no dia 22 de julho, dia de Maria Madalena, o relicário sai da basílica numa procissão pela cidade, e na gruta é celebrada a missa em homenagem à santa."9

4ª Capela do Passo do Cireneu

Localização da 4ª Capela do Cireneu

Capela do Passo do Cireneu

A 4ª Capela do Passo do Cireneu fica localizada Rua Cândido dos Reis, perto da Esquadra da PSP e em frente à Rádio Antena Vareira. Ao seu lado fica o antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Ovar, onde agora funciona uma clínica de fisioterapia. Os doentes que a frequentam para reabilitação, ao ver nesta capela Jesus Cristo flagelado, se forem bons cristãos poderão refletir se as suas achegas não serão justiça divina pelos pecados cometidos.   

Representação da 4ª Capela do Cireneu

Capela do Passo do Cireneu

4ª Capela do Cireneu representa o momento em que Simão, o Cireneu, ajudou Jesus Cristo a carregar a sua cruz. Esta personagem bíblica é descrita nos Evangelhos sinópticos e terá sido obrigado pelos soldados romanos a carregar a cruz de Jesus até o Gólgota, onde deveria ser crucificado.

Esta colina fica ainda hoje situada fora das muralhas da antiga cidade de Jerusalém. É curioso que em hebraico a tradução quer dizer caveira. Este lugar ainda hoje pode ser visitado, estando protegido por redes e a sua silhueta tem efetivamente o formato de um crânio humano. 

Descrição da 4ª Capela do Cireneu

Capela do Passo do Cireneu

Reza a bíblia que um homem chamado Simão, o Cireneu, foi obrigado a ajudar Jesus Cristo a transportar a cruz, estando representado esta capela a pegar na parte inferior da mesma.

Maria Madalena surge novamente acompanhada por Maria e João. Nesta capela também aparece um corneteiro a brandir energicamente uma trombeta para os céus. Podemos conjeturar que o homem não contente com a desgraça que estava ajudar ainda fez barulho para chamar atenção do Senhor lá no alto para a sua pérfida, não fosse estar distraído. 

Capela do Passo do Cireneu

"Simão Cireneu foi o homem que carregou a cruz de Jesus em parte do caminho até o Gólgota. Muitas vezes ele é designado como “Simão cireneu”, mas a designação correta é “cireneu”. O nome “cireneu” não é um sobrenome, mas uma indicação de seu lugar de origem, a cidade de Cirene. Portanto, a forma “Simão cireneu” é a mesma que “Simão de Cirene”."13

Esculturas da 4ª Capela do Cireneu

Capela do Passo do Cireneu

  • Esculturas: 10;
  • Jesus Cristo;
  • Virgem Maria;
  • Maria Madalena;
  • Simão, o Cireneu, o homem que ajudou Jesus Cristo a transportar a cruz;
  • O homem da trombeta;
  • Discípulo João, o homem sem barba;
  • 4 Soldados romanos;

Curiosidades: A desastrosa restauração feita por um artista espanhol

O nosso "Zé dos Pregos", contou-nos que em 1944, a autarquia vareira contratou um pintor espanhol, residente na vila, artista plástico, de nome Germán Iglesias, para fazer recuperações. Infelizmente o provérbio “De Espanha nem bom vento nem bom casamento”, foi novamente confirmado, em virtude dos trabalhos terem sido mal executados ou compreendidos. Porque naquele tempo se queriam fazer recuperações deviam ter contratado um restaurador e não um mestre da criatividade. Como o “nuestro hermano”, não era nem restaurador nem conservador, não respeitou os frescos e esculturas originais e deu largas à sua imaginação.

Nós pensamos saber o que se passou, então terá sido assim: O diabo está sempre à espreita e viu neste artista o instrumento da sua destruição. O "cão da danação" influenciou o espanhol para utilizar a sua real veia artística nas paredes e esculturas. O homem acabou por pintar novos motivos por cima dos outros frescos seculares, causando danos ao patrimônio difíceis de calcular e reparar. Ainda hoje não se sabe a riqueza que estava por detrás das pinturas do espanhol. O artista Germán Iglesias com medo e antes que lhe fossem ao focinho fugiu para Espanha.

No entanto, atualmente algumas partes das pinturas do Germán Iglésias estão a descascar e a revelar as pinturas originais. Apesar dos danos foi graças às suas pinturas sugestivas com qualidade que hoje estas capelas estão classificadas como imóveis de interesse público. O que haveria pode trás podemos nunca vir a saber, apesar de já haver tecnologias para fazerem essa leitura, talvez no futuro possam aqui ser usadas.

Martelada pelos falsos artistas

A martelada do Zé dos Pregos nesta capela foi para todos os que se dizem artistas e que na verdade são arteiros. Efetivamente em Portugal há muitos artistas que nos tentam ludibriar, mas o povo é esperto e um dia deixa de acreditar.

5ª Capela do Passo da Verónica

Localização da 5ª Capela do Passo da Verónica

Capela do Passo da Verónica

A 5ª Capela do Passo da Verónica, fica localizada na Praça da República, em frente à Câmara Municipal de Ovar, onde a circulação de trânsito é proibida. Esta nova conceção deste espaço parece-nos confusa, deixa muito a desejar e já foi alvo de muita mal deliberação, se calhar os seus promotores fizeram as obras com sob o efeito do "Real Imposto do Quartilho Vinho".

Capela do Passo da Verónica

Em 1600, foi construído o primeiro edifício na Praça da República, contudo a configuração atual data de 1900. Na mesma altura da construção desta capela foi também edificada no topo sul a Capela de São Pedro, que já teve duas torres e perdeu uma.

Este templo é dedicado ao patrono dos pescadores, por esta razão o peixe era vendido nas suas traseiras. Esta praça foi sofrendo alterações ao longo dos anos, principalmente durante o século XIX. Antigamente o mercado era feito pelas ruas da cidade, onde era vendido peixe, legumes e cestos. No século XIX, esta feira a céu aberto era autorizada só aos domingos, mas foi passando a acontecer diariamente. 

Representação da 5ª Capela do Passo da Verónica

Capela do Passo da Verónica

A 5ª Capela do Passo da Verónica, representa o momento onde Verônica enxuga o rosto de Jesus, Passo VI da Via Sacra. "Santa Verônica ou Berenice, de acordo com o "Acta Sanctorum" publicado pelos bolandistas, foi uma mulher piedosa de Jerusalém que, comovida com o sofrimento de Jesus ao carregar a cruz até o Gólgota, deu-lhe seu véu para que ele pudesse limpar seu rosto. Jesus aceitou a oferta e, após utilizá-lo, devolveu-o à Verônica. E então, a imagem de seu rosto estava milagrosamente impresso nele. Este véu é conhecido como "Véu de Verônica". "15

Capela do Passo da Verónica

Descrição da 5ª Capela do Passo da Verónica

Capela do Passo da Verónica

Na 5ª Capela do Passo da Verónica pode-se constatar que uma das pinturas do artista espanhol Germán Iglesias está a descascar, abrindo desta forma uma janela para o passado, numa delas pode-se ver a data de 1754, ano da conclusão desta capela. Num dos nichos laterais pode-se ver uma outra pintura deste artista, representando Judas a dar um beijo a Jesus Cristo, que se deteriorou e revelou uma pintura original setecentista de um Cristo Crucificado.

Capela do Passo da Verónica

As estátuas em destaque na 5ª Capela do Passo da Verónica são as figuras de Simão, o Cireneu, que continua a carregar a cruz. Verónica com um ar pesaroso segura um tecido com o rosto de Cristo.

Martelada pelos que nada fazem contra o desastre ambiental

A martelada no banco que o “Zé dos Pregos” deu nesta capela, foi para todos que nada fazem para salvar o mundo do desastre ambiental que estamos atravessar. 

Esculturas da 5ª Capela do Passo da Verónica 

Capela do Passo da Verónica

  • Esculturas: 11;
  • Jesus Cristo;
  • Virgem Maria;
  • Verónica;
  • Simão, o Cireneu, contínua ajudar Jesus Cristo a transportar a cruz;
  • 5 Soldados romanos;
  • Não conseguimos confirmar duas esculturas que pensamos ser de Maria Madalena e discípulo João;

Curiosidades da 5ª Capela do Passo da Verónica

Capela do Passo da Verónica

A função original do nicho lateral construído nesta capela era servir como uma pequena sacristia, onde o capelão se aparentava para poder rezar a missa. As portas abriam-se para ele fazer a homilia, onde os crentes se aglomeravam no exterior para participar e entoar as orações. Em frente, nos antigos paços do concelho, existiu uma cadeia e desta forma os presos também podiam assistir à celebração, comungar e confessar os seus pecados, que num local como aquele poderiam ser mais abundantes. Talvez seja por isso que existe uma inscrição na cópula que remete para o sangue e vinho, associados ao pecado. 

6ª Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

Localização da 6ª Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

A 6ª Capela do Passo das Filhas de Jerusalém fica localizada no pelo Largo Mouzinho de Albuquerque, perto do Museu do Traje de Ovar e Tribunal de Ovar.

Representação da 6ª Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

A 6ª Capela do Passo Filhas de Jerusalém, é dedicada a um grupo de mulheres, que segundo o evangelho de São Lucas, seguia Jesus Cristo, no meio da multidão, expressando a sua dor e sofrimento, batendo no peito e chorando copiosamente. Jesus foi ter com elas e pediu-lhes encarecidamente que deixassem de chorar por Ele, mas que o fizessem por elas próprias e seus filhos. Ele fez isto porque profetizou que seriam as gerações futuras a pagar as consequências da sua morte.

Descrição da 6ª Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

O artista pintou este momento, das Filhas de Jerusalém, esculpindo a figura de uma mulher a chorar com um bebé ao colo, parecido com os quatro anjos dos frescos pintados no teto, que seguram as armas com que Jesus foi flagelado, escada, lança, coroa de espinhos, balança e um martelo.

Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

Jesus Cristo surge nesta capela com o rosto ferido e de sofrimento, por estar perto a hora de expiar os pecados da humanidade através do seu sacrifício.

Os frescos pintados nas paredes nada tem haver com a Via Sacra, que retrata a paixão e morte de Jesus. O artista Germán Iglesias pintou cenas com forte simbologia cristã, mas fora do contexto das capelas dos passos. Numa delas surge Maria Madalena, com os cabelos muito compridos, loiros e encaracolados. A bíblia narra que ela ungiu os pés de Cristo e secou-os com os seus próprios cabelos. Neste fresco surge ainda Marta, irmã de Lázaro.

Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

Num outro fresco surge Jesus Cristo e uma mulher Samaritana, que apesar de serem povos rivais, não impediu o Senhor, que era Judeu de falar com ela. Cristo disse que quem bebesse daquela água jamais teria sede. A mulher pediu então para beber e assim nunca mais ter que percorrer enormes distância para encontrar água. Jesus pediu para ela chamar o marido, tendo ela respondido que não tinha.

Como o Senhor tudo sabe confirmou que ela apesar de ter cinco homens, nenhum era o seu marido. Foi esta revelação que fez a Samaritana converter-se e confessar os seus pecados porque percebeu que Jesus era a água da vida e através da fé nunca mais teria sede, remetendo para a remissão dos pecados.

Neste fresco, à semelhança de outros, é possível ver um pouco dos frescos originais, através de pequenos retângulos do lado esquerdo ao centro.

Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

"O Evangelho de João 4.4-42 relata a história de Jesus e a mulher samaritana. Conta que Jesus encontrou uma mulher samaritana junto ao poço de Jacó quando parou para descansar. Nessa época, não havia água encanada e as pessoas andavam muitos quilômetros para achar um poço com água.

Nesse poço Jesus encontra uma mulher cujo nome não é revelado, mas sabe-se que era samaritana. Judeus e samaritanos não se conversavam, já que eram povos rivais. Também naquela época as mulheres eram consideradas inferiores aos homens. Jesus sabia disso, mas ignorou o fato por considerar e tratar as pessoas iguais.

Até hoje, nas sinagogas, as mulheres sentam-se separadas dos homens. Jesus não se considerou maior que a mulher por ser homem. Muito menos por ser judeu. Ele sabia tudo que passava dentro do coração daquela mulher. Ele tinha consciência de que essa mulher precisava conversar e desabafar com alguém. Somos inferiores a Deus e não merecemos nem ser lembrados por ele, mas Deus não nos ignora nem despreza, como também Jesus não desprezou a mulher samaritana. Que possamos ser acolhidos e acolhidas no amor de Deus e fazer com que todas as pessoas também sejam acolhidas!"16

Visita encenada Passo a Passo

Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

Martelada pelos virtuosos sem pecado

Zé dos Pregos pediu para quem nunca tivesse pecado dar uma martelada, ninguém o fez e com algum incómodo todos os visitantes se retiraram de mansinho. Há pecados que nunca devem ser cometidos, como matar ou roubar. Por vezes há pecados menores que são cometidos e que devem ser evitados.

O que nunca pode acontecer é as pessoas cometerem várias vezes os mesmos pecados sem fazerem uma introspeção e evoluírem na sua caminhada, depois sofrem e são infelizes, porque a conta acaba sempre por chegar e por vezes com juros. Estes pobre pecadores colocam a culpa no mundo, nos outros e abandonam por vezes Deus, nunca assumindo as suas responsabilidades.

Esculturas e frescos da 6ª Capela do Passo das Filhas de Jerusalém 

Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

  • Esculturas: 14 Figuras;
  • Jesus Cristo;
  • Virgem Maria;
  • Maria Madalena;
  • Discípulo João, o homem sem barba;
  • 5 Mulheres, uma delas tem ao colo um bebe;

Foto 9

  • 1 Criança;
  • 1 homem de aparência turca;
  • 3 Soldados Romanos;
  • 1 homem com uma trombeta;
  • Frescos:
    • Pintura de quatro anjos no teto, que seguram as armas com que Jesus Cristo foi flagelado, uma escada, lança, coroa de espinhos, balança e um martelo;
    • Maria Madalena a servir Jesus Cristo, que se encontra acompanhado por Marta, irmã de Lázaro. Artista Germán Iglesias;
    • Jesus Cristo com a Samaritana, junto da fonte. Artista Germán Iglesias;  

Capela do Passo das Filhas de Jerusalém

7ª Capela do Passo do Calvário

Localização da 7ª Capela do Passo do Calvário

Capela do Passo do Calvário

A 7ª Capela do Passo do Calvário fica localizada no Largo dos Combatentes, perto do Mercado Municipal de Ovar. Esta capela é um pouco diferente das anteriores por ser um templo vistoso de maiores dimensões, erigido no cimo duma pequena elevação desafogada, cujo acesso é feito por uma grande e simbólica escadaria. Por outro lado é que tem maior número de figuras, não fosse esta capela o desenlace fatal e triste da história do nosso Salvador. 

Representação da 7ª Capelas do Passo do Calvário

Capela do Passo do Calvário

A 7ª Capela do Passo do Calvário simboliza o Monte de Gólgota onde Jesus Cristo foi crucificado, cujo acesso é feito por uma grande escadaria granítica, que simboliza a Via Sacra que percorreu penosamente.

Artista construtor da 7ª Capela do Passo do Calvário

"Obra concluída em 1782 pelo mestre Francisco Rodrigues Ferreira, em terreno oferecido à irmandade dos Passos pelo padre Manuel da Costa Mendes."18 (Sousa Lamy, A)

Descrição da 7ª Capela dos Passo do Calvário

Capela do Passo do Calvário

A sequência chega ao seu fim no Largo dos Combatentes, com a Capela do Passo do Calvário, onde foram erguidas cerca de 30 figuras em tamanho real. Esta é a maior das sete capelas, e inclui o reaproveitamento de alguns materiais da extinta Capela de São Pedro, que estaria localizada nesta área.

Esta capela por ser a última e onde se atingiu o fim da Via Sacra, colocou a teatralidade na parte superior, num plano superior, obrigando os crentes e visitantes a voltar os olhos para o céu, numa atitude de em submissão a Deus e relembrá-los da morte do Jesus e que a salvação não está na terra, mas no céu. 

A fachada deste capela em granito é constituída por três tramos, principal no centro, onde está localizada a nave e duas laterais iguais, das sacristias, para apenas um capelão. Tem uma grande janela que ilumina o interior.

O interior deste edifício está a ser alvo de obras de conservação e restauro, depois de já o terem feito no exterior.

Capela do Passo do Calvário

No exterior estão gravadas em alto relevo, na parte superior da fachada frontal, as armas da flagelação de Jesus Cristo, coroa de espinhos, parecida com uma rosácea, uma lança na diagonal e outra com uma esponja na ponta.

Capela do Passo do Calvário

Na lateral direita, de quem se encontrar de frente para a Capela do Passo do Calvário, podemos encontrar em alto relevo talhado no granito uma turquês e um martelo.

Capela do Passo do Calvário

Na lateral esquerda, de quem se encontrar de frente para a Capela do Passo do Calvário, podemos encontrar em alto relevo talhado no granito aquilo que nos pareceu ser o cálice da última ceia de Jesus.

No interior desta capela a morte de Jesus Cristo é retratada de duas formas, crucificado no Monte Gólgota e depois de morto uma imagem dele deitado em tamanho real. Esta última era usada nas procissões quaresmais, no enterro do Senhor, nas recriações históricas à noite e nas sextas-feiras santas era enterrada simbolicamente na areia.

Capela do Passo do Calvário

Esta tradição remonta ao tempo das invasões napoleónicas, quando este imperador decretou um imposto de guerra, condenando a nação portuguesa a pagar um imposto no valor de 100 milhões de francos.

Os vareiros temendo que Napoleão mandasse os seus homens aqui para saquear a vila, esconderam na areia todos os seus bens mais valiosos, como alfaias agrícolas, objetos religiosos, cruzes com Cristo crucificado e esta imagem do Senhor, por isso hoje ainda é conhecida a célebre expressão acusatória: “Os vareiros enterraram o Senhor na areia”.

Capela do Passo do Calvário

Esta expressão no passado tinha um julgamento crítico dos vareiros, por quem desconhecia a razão destas pessoas terem feito tamanha ofensa a Jesus, que depois de ter padecido na cruz, ainda o fazem desaparecer por baixo das areias do mar.

A imagem de Cristo crucificado tem uma inscrição que diz, “Jesus, Rei dos Nazarenos”, e está traduzida em três línguas, grego, latim e hebraico. Maria surge por debaixo da cruz, ao lado do discípulo João, o homem sem barba. Jesus Cristo antes de morrer pediu à sua mãe que a partir daquele momento olhasse e tomasse conta de João, como seu filho, tendo ela aceite o seu último pedido.

Uma das figuras, em frente a Maria Madalena, segura uma lança, com uma esponja na ponta, vestido com uma camisa com padrão em xadrez, parecida com as usadas pelos pescadores. Esta figura retrata um judeu, que foi o responsável por ter dado vinagre a beber ao Senhor, quando ele pediu água.

Na parte frontal, segurando também uma lança, próximo de um homem que toca tambor, surge a figura de Longino, soldado romano, que foi o responsável por espetar a lança em Jesus, para se certificar da sua morte, ficando a mesma conhecida como a “lança do destino”.

Nesta capela foram esculpidas duas figuras de cavalos, um inteiro e outro pela metade, por falta de espaço.

Jesus ao centro, jaze na cruz crucificado, Dimas, o bom ladrão confessou os seus pecados ao Senhor e do outro lado surge Gestas, o mau ladrão. A forma de os reconhecermos os dois criminosos é observar qual deles tem o rosto voltado Jesus Cristo, o que não confessou os seus pecados não teve coragem de o fazer.

Gestas teve o descaramento de confrontar Jesus Cristo com o facto dele ser Deus e ter poder para os salvar aos três daquela condenação. Dimas mais sábio apontou que Jesus era inocente ao passo que eles os dois eram culpados, tendo sido condenados justamente e tinham por isso que pagar pelos seus pecados. Jesus pediu ao seu Pai, para se lembrar dele quando chegasse ao seu reino.

Nesta última Capela dos Passos a história converge para o seu fatal desenlace, que embora tenha ocorrido há mais de dois milénios, ao escrevermos esta singela descrição desta visita encenada nos dá arrepios e ficarmos mais tementes a Deus. O seu exemplo enche-nos de respeito, admiração e tristeza em face da coragem com que enfrentou os poderes instalados, as fraquezas humanos e morte.

Todos podemos interpretar porque escolheu morrer desta forma, nós achamos que o seu exemplo de humanismo deve levar-nos a procurar sempre na vida uma missão maior para viver e não nos deixarmos levar pelas ramas da vida, mas esforçar-nos para que na hora da morte ela tenha servido para de algumas forma deixemos o mundo melhor com o nosso trabalho e exemplo.

Do corpo de Jesus sai sangue dos tambores música alegre, do povo se muitos carpiam outros escarneciam. Ao meio-dia o céu escureceu até às três da tarde, hora que finalmente chegou para levar Jesus Cristo para junto de seu Pai.

Depois Dele morrer, os soldados romanos retiraram as suas esfarrapadas vestes, que pouco escondiam suas carnes flageladas. Ainda assim as rasgaram em quatro, para as dividir entre si. No entanto a túnica, era uma peça única sem costuras, como não a podiam rasgar sem lhe destruir a função e valor, jogaram os dados para decidir o novo dono. Pelo que disseram entre si: "Não vamos rasgá-la, mas deitemos sorte sobre ela, de quem será”, para que a Escritura se cumprisse: "Eles dividiram minhas roupas entre si, e para a minha túnica lançaram sortes." Cumprimento da profecia do Salmo 22:18.17

De acordo com o evangelho de Marcos 15:25, Jesus Cristo resistiu ao tormento aproximadamente por seis horas, da hora terça (aproximadamente 9 da manhã) até a sua morte (Marcos 15:34–37), na hora nona (três da tarde).

Pouco antes de morrer Jesus Cristo atormentado pela dor e sofrimento perguntou ao Deus seu Pai, porque o abandonou ou desamparou naquela hora, conforme as diferentes interpretações.

Este facto ainda hoje incomoda muita gente, desde fervorosos crentes até teólogos estudiosos. Na nossa humildade perguntamos se não foi o contrário e fomos nós que abandonamos Jesus Cristo e Deus, seu pai. Um pai e um mãe educam o filho para ser uma pessoa de bem, respeitosa, trabalhadora e cumprir os mandamento das lei de Deus, que não tem nada de especial e deveriam ser a trave mestra de qualquer vida humana, que aqui os vamos recordar:

  1. Amar a Deus sobre todas as coisas;
  2. Não invocar o santo nome de Deus em vão;
  3. Santificar os Domingos e Festas de Guarda;
  4. Honrar pai e mãe;
  5. Não matar;
  6. Não cometer adultério;
  7. Não roubar;
  8. Não levantar falsos testemunhos;
  9. Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos;
  10. Não cobiçar as coisas alheias;

Esculturas e frescos da 7ª Capela do Passo do Calvário

    • Esculturas: 30 Figuras;
    • Jesus Cristo: 02;
      • Uma figura de Jesus Cristo, crucificado na cruz;
      • Uma figura de Jesus Cristo, deitada depois de padecer;
    • Dois ladrões que foram crucificados conjuntamente com Jesus, Dimas e Gestas, o bom e mau vilão;
    • Maria Madalena;
    • Discípulo João, o homem sem barba;
    • Longino, soldado romano, que foi o responsável por espetar a lança em Jesus, para se certificar da sua morte;
    • Um tocador de tambor;
    • Soldados romanos: 09, montando um deles a cavalo;
    • Um judeu vestido de pescador que chegou uma lança ao Senhor com vinagre quando ele pediu água;

Final da Visita às Capelas dos Passos de Ovar

Capela do Passo do Calvário

O artista Leandro Ribeiro encerrou esta encenação agradecendo ao município vareiro e à paróquia de Ovar, a oportunidade de poder mostrar esta riqueza religiosa aos visitantes e os levar a refletir sobre o significado da Via Sacra, num tom sério misturado de humor, que poderia não ser de fácil compreensão.

Capela do Passo do Calvário

O Ondas da Serra encarou a visita de um modo muito sério e as palavras sussurradas ou ditas com mais vigor pelo artista, com serenidade, humor perspicaz, jocosas ou críticas, levaram-nos apreciar ainda mais estes monumentos que parecem por vezes em cada capela ganhar vida e se precipitaram sobre nós para nos aprisionar naquelas cenas com forte carga simbólica, histórica e religiosa.

Algo nos tocou profundamente durante a visita ao recordarmos a penosa Via Sacra que Jesus Cristo sofreu e num segundo momento quando escrevemos paulatinamente este artigo.

Nem sempre fomos pessoas de fé, houve um tempo em que éramos apenas científicos, materialistas e até ateus. A vida levou-nos um dia a fazer preces e pedir o auxílio ao Senhor, quando não tínhamos mais ninguém a quem recorrer, Ele com tanto para fazer, ouviu-nos e veio em nosso auxílio. Desde esse dia percebemos que não estamos sozinhos e que a fé é um sentimento poderoso que nos ajuda a viver em paz e harmonia.

No entanto não podemos apenas pedir e nós temos as nossas ferramentas e ações para pagar ao Senhor a ajuda que nos deu, embora nunca poderemos saldar a conta porque a busca pela limpeza do espírito é contínua e nunca acaba.

Agora nas horas em que atravessamos vales sombrios e tenebrosos, já não estamos sozinhos porque chamamos o Senhor rezando o "Salmo do Bom Pastor".

Avaliação das Capelas dos Passos de Ovar

Ovar possui riqueza naturais, arquitetónicas e gastronómicas que fazem parte da identidade vareira, mas nem sempre são preservadas da melhor forma. Um exemplo disso são os cortes indiscriminados da floresta vareira, as fontes Júlio Dinis maltratadas e o património arquitetónico por cuidar.

As Capelas dos Passos de Ovar têm uma grande riqueza histórica, arquitetónica e religiosa, no entanto as mesmas enfrentam na nossa opinião alguns problemas, que vamos enumerar:

  1. Conservação: Muitas das suas capelas parecem ter infiltrações de água que estão a danificar os já degradados frescos e esculturas.
    • Segundo apuramos junto do Sr. Padre responsável pela paróquia de Ovar, Vítor Pacheco. A preocupação pela sua conservação está sempre presente, por isso nos dois últimos anos foram restauradas as portadas e telhados, que reduziram substancialmente as infiltrações de água. Na sua opinião o problema das infiltrações está relacionado com a proliferação sem controle de pombas. Apesar das limpezas efetuadas depressa os nichos destes pássaros entopem o sistema de escoamento de águas fluviais que se infiltram para o interior dos templos, com consequências nefastas para o património.
    • O problema é de tal maneira grave que o Sr. Padre grave acha que é um caso de saúde pública;
    • Este problema das pombas além de afetar o património arquitetónico da cidade também afeta o restante. Por esta razão antes de fazerem obras de fundo para a sua conservação e restauração têm que resolver este problema das pombas;
    • O Sr. Padre adiantou-nos que tem pronto um projeto de arquitetura para o seu restauro e conservação para concorrer ao programa europeu 20/30. 
  2. Restauração: Muitas das suas esculturas estão danificadas ou faltam elementos. Aqui deveria ser feito um estudo para averiguar quais os melhores métodos para as proteger, recuperar e que elementos fazem sentido serem repostos;
  3. Informação: As Capelas dos Passos, monumento nacional, têm pouca informação, apenas uma pequena estrutura metálica, que mais parece um parquímetro. Este é no entanto um problema transversal à cidade, que tem pouca informação junto destes e de outros monumentos e sem uma toponímia uniforme e consistente;
  4. Dinamização: Por vezes são feitos alguns projetos para dinamizar o valor intrínseco destas capelas, como esta visita encenada "Passo a Passo", que participamos, mas têm que acontecer de forma mais regular ao longo do tempo;
  5. Abertura das capelas:
    • As Capelas dos Passos nem sempre estão abertas e mesmo quando isso acontece existe pouca informação para identificar todo o seu significado, esculturas e frescos, tendo sido uma razão porque fizemos este artigo;
    • Uma das ideias que poderia ser estudada, era acompanhar as aberturas mais regulares com um sistema de áudio em várias línguas e tecnologias multimédia, para ajudar os visitantes nacionais e estrangeiros a perceber o seu real valor e significado. No entanto, esta melhoria teria que ser acompanhada pelo seu restauro e conservação;
  6. Iluminação das capelas:
    • Num futuro restauro e conservação poderia ser equacionado fazer um estudo aprofundado sobre a sua iluminação exterior e interior. A força expressiva das esculturas poderia ser reforçada de noite através de iluminação;
  7. Manutenção económica das Capelas dos Passos:
    • Atualmente muito património é conservado e restaurado através da compra de bilhetes pelos visitantes. Este aspeto poderia ser estudado pela entidade que gere as mesmas, a Irmandade dos Passos. Poderia ser criado um site para as pessoas saberem mais sobre estas Capelas dos Passos e poderem agendar visitas, diurnas e noturnas (com iluminação implementada), comprando os respetivos bilhetes;

Procissões quaresmais de Ovar

Procissões quaresmais de Ovar


Crédito da foto: Em memória do amigo do Ondas da Serra José Fonseca, de Ovar

Procissões Quaresmais de Ovar, tradição secular

"O concelho de Ovar, marcado por um património religioso de grande qualidade artística, vive, há vários séculos, com fervor e intensidade, as principais datas do calendário litúrgico, em especial a época quaresmal. Encerrado o tempo do Entrudo, inicia-se um período de recolhimento e reflexão, em que a comunidade vive e demonstra a sua Fé.

No centro histórico da Cidade, as tradições e devoções associadas à Quaresma têm propiciado a construção de um legado de incomparável valor cultural, especialmente nas procissões quaresmais realizadas anualmente. O ponto alto das celebrações religiosas é a realização das habituais Procissões Quaresmais, que têm início pela dos Terceiros e a que se seguem a dos Passos, Ecce-Homo, Via-sacra e, por fim, a do Enterro do Senhor."12

Procissão dos Terceiros (ou das Cinzas)

"A procissão das Cinzas, mais conhecida por Procissão dos Terceiros, com possível origem em 1663, teve várias con­figurações ao longo dos séculos. Se em 1868 era formada por 10 andores, já em 1672 era constituída por vinte e quatro andores, individualmente dirigidos por um elemento da Ordem Terceira e acompanhados por Anjos e Tochas.

Atualmente, saem à rua 14 andores as imagens dos Santos Tutelados da Ordem Terceira de São Francisco: Bem Casados, Santa Margarida de Cortona, Santo Ivo, Santo António de Lisboa, Santa Isabel, Santa Clara de Assis, São Roque, São Luís Rei de França, Santa Rosa de Viterbo, Andor da Ordem, São Francisco lançado às silvas, São Francisco abraçado a Cristo, Santa Isabel da Hungria e Imaculada Conceição."12

Data: Segundo Domingo da Quaresma;
Organização: Ordem Terceira de S. Francisco | Paróquia de Ovar;

Procissão dos Passos (ou do Encontro)

Procissões quaresmais de Ovar


Crédito da foto: Em memória do amigo do Ondas da Serra José Fonseca, de Ovar

"A Procissão dos Passos, ou do Encontro, é a segunda das Procissões Quaresmais, posterior à dos Terceiros, e, para muitos, a mais marcante, pelo seu significado e pela envolvência que as Capelas dos Passos proporcionam, sendo organizada pela Irmandade dos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, a mais antiga de Ovar (fundada por volta de 1570 ou 1572) desde a sua fundação de forma quase ininterrupta.

Seguindo o percurso das capelas dedicadas à Paixão de Cristo, as imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos, provenientes de sentidos opostos, reúnem-se no Passo do Encontro, percorrendo, juntas, depois do sermão, o restante trajeto."12

Data: Quarto Domingo da Quaresma;
Organização: Irmandade dos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo | Paróquia de Ovar

Procissão do Ecce-Homo (Terro-Terro)

“Ecce Homo”! Segundo o Evangelho, foram estas as palavras pronunciadas pelo governador romano, Pôncio Pilatos, quando apresentou Jesus de Nazaré (flagelado, atado e com coroa de espinhos) perante a multidão hostil e à qual submeteu o destino final do réu.

Na iconografia cristã costuma chamar-se Ecce Homo ou Senhor da Cana Verde (vulgarmente com ela na mão a servir-lhe de cetro) às figurações de Jesus Cristo apresentado em sofrimento.

Assim, a Procissão de Quinta-Feira Santa, com origem no séc. XVII, aparece com diversas designações: do Ecce Homo, do Terro-Terro, da Cana Verde, dos Penitentes (permitiu a confissão pública de muitos penitentes, de cabeça tapada), dos Farricocos ou dos Fogaréus (homens vestidos de preto com as matracas e fogaréus nas mãos).

Atualmente, no silêncio da noite, interrompido, pontualmente, pelo som das matracas, três imagens do séc. XVII – Crucificação, Senhor da Cana Verde e Cristo Atado à Coluna – percorrem a cidade de Ovar, parando nas esplendorosas Capelas dos Passos, até chegarem ao Calvário e retomarem à Igreja Matriz, de onde partiram."12

Data: Quinta-feira Santa;
Organização: Ordem Terceira de S. Francisco | Paróquia de Ovar;

Procissão da Via-Sacra

Procissões quaresmais de Ovar


Crédito da foto: Em memória do amigo do Ondas da Serra José Fonseca, de Ovar

"A Via-Sacra é o mais apreciado exercício de piedade em louvor da Paixão de Jesus Cristo, pelo que se pratica, sobretudo, no tempo da Quaresma e na Sexta-Feira Santa, dia da Paixão, Morte e Sepultura de Jesus. Profundamente ligada aos Franciscanos, desde a sua origem, em Ovar, esta Procissão percorre as catorze cruzes presentes nas principais ruas do centro da Cidade na manhã de Sexta-Feira Santa e tem por objetivo acompanhar, espiritualmente, o trajeto de Jesus desde a agonia, no Jardim das Oliveiras, com momentos de meditação, até ao sepulcro."12

Procissões quaresmais de Ovar


Crédito da foto: Em memória do amigo do Ondas da Serra José Fonseca, de Ovar

Data: Sexta-feira Santa;
Organização: Ordem Terceira de S. Francisco | Paróquia de Ovar;

Procissão do Enterro do Senhor

"A Procissão do Enterro do Senhor é uma procissão noturna, porventura a mais comovente. Em Ovar é anterior à construção das Capelas dos Passos. Partindo do Calvário, a Procissão faz o percurso da Paixão de Cristo com dois andores – o esquife com Cristo Morto e Nossa Senhora da Soledade – regressando ao mesmo local para o Sermão final."12

Data: Sexta-feira Santa;
Organização: Irmandade dos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo | Paróquia de Ovar

Percurso da Paixão de Cristo pelas Sete Capelas dos Passos

O percurso, efetuado através das Capelas simboliza a Paixão de Cristo e que aparece representada nos retábulos de cada uma, tem início dentro da Igreja de São Cristóvão ou Igreja Matriz de Ovar (Passo do Pretório), continua por outros cinco nichos na zona histórica da cidade (Capela e Passo do Horto - junto ao Tribunal, na Rua Alexandre Herculano; Passo do Encontro - Rua Alexandre Herculano; Capela e Passo do Cirineu - Largo dos Bombeiros Velhos; Capela e Passo da Verónica - Praça da República; Capela e Passo das Filhas de Jerusalém  - Largo Mouzinho de Albuquerque) e termina no Passo do Calvário ou Capela de S. Pedro (Largo dos Combatentes).11

Outros pontos de interesse em Ovar 

No artigo, Desvendando as joias escondidas de Ovar: Natureza e Cultura, vamos dar a conhecer aos nossos leitores que pretendem visitar Ovar, as atrações que podem ver, visitar, onde podem comer e dormir. Esta terra vareira tem seis pilares que a caracterizam, Cantar os Reis, Carnaval, Pão-de-ló de Ovar, Azulejo, Procissões Quaresmais e Natureza, onde se integra a Ria de Aveiro, Mar com as suas praias e zona florestal, que está no entanto em risco pelos abates cegos que têm sido realizados e não sabemos se vão ser retomados no futuro, quando a poeira assentar. 

Exposição sobre as Capelas dos Passos de Ovar

O Sr. Padre Vítor Pacheco, informou-nos que no período compreendido entre 16 de março a 07 de abril 2024, irá ser efetuada uma exposição sobre as Capelas dos Passos de Ovar, no Centro de Artes de Ovar, que iremos visitar.

Agradecimentos

Agradecemos ao Sr. Padre Vítor Pacheco, a ajuda que nos deu para visitar novamente, por questões técnicas, a 6 Capela do Passo Filhas de Jerusalém. Este Padre começou a prestar a ajuda espiritual à paróquia de Ovar, há cerca de dois anos e brevemente esperamos conversar com ele para o conhecer um pouco da sua pessoa e aspirações religiosas.

Créditos e Fontes pesquisadas

Texto: Ondas da Serra, com exceção do que está em itálico e devidamente referenciado.

Fotos: Ondas da Serra, com exceção das que estão referenciadas

1 - cm-ovar.pt/pt/menu/2903/capelas-dos-passos.aspx
2 - pt.wikipedia.org/wiki/Passos_de_Ovar
3 - monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5853. Autores: Margarida Alçada 1983 / Carlos Ruão 1996. Actualização: Cecília Matias 2011
4 - Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 37 450, DG, 1ª Série, nº 129 de 16 Junho 1949 / ZEP, Portaria, nº 715/2010, DR, 2ª Série, nº 195 de 07 de outubro de 2010 *2
5 - servicos.dgpc.gov.pt/pesquisapatrimonioimovel/detalhes.php?code=74015
6 - granderota.riadeaveiro.pt/pois/passos-de-ovar/
7 - wikipedia.org/wiki/Folha_de_acanto
8 - g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2015/07/rosto-de-maria-madalena-recriado-por-brasileiros-e-apresentado-na-franca.html
9 - destinoprovence.com/la-sainte-baume-a-gruta-de-maria-madalena/
10 - roteiromuseus.ccdrc.pt/museu_ficha.aspx?tipologia=1&idMuseu=34
11 - Câmara Municipal de Ovar
12 - cultura.cm-ovar.pt/pt/menu/2848/procissoes-quaresmais.aspx
13 - estiloadoracao.com/quem-foi-simao-cireneu/
14 - granderota.riadeaveiro.pt/pois/passos-de-ovar/
15 - pt.wikipedia.org/wiki/Verônica_de_Jerusalém
16 - institutoivoti.com.br/noticia/jesus-e-a-mulher-do-poco
17 - portalrevelacao.com/minha-biblia/mensagens-n-t/joao/joao-19-23-24-lancaram-sortes-sobre-as-vestes-de-jesus/

Referências bibliográficas

18 - Sousa Lamy, A. (n.d.). Monografia de Ovar (C. M. Ovar, Ed.; Vol. 1) [Review of Monografia de Ovar]

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Autor

Ondas da Serra

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