Solange Duarte: “Como não amar ser vareira de gema?” D. Sol, a Irradiante (Solange Duarte) - Rainha do Carnaval de Ovar 2019
segunda, 18 março 2019 17:10

Solange Duarte: “Como não amar ser vareira de gema?” Destaque

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Solange Duarte nasceu a 16 de janeiro de 1990, na cidade de Ovar, e ama “toda a história e magia que a cidade tem”. Falamos com D. Sol, a Irradiante, rainha do Carnaval de Ovar de 2019 e vareira de gema, sobre uma das maiores festas do concelho e os projetos para o futuro.

D. Sol, a Irradiante (Solange Duarte) - Rainha do Carnaval de Ovar 2019Acabou de se mudar para Liverpool, em Inglaterra, e é à distância que responde a todas as perguntas do Ondas da Serra. Viajar é uma das suas maiores paixões, acompanhada pelo amor e orgulho que sente por Ovar. Sonha em viver em Bali.

 

Como é que é a tua relação com a cidade de Ovar?

Amo a minha cidade. Toda a história e magia que ela tem. Somos o melhor Carnaval de Portugal, temos um dos melhores doces regionais - o pão-de-ló de Ovar, somos conhecidos como a cidade do azulejo, possuímos uma fauna e flora surpreendentes. Como não amar ser vareira de gema? Estou muito ligada à minha terra e às minhas gentes e muito grata, porque sou a pessoa que sou hoje graças ao meio em que cresci.

 

Qual é o teu local favorito?

Gosto muito da Praia do Furadouro, é um cantinho iluminado para mim.

 

Como é que surgiu o convite para seres rainha do Carnaval de Ovar?

Desta vez, o convite surgiu por parte do “meu” rei, o Dinocrato Formigal. Por norma, é o rei quem escolhe a sua rainha. O convite foi uma surpresa enorme. Não estava nada à espera. Foi no início do mês de fevereiro, estava em Viana do Castelo a assistir um jogo de hóquei com as minhas melhores amigas. Atendi uma chamada e fiquei sem saber o que dizer, como reagir,...foi uma mistura de sentimentos . Desorientada é mesmo o termo, mas como é óbvio aceitei.

Foi a segunda vez que fui rainha do Carnaval, sendo que a primeira foi em 2014. É uma sensação indiscritível, única e muito gratificante. Ovar é a minha cidade e o nosso Carnaval é a nossa maior alegria, o nosso maior orgulho. É a época do ano pela qual todos ansiamos que chegue. Somos muito bons no Carnaval que desenvolvemos. De ano para ano a qualidade aumenta e quem nos visita não se arrepende, pelo contrário, volta!

 

Qual é a função da rainha do Carnaval de Ovar?

O casal real, assim que recebe a chave do reino da folia no desfile da chegada do rei, entregue pelo nosso presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, passa automaticamente a ‘tomar conta do reino’. Todos os eventos relacionados com o Carnaval passam a fazer parte da nossa agenda.

Uma rainha e um rei de carnaval são a cara de toda a envolvência carnavalesca. Para além de nos tornarmos figuras acarinhadas pela população e pelos foliões, fazemos questão de estar presentes e acompanhar de perto todo o trabalho árduo que os nossos grupos e escolas de samba elaboram com tanto carinho e dedicação. É incrível. Levamos também o Carnaval a quem infelizmente, por questões de saúde, não pode andar na rua, fazendo assim a visita ao Hospital de Ovar, à Santa Casa da Misericórdia, entre outros, e recebendo também o Carnaval Sénior no nosso Espaço Folião.

 

O que é que significou seres rainha do Carnaval de Ovar?

Significou importância. Aprendi que devemos dar valor às oportunidades que a vida nos dá. Se estava para mim tal tarefa, só tinha que desempenhá-la da melhor forma possível, dar o meu melhor à minha maneira e de forma genuína. Brincar ao Carnaval com responsabilidade foi muito bom. Fui muito feliz.

 

Como é que são os ensaios?

Temos vários desfiles ao longo de quase um mês de Carnaval, mas não necessitamos de ensaiar porque não levamos coreografias, nem esquemas de dança. As nossas performances são “sorrir e acenar” e estarmos gratos a todos que fazem o nosso Carnaval ser tão especial. Começamos com o desfile da Chegada do Rei, depois o Carnaval das Crianças em que desfilamos a pé e temos o contacto direto com o público. É só incrível. Por fim, os Grandes Corsos Carnavalescos no Domingo e Terça-feira, em que abrimos o desfile a pé e terminamos no carro real, onde lançamos serpentinas e confettis ao público.

 

Qual foi a melhor experiência de ser rainha?

Não consigo precisar a melhor experiência porque se olhar para trás e pensar no Reinado que tive, sorrio e sinto-me realizada e orgulhosa. Dei o meu melhor sempre. No entanto, confesso que comunicar é um gosto enorme que tenho. E com a posição que tive foi possível estar mais perto das pessoas, e isso foi de facto muito importante para mim.

 

Rainha uma vez, rainha sempre?

Rainha uma vez, Rainha duas vezes, portanto acredito que não há duas sem três! Se surgir um próximo convite não penso duas vezes. Vai fazer parte da minha biografia e um dia mais tarde vou adorar contar estas histórias aos meus descendentes.

 

Este ano o corso carnavalesco de Ovar só saiu à rua no Domingo. O tempo impediu os grupos de saírem na terça de Carnaval. Foi uma desilusão não poder cumprir a tradição?

Infelizmente o São Pedro não esteve do nosso lado na Terça-feira de Carnaval e impossibilitou o desfile de sair à rua. No entanto, temos que pensar de forma racional. Não estavam asseguradas as condições de saúde e de segurança para quem ia desfilar e para quem iria estar a assistir. Os ventos e chuvas fortes intensificaram-se durante a tarde. Somos seres humanos, temos de zelar pela nossa saúde. Contudo, e para colmatar a situação, houve festa para os grupos e escolas de samba no Espaço Folião durante a tarde com a animação de DJs.

 

Como é que foi a partilha da experiência com o Rei D. Dino?

A nossa partilha foi muito boa. Já tinha ligação com Dinocrato Formigal, ou D. Dino, o Conquistador da Folia, uma vez que sou porta-bandeira do grupo “Axu Mal” em que ambos desfilamos. Porém, como passamos tanto tempo juntos, deu para o conhecer melhor e concluir que é um veterano no carnaval. Foi bom ouvir todas as histórias que ele partilhou comigo e perceber que há muitos anos se “brincava” ao carnaval sujo em Ovar. Aprendi muito com o Dino e ele recebeu de mim toda a energia e vontade para viver esta experiência ao máximo.

 

A Rainha D. Sol – A Irradiante. Qual foi a inspiração para o nome?

Sol é o diminutivo do meu nome e como a maioria das pessoas me chamam. “A irradiante” tem haver com a força que o Sol tem de irradiar e contagiar a alegria nas pessoas. Portanto, fazendo a ligação ao nome do rei, D. Dino o Conquistador da Folia e a rainha D. Sol a Irradiante, o nosso objetivo foi espalhar folia e irradiar de alegria o nosso reinado de Carnaval. E conseguimos com sucesso.

 

Já tinhas sido rainha do Carnaval de Ovar?

Foi a segunda vez que fui rainha do Carnaval de Ovar. A primeira vez foi em 2014. O convite surgiu por parte da Câmara Municipal como forma de me gratificar pelo facto de ter sido Miss Queen Portugal, que me fez voar mais longe e ir mais além representar Portugal no Miss Earth 2013 nas Filipinas. É um dos maiores concursos de beleza no Mundo associado a uma causa: o planeta Terra e a proteção da mãe Natureza.

 

Quais são os teus sonhos?

Tenho muitos sonhos. No entanto, neste momento estou focada apenas em um. Um dos grandes objetivos para 2019 é ter a experiência de viver e trabalhar fora de Portugal, ir mais além a nível profissional e na área do marketing e crescer enquanto ser humano. Achei que depois da azáfama toda do Carnaval era a altura de apostar mais em mim e assim foi.

Neste momento estou em Liverpool e vou tentar a minha sorte por cá, sem medos nem receios.  Simplesmente viver ao máximo e aproveitar todas as oportunidades que aqui surgirão, que acredito que vão ser muitas e “Quando não souberes o que pedir, pede felicidade”. É o meu lema.

Sem paciência para atrasos, a marketer descreve o Carnaval de Ovar numa palavra: “único”.

 

Lida 442 vezes Modificado em segunda, 18 março 2019 18:09

Autor

Ricardo Grilo

Histórias capazes de entrar em contacto com as emoções de quem as lê justificam a minha paixão pelo jornalismo. Natural de Santa Maria da Feira, acredito no potencial de um concelho em ensaios para escrever a sua autobiografia. Aos 24 anos, e enquanto colaborar do ‘Ondas da Serra’, procuro a beleza em escrever sobre uma terra tão especial.

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