terça, 09 outubro 2018 08:19

APADO | Associação Protectora dos Animais Domésticos de Ovar Destaque

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2017 registou um aumento de 22% no número de animais abandonados face a 2016. Em 2018 já foram recolhidos no nosso país mais de 14 mil animais, alguns dos quais pela APADO. A Associação Protetora de Animais Domésticos de Ovar enfrenta inúmeras dificuldades e o Ondas da Serra foi perceber quais são os principais desafios.

Um mês depois da publicação do vídeo com Irene Malheiro, presidente da APADO, a denunciar as dificuldades que a associação enfrenta, o Ondas da Serra regressou a Ovar para perceber melhor como é que a comunidade pode ajudar. O vídeo foi um sucesso tendo até ao momento, 28 mil visualizações, 911 partilhas e 66 419 pessoas alcançadas, tendo alguns serralheiros se prontificado ajudar, sinal que a comunidade quando quer sabe se mobilizar em prol de questões positivas.

O aumento de animais abandonados e realojados em centros de recolha preocupa Irene Malheiro, sobretudo com a entrada em vigor a 23 de Setembro de 2018 da lei que proíbe o abate de animais errantes.

“A proibição de abate de animais é problemática. Isto porque se o canil não pode abater, evita a recolha e automaticamente os cães ficam na rua e começamos a ter um problema sério. Não há viabilidade neste cenário. Faria sentido se os municípios estivessem preparados e não estão”, refere Irene Malheiro.

A APADO surgiu a 14 de Julho de 1989 e conta com Irene Malheiro desde o primeiro dia. É a sócia número 1. “Sempre tive uma paixão por animais e o instinto protetor e de cuidadora. Penso que já virá de família. A minha avó materna tinha exatamente a mesma paixão”, conta.

O abandono de animais sem dolo é um ato reprovável, mas não é punível e Irene confessa que 29 anos após a criação da APADO pensou que já não existiria a barbaridade a que se continua a assistir: “É desumano”, suspira.

“Começamos com meia dúzia de animais e neste momento contamos à volta de 300 cães. Por norma, chegam desnutridos, maltratados e feridos. São tratados e mal estejam preparados, são colocados para adoção”, explica.

A missão é recolher, dentro do possível, cães abandonados. Hoje, as instalações estão sobrelotadas, impedindo uma recolha com a frequência necessária: “Se não tivermos jaulas vazias, temos de juntar os animais. Normalmente não é boa ideia porque os cães definem o seu território e pode haver confronto entre eles”, explica.

Atualmente, a equipa é composta pela direção, por duas funcionárias e cerca de 10 voluntários permanentes.  Quem quiser ajudar enquanto voluntário, basta falar com alguém da equipa. O voluntariado consiste sobretudo em libertar os animais e passear com eles, frequentemente ao Sábado.

Também é possível ser associado. O valor da quota anual é de 10€. “Temos mais de 2000 sócios e nem metade paga a quota e isto faz imensa diferença. Os nossos recursos vêm das quotas, doações de pessoas e empresas (nomeadamente alimentação), quebras de hipermercados, entre outras fontes”, conta.

Carla Espírito Santo integra a direção da APADO há dois anos. Tornou-se sócia há vários anos e desde ajuda a cuidar dos animas recolhidos e no processo de adoção: “Tentamos monitorizar, pelo menos no princípio, e garantir que o processo acontece da melhor forma, mas nem sempre é possível garantirmos a qualidade da adoção”, pormenoriza.

As adoções têm vindo a cair há dois anos consecutivos. Para efetuar a adoção, pode visitar a associação ou a página de Facebook, embora não esteja completa. Mais metade dos lares portugueses têm pelo menos um animal de estimação. Em Maio de 2017, os animais adquiriram um novo estatuto jurídico. Passaram a ser reconhecidos como seres vivos dotados de sensibilidade, ficando autónomos face a pessoas e coisas. No entanto, ainda faltam medidas para promover os seus direitos e bem-estar.

Estas medidas, e a educação para sensibilizar as pessoas, são aspetos identificados por Irene e Carla como urgentes para o futuro próximo. Quando questionadas relativamente às necessidades gritantes da APADO, destacam a importância de encontrarem um serralheiro para arranjar as jaulas, No entanto, não têm verbas para pagar os cursos da mão-de-obra.

O Ondas da Serra deixa o apelo para o caso de existir um serralheiro com disposição para ajudar a APADO a arranjar as aulas e proporcionar melhor qualidade de vida aos animais que acolhe.

Morada: APADO - Associação Protectora dos Animais Domésticos de Ovar Rua Abel Salazar n.º10 3880-144 Ovar
Email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Facebook: https://www.facebook.com/apado.ovar/

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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