Uma aventura no Parque Nacional da Peneda-Gerês Cascata do Poço Azul - Parque Nacional da Peneda-Gerês Ondas da Serra

Uma aventura no Parque Nacional da Peneda-Gerês Destaque

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No norte de Portugal fica situado o nosso único parque nacional, todas as pessoas já ouviram falar dele, mas nem todas o visitaram. O seu vasto território e as suas riquezas permitem aos seus amantes ao longo dos anos terem sempre motivos para regressarem, aqui fica o testemunho duma destas viagens.

Pastor José ManuelEste é um relato dum fim-de-semana que passamos perto da Vila do Gerês, acampados no parque do Vidoeiro. Este local tem a vantagem de estar situado no coração destas montanhas, perto de vários trilhos e das cascatas das Várzeas, Arado e da Portela do Homem. Outra das suas maravilhas é ser atravessado pelo rio Gerês, que ali tem uma pequena queda de água e lago, que usamos para nos refrescarmos bem cedo ou pela noite dentro.

Este parque poderia melhorar o seu acesso feito por uma estrada de terra batida, que levanta poeira de fazer inveja ao maior dos desertos, e tivesse melhores condições nas casas de banho, balneários e limpeza.

Regressamos à cascata mais bonita do Gerês, cujo nome é motivo de altercações entre as povoações vizinhas, porque uns dizem ser das Várzeas e os outros Fecha das Barjas, por isso as pessoas resolveram a contenda batizando-a de Tahiti. O aviso junto da ponte é claro, aquele é um local perigoso e propício acidentes mortais. O problema é que as pessoas não resistem à sua beleza e o calor tira-lhes a razão que as leva a descer as íngremes encostas com calçado desadequando e carregadas de grandes mochilas e arcas com bebidas e almoçaradas, como bons portugueses que são.

Desta vez tivemos uma surpresa agradável, estávamos nós a imitar um lagarto de sangue frio, já o sol se escondia por detrás das serras, absorvendo o calor dum maciço rochoso, quando um descarado lagarto das águas, aproximou-se sem medo, queria comida, teve que se contentar com um pedaço de batata frita que alguém ali tinha deixado, mas o bicho não gostou.

No dia seguinte fomos conhecer finalmente o Poço Azul, cujo caminho começa perto da cascata e ponte sobre o Rio Arado. Prepare-se para caminhar cerca seis quilómetros em cada direção, o caminho tem etapas difíceis por isso recomendamos o uso de bastões. No começo do trilho não fomos a tempo de impedir uma cabra de afiar os cornos no guarda-lamas dum carro ali estacionado que ficou muito danificado, que surpresa irá ter o seu dono quando descobrir e se calhar chamar “cabrões” aos autores do dano, sem saber que andará perto da verdade.

Foi aqui neste vale que encontramos um pastor de Terras do Bouro, de nome José Manuel, com 49 anos de idade, que apascentava 190 cabras dum grupo que se organizou composto por cinco pessoas, que se revezam na tarefa.

 

Como não existem direções para esta cascata aqui fica a nossa ajuda. Depois da ponte sobre o Rio Arado, suba uma pequena encosta até encontrar uma placa a indicar o miradouro da Malhadoura (foto 1), próximo da fonte do Vale do Barracão (foto 2), a partir deste ponto, conforme sinalização vertical, não é permitida a circulação automóvel, só residentes, naturais da Ermida, viaturas de serviço, socorro, vigilância e pastores portadores dos títulos dos animais (fotos 3 e 4).

A dada altura irá ter que virar num caminho à direita, de um lado tem um bloco granítico onde alguém gravou uma seta, do lado direito tem a marca pintada do percurso pedestre PR14 (fotos 5 e 6). O próximo passo é virar à esquerda num pequeno bosque onde existe uma pedra gravada com a inscrição “TRIBELA” (foto 7). Depois o trilho desce e sobe uma encosta, passando pela Ponte das Servas sobre o Rio Conho (foto 8). Quando terminar de subir a encosta irá encontrar do seu lado esquerdo um carreiro que o leva à cascata (foto 9).

Pelo percurso fomos tendo encontros com o gado da raça Barrosã e os seus imponentes cornos, que nos olhava curiosamente como se percebessem que não éramos dali.

O dia estava quente e quando chegamos ao Poço Azul, ficamos admirados com o arraial que por lá se vivia, centenas de jovens a pularem para a água de várias formas e feitios, alheios à pandemia, que também não deve resistir a tão temerosa gente. Pela nossa parte temos os cuidados devidos, mas achamos que ficar numa redoma não é solução para tudo.

 

 

 

 

 

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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