Do Porto a Vila do Conde de bicicleta à descoberta da nau quinhentista Barco Rabelo - Ponte D. Luís - Ribeira - Porto Ondas da Serra

Do Porto a Vila do Conde de bicicleta à descoberta da nau quinhentista Destaque

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No ano da graça de 2021, partimos numa epopeia de bicicleta na demanda duma nau, que começou em Vila Nova de Gaia, navegando junto à costa atlântica do litoral norte do Porto, Matosinhos e Vila do Conde. Fomos à descoberta destas terras desconhecidos e ficamos maravilhados com os seu encanto histórico, patrimonial, ambiental e religioso, que vamos partilhar com o nosso reino.

Uma epopeia de bicicleta do Porto a Vila do Conde

O acordar da Ribeira do Porto ao sussurro do Rio Douro

Rio Douro - Ribeira - Porto

Depois de deixarmos Vila Nova de Gaia em direção às cascatas Sanjoaninas da Ribeira do Porto, batidas pelo sol madrugador e absorvidas pelas calçadas e casario granítico, passamos o sempre belo Rio Douro, acordado por neblinas matinais e ainda meio adormecido. Para nós só faz sentido estas aventuras se estivermos atentos aos locais por onde passamos e pessoas com quem nos cruzamos, que muitas vezes estão cheios de vontade para contarem as suas histórias.

Passamos para a outra banda pelo tabuleiro inferior da ponte metálica D. Luís, construída, Théophile Seyrig. Esta ponte veio substituir uma antiga ponte pênsil que ainda conserva vestígios em ambas as margens.

O descanso dos barcos Rabelos no Rio Douro

Na margem tripeira os barcos rabelos aguardam por melhores dias, para poderem transportar alegres turistas rio acima e dar-lhes a conhecer as belezas do vale do Douro. Aquela hora da manhã, deixaram-se fotografar no meio da neblina e dos tons cinzentos do dia que acordava.

Os caminhos e passadiços junto ao Rio Douro na Foz da cidade do Porto

Os caminhos e passadiços junto ao Rio Douro na Foz da cidade do Porto

Fomos em direção à Foz, onde muitas pessoas já davam a sua caminhada matinal, andavam de bicicleta, passeavam o seu cão ou tomavam a sua bica, ou como diziam os mais antigos o seu “Cimbalino”. E como a vida é feita de histórias, recordamos uma antiga crónica do Jornal de Notícia, que acompanhava a Volta a Portugal em Bicicleta, já no século passado.

Velhos tempos onde um café era Cimbalino

Relatava aquela velha crônica, que volta era acompanhada por dois divertidos repórteres duma rádio local de Santa Maria da Feira, pensamos nós a “Águia Azul”. Certo dia a prova passou no Alentejo, numa das paragens, estes repórteres, com o característico “chico-espertismo”, num café, disseram ao patrão, “Queremos dois Cimbalinos”.

Naquele tempo na zona do grande Porto, era comum pedir café desta forma, que remetia para as máquinas que os tiravam da marca italiana Cimbali. Retorquiu a preceito o esperto Alentejano, “Cimbalinos não temos, mas posso servir-lhes dois Futurmatics”. Toda a comitiva ali presente da volta se riu, porque Futurmatic era outras das máquinas para esse efeito.

A Foz do Rio Douro e o Castelo do Queijo ou Forte de São Francisco Xavier4

A Foz do Rio Douro e o Castelo do Queijo

Viajamos junto ao rio, contemplando a foz do Douro, que se perde nas águas do atlântico, por passadiços, ou caminhos de acesso junto às rochosas praias à espera do verão para se verem animadas. Ali próximo destaca-se o edifício do Instituto de Socorros a Náufragos, com o seu pequeno farol. Por este serpenteante circuito passamos por baixo da ponte de acesso ao Castelo do Queijo e chegamos a um dos acessos ao parque da cidade.

"Construído em 1661, segundo o desenho de Miguel L'Ecole insere-se no conjunto de defesas marítimas. Em 1651 fora já escolhido o local da Pedra do Queijo. Em 1832, durante o Cerco do Porto, foi ocupado pelos miguelistas e muito danificado pelas baterias liberais. Abandonado durante muitos anos, serviu depois de quartel do Destacamento n. 1 da Brigada Naval do Porto, tendo sido entregue à Associação dos Comando da Zona Norte, em 1975. "

As proibições de circulação nos passadiços de Matosinhos e Vila do Conde

Quando entrar nos caminhos e passadiços que acompanham as praias de Matosinhos, não é permitida à circulação de bicicletas, no entanto existem sempre alternativas. De qualquer das formas, poderá fazer sempre esses percursos a caminhar, se começar cedo, não perderá muito tempo. Quando entrar no concelho de Vila do Conde, já não terá estes impedimentos, mas deverá continuar a circular com precaução.

O Passeio Atlântico de Matosinhos1

Passeio Atlântico de Matosinhos

Já do lado de Matosinhos, abre-se um dos maiores passeios marítimos de Portugal. Ao fundo as refinarias perto da praia lembram-nos a sociedade faminta por energia que somos e que a queima de combustíveis fósseis podem um dia submergir estas cidades juntos das costas marítimas.

“Inaugurada em setembro 2002, o Passeio Atlântico fez parte do profundo processo de requalificação urbana daquela que havia sido, durante todo o século XX, uma intensa área industrial de Matosinhos. Tal intervenção (envolvendo importantes nomes da designada Escola de Arquitetora do Porto, como Siza Vieira (Prémio Pritzker em 1992) e Alcino Soutinho materializou-se, na marginal, neste projeto de Eduardo Souto Moura (Prémio em Pritzker em 2011) que reconverteu tal espaço num dos mais concorridos da Área Metropolitana do Porto: um amplo passeio marítimo com 19 metros de largura e 740 metros de extensão.)”

A Lenda de Cayo Carpo como origem do topónimo de Matosinhos1

“Foi nesta praia que, segundo uma das mais antigas lendas da região, se realizou no ano de 44, nos tempos do império romano, o casamento de um nobre cavaleiro chamado Cayo Carpo. Escrita desde os inícios do século XVII, mas resultante de uma tradição oral muito anterior, esta lenda narra que o noivo e o seu cavalo entraram pelo mar adentro, cavalgando miraculosamente sobre as águas em direção a um barco.

Tratava-se de uma embarcação em pedra que levava o corpo do Apóstolo Santiago em direção à Galiza. Impressionado com tais milagres, Cayo Carpo logo ali se converte ao cristianismo. No seu regresso a terra cavalo, e cavaleiro surgirão totalmente matizados (cobertos) por vieiras (um dos símbolos do culto a Santiago) e, por tal motivo, Cayo Carpo passará a ser conhecido por “Matizadinho”, designação que se estenderá à própria praia. É com base nesta narrativa tradicional, que se explicaria a origem do topónimo de “Matosinhos”.”

Centro de apoio aos peregrinos a caminho de São Tiago de Compostela - Matosinhos

Centro de apoio aos peregrinos a caminho de São Tiago de Compostela - Matosinhos

No final desta avenida, foi construído um novo centro de apoio aos peregrinos a caminho de São Tiago de Compostela. Aqui os funcionários prestam todo o apoio aqueles que estejam a fazer o percurso pela costa, senda litoral e procurem assinalar esta passagem com um carimbo no seu passaporte denominado, “Certification de Paso”. Nós já fizemos parte deste caminho pela Costa, partindo da Sé do Porto pelo interior até Esposende.

Leia também: Bom caminho - Buen caminho

Em 2021 celebra-se um novo ano Jacobeu, que acontece sempre que o dia 25 de julho, coincide com um domingo. Este dia é dedicado desde a idade média por determinação papal ao apóstolo Santiago. Pela nossa parte esperamos regressar novamente de bicicleta este ano, assim nos guie o Apóstolo Santiago.

Leia também: A força do caminho e a fraqueza do mundo

Conjunto escultórico “Tragédia do Mar” - Matosinhos1

Conjunto escultórico Tragédia do Mar - Matosinhos

Junto ao edifício acima referido e já no areal da praia podemos admirar o conjunto escultórico “Tragédia do Mar”.

“Inspirado numa tela do famoso pintor matosinhense Augusto Gomes, o conjunto escultórico “Tragédia do Mar”, de autoria de José João Brito, data de 2005 e evoca aquela que foi a maior tragédia marítima de que há registo na costa portuguesa: a ocorrida na noite de 1 para 2 de dezembro de 1947, quando uma grande tempestade fez naufragar ao largo de Leixões diversas embarcações de pesca, provocando a morte de 152 tripulantes e a dor e desespero em toda a comunidade, incluindo 72 viúvas e 152 órfãos resultantes dessa tragédia.”

Zimbório do Senhor do Padrão1

“Classificado como Monumento Nacional desde 1971, o “Senhor do Padrão” assinala o local onde segundo a lenda, terá dado à costa, no dia 3 de maio de 124, a imagem do Bom Jesus de Matosinhos. Local certamente assinalado desde épocas remotas, foi no entanto, em data posterior a 1758 que se edificou o zimbório que hoje aqui podemos contemplar. Conhecido também por “Senhor da Areia”, tal designação resulta do facto de até ao início do século XX, este monumento se encontrar totalmente isolado no meio de um vasto areal, possuindo por isso um fortíssimo impacto visual. O aparecimento miraculoso de uma fonte de água doce neste local, em 1733, deu origem à construção mais pequena que podemos observar junto ao zimbório.”

Porto de Leixões1

Depois de passarmos à zona da Doca e Lota de Pesca de Matosinhos, onde polvilha a venda de peixe, marisco e restaurantes para os saborear, passamos a ponte móvel do Rio Leça. Para nascente podemos admirar azáfama do Porto de Leixões com os estivadores a fazerem a descarga de todo o tipo de materiais e bens de consumo.

Ali perto camionistas em longas filas esperavam a sua vez para fazerem circular os produtos e a economia. A poente fica localizado o terminal de cruzeiros do Porto de Leixões, que espera pacientemente a passagem da pandemia para ver regressar os turistas.

Depois de passar esta ponte, viramos à esquerda em direção ao mar e viajar para norte, sempre com ele pela esquerda até ao final do percurso, que no nosso caso era Vila do Conde. Se o cansaço apertar e não quiser fazer todo o percurso que nós aqui descrevemos, basta virar para nascente e procurar uma das estações do metro para regressar a Campanhã.

Lembramos que há uma linha de metro entre a Póvoa do Varzim e Campanhã, nesta pode fazer a ligação para os comboios da CP que dali partem para vários destinos.

“Desde a antiguidade clássica que a foz do estuário do Leça foram utilizados como um privilegiado porto de abrigo natural. As potencialidades naturais do local resultavam da existência, a poucas centenas de metros da costa, de um conjunto de grandes rochedos, alinhados em semicírculo, que formavam uma barreira natural às vagas alterosas: os leixões. Contudo, foi só na segunda metade do século XIX que, tendo em conta os crescentes naufrágios e os constrangimentos à navegabilidade do Douro, nomeadamente na sua barra, se multiplicaram estudos visando a construção de um porto alternativo na foz do rio Leça. O projeto final do Eng. Afonso Joaquim Nogueira Soares, fez assentar grande parte dos molhes nesses antigos rochedos (daí resultando a designação Porto de Leixões) e foi construído entre 1883 e 1895 pela firma francesa Dauderni & Duparchy, constituindo a maior obra de engenharia realizada em Portugal no século XIX.”

Não vamos aqui descrever a criação artística da rotunda da Anémona, ou piscina de Ondas de Leça, criada por Siza Vieira, que já conheceram melhores dias e estão à espera de serem recuperadas.

Farol de Leça da Palmeira

Farol de Leça da Palmeira

O imponente farol de Leça, destaca-se na paisagem e quem tiver tempo pode visitar o seu museu, onde estão expostas peças e mecanismos de um farol. Esta torre que assinalava outrora a costa aos navios, contrasta com as gigantes chaminés da refinaria da Petrogal ali perto. Ambas cumprem a sua função de ajudar o homem a mover-se, embora a velocidades e consequências diferentes para o ambiente. Vê-las perfiladas ao fundo parecem prepara-se para desferirem um ataque ao farol que nos guia.

Miradouro com vista para a Capela da Boa Nova e Praia Azul – Conchinha

Miradouro com vista para a Capela da Boa Nova e Praia Azul – Conchinha

Junto ao Miradouro da Boa Nova em Leça da Palmeira, poderá contemplar a Capela da Boa Nova, a barra do Rio Douro, a baía da Praia Azul – Conchinha e a linha costeira coberta de areais a perder de vista.

Capela da Boa Nova1

“Esta capela, de invocação de S. João, esteve durante muitos anos ligada aos eremitas Franciscanos, que se estabeleceram neste local até 1475, onde existia um pequeno mosteiro. A Capela da Boa Nova esteve sempre muito ligada também à população de Leça da Palmeira, aos pescadores de maneira particular, porque ali se celebrava o patrono, com animadas festas populares.”

Naufrágio do Grande Paquete inglês Veronese1

Perto da Capela da Boa Nova, nuns rochedos voltados para sul, uma placa incrustada nas rochas assinala uma tragédia marítima:

“Neste local, nos rochedos denominados de “Lanhos”, encalhou a 16 de janeiro de 1913 o grande paquete inglês Varonese, transportando 221 passageiros. A embarcação a vapor, de 7877 toneladas e construída nos estaleiros de Belfast em 1906, vinha de Liverpool com destino aos portos do Brasil, Venezuela e Argentina. As violentas condições atmosféricas tornaram o salvamento uma operação difícil e arriscada, tendo sido salvas 190 pessoas. As operações de salvamento, onde se destacaram os Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça e os Salva-vidas comandados por José Rabumba, “O Aveiro”, e Manuel Ferreira, “Patrão Lagoa”, foram filmadas pela empresa Invicta Filmes, dando origem a um dos maiores êxitos internacionais do cinema mudo português. Uma placa evocativa, colocada nos rochedos pouco tempo depois do naufrágio, permanece como uma memória desta tragédia.”

Biodiversidade das arribas e dunas de Matosinhos

Biodiversidade das arribas e dunas de Matosinhos

Nas arribas e dunas que ladeiam as praias de Matosinhos, esteja atento à biodiversidade e plantas que ajudam a manter a integridade destes locais e servem de refugio e alimentação a muitos seres, desde aves, mamíferos a insetos.

Praia da Memória ou como era antigamente conhecida Praia dos Ladrões1

“A Praia da Memória é um dos raros locais entre Leixões e Vila do Conde com excelentes condições para fundear navios e, logo, para desembarques. É provável que esta praia isolada fosse utilizada por piratas que aqui desembarcariam para atacar e pilhar as quintas e pequenas povoações da região, capturando igualmente homens e mulheres para os converter em escravos – facto relativamente bem documentado nas costas portuguesas durante os séculos XVI a XVIII, talvez por isso fosse outrora conhecida por “Praia dos Ladrões”.

A origem “Praia dos Ladrões” poderá, no entanto, resultar duma atividade também registada na nossa costa: a montagem de falsos faróis (fogueiras de sinalização) no alto de elevações mais interiores que, atraindo as embarcações para os traiçoeiros rochedos da costa, aí os faziam naufragar. Neste caso os ladrões estavam em terra e saqueavam os náufragos e as suas mercadorias.”

Percurso pedestre da Praia da Memória - Parque das Dunas1

“A Praia da Memória inaugurou um percurso pedestre circular com cerca de 1 km com 12 painéis dispersos ao longo do caminho, uma espécie de guia do campo onde pode consultar informação sobre a diversidade biológica, com imagens e comentários sobre plantas e animais comuns que pode observar. O percurso é feito pelo passadiço que protege as dunas que estão em franca recuperação da biodiversidade característica. Pare, escute e olhe: para identificar e observar a biodiversidade a paciência é indispensável! É natural que se depare com muitas espécies não referidas nos painéis, observe-as e registe-as em fotografia. Preste muita atenção às plantas em flor, este dado facilita a identificação da espécie a que pertencem. Não tenha medo dos insetos: depois de treinar o olhar, é muito gratificante encontra-los na vegetação. “

Não encontramos a Necrópole de Montemuro

Nesta Praia da Memória existe um painel informativo sobre a “Necrópole de Montemuro”, mas apesar dos nossos esforços não localizamos a mesma, na próxima oportunidade iremos melhor informados para a registar em fotografia e partilhar a sua informação com a nossa comunidade.

O Obelisco da Memória1

“O Obelisco da Memória assinala o local onde, em 8 de julho de 1832, desembarcaram D. Pedro IV e os 7500 homens do exército liberal, marcando o início do fim do regime absolutista que até então tinha dominado Portugal. Após o desembarque, o Exército Libertador avançou para a cidade do Porto onde ficaria cercado durante um ano (Cerco do Porto). O lançamento da primeira pedra deste monumento à memória desse acontecimento, ocorreu no 1 de Dezembro de 1840, estando presente a Rainha D. Maria II, filha de D. Pedro IV. Depois de várias vicissitudes, o obelisco foi concluído apenas em 1864, tendo sido classificado como Monumento Nacional em 1880.”

O passeio continuou, com passagem por várias praias de areias límpidas e reluzentes, qual delas a mais bonita, como Funtão ou Angeiras, com mares menos grossos dos que os nossos de Aveiro, dum azul turquesa e entrecortados por rochas e que emolduram os recantos e criam baias que convidam a banhos,  até nos dias mais frios.

Angeiras a bonita e típica aldeia piscatória

Angeiras a bonita e típica aldeia piscatória

Ficamos maravilhados com a pequena aldeia de piscatória de Angeiras - Lavra, profundamente ligada ao mar e às artes da pesca. O seu baixo casario, com cores garridas e vielas apertadas, refletem todos a faina marítima. As gaivotas completam o quadro perfeito duma terra de gentes voltadas para o mar. Não fosse sermos finitos ficávamos ali para a eternidade a contemplar, mas havemos de regressar para saborear o seu peixe nos muitos restaurantes típicos locais.

A Praia dos Pescadores de Angeiras, fica situada entre a Praia de Angeiras Sul e Norte, infelizmente se vier de carro, por aqui escasseia o estacionamento e terá que o deixar um pouco longe, mas pode assim aproveitar para caminhar e apreciar o pitoresco local.

Tanque Romanos para a Salga do Peixe junto da Praia de Angeiras

Tanque Romanos para a Salga do Peixe junto da Praia de Angeiras

“Dispersos por 600 metros pela Praia de Angeiras, encontram-se seis núcleos de tanques, num total de 32 exemplares, escavados nos afloramentos rochosos durante a época romana (séculos III-IV d.c.). Estas cavidades, de formato retangular, mas apresentando profundidade diversa, destinar-se-iam à salga de peixe e à produção de outros tipos de conservas de peixe, incluindo o afamado “garum”. Junto a alguns destes tanques foram também identificadas estruturas constituídas por pavimentos compostos por seixos e barro e delimitados por pequenos muretes. São vestígios das salinas onde se extraia o sal necessário para a produção da salmoura dos tanques. Pela sua raridade e importância, este conjunto industrial romano encontra-se classificado desde 1970 como Monumento Nacional.”

Garum - O condimento romano

O Garum era um condimento muito utilizado na Antiguidade, especialmente na Roma Antiga, feito de sangue, vísceras e de outras partes selecionadas do atum ou da cavala misturadas com peixes pequenos, crustáceos e moluscos esmagados; tudo isto era deixado em salmoura durante cerca de dois meses ou então aquecido artificialmente.

As Casas do Mar de Angeiras1

“As Casas do Mar de Angeiras fizeram parte, até meados do século XX, da arquitetura tradicional da região e são testemunhos das atividades agromarítimas que marcaram a identidade de Lavra até inícios do séc. XX. Estas estruturas pertenciam às grandes casas de lavoura da região, que também praticavam a pesca de mar como atividade sazonal e complementar da agricultura. Os “moços do mar” guardavam aqui o barco e os utensílios para a faina e para a apanha do sargaço e do pilado (caranguejo pequeno), usados tradicionalmente como indispensável fertilizante dos campos.” Na zona da Ria de Aveiro estes restos de peixe, misturados com caranguejos era chamado de escaço.

A Recolha do Sargaço1

“A apanha do sargaço, um fertilizante abundantemente utilizado pelas populações costeiras que se dedicam à agricultura, assumiu durante séculos relevante importância nos areais de Lavra, devido à facilidade de colheita das algas marinhas bem como a abundância das mesmas nestas praias. A atividade exercida pelas sargaceiras, que utilizavam a graveta para recolher as algas e as transportar para o local onde deveriam secar ao sol durante três dias, antes de serem utilizadas, juntamente com o pilado (caranguejo pequeno) para fertilizar os campos agrícolas da freguesia. O facto de ser, desde épocas remotas e por decisão real, um produto livre de pagamento de qualquer tipo de imposto, contribuiu igualmente para a popularidade desta atividade. Nos nossos dias continua a ser praticada e destina-se maioritariamente às industrias farmacêuticas e de cosméticos.”

O Rio Onda que separa Matosinhos de Vila do Conde1

O Rio Onda que separa Matosinhos de Vila do Conde

O Rio Onda, cujo nome remete para o nosso projeto, faz a separação entre Matosinhos e Vila do Conde. Junto dele para nascente um passadiço levou-nos a uma das saídas do Parque de Campismo local, que permite aos campistas um acesso rápido à praia ali perto. A dada altura olhamos para o a madeira esverdeada do passadiço, já perto do final e apesar de termos travado, não nos livramos duma queda ligeira.

Rio Onda - Separa Matosinhos de Vila do Conde1

“O Rio Onda, também chamado de Donda, Calvelhe, Labruge ou da Foz, separa as freguesias de Lavra (Matozinhos) de Labruge (Vila do Conde). Tem cerca de 11,8 Km de extensão e drena uma área de 48,58 Km2. Atravessa maioritariamente terrenos agrícolas e florestais e apresenta índices bióticos de reduzida biodiversidade. Em tempos, foi conhecido pelas boas pescarias e pela intensa atividade moageira.”

Vila do Conde - Ecovia do Litoral Sul2

Vila do Conde - Ecovia do Litoral Sul

No concelho de Vila do Conde já não há restrições para as bicicletas circularem nos passadiços, mas deve fazê-lo com cuidados redobrados para respeitar os outros utentes.

“Trata-se de um percurso pedonal e ciclável que percorre toda a linha de costa do concelho a sul do Rio Ave, fazendo fronteira com o concelho de Matosinhos. Tem uma extensão total de cerca de 8.600 metros, dos quais 6.000 metros correspondem a passadiços sobrelevados de madeira. Entre outros pontos de interesse, destaque para o Castro de S. Paio, em Labruge, considerado o único castro marítimo da parte portuguesa do noroeste peninsular.

A Ciclovia de Labruge a Vila do Conde2

“Ciclovia que acompanha a linha de costa, a sul do Ave, nas Freguesias de Azurara, Árvore, Mindelo, Vila Chã e Labruge. Trata-se de um percurso pedonal e ciclável que percorre toda a linha de costa do concelho a sul do Rio Ave. Tem uma extensão total de cerca de 8600 metros, dos quais 6000m correspondem a passadiços sobrelevados de madeira, 2000m a percursos pelos passeios e vias na travessia de povoações e 600m a caminhos vicinais, entre o promontório de Sampaio e a praia de Labruge.”

Labruge – pontos de interesse

Caso seja um peregrino a caminho de Santiago de Compostela, saiba que aqui existe para o acolher o Albergue de S. Tiago de Labruge. Esta freguesia possui duas praias de referência, de Labruge e Moreiró – S. Paio, ambas com bandeira azul. Outro motivo de interesse é a visita à Igreja Matriz de S. Tiago do Século XVIII, mas com origens mais antigas, existindo referências a uma igreja dedicada a este santo de 1058.

Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica do Mindelo2

Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica do Mindelo

“A Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica do Mindelo (PPRLVC e ROM) – que adotou a marca Naturconde, integrada na Rede Nacional de Áreas Protegidas- tem uma biodiversidade riquíssima. Ocorrem aqui 145 espécies de aves, 14 das 17 espécies de anfíbios existentes no nosso país, mais de 300 espécies de invertebrados e 39 espécies de musgos, para além de dois endemismos lusitanos – únicos no mundo. Para admirar toda esta vida, propomos-lhes diferentes percursos exploratórios, que lhe permitem uma total imersão na natureza. Em todos eles encontrará painéis interpretativos e estruturas de apoio e lazer que fornecem informação relevante e facilitam as suas caminhadas.”

Gravuras e runas do monte de São Paio2

Gravuras e runas do monte de São Paio

Uma prospeção efetuada por Fernando Lanhas, permitiu identificar até agora três gravuras, para além dos “penedos amoladoiros”, na área de São Paio.

“Estas três gravuras sugerem a presença de uma forte simbologia na área envolvente ao Castro. A gravura identificada mais a sul parece ser um algariz. O algariz era uma runa, elemento do alfabeto nórdico, que poderá ter sido desenhado na idade do Ferro ou já na Idade Média por ocasião de algum acampamento normando/viking que aqui tenha sido efetuado. As runas, para além de serem letras de um alfabeto, eram também símbolos. O algariz evoca a proteção divina. As outras gravuras são menos conhecidas, desconhecendo-se a sua cronologia.”   

O entalhe basal de São Paio2

O entalhe basal de São Paio - Vila do Conde

“O entalhe basal de S. Paio ou sapa, é uma curvatura existente na rocha resultante do desgaste provocado pelo mar. Alguma vezes as sapas aparecem associadas a restos consolidados de praias antigas. É o caso de uma das sapas do Alto do Facho. As sapas que podem ser vistas na encosta do Alto do Facho em S. Paio foram datadas de há cerca de 125.000 anos e encontram-se a cerca de 9m de altitude.

A sua cronologia é similar à de uma antiga praia situada na encosta do Alto da Mota, mas que se encontra apenas a 5 metros de altitude. São estes valores que indicam a existência de um movimento vertical do solo com diferentes ritmos entre o alto do Facho e o Alto da Mota- aquilo a que os cientistas chamam neotectónica.”

A falha geológica de São Paio2

A falha geológica de São Paio - Vila do Conde

“A praia dos Castros ocupa o espaço que resulta de uma falha geológica (um corte mais ou menos profundo na superfície terrestre). Os geólogos supõem que as arribas que se podem ver nas duas extremidades da praia, correspondem às escarpas da falha criadas pela rutura da superfície daquele lugar (neotectónica). Pensa-se que o maciço rochoso sul – Alto do Facho – se elevou mais rapidamente do que o da Mota, o que corresponderá a uma tectónica local, um fenómeno raramente comprovado.”

Os penedos amoladoiros de São Paio2

Os penedos amoladoiros de São Paio

“Os penedos amoladoiros foram assim referenciados por Fernando Lanhas. A comunidade cientifica encara as pequenas depressões naviformes e polidas como marcas de afiar instrumentos de madeira. Seriam, pois, pedras de amolar. A sua cronologia é ainda uma incógnita, mas pensa-se que pode remeter à pré-história. Há pelo menos 5 conjuntos de penedos com marcas similares na praia dos Castros, alguns dos quais estão muitas vezes cobertos de areia.

Por favor não faça fogueiras perto das pedras, isso acelera a sua degradação. As ruínas são muito frágeis. Por favor não as calque”.

Um pequeno testemunho de um grande período de tempo2

“O depósito assinalado com o número (4), corresponde a um nível solifluxivo (um solo que, muito lentamente se deslocou para aqui) cuja datação é posterior a 84.000 anos do presente. Abaixo está um nível (3) formado por areia de duna compactada, datada de 84.000 anos. Esta duna tinha, por sua vez sido depositada pelo vento em cima de um outro nível solifluxivo que para aqui se deslocou entre 125.000 e 84.000 anos antes do presente (2). Finalmente este solo assentou num nível de praia antiga (1), um depósito marinho com 125.000 anos. É este pequeno vestígio, situado a apenas 5 m de altura, que testemunha a provável existência de uma neotectónica de S. Paio.”

Percurso Arqueológico do Castro de São Paio PR3 VCD2

“Integrada no Maciço Ibérico, numa área que data do Pré-câmbrico, a Naturconde é geologicamente rica, com afloramentos que nos remetem para eras longínquas do planeta. Nalguns locais, encontra-se coberta por depósitos de praias antigas e evidências na orla marítima colinas e dunas com 30 a 40 m de altura. Recortada por uma costa com pequenas concavidades e proeminências, a área tem no Castro de São Paio o seu ponto mais elevado.

São muitos os vestígios arqueológicos descobertos aqui, desde peças do Paleolítico até a um castro não romanizado, a que se juntam os penedos amoladoiros que podem ser observados na Praia do Castro. Há também uma runa, junto ao marco geodésico, que atesta a passagem dos Vikings por esta região.”

Ruínas de Habitação no Castro de São Paio2

“As ruínas de uma construção circular que aqui podem ser vistas correspondem ao compartimento de uma habitação, também ela associada a um pátio e possuindo uma lareira central. Esta habitação tem a característica curiosa de possuir ainda um pouco de piso decorado com círculos. Tal como outras ruínas também esta está associada a um lajeado. Neste caso não sabemos se era um caminho ou um pátio de casa.”

“Estas pequenas ruínas são parte de um conjunto com um pátio em torno do qual existiam outros compartimentos. O conjunto podia ser fechado com um muro de pedra ou de madeira. Corresponde ao segundo nível (mais recente) de ocupação do Castro de S. Paio. No seu interior apareceram uma fíbula (fivelão para um manto) e uma mó manual redonda, além de uma lareira circular central.”

Capela de São Paio2

“Todo o conjunto cientifico em presença toma o seu nome de Capela de S. Paio. Erigida para cristianizar um local provavelmente sagrado desde a antiguidade, ela toma o nome do jovem mártir S. Pelayo (Paio é uma abreviatura de Pelayo). Pelayo era sobrinho do Bispo do Porto, Hermógio, e com ele foi feito prisioneiro na batalha do Vale da Junqueira, em Julho de 920 e levado para Córdova pelo Califa Abd-Al-Rahman II. Ali foi martirizado. A sua festividade é celebrada no primeiro domingo de Julho.

A ermida de S. Paio é referida já em 1623, mas a fachada da capela está datada de 1885. Nos anos de 1970 a capela foi recuperada e recebeu depois um belo conjunto de vitrais. No seu interior é motivo de interesse o altar feito numa rocha trazida do oceano.”

A chegada a Vila Chã – Vila do Conde

Vila Chã – Vila do Conde

Durante esta nossa navegação por cabotagem, foram inúmeras as praias que encontramos de rara beleza, mas ao aportarmos a Vila Chã, passando junto à sua praia, protegida por penedo marítimos e recebendo do sol a sua bênção, alegrou-se-nos o coração e se fossemos pintores, tentaríamos espelhar na tela os sentimentos que a alma pintasse.

Entramos na vila e depressa encontramos uma taberna para matar mais a sede do que a fome, com umas bifanas e cervejas, para tirar o travo de sal da boca, a preços que hoje já não se usam. O tempo urgiu e fomos ver as vistas do porto de pesca, com as suas bateiras a descansar no areal, as artes de pesca espalhadas numa organização aparentemente caótica, com as gaivotas à cata de restos de peixe, os utensílios arrumados por mão masculinas, que querem pratica e não estética.

Vídeo da emboscada à gaivota no porto de pesca de Vila Chã

Aqui apanhamos em flagrante um gato a tentar emboscar uma gaivota, que petiscava restos de peixe, que se apercebeu a tempo de salvar a vida e continuar com as suas pescarias, que jeito dá ter sempre o telemóvel a mão, para servir de prova se fosse o caso contra este “criminoso”.

O bombardeiro inglês da II Guerra Mundial que amarou perto de Vila Chã – AVRO LANCASTER III3

Ao chegarmos junto da Praia do Puço – Vila Chã, um pequeno monumento prendeu-nos atenção, ali uma placa assinalava um episódio de aviadores que lutaram na II Guerra Mundial contra o regime fascista.

 “Em 17 de setembro de 1943, na Praia do Puço – Vila Chã – Vila do Conde, um bombardeiro inglês da II Guerra Mundial, AVRO LANCASTER III, com a matricula EE106, da força RAF-619 Sqn, composto por uma tripulação de sete militares, que tinha participado num ataque aos caminhos de ferro que ligam a França a Itália, na zona de Antheór, Cannes, amarou nesta praia. Supõe-se que terá sido atingido por fogo antiaéreo. Julga-se que tentava chegar a Gibraltar quando amarou nesta praia. Toda a tripulação sobreviveu ajudada por pescadores.”

A passagem pelo Mindelo

Mindelo é outra terra de Vila do Conde que acompanha na beleza, Angeiras e Vila Chã. O seu passeio marítimo e elevados passadiços, já deixam observar ao longe o Rio Ave que desagua em Vila do Conde.

Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo2

“Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo desenvolve-se ao longo de uma linha de costa com 8,5 km de extensão, no concelho de Vila do Conde. Esta zona possui um variado conjunto de valores biológicos e paisagísticos, destacando-se a existência de um interessante e original mosaico de habitats, tais como cordões dunares, rochedos, zonas húmidas, bouças e áreas agrícolas.”

Reserva Ornitológica de Mindelo2

Reserva Ornitológica de Mindelo

“Foi a primeira área protegida criada em Portugal sob o impulso do Prof. Santos Júnior, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. O interesse pela avifauna era conhecido desde os finais do século XIX, mas foi entre 1953 a 1984 que, sob a coordenação de Santos Júnior, teve um desenvolvimento único, nomeadamente com a anilhagem de 78.000 aves, a mais longa serie de dados que se conhece na Europa. A reserva foi instituída em 1957 e ampliada para norte em 1959, até à foz do Rio Ave.

Aqui persistem, também, paisagens seminaturais e humanizadas, de interesse local e regional, resultantes da interação do homem e da natureza. Trata-se de uma área emblemática pelo seu pioneirismo na conservação da natureza em Portugal, ligada à figura do Prof. Santos Júnior, desde a década de 50 e com particular relevo para a avifauna, tendo aqui sido criada a Reserva Ornitológica de Mindelo (70% do total da Paisagem Protegida). Esta área de costa revela-se particularmente importante, na medida em que se apresenta como a única zona costeira minimamente preservada entre a barrinha de Esmoriz e o litoral de Esposende.”

Leia também: Barrinha de Esmoriz | Lagoa de Paramos

P2 Percurso Litoral dos Peregrinos de Santiago de Compostela

Toda este percurso que descrevemos até agora faz parte também do Caminho da Costa – Senda Litoral, para os peregrinos de Santiago de Compostela. Não tem que enganar é só seguir junto à costa, não existem é muitas setas amarelas e indicações suplementares para o ajudar.

Quando chegar à foz do Rio Minho, depois de passar Vila Praia de Âncora, há sempre homens com os seus barcos para os passar para “A Guarda”. Em Espanha o percurso já está melhor assinalado, mas nunca tão bem como o do caminho central português.

Leia também: O regresso a Santiago de Compostela

No interior da Reserva Ornitológica do Mindelo, há sete percursos que podem ser explorados. Esta riqueza é tão importante que brevemente iremos dedicar pelo menos um dia só para os explorar. O nosso plano será ir de comboio até Campanha, onde mudaremos para o metro para a Póvoa do Varzim e sairmos no apeadeiro do Espaço Natureza que fica perto da reserva. Aqui com os nosso binóculos e máquina fotográfica, esperemos passar um dia agradável e ir almoçar junto a bonita frente marítima do Mindelo.

Sete percursos pedestres e caminhadas da Naturconde - Vila do Conde

  • PR1-Percurso das Dunas

    • Integralmente compreendido no coração da Naturconde, em plena área da antiga ROM, entre Mindelo e Árvore
  • PR2-Percurso Litoral dos Peregrinos

    • Ao longo de toda a linha de costa do concelho integrada na Naturconde, através do passadiço existente, desde o estuário do rio Onda até ao do rio Ave.
  • PR3-Percurso da Foz da Ribeira de Silvares

    • Mesmo junto à praia de Mindelo, na fronteira sul da antiga ROM, onde começa e termina este percurso circular.
  • PR4-Percurso Arqueogeológico do Castro de São Paio

    • Percurso temático principalmente dirigido para a componente geológica que caracteriza a zona do Castro de São Paio e as suas imediações.
  • PR5-Percurso Ornitológico do Estuário do Ave

    • Percurso curto, focado na visitação do estuário do rio Ave e da ribeira da Varziela que nele desagua.
  • PR6-Percurso Agroflorestal da Naturconde – Curto

    • Inicia-se e termina na rua da Ribeira. Trata-se de um trajeto circular.
  • PR6-Percurso Agroflorestal da Naturconde – Longo

    • Começa e acaba na saída da Estação de Metro Espaço Natureza. Percurso circular.

A foz do Rio Ave na cidade de Vila do Conde2

E depois de cerca de 25 quilómetros chegamos à foz do Rio Ave, um rio que já visitamos ainda criança, na sua nascente na Serra da Cabreira – Vieira do Minho. Do outro lado abriu-se à nossa frente a bonita cidade de Vila do Conde.

Leia também: Vieira do Minho terra de contrastes

PR3-Percurso da Foz da Ribeira de Silvares2

Aqui circula um dos percursos acima referidos, o PR3-Percurso da Foz da Ribeira de Silvares, este estuário aparente vazio está cheio de vida, mas é necessário olhar com atenção e escutar com cuidado, aqui é o habitat da cobra-de-pernas-tridáctila, víbora-cornuda, cotovia-de-poupa, cartaxo ou o falcão peneireiro, entre outros. Claro que o nosso tempo apertava, o cansaço já se começava a manifestar, porque passamos o trajeto a estudar, fotografar e fazer vídeos para os nossos leitores.

“Aparente inóspitas, as zonas interdunares estão cheias de vida. Ocorrem aqui imensas espécies com elevado potencial de adaptação a condições desfavoráveis, como o vento, a areia em movimento, a perante neblina ou o salitre. É o caso das plantas dunares, algumas endémicas, e de algumas aves capazes de se mimetizar no meio envolvente e passar despercebidas. Nestas zonas, a biodiversidade é uma constante ao longo de todo o ano e descobri-la é apenas uma questão de atenção. Vêem-se tímidos repteis ao sol, enquanto no ar esvoaçam mais de duzentas espécies de borboletas e traças. Com o crepúsculo chega a hora dos anfíbios, mamíferos e rapinas noturnas.”

A Nau quinhentista Vila do Conde2

Nau quinhentista Vila do Conde

E “Por mares nunca de antes navegados”, hei-nos chegados ao nosso destino à replica da Nau quinhentistas "Vila do Conde", que pode ser visitada pelos descentes desse nobre povo Lusitano que deu novos caminhos ao mundo e por vezes se esquece da sua grandeza. Já não tivemos tempo de visitar o seu interior, mas ainda tivemos tempo de falar um pouco com Álvaro Reis, seu guardião municipal, José Vinhal, que foi um dos serralheiros que trabalhou na sua construção e o antigo guarda, o Marinheiro Carlos Santos.

“Desde os primórdios da nacionalidade e até finais dos anos 90 do século XX, altura em que foram transferidos para a margem sul, aqui existiram celebrados estaleiros de construção naval que participaram activamente na epopeia marítima portuguesa.

A nau “Vila do Conde”, réplica fiel de uma embarcação quinhentista construída no âmbito de uma candidatura ao “Projeto Piloto Urbano”, emanado da União Europeia, projeto do Almirante Rogério d’Oliveira, executada nos estaleiros de Vila do Conde, Samuel & Filhos, é a homenagem do município aos calafates, carpinteiros e mestres construtores navais, que, ao longo de séculos, contribuíram para afirmar Vila do Conde.”

Aqueduto de Santa Clara - Vila do Conde

Aqueduto de Santa Clara - Vila do Conde

Já íamos a caminho da estação do metro para regressar a Campanhã no Porto e ainda tivemos tempo de apreciar o Aqueduto de Santa Clara, emanando os tons do entardecer, que se estende entre Terroso, na Póvoa de Varzim até ao Convento de Santa Clara em Vila do Conde.

O regresso à estação da CP em Campanhã - Porto

E assim terminou a nossa jornada, tão rica de história, cultura, tradição, conhecidas a cada pedalada da bicicleta, banhados pela brisa marítima e pela dádiva divina dos raios solares. Nesta épica jornada de tão grandes conhecimentos aprendidos, que fez crescer uma enorme vontade de regressar, comer peixe numa das suas aldeias piscatórias e apreciar calmamente a fauna e flora do Mindelo.

Vila do Conde é uma bonita cidade que merece também um dia de descobrimentos e ainda nos falta seguir viagem pela costa até à Póvoa do Varzim, mas esta fica para outras aventuras.

Fontes:
1 - Câmara Municipal de Matosinhos
2 - Câmara Municipal de Vila do Conde
3 - Aterrem em Portugal – Carlos Guerreiro, EER- Evade & Escape Report
4 - Câmara Municipal do Porto

Vídeo Porto - Vila do Conde em bicicleta

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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