O PR8 - Trilho da Pombeira, é um percurso pedestre de Castro Daire, que tem início junto ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios de Lamelas. O seu trajeto passa por aldeias rurais, onde vagueiam cabras e pastam vacas, calcorreando Lamelas, Vilar, Codeçais e Pombeira. O mesmo destaca-se pela sucessão vertiginosa de quedas de água do Rio Vidoeiro, que nasce na Serra de Montemuro, e que escavou este vale ao longo de milhares de anos.  Esta é uma aventura que exige passar rios por poldras, apreciar cascatas, cavalgar no baloiço do Cavaleiro e acabar enamorado no Coração da Pombeira. Aqui está a nascer o Pombeira Adventure Park, que irá ser um marco turístico em destaque nesta região. Alguns projetos já foram ou estão em fase final de conclusão, como a maior Via Ferrata de Portugal, com três assustadoras pontes Himalaias, construída aproveitando as abruptas encostas graníticas, um radical miradouro da Pombeira e um Trilho da Aventura.

Sistelo é uma aldeia de montanha, situada no interior nortenho, do concelho de Arcos de Valdevez, enclausurada no alto da Serra da Peneda em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês. Ao longo da história os seus habitantes moldaram a paisagem montanhosa agreste, profundamente rural, em socalcos para amanharem o sustento e criarem bovinos da raça cachena. Os forasteiros apaixonaram-se pela sua beleza e começaram a chamar-lhe de Tibete Português. O rio Vez atravessa o seu vale e o povo chama-lhe seu e canta-lhe canções de amor. A sua eloquência é realçada por quem percorrer a sua ecovia ou passadiços. No entanto, a desertificação do interior também atingiu esta terra e os seus habitantes permanentes contam-se pelos dedos das mãos. Isto levou ao abandono agrícola que tem apagado a sua marca distintiva, com o crescimento de vegetação e derrocadas nos socalcos abandonados outrora totalmente cultivados.

O percurso pedestres PR24 – Trilho dos Socalcos do Sistelo, desenvolve-se nesta freguesia do concelho de Arcos de Valdevez. Esta caminhada é caracterizada pelos socalcos que contribuíram para ter ganho o título de ser uma das “7 Maravilhas de Portugal”, na categoria de Aldeia Rural. Esta forma que os seus antepassados arranjaram para moldar a paisagem e conseguirem cultivar as terras para o seu sustento, mudam de tonalidade e beleza conforme as estações do ano. Pelo caminho poderão ser encontrados traços da sua ancestralidade e práticas agrícolas. Por vezes nos lugares mais inusitados descansam ou pastam bovinos da raça Cachena, alheios ao tempo e curiosidade dos forasteiros. Os socalcos, muros, espigueiros e casas em granito, das aldeias de Sistelo e Padrão conferem um caráter respeitoso e austero, da sua velha longevidade, mas que lentamente estão a morrer degradados pelo abandono. Subir estas encostas e ver Sistelo ao longe, rodeado de socalcos é uma das melhores formas de abarcar a sua beleza paisagística e de o celebrar.

O Trilho dos Pescadores é constituído por 13 etapas, com 226,5 km, com início em Sines, no sudoeste Algarvio e final em Lagos, nos Algarves. Estes percursos pedestres destacam-se pela beleza das assombrosas e arrepiantes arribas arrebatadas, ao longo do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. A fauna e flora são ricas e exuberantes, que lançam fragrâncias que se elevam na maresia e lhe inebriam os sentidos. Os nevoeiros matinais escondem segredos que o sol teima desvendar. Há recantos nos profundos abismos, que nunca houveram visto viva alma e poderão abrigar um tempestuoso Neptuno. Este é o reino da sedutora Calipso que o tenta atrair para o aprisionar na sua caverna, com o marulhar das águas, canto das aves, zumbido dos bichos e sibilante vento. Do alto dos pináculos poderá maravilhar-se com paisagens longínquas, praias exuberantes e pequenas enseadas com perdidos portos de pesca. Os seus caminhos milenares foram abertos pelos pescadores na sua árdua faina marítima. Neste artigo vamos contar-lhe a aventura da nossa da 5 etapa, entre Zambujeira do Mar e Odeceixe e como ficamos enamorados pela demanda do seu tesouro que havemos de abarcar.

Portugal segundo os dados estatísticos é um dos países mais seguros do mundo, facto apregoado pelos nossos governantes aos quatro ventos, sempre que lhe convém. No entanto, por detrás desta realidade estão homens e mulheres que fardados ou à civil trabalham para nos proteger. Como em todas as profissões têm problemas profissionais, mas também pessoais que os afetam. Nesta sociedade cada vez mais problemática, quisemos saber como é que estas pessoas lidam com a pressão e trabalho tão escrutinado pelo cidadão, hierarquia, inspeções, tribunais, estado e comunicação social. Para este efeito estivemos à conversa com um Agente da Polícia de Segurança Pública, que de forma sigilosa nos contou uma dura realidade nem sempre radiosa por detrás dos holofotes. 

Viajar de comboio pela Linha Férrea do Douro, com 150 anos e 171,5 km, faz-nos recuar devagar até ao século XIX. A viagem começa na moderna estação de Porto Campanhã, junto ao litoral e termina no Pocinho, no interior transmontano. A locomotiva a vapor é agora alimentada a diesel e começa por rasgar caminho por uma urbe fortemente apinhada, onde as gentes se atropelam para respirar. A linha eletrificada começa por ter dois sentidos, até perder a luz e ficar sozinha. A máquina vence impenetráveis túneis e profundas pontes e vai-se aproximando do Rio Douro, seu companheiro inseparável por 120 km. O casario começa a rarear e vai dando lugar a arribas em socalcos vinhateiros e curvas ondulantes do rio. O comboio vai sulcando o Rio Douro e vendo os cruzeiros subirem pelas eclusas. A paisagem de arrebatar culmina no Douro Vinhateiro, que foi por homens moldado e recebeu da UNESCO o título de Património da Humanidade. A via férrea no passado terminava em Barca d’Alva, junto a Espanha, mas homens funestos que agora escrevem livros sobre a arte de bem governar, deram ordens para a encerrar. Estes vilões de memória curta, no final do século XX, mataram parte destas linhas e destruíram muito do seu património, sem dar cavaco ao povo que juraram representar.