Avanca - Percurso do Rio Gonde Casa-Museu Egas Moniz - Avanca - Estarreja

Avanca - Percurso do Rio Gonde Destaque

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O percurso pedestre do Rio Gonde começa no interior da Casa Museu Egas Moniz em Avanca - Esterreja e deve o seu nome ao rio que o acompanha e desagua na Ria de Aveiro. O mesmo tem como principais atrativos a Casa Museu e os seus jardins, o Rio Gonde e a Ribeira do Mourão.

Casa Museu Egas Moniz - Avanca - EstarrejaContudo este percurso tem uma particularidade, se o museu estiver fechado não vai poder fazer a parte mais interessante do mesmo. Mesmo com ele aberto, existe um portão nas traseiras fechado junto ao “Moinho de Meias”, sendo necessário dar a volta pelo exterior para o continuar a seguir. Quem não conhecer este pormenor e fizer o percurso ao contrário Ribeira do Mourão – Casa Museu Egas Moniz, vai a dada altura ter indicações contraditórias, uma placa manda voltar à esquerda (precisamente onde está o tal portão fechado) e também não pode ir em frente porque existe uma placa com o “X” (caminho errado).

Pensamos também que era possível o percurso acompanhar mais o Rio Gonde e não se limitar a uma pequena parte dentro do museu. No interior do seu jardim existe uma escultura a Egas Moniz, com uma importante inscrição, que aqui se reproduz um fragmento, “A escultura a Egas Moniz é concebida para homenagear, é um retrato ideal, em bronze, como outrora se eternizaram os grandes homens da História.” Albano Martins.

Perto do rio a poente foram construídas estufas onde são cultivadas muitas plantas que pensamos serem para plantar nos jardins do museu e enriquecer ainda mais o espaço.

Ao fundo do jardim, junto ao Moinho de Meias, recuperado em 2012, tem uma placa onde faz referencia à infância de Egas Moniz e ao seu prémio Nobel da Medicina, permanecendo até hoje como o único Português a consegui-lo, “Neste espaço O insigne Nobel cresceu, brincou, meditou e amou este local, que hoje é um imaginário, renovado para um percurso da natureza.” Este moinho poderia ter mais informação e estar aberto para visitas.

Durante o percurso vão surgindo placas com informações sobre a fauna e flora: “O Rio envolvido entre o Eucaliptal | O leito contorna os obstáculos e desvia-se do pinhal e do eucaliptal que rodeia o trilho, seguindo em direção à Ria. Neste ambiente cujo aroma do eucalipto se faz sentir e capta o odor das abelhas, conferindo ao nosso mel o tom claro e macio característico, verifica-se a ausência da riqueza e diversidade biológica que o rio proporciona. Entre as árvores australianas (eucalipto e acácia), desapontam algumas plantas mais rasteiras como a urze, algumas gramíneas, a dedaleira sob a influência da linha de água, a giesta e, sob as copas dos pinheiros, há ainda lugar para os musgos que se colhem no Natal. O eucalipto transforma a terra fértil em areia, pobre em nutrientes, e as suas folhas funcionam como herbicida natural, impedindo que a flora autóctone se estabeleça. A troca do típico bosque português pelas monoculturas exóticas, deve-se ao crescimento mais rápidos destas últimas, possibilitando maiores ganhos económicos. Por outro lado, persiste uma perda de riqueza natural e ambiental que nenhum valor monetário conseguirá substituir!

A nível da fauna e flora as informações ali colocadas indicam que existe: Cegonha-branca, raposa, Pintarroxo, Águia-de-asa-redonda, pinheiro-bravo e feto-do-monte.

A Ribeira do Mourão, “Do cais do Mourão, avistando campos de Pardilhó e de Ovar, se partia e chegava da ria – como na foto do Prof. Egas Moniz. O caniçal que acolhe o final da visita e os campos agrícolas que o antecedem, escondem ainda boas surpresas. O caniçal, tal como o nome indica, é formado pelo caniço que predomina nesta habitat. Surge após o juncal, fazendo a transição entre a água salobra e a água doce, pois não tolera tanta salinidade como o junco. O caniçal é importantíssimo para a fauna, pois encerra o alimento, o local para nidificação e o abrigo para as espécies que dependem diretamente dele, como a garça-vermelha, o rouxinol-pequeno-dos-caniços ou o tartanhão-ruivo-dos-paius. Se aprouver uma visita à fonte de dicada a S. Paio dos Augados (os que ficavam sem ir à festa da Torreira), é possível observar no reservatório alguns cardumes de peixe introduzido, que já se encontra espalhado em todos os rios portugueses, trata-se da gambúzia. Na área envolvente a Norte, o Gonde termina o seu curso.

A ponte da Ribeira do Mourão pode caminhar mais um pouco, por um caminho com cerca de 500 metros que avança pela ria dentro. Aqui poderão ser avistadas as seguintes espécies: Pombo-torcaz, Garça-vermelha, Fuinha-dos-juncos, Gaio, Águia-sapeira ou Tartaranhão-ruivo-dos-pauis e o Verdilhão.

Este percurso é linear e existem parques de merendas nos jardins do museu bem como na ribeira, embora neste último caso não existam sombras para o proteger nos dias de maior calor.

Leia também: Percursos pedestres/bicicleta em Aveiro

 

Dados técnicos: fonte Bioria

Descrição: O percurso do Rio Gonde começa na Quinta do Marinheiro, onde se insere a Casa Museu Egas Moniz, atravessada pelas águas do Gonde, em tempos aproveitadas para e rega e para alimentar o romântico lago. Por uma levada segue a água para os chamados Moinhos de Meias, no fundo da quinta, agora recuperados e visitáveis, evocando a memória do Moleiros, transformando cereais em farinha. O trajeto de cerca de 3,5km percorre as margens do rio com a típica vegetação ripícola, os moinhos de água, os pinhais e eucaliptais, até à Ribeira do Mourão marginada pelo caniçal. Todos estes biótopos albergam espécies únicas de fauna e flora que apenas sobrevivem nestes sistemas húmidos e que importa conhecer e preservar.

Distância a percorrer: Cerca de 3,5 Km

Duração do percurso: Aproximadamente uma hora e meia.

Âmbito do percurso: Ambiental, paisagístico, cultural e desportivo

Grau de dificuldade: Fácil (inexistência de desníveis)

Época aconselhada: Todo o ano

Coordenadas GPS: Quinta do Marinheiro da Casa Museu Egas Moniz_inicio [40°48'27"N 8°35'16"W]; Ribeira do Mourão_fim [40°48'46"N | 8°36'54"W]

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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