As Ribeiras das Terras Marinhoas Ribeira da Tabuada

As Ribeiras das Terras Marinhoas Destaque

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O Criador quando chegou a Pardilhó, deveria estar de bom humor, por ter feito tão bonita obra. As terras são baixas e de altitude quase constante, conhecidas por Marinhoas. Estes lugares perto do mar e da ria, formados por terrenos arenosos e aluvião, conferiram uma acentuada identidade regional a Pardilhó, Bunheiro, Murtosa, Monte, Veiros, Torreira e pedaços de Estarreja e Ovar.

Ribeira da TeixugueiraPardilhó nasceu junto à Ria, que naturalmente a influenciou e em tempos foi uma potencia na construção naval, sendo os seus “Mestres do Machado”, reconhecidos e requisitados por empresários de todo o país, “TENHO QUE CONTRARAR ALGUNS PARDILHÓS..." Muitos Mestres apenas guiados pelas estrelas e com a costa à vista levavam embarcações para Lisboa, “Entre 1900, 1930 ou trinta e tal, a nossa ribeira da aldeia regurgitava de febril construção naval… Quase todas as semanas especialmente aos sábados, se fazia a festa do “BOTA-ABAIXO”, com todo o ritual da praxe. Primeiro: preparar!!! Segundo: tirar formões!!! Terceiro: BOTA-ABAIXO!!! E entrava na água no nosso cais da Ribeira da Aldeia mais uma unidade embarcacional que iria prestar serviços na nossa capital…”, SALEIRO, Manuel de Oliveira. Esboço da História Contemporânea de Pardilhó: O Almocreve da Ti Rendeira. 1. ed. Rio de Janeiro: CBAG EDITORA, 1982. 70 p. v. 1.

O projeto BioRia de Estarreja recuperou um percurso que passa por sete ribeiras, onde o visitante poderá sentir a ria, ver a fauna e flora e imaginar os tempos e ver os locais que outrora foram uma referência na indústria da construção naval. Na ria, terrenos envolventes e nos céus, podem ser observados aves de muitas espécies, por isso leve uns binóculos para o ajudar na tarefa. Na altura em que fizemos a nossa visita já tinham chegado os corvos marinhos, que observamos na torre da Ribeira da Teixugueira, a mergulhar para pescar, ficando muitos minutos submersos e reaparecendo muito longe do local inicial.

O percurso poderia estar melhor assinalado, mas não é difícil de seguir. Partindo da Ribeira do Mourão, para sul e tendo como referencia a ria à direita, passe uma pequena ponte, cuja estrada foi cortada ao trânsito devido ao seu mau estado, localizada na Rua Aido do Reitor. Depois no primeiro caminho em terra batida que encontrar à direita, tem que fazer um pequeno desvio para visitar a Ribeira do Telhadouro e voltar para trás. Segue a rua até começar a vislumbrar do seu lado direito as casas da povoação, segue na bifurcação pela Rua das Sabinas, Rua Pedro da Ribalta, passa pelo conhecido “Beco do cagão” e no final encontra a Ribeira do Nacinho, depois para encontrar as outras basta seguir em frente.

No Cais da Teixugueira uma torre ajuda a observar as aves e paisagem em redor. Ali perto a CicloRia apropriada para passeios de bicicletas tem um trilho que vai em direção à Praia da Areia Branca e continua para sul.

Nós não nos cansamos de passear por estes locais, de bicicleta ou caminhar, cada viajem tem sempre algo de novo, já conhecemos os cafés, as tabernas e alguns dos seus habitantes, que junto ao Café "Vitoria de Guimarães", em frente à Igreja Matriz, mandam “bocas as raparigas”, sentados na “Pedra da Maroteira”, quer saber o outro nome porque é conhecida leia o nosso artigo sobre “Pardilhó encantos e recantos”.

 

Ficha Técnica

  • Distância a percorrer: 7 km;
  • Duração do percurso: 2,5 horas, aproximadamente;
  • Âmbito do percurso: Ambiental, paisagístico, cultural e paisagístico;
  • Grau de dificuldade: Fácil – inexistência de desníveis;
  • Época aconselhada: Todo o ano.

 

Fauna

Pombo-torcaz, Garça-vermelha, Fuinha-dos-juncos, Gaio, Águia-sapeira, Verdilhão, Rã-de-focinho-pontiagudo, Rã-verde, Toutinegra-de-barreta-preto, Chapim-real, Raposa, Borrelho-pequeno-de-coleira, Licranço, Pardal-montês, Peneireiro-vulgar, Milhafre-preto, Ratazana-castanha, Pega, Verdilhão, Rouxinol-pequeno-dos-caniçais, Flamingo, Maçarico-real, Coelho-bravo, Galeirão e Borboleta Malhadinha. 

Flora

Salgueiro-negro, Carvalho-roble, Limónio e Junco-das-esteiras.

 

Cuidados a ter para preservação da Biodiversidade

  • Não pise nem corte ou arranque plantas ou qualquer uma das suas partes, em vez disso, poderá desenhá-las ou fotografá-las;
  • Não recolha ovos, animais ou cogumelos;
  • Evite ruído, ele afasta os animais;
  • Tenha o devido cuidado em afastar-se das zonas lodosas e das águas dos canais e esteiros;
  • Não deixe lixo no campo, todos os desperdícios deverão ser guardados para posteriormente os colocar nas papeleiras;
  • Utilize sempre trilhos definidos como “percurso recomendado” sem invadir os terrenos privados, de forma a que não se perca ou perturbe os animais;
  • Não acione qualquer fonte de ignição;
  • Utilize calçado prático, chapéu, protetor solar no Verão e impermeável no Inverno;
  • Transporte consigo água e alimento;
  • Utilize binóculos, máquina fotográfica, guia do campo e um bloco de notas para facilitar a observação e identificação das espécies e assim poderá enriquecer a visita ao percurso.

 

  
 

Ribeira do Mourão*

Estamos na “Vila da Ria”, a povoação do Concelho de Estarreja mais ligada à laguna, que a envolve e penetra nos inúmeros canis (esteiros) abertos pela mão e engenho do homem. Dos vários cais (ou ribeiras), partiam moliceiros, mercantéis e ainda bateiras. Da inicial pesca e recolha de sal, junco, moliço, que fizeram a riqueza das terras marinhoas, em Pardilhó sobressai ainda a carpintaria naval. A vila orgulha-se da antiga sede (hoje edifício da Junta) do Sindicato Nacional dos Carpinteiros Navais.

Atualmente ainda é possível vivenciar esta ligação à Ria, através da típica construção e pintura dos moliceiros, bateiras ou barcos da arte xávega (do mar) nos esteiros próximos da Ribeira das Bulha, além da saudosa oficina de reparação de embarcações na Ribeira da Aldeia. O moliceiro é a imagem emblemática da Ria de Aveiro. A sua construção é uma peça de arquitetura, engenharia e arte. Noutros tempos, este barco foi utilizado como meio de transporte do moliço que era recolhido dos fundos da Ria para servir como fertilizante nos campos agrícolas. Com o surgimento dos adubos químicos, esta pratica caiu em desuso. Hoje continua a navegar para contento dos turistas que anseiam experimentar uma viagem no barco de proa colorida.

Os homens, mesmo os agricultores, pescavam enguias, robalos, taínhas ou chocos, com recurso a redes, fisgas, galrichos e minhoqueiros, dependendo da época do ano e “daquilo que as marés traziam”.

O percurso das Ribeiras de Pardilhó com cerca de 7 Km, vai levá-lo a descobrir a multiplicidade de espécies existentes no sistema húmido que envolve a vila, e a sua relação com este povo, que de um modo sustentável, tem permitido a permanência natural da zona ribeirinha.

 

 

Ribeira do Telhadouro

Das sete Ribeiras deste percurso que podem ser visitadas, esta sendo uma das melhores para observação dos campos agrícolas envolvente, fauna e flora, é aquela que está mais degradada. O lixo composto maioritariamente por restos de alvenaria foi ali colocado por alguém menos consciente.

 

 

Ribeira do Nacinho

 

 

Ribeira da Tabuada*

Eis ao longo o “rio largo”, vendo-se a norte a “boca” (entrada) do esteiro que serve o Nacinho, Telhadouro e Mourão. Nessa embocadura havia um canto de areia branca – era a “Praia do Bispo” (D. Manuel Ferreira da Silva). A urbanização no limiar das águas e os campos cultivados até bem próximos das margens da ribeira, contribuem para o processo de introdução de animais exóticos nas áreas limítrofes do sapal. Aqui pode ser encontrado o ganso-do-Egpto (Alopochen aegyptiacus), os ruidosos bandos de bicos-de-lacre (Estrilda astrild) nos milheirais, ou a ratazana-castanha (Rattus norvegicus). Contudo, a Natureza ainda surpreende com as cores vivas de alguns invertebrados que abundam nesta área, fruto dos prados onde brotam tapetes de flores de diversas espécies e dos pequenos núcleos de arbustos e árvores que os ponteiam.

 

 

Ribeira das Bulhas*

Durante a baixa-mar, uma grande extensão de sapal fica a descoberto, o que implica que os animais e as algas flutuantes se refugiem ou sejam arrastados para os canais e zonas mais profundas do estuário. Os restantes ficam enterrados ou depositados sobre os lodos a descoberto. É nesta altura que os enganços começam a revolver o sedimento, em busca de seres que vivem reenterrados na vasa e que só se lhes conhece a vida, devido à existência de pequenos orifícios que pontuam intermitentemente o lodo. São poliquetas, que depois de capturados, envolvidos em algas húmidas e embrulhados em jornal humedecido são colocadas à venda ao longo das estradas mais frequentadas, identificados como “bicha” e que servem como isco para a pesca.

Também se capturam bivalves durante os meses cuja denominação tem a letra “R” (setembro a abril), considerados seguros para a apanha destes moluscos. Nesta ribeira ainda é possível ver o processo de construção e pintura do moliceiro, já que o estaleiro fica a poucos metros do local. Depois de um processo trabalhoso e artístico da pintura colorida da popa e proa, chega a hora de “bota-abaixo” que tradicionalmente ocorre na vizinha Ribeira d’Aldeia.

 

 

Ribeira da Aldeia

 

 

Ribeira das Teixugueiras*

Ao longe a Ponte da Varela, unindo à Torreira ao mar. Daqui uma vista sem fim, sem fronteiras, fundindo terra e água. Os sistemas húmidos do sapal são preciosos porque permanecem habitats inalterados, enquanto as zonas envolventes foram exploradas e modificadas. O sapal funciona como um “rim” na Natureza porque filtra a água, tornando-a mais limpa. Além disso, a vegetação funciona como um travão às águas das correntes e ajuda a controlar a erosão segurando o sedimento com as raízes e quebrando o fluxo das correntes aquáticas.

Armazena carbono em vez de o libertar para a atmosfera. Muitas são as espécies animais que dependem destas zonas para obterem alimento, água e abrigo. A drenagem das zonas alegadas para dar lugar à agricultora a poluição são ameaças serias. A poluição pode prejudicar o Homem através da cadeia alimentar. Ao lado, já o Bunheiro anuncia a Murtosa.

 

 

Salicórnia*

A salicórnia é uma planta carnuda e anual, que cresce até cerca de 40 cm. O caule ramificado sustenta folhas semelhantes as escamas, que se inserem soldadas entre si com o próprio caule. A inflorescência é em forma de espiga, que brota entre maio e novembro. Esta planta do sapal resiste submersa em águas com elevada salinidade. A salicórnia desempenha um papel extremamente importante nos sapais, como descontaminante de ecossistemas lagunares e estuarinos, já que tem a capacidade de regular a absorção de metais pesados, muitos dos quais tóxicos para outros microrganismos.

 

*Fonte BioRia

 

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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