Cais do Bico na Murtosa Da esq. para dit, Bruno Barbosa, Pedro Guiomar, André Miranda, Agostinho Tavares, Bruno Gaspar, David Garrido, Sálvio Tavares e Cocas Guimarães.

Cais do Bico na Murtosa Destaque

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O Cais do Bico fica localizado no Lugar do Bico, no concelho da Murtosa. Este pedaço de terra junto à Ria de Aveiro é dotado de uma grande beleza natural, calma e tranquilidade. O espaço que se abre para as águas oferece um amplo parque de merendas relvado, com algum arvoredo, e mesas onde poderá fazer piqueniques com a família ou amigos. No dia da nossa visita alguns grupos de amigos defrontavam-se no jogo da malha. No verão, os domingos por estes lados são muito animados e as mesas muito disputadas.

Cais do BicoAntes de chegar ao Cais, num campo do lado esquerdo da estrada, foram construídos seis postes para as cegonhas nidificar, nós podemos observar os juvenis a bater as asas, treinando para brevemente abandonarem os ninhos.

O Cais oferece proteção a embarcações de recreio e de pesca, caraterizadas pelas suas cores garridas, personalização com nomes originais e dizeres maliciosos. É um local de encontro de caravanista portugueses e estrangeiros que ali ficam por vezes alguns dias tocados pela harmonia da natureza.

A praia ali perto é vigiada durante a época balnear por nadadores salvadores. No dia que lá estivemos estavam de serviço Elena Motsar, natural da Ucrânia, que reside em Portugal há cerca de um ano, sendo uma ex-atleta de natação sincronizada e artística e Pedro Magalhães, residente em Oliveira de Azeméis, estudante de pilotagem da marinha marcante, que disse ter herdado do pai o gosto pela ria, que foi quem o começou a levar com tenra idade para velejar nas suas águas.

As águas desta praia têm quase sempre uma temperatura agradável, mas com a maré baixa o seu caminho fica mais longe e o lodo pode incomodar algumas pessoas.  

A rede da cicloRia passa neste local e quem levar uma bicicleta pode ir visitar os vários cais para norte e para sul, nós aconselhamos visitar o Cais das Pardelhas, que num dia de pesca fica muito colorido e agitado.  

Nós que somos visitantes assíduos desta praia já nos tínhamos apercebido que pontualmente um grupo de amigos montava uma grande barraca e faziam por ali um animado convívio com muita algazarra. Desta vez tentamos a sorte e fomos bem-recebidos pelo grupo, constituído por oito homens, que se autodenominam “Grupo da Ilha”, são de Estarreja e já se reúnem neste local há dezoito anos.

Este grupo é constituído pelo Bruno Barbosa, Pedro Guiomar, André Miranda, Agostinho Tavares, Bruno Gaspar, David Garrido, Sálvio Tavares e Cocas Guimarães.  Estes homens trabalham na construção civil, função pública, mecânica auto, agricultura e eletricidade.

Cumprem este ritual duas vezes por ano, de sexta a domingo. Nestes fins-de-semana as mulheres ficam em casa, embora algumas fiquem com cara de “arroz estragado”. Gostam do local pelo sossego e ser “Bom para curar as bebedeiras”. Efetivamente como eles orgulhosamente nos mostraram bebida e cerveja fresquinha não faltavam e nós fomos convidados a beber com eles. Têm também preocupações ambientais e por isso não usam geradores por causa do barulho e poluição. Para manterem tudo fresco usam baterias e uma arca com gelo.

Fizeram questão de nos dizer que a ementa desses dias passou por grelhados mistos, bacalhau, arroz-de-cabidela, rojões e leitão assado no domingo para acabarem em festa. Este grupo trata-se bem ou não fossem bons portugueses.

Como manda a tradição tem uma mascote, que é o cão bir-bir, que tem 12 anos e já está a ficar velho. Nesses dias passam o tempo com mergulhos na ria, comer, beber, jogar cartas ou à moedinha até altas horas da madrugada. Mas como tudo o que é bom acaba depressa já estavam a preparar-se para se irem embora, agora só regressam no final do verão, depois das lavouras.   

E assim terminou mais um dia mágico, cheio de histórias e pessoas felizes.

 

 

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Ondas da Serra

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