sábado, 07 janeiro 2017 15:54

Rodrigo Leão: “A Lua influencia a forma como os nossos concertos acontecem” Destaque

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Em tour internacional, Rodrigo Leão e Scott Matthew apresentam o álbum recém-lançado Life is Long em Santa Maria da Feira, no dia 14 de Janeiro. O concerto tem hora marcada para as 22h00 e promete transportar o Cineteatro António Lamoso para um patamar superior de magia. Em noite de lua cheia, existirá “meditação, felicidade e uma série de sentimentos difíceis de explicar”, refere Rodrigo Leão em entrevista exclusiva ao Ondas da Serra.

Qual é o estado de alma do álbum Life is Long?
Rodrigo Leão – Quando estou a criar não tenho um objetivo claro. Posso estar durante algumas horas à procura de melodias, sempre com o objetivo fundamental de ir guardando as ideias que surgem. É óbvio que estas ideias estão ligadas ao meu dia-a-dia, às pessoas que me rodeiam, aos sítios onde vou, às viagens que faço.

 

Como surgiu a ideia para este trabalho discográfico?

É uma parceria com o Scott Matthew que se estendeu ao longo de ano e meio. Se, por um lado, eu estava em Lisboa ou no Alentejo a tentar compor harmonias e enviar ideias para o Scott, que vive em Nova Iorque, por outro lado, o Scott estava a escrever letras e a fazer melodias de vozes por cima do que eu ia fazendo. Normalmente, os temas começaram com as minhas músicas e foram complementados pelas letras do Scott.

 

Uma parceria com mais de 5 anos…

Sim, conheci o Scott em 2011 quando estava a preparar o disco Montanha Mágica, onde participou no tema Terrible Dawn. No ano seguinte, conhecemo-nos pessoalmente, colaboramos num segundo tema e a vontade em produzir um bom trabalho juntos acabou por ficar. Tínhamos muita coisa em comum. A tal melancolia que existe em algumas das músicas que fazemos juntos e da qual gostamos muito, por exemplo. O álbum tem letras muito particulares, de paixões que o Scott viveu, de relações que tem e isso reflete-se ao longo de todo o álbum.

 

Foi um processo solitário?

Sem dúvida. Apesar de gostar de mostrar às pessoas que estão perto de mim as ideias que vou tendo, o processo criativo é completamente solitário. São algumas noites até às 4 ou 5 da manhã com os auscultadores e a tocar sons de piano, de violino, de violoncelo.

 

Tem uma musa inspiradora?

Há sítios que me inspiram mais que outros. Gosto muito do mar, do Alentejo, do silêncio de Avis, (distrito de Portalegre). Lisboa é uma cidade fantástica e tenho a sorte de viver numa casa com vista para o Tejo e sem dúvida que o Rio Tejo é uma das minhas grandes inspirações ao longo destes 15 anos. Todos os momentos fazem parte do processo de composição.

 

Qual foi o maior desafio neste disco?

No início, pensamos que a distância poderia ser o mais complicado mas na verdade acabou por ajudar. Tivemos mais liberdade pelo facto de não estarmos fisicamente juntos. Íamos ouvindo as ideias um do outro e o stress que muitas vezes existe quando estamos a gravar um álbum não existiram. Tivemos todo o tempo que queríamos e isso foi um dos aspetos muito positivos deste trabalho e agora os concertos.

 

É importante escrever músicas com mensagens?

As mensagens acabam por surgir de forma natural. Quando estou a compor, não há nenhuma emoção que queira transmitir previamente. É uma coisa muito abstrata e tratam-se muitas vezes de sentimentos que nem eu próprio consigo definir e explicar bem o que acabei de fazer.

 

O que significa ser dedicado à música?

É sobretudo uma dedicação espontânea e intuitiva. Eu sou autodidata, aprendi música no início dos anos 80, ainda antes da Sétima Legião. Tinha uma vontade muito grande de criar música e depois fui aprendido com uma série de músicos com quem toquei bastante. A minha música tem influências que vão desde a música clássica à música pop britânica, ao tango e à música popular brasileira.

 

Gosta de tocar ao vivo?

Os concertos dão-me enorme prazer. Obviamente que o processo de composição é por vezes doloroso, porque há momentos em que não sai absolutamente nada, mas também existem momentos em que surgem coisas e esses dão-me muita alegria. Os concertos trazem sempre algo de novo em relação ao disco.

 

Os concertos de promoção do álbum Life is Long oferecem que experiências ao público?

É um concerto que vive de momentos muito distintos, ora mais intimistas ora mais alegres. Existe meditação, felicidade e uma série de sentimentos que as pessoas podem viver ao verem um concerto nosso, fazendo com que cada espetáculo seja diferente. Dependem muito do público, dos músicos e, muitas vezes, da própria lua.

 

Como é que as fases da lua podem influenciar a forma como os concertos acontecem?

Não é matemática mas normalmente o estado da lua pode ser um presságio para a forma como o concerto acontece.

 

Quais são as salas de espetáculos onde já atuou que recorda com particular carinho?

Uma delas é o Coliseu de Lisboa, em particular um concerto com os Madredeus, há muitos anos, onde o Carlos Paredes tocou connosco como convidado especial e é de facto uma das noites que recordo particularmente. Mas também a sala britânica Barbican, onde já toquei duas vezes, que é extraordinária.

 

Quais são os projetos que se seguem?

Neste momento, estou a acabar um tema para tocar no centenário do escritor Virgílio Ferreira, em Gouveia, e que poderá entrar no meu próxima trabalho. Conto gravar no final do ano ou no início de 2018. Comecei há cerca de três meses a juntar ideias, já tenho 5 ou 6 músicas e quero dedicar-me mais à composição. Quando sentir que as coisas estão a fazer sentido na minha cabeça, começo a trabalhar com produtores e músicos.

 

 

 

 

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Autor

Ricardo Grilo

Histórias capazes de entrar em contacto com as emoções de quem as lê justificam a minha paixão pelo jornalismo. Natural de Santa Maria da Feira, acredito no potencial de um concelho em ensaios para escrever a sua autobiografia. Aos 24 anos, e enquanto colaborar do ‘Ondas da Serra’, procuro a beleza em escrever sobre uma terra tão especial.

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