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Os Passadiços do Côa nasceram em Vila Nova de Foz Côa, na região do Alto Douro, do distrito da Guarda, perto do museu da arte rupestre. Este pequeno percurso em extensão é grandioso em significação pelas paisagens vertiginosas que brotam do horizonte. O quadro que se abre ao visitante é gigantesco e exerce uma força que remete para a história humana com milhares de anos. A vista alcança paz nos rostos serenos dos Rios Douro e Côa que aqui se enamoram. Nos seus vales foram identificados e classificados dois patrimónios protegidos pela UNESCO, Sítio Pré-Histórico de Arte Rupestre do Vale do Côa e Alto Douro Vinhateiro. Pelas íngremes escadas o visitante poderá consultar informação sobre arte rupestre, pombais, biodiversidade, património natural e arquitetónico desta região. A viagem termina junto à antiga estação desativada da Linha do Douro desta terra, que a esperança quer ver renascida. Na subida de regresso mais custosa as pessoas podem imaginar os esforços para percorrer estas arribas, dos nossos ancestrais para viver, caçar, fugir ou esculpir a rocha e já mais tarde plantar e vindimar para o mundo celebrar.

Na Açoreira, terra transmontana do município de Torre de Moncorvo, realiza-se anualmente um evento denominado Rota das Pipas, organizado pela Associação Recreativa e Cultural da Açoreira. Neste percurso pelas ruas da terra os boémios convidados, novos, velhos, homens e mulheres, munidos duma pequena caneca, vão bebericando o néctar dos produtores vinícolas durienses desta aldeia. O cortejo muito cerimonioso leva também a carrinha da Maria com petiscos e doçaria. O ambiente é animado por grupos musicais com cantorias, bombos, concertinas e gaitas de foles, que junta todo o povo a cantar e dançar. O dia começa bem cedo, com o estoirar de foguetório, matança tradicional do porco e farto pequeno-almoço. Ao meio dia é servido um rico repasto, com finas carnes e odoríferos vinhos. O menu é composto por pratos típicos da matança, com soventre, migas de sarrabulho e feijoada. Esta festa de arromba, acontece no último sábado de fevereiro e coincide com as amendoeiras em flor, que enchem o ambiente de fragrâncias especiais. Todos participam na festa, com trabalho, vontade de comer ou beber. Alguns por terem muita sede dão por vezes grandes rombos no chão para grande contentamento de Dionísio por ter por companheiros ébrios profissionais.

Neste artigo exibimos uma seleção dos melhores percursos pedestres e trilhos do distrito de Viseu que o Ondas da Serra já percorreu. Esta região de Dão-Lafões é muito rica a nível natural, histórico e arquitetónico, criando caminhos milenares que merecem ser encontrados e percorridos. Por estas serras nascem ribeiras e rios, que moldaram a paisagem, com profundos vales, cascatas, poços e praias fluviais. Os vários concelhos criaram percursos de eleição para potenciar o seu turismo e economia. Viseu já foi servido por duas vias férreas, que foram encerradas vilmente nos finais do século passado, as vias do Vouga e Dão. Este erro histórico foi parcialmente colmatado com a sua conversão em esplêndidas ecopistas, das mais extensas e bonitas de Portugal. Vamos também enumerar as vantagens de fazer caminhadas para a saúde e estar em contacto direto com a natureza.

O PR8 - Trilho da Pombeira, é um percurso pedestre de Castro Daire, que tem início junto ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios de Lamelas. O seu trajeto passa por aldeias rurais, onde vagueiam cabras e pastam vacas, calcorreando Lamelas, Vilar, Codeçais e Pombeira. O mesmo destaca-se pela sucessão vertiginosa de quedas de água do Rio Vidoeiro, que nasce na Serra de Montemuro, e que escavou este vale ao longo de milhares de anos.  Esta é uma aventura que exige passar rios por poldras, apreciar cascatas, cavalgar no baloiço do Cavaleiro e acabar enamorado no Coração da Pombeira. Aqui está a nascer o Pombeira Adventure Park, que irá ser um marco turístico em destaque nesta região. Alguns projetos já foram ou estão em fase final de conclusão, como a maior Via Ferrata de Portugal, com três assustadoras pontes Himalaias, construída aproveitando as abruptas encostas graníticas, um radical miradouro da Pombeira e um Trilho da Aventura.

Sistelo é uma aldeia de montanha, situada no interior nortenho, do concelho de Arcos de Valdevez, enclausurada no alto da Serra da Peneda em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês. Ao longo da história os seus habitantes moldaram a paisagem montanhosa agreste, profundamente rural, em socalcos para amanharem o sustento e criarem bovinos da raça cachena. Os forasteiros apaixonaram-se pela sua beleza e começaram a chamar-lhe de Tibete Português. O rio Vez atravessa o seu vale e o povo chama-lhe seu e canta-lhe canções de amor. A sua eloquência é realçada por quem percorrer a sua ecovia ou passadiços. No entanto, a desertificação do interior também atingiu esta terra e os seus habitantes permanentes contam-se pelos dedos das mãos. Isto levou ao abandono agrícola que tem apagado a sua marca distintiva, com o crescimento de vegetação e derrocadas nos socalcos abandonados outrora totalmente cultivados.

O percurso pedestres PR24 – Trilho dos Socalcos do Sistelo, desenvolve-se nesta freguesia do concelho de Arcos de Valdevez. Esta caminhada é caracterizada pelos socalcos que contribuíram para ter ganho o título de ser uma das “7 Maravilhas de Portugal”, na categoria de Aldeia Rural. Esta forma que os seus antepassados arranjaram para moldar a paisagem e conseguirem cultivar as terras para o seu sustento, mudam de tonalidade e beleza conforme as estações do ano. Pelo caminho poderão ser encontrados traços da sua ancestralidade e práticas agrícolas. Por vezes nos lugares mais inusitados descansam ou pastam bovinos da raça Cachena, alheios ao tempo e curiosidade dos forasteiros. Os socalcos, muros, espigueiros e casas em granito, das aldeias de Sistelo e Padrão conferem um caráter respeitoso e austero, da sua velha longevidade, mas que lentamente estão a morrer degradados pelo abandono. Subir estas encostas e ver Sistelo ao longe, rodeado de socalcos é uma das melhores formas de abarcar a sua beleza paisagística e de o celebrar.

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