sexta, 10 fevereiro 2017 14:24

Coveiro, a profissão que não existe Destaque

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Uma profissão de emoções mas que já não existe no século XXI. Coveiro, ou assistente operacional como atualmente se assume, é aquele que abre covas para cadáveres. Mas, hoje, é também aquele que reconforta pessoas todos os dias e garante um cemitério cuidado e seguro.

Existem em praticamente todas as juntas de freguesia de Portugal. São 3091 freguesias que compõem o país, de acordo com a atual versão da carta administrativa redigida pela Direção-Geral do Território. Os cemitérios fazem parte da história nacional, tal como os coveiros.

Em Santa Maria da Feira, no cemitério do centro da cidade, o coveiro é simultaneamente guardião de sepulturas e confidente daqueles que precisam dos seus conselhos mas, sobretudo, da sua disponibilidade.

O dono das chaves do portão ferrugento que protege os que já partiram admite que a profissão não o assusta e que a morte se tornou mais leve há medida que o tempo foi passando.

Aqui, o coveiro não é pálido, infeliz nem misterioso. Tem gosto no que faz e usufrui da companhia das pessoas. Limpeza e abertura de covas, vigilância e manutenção do cemitério, acompanhamento de funerais e confortar as pessoas são apenas das suas funções diárias.

“Estou no cemitério constantemente. Se houver funerais ao fim-de-semana, eu estou cá. Prefiro abdicar das minhas folgas e estar com as pessoas. Gosto de estar aqui”, desabafou o assistente operacional, ou talvez o coveiro, com quem o ‘Ondas da Serra’ conversou e que pediu para não ser identificado.

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Autor

Ricardo Grilo

Histórias capazes de entrar em contacto com as emoções de quem as lê justificam a minha paixão pelo jornalismo. Natural de Santa Maria da Feira, acredito no potencial de um concelho em ensaios para escrever a sua autobiografia. Aos 24 anos, e enquanto colaborar do ‘Ondas da Serra’, procuro a beleza em escrever sobre uma terra tão especial.

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