segunda, 09 janeiro 2017 21:41

‘Vouguinha’: O único comboio de via-férrea estreita que prossegue viagem Destaque

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O troço que liga Espinho a Oliveira de Azeméis, da Linha do Vale do Vouga, está a celebrar 108 anos em funcionamento. Viagens ao passado que o comummente conhecido por ‘Vouguinha’ continua a proporcionais aos seus passageiros, apesar da necessidade gritante de modernização. A obra de engenharia revolucionou a mobilidade e permitiu a Santa Maria da Feira seguir viagem em direção do futuro.

Atualmente, o 'Vouguinha' é mesmo o único comboio de via-férrea em Portugal que prossegue viagem, pelos cerca de 90 quilómetros que restam da linha do Vouga. De acordo com a edição seguinte à inauguração do troço que liga Espinho a Oliveira de Azeméis, atravessando Santa Maria da Feira, do jornal ‘Correio da Feira’, “cerca de 20 mil pessoas acorreram à Vila da Feira para aplaudir El Rei D. Manuel II”.

44 estações e apeadeiros, ao longo de 96 quilómetros, são servidas por uma linha conhecida por ‘Linha do Vale das Voltas’. Rasgando paisagens únicas, da tranquilidade da serra às ondas do mar, o ‘Vouguinha’ não serve as necessidades da população devido à falta de investimento na modernização da Linha. Uma realidade que se transforma em carruagens degradas e numa lentidão que não se compactua com a aceleração dos tempos modernos.

Os elevados custos da mão-de-obra, há mais de um século, e as dificuldades dos terrenos acidentados, levaram que se optasse por uma solução ferroviária mais apertada do que o inicialmente previsto, ficando conhecida por via estreita. Em todo o país, foram construídas mais de 700 quilómetros de linha. Hoje, o ‘Vouguinha’ afirma-se como memória ininterrupta de uma construção que revolucionou Portugal e acabou por ser esquecida.

Cavaco, Sanfins, Escapães e Arrifana são algumas das freguesias de Santa Maria da Feira abrangidas pela Linha do Vouga. De toda a rede, apenas circulação do comboio entre Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga se encontra interdita.

 

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Autor

Ricardo Grilo

Histórias capazes de entrar em contacto com as emoções de quem as lê justificam a minha paixão pelo jornalismo. Natural de Santa Maria da Feira, acredito no potencial de um concelho em ensaios para escrever a sua autobiografia. Aos 24 anos, e enquanto colaborar do ‘Ondas da Serra’, procuro a beleza em escrever sobre uma terra tão especial.

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