Sara, a psicóloga da Junta F.Esmoriz apaixonada por pessoas Sara, psicóloga responsável pelo Gabinete Psicossocial da Junta de Freguesia de Esmoriz Ondas da Serra
domingo, 30 setembro 2018 18:38

Sara, a psicóloga da Junta F.Esmoriz apaixonada por pessoas

Classifique este item
(5 votos)

Sara tem 25 anos e todos a conhecem em Esmoriz, concelho de Ovar. É responsável pelo Gabinete Psicossocial da Junta de Freguesia de Esmoriz desde 2016. As pessoas são a sua maior causa e, enquanto psicóloga, trabalha todos os dias para melhorar a vida dos que procuram o seu apoio.

Sara a responsável pelo Gabinete Psicossocial da Junta de Freguesia de Esmoriz

“Quando era criança queria ser educadora de infância, mas as coisas acabaram por se alterar. Gosto muito de pessoas e a psicologia exige que estejamos em contacto permanente com pessoas. O facto de trabalhar com a comunidade em que nasci, cresci e vivi, ainda vivo, aumentou a relação com as pessoas e hoje é como se estivesse quase em família”, explica Sara.

“As pessoas são apaixonantes. Acho as emoções e os comportamentos extremamente interessantes de observar e a psicologia permite-me estudar e trabalhar estes aspetos”, conclui.

De facto, Sara nunca quis ser psicóloga até descobrir a psicologia no 9.º ano. A partir daí, ficou claro qual seria a sua área profissional. Queria trabalhar sobretudo com crianças. Estudou na Universidade do Porto e especializou-se em educação. No entanto, quando surgiu a oportunidade de trabalhar na Junta não pensou duas vezes.

“Podem pedir aos médicos de família para as encaminhar ou vir cá diretamente e tratamos de tudo na Junta. Estamos abertos de Segunda a Sexta-feira, das 09h às 12h30 e das 14h às 17h30.

O Gabinete Psicossocial da Junta de Freguesia de Esmoriz está aberto á comunidade 

O Gabinete Psicossocial da Junta de Freguesia de Esmoriz possui um âmbito de atuação alargado. Dirige-se a qualquer pessoa da comunidade, por excelência, mas não exclui pessoas fora da cidade de Esmoriz ou do próprio concelho de Ovar. De acordo com Sara, o gabinete conta neste momento com pessoas de todas as faixas etárias, desde os 10 anos aos 60.

“Por ano, temos há volta de 60 a 70 pessoas a passar por cá, sendo que apenas contabilizamos as que têm um contacto prolongado com o gabinete psicossocial”, refere. “Apesar de ser da Junta de Freguesia de Esmoriz, temos pacientes de Ovar, Espinho, Maceda, Cortegaça, Arada, entre outros. A maior das juntas não tem apoio e as pessoas vêm porque são referenciadas ou ouviram falar. Acolhemos todos, mesmo que não sejam do nosso município. Não negamos este apoio porque sabemos que o acesso à psicologia pode não ser fácil e a nossa missão é ajudar.”

As pessoas não devem procurar ajuda só em casos extremos 

“Normalmente, as pessoas vêm quando já não conseguem lidar sozinhas com a situação. Ainda há um enorme estigma relativamente à psicologia e por isso tendem a procurar-me em cenários extremos. Os casos mais intensos são os traumas de infância e que são muito difíceis de lidar.”

A força da “menina que cresceu”, como é conhecida, deve-se também ao apoio da família: “Nunca me disse que eu não era capaz. Aliás, a minha família sempre me deu e exigiu autonomia. Isso fez com que eu quisesse seguir os estudos e procurar meios para ser independente.”

Uma visão sempre cor-de-rosa do mundo

Aos 25 anos, a psicóloga de Esmoriz preservou a visão cor-de-rosa do mundo: “Acredito muito nas pessoas e procuro sempre ver o lado bom delas. Acredito que todos nós podemos contribuir para um bem maior e isto está muito relacionado com o que eu faço enquanto psicóloga, mas que ultrapassa a Sara psicóloga em muito.”

O objetivo é contribuir para o bem-estar e a saúde da comunidade de Esmoriz, mas também de todos os que procuram a Sara e que não vivem na cidade. A intervenção junto das famílias, de idosos, crianças, adolescentes e adultos faz de Sara uma profissional verdadeiramente comprometida em trabalhar a capacitação da comunidade com benefícios inquestionáveis.

O contacto próximo com outras entidades locais, como o Gabinete de Inserção Profissional de Esmoriz, o Centro Comunitário e a Câmara Municipal, permite um trabalho multidisciplinar e que se traduz num acompanhamento rigoroso e saudável de todos os utentes.

Lida 2877 vezes Modificado em domingo, 19 dezembro 2021 20:07

Autor

Ricardo Grilo

Histórias capazes de entrar em contacto com as emoções de quem as lê justificam a minha paixão pelo jornalismo. Natural de Santa Maria da Feira, acredito no potencial de um concelho em ensaios para escrever a sua autobiografia. Aos 24 anos, e enquanto colaborar do ‘Ondas da Serra’, procuro a beleza em escrever sobre uma terra tão especial.

Itens relacionados

Ovar: O que visitar, passear na Ria e Mar, comer e dormir

Neste artigo vamos dar a conhecer aos nossos leitores que pretendem visitar Ovar, as atrações que podem ver, visitar, onde podem comer e dormir. Esta terra vareira tem seis pilares que a caracterizam, Cantar os Reis, Carnaval, Pão de Ló, Azulejo, Procissões Quaresmais e Natureza, onde se integra a Ria de Aveiro, Mar com as suas praias e zona florestal, que está no entanto em risco pelos abates cegos que têm sido realizados e não sabemos se vão ser retomados no futuro, quando a poeira assentar. 

Dr. Ricardo Jorge: O que é assédio laboral e como se defender

Castelo de Paiva viu nascer, há 47 anos, Ricardo Jorge, um homem amante da terra onde ganhou raízes e semeou uma grande carreira e vida familiar. O Rio Douro serpenteia por estes vales, que ele seguiu até ao Porto, onde se formou em direito. Fomos conhecer este advogado, que irradia serenidade, sabedoria e uma energia que emprega na defesa de causas legais, associativismo, andar de bicicleta ou jogar futsal com os amigos. Nesta entrevista deu-nos a conhecer as suas paixões e valores que defende. Falamos sobre a sua carreira, advocacia, direito administrativo e estado da justiça. Falamos também do direito laboral e aprofundamos a questão do assédio laboral e de que forma os trabalhadores se podem defender e quais são os seus direitos. Estas vítimas podem fazer queixa para o comportamento dos seus superiores hierárquicos ser avaliado judicialmente para eventualmente serem julgados e sancionados a nível contraordenacional ou criminal.

Mestre Felisberto Amador constrói moliceiros na Ria de Aveiro

Em outros tempos a Ria de Aveiro era sulcada por moliceiros, mercantéis, bateiras e outras embarcações em madeira que o tempo foi apagando. Estes homens que lhes davam forma com a sua arte e engenho, munidos apenas com ferramentas rudimentares, onde o machado com arte devastava o pinho para as moldar, eram conhecidos por "Mestres do Machado". Neste artigo vamos conhecer o Mestre Felisberto Amador, de Pardilhó - Estarreja, um dos últimos seus últimos artífices, carpinteiro naval que usa a sua arte para não os deixar morrer e as suas velas possam continuar a enfornar com beleza a ria dos mil esteiros. Estas embarcações podem também ser apreciadas nos canais de Aveiro com turistas a passear, sendo muitas vezes reparadas na sua oficina e que descansam ao sol na Ribeira do Nacinho.