Cabril Gerês o que visitar, natureza selvagem desconhecida Surreira do Meio Dia - Vale e Rio de Cabril Ondas da Serra

Cabril Gerês o que visitar, natureza selvagem desconhecida Destaque

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A freguesia de Cabril pertencente ao concelho de Montalegre, região de Trás-os-Montes, sendo ainda uma jóia resguardada do Parque Nacional Peneda-Gerês. Situada no interior profundo é descrita como selvagem pelos seus ilustres moradores, possuindo riquezas culturais, naturais e arquitectónicas que fascinam quem as contempla.

Para sentir Cabril falamos com um autarca, empresário e historiador locais, que demonstraram o seu empenho pelo seu desenvolvimento, defesa e promoção. Nós amantes das serranias e graníticos penedos, ficamos enamorados pela Surreira do Meio Dia e beleza desta região. Neste artigo esperamos que as pessoas despertem para a conhecer e a respeitem quando a visitarem.

As quinze aldeias comunitárias que compõem a freguesia de Cabril

Surreira do Meio Dia e Vale de Cabril - Parque Nacional Peneda-Gerês

A freguesia de Cabril é composta por 15 aldeias, sendo de destacar o facto de em todas elas ainda se praticar a antiga tradição do comunitarismo, que iremos conhecer neste artigo. Estas aldeias são as seguintes: Lugar da Vila, Azevedo, Bostochão, Cavalos, Chã de Moinho, Chãos, Chelo, Fafião, Fontaínho, Lapela, Pincães, São Ane, São Lourenço, Vila Boa e Xertelo. As aldeias que compõem o coração de Cabril são, São Ane, Chãos, Vila Boa, Bostochão, Chelo, Fontaínho, incluindo a baixa de Cabril.

Márcio Azevedo - Presidente da Junta de Freguesia e dos Baldios de Cabril

Márcio Azevedo - Presidente da Junta de Freguesia de Cabril e dos Baldios de Cabril

Márcio Azevedo, nasceu na aldeia de São Lourenço desta freguesia, por isso diz a brincar que se considera um autóctone da região. Na sua juventude foi vezeireiro em Fafião e possui uma licenciatura em direito.

Este autarca contou-nos que no seu intimo sempre desejou servir a causa pública, acabando com naturalidade por concorrer e ser eleito como independente para Presidente da Junta de Freguesia de Cabril, cargo que exerce há oito anos.

Em relação ao exercício do poder local defende que estes eleitos do povo não deveriam ter filiação partidária, “Eu acho que os partidos estragam o sistema democrático todo, acho que a nível de câmaras e freguesias não deveriam existir partidos. As pessoas deveriam ser eleitas pelo seu conhecimento e trabalho que podem desenvolver em prol das comunidades e não estarem associadas a um partido, porque são as pessoas que fazem os partidos e não os partidos que fazem as pessoas. Eu não sou adepto da partidocracia que está actualmente implementada. Eu gostava de fazer algo por Cabril, para mostrar a outros sítios, que possível fazer-se algo sem estar ligado a partido nenhum.

Como pessoa ativa na sua comunidade faz ainda parte da equipa de resgate, para ajudar as pessoas que se colocam em dificuldades nestas serras, por não cumprirem as regras de segurança deste parque e “não venham para o Gerês, como quem vai para a praia”.

Ainda trabalha pontualmente na área do direito, de forma a estar disponível para o seu povo, porque na sua opinião, “Eu acho que um Presidente de Junta não basta dizer que está, tem de estar, para resolver o problema das pessoas quando elas precisam e não quando ele pode.

A identidade de Cabril

Márcio Azevedo destacou a forte identidade de Cabril, das suas gentes e tradições, “Ainda posso dizer que Cabril tem gente com sangue e garra e isso é muito importante para mim.” Destacou esta região onde foi celebrado um casamento entre o Homem e a Natureza, simbolizados pelo seu lindo e imponente castelo da Surreira do Meio Dia, que domina o horizonte e marca a vida desta comunidade desde tempos imemoriais.

Os baldios de cabril

Os baldios de Cabril são terrenos ou forais pertencentes às comunidades locais e que são geridos por órgãos gestores por si designados. Este sistema de propriedade enquanto um conjunto de práticas comunitárias de utilização do território e dos recursos existentes, obedecem a regras específicas. As pessoas que visitem esta região devem respeitar a propriedade privada e os usos e costumes destas comunidades.

Este autarca acumula por inerência do seu cargo na junta, a presidência destes baldios, fazendo questão de realçar que estes baldios são montes de uso comunitário e não de uso público, que são coisas diferentes, por vezes conflituantes e pouco comuns a nível nacional.

O comunitarismo de Cabril

O Presidente elucidou que o facto de todas as aldeias de Cabril praticarem o comunitarismo advém da sua interioridade, que é uma questão de sobrevivência e obrigação devido ao seu isolamento e falta de apoio das instituições oficiais do estado. Desta forma as pessoas são obrigadas a entreajudarem-se para realizarem as suas tarefas, que de outro modo eram difíceis ou impossíveis de concretizar de forma individual. No passado existiam regras muito rígidas para estas obrigações e vizinhos transgressores, “O comunitarismo era bonito, mas também tinha que ser cumprido e havia sanções para quem não quisesse cumprir, porque quem não fosse arranjar um caminho comunitário por onde todos passavam tinha sanções, que em muitos casos passavam até pelo incumpridor ser ostracizado pela vizinhança.”  

O Vezeireiro como expoente máximo do comunitarismo

Uma das formas deste comunitarismo era o “Vezeiro das Cabras”, tendo-nos sido dado um exemplo desta prática. Neste sistema os criadores guardavam à vez o gado comunitário, de acordo com o número de cabeças de gado que possuíssem, por exemplo três criadores com 20 cabras cada um, juntam os animais e guardam-no à vez, se um deles tiver 40, guarda dois dias, cada 20 dias representa um dia de trabalho a guardar os animais, se um só tem 10 cabras, passa duas rodas e guarda um dia completo, para não ter que guardar só meio dia. 

Há dois anos atrás foi recuperada a tradição centenária do “Vezeiro das Vacas”, com a participação institucional os Baldios de Cabril, sendo a única vezeira ativa no país. Esta candidatura foi a vencedora do projeto “EDP Tradições”, dentro dum universo de 200 concorrentes. Esta tradição não foi extinta há muito tempo, há cerca de meio século ainda havia uma comissão da vezeira, presidida por um juiz, muito enraizada e valorizada pela população.

O “Projeto Carrejadas” associado ao vezeireiro

Márcio Azevedo falou-nos com entusiamo do “Projeto Carrejadas”, dos Baldios de Cabril, que tem cerca de três anos e está associado ao vezeireiro. No alto da serra, a cerca de 1200 metros de altitude, existem muitas propriedades privadas muradas. A pratica agrícola ancestral deste local era a sementeira do centeio, que era das mais importantes pelo cereal e palha conhecida como colmo, que era utilizada para colmar as casas em substituição das telhas.

Esta prática denominava-se sementeira dos currais da serra, cada família tinha o seu pedaço de terreno com exceção dos mais abastados que não tinham a necessidade de subir lá para cima. Este era um trabalho árduo porque os agricultores tinham que carregar todas as ferramentas agrícolas e apetrechos às costas até ao local de cultivo. Atualmente já existe uma estrada construída nesta zona difícil pela EDP, para terem acesso a uma captação de água, mas que veio também beneficiar as pessoas de Cabril.

As sementeiras relacionadas com o "Projeto Carrejadas" contribuíram para recuperação da perdiz e do coelho bravo, que levaram por sua vez ao crescimento de predadores como a raposa e a águia, em virtude de terem acesso facilitado a fontes de alimento, promovendo o rejuvenescimento da fauna e da flora.

A transumância dos animais bovinos colocou 600 vacas na serra

A transumância dos animais bovinos para o cimo da serra, no vale de Lagoa, decorre entre de 01 de maio a dia 29 de setembro. As sementeiras nesse local eram feitas durante o mês de setembro, com ajuda dos animais mais mansos que já lá pastavam livremente. 

Neste momento no cimo da serra pastam em liberdade cerca de 600 vacas, de vários criadores locais, guardadas por dois vezeireiros em permanência, em regime de autonomia e com uma folga semanal.

Desta forma antigamente os agricultores ficavam livre no vale inferior para cuidarem dos terrenos já cultivados e durante o mês de maio prepararem os lameiros para o feno, para depois ser colhido e guardarem as forragens de inverno para os animais que estavam no cimo da serra.

A dependência excessiva das pessoas ao poder local e central

Este Presidente nasceu nesta região e sempre viveu de forma intensiva o comunitarismo, que influencia atualmente a sua ação politica e gestão da sua freguesia, não estando sempre à espera que seja o poder central a resolver os problemas e a tomar a iniciativa, “Porque agora toda a gente está à espera que quase seja a junta ou o baldio a vir limpar a porta de cada um. Isto é o pior que pode acontecer, perdesse a génese e a nossa identidade. Ainda hoje pela manhã em São Lourenço, foi feita uma limpeza da aldeia organizada pela Associação Amigos de São Lourenço de Cabril, que eu criei há muitos anos. Para mim era fácil mandar lá os homens da junta, mas eu não quero isso, porque depois as pessoas acomodam-se e ficam egoístas. Eu também ajudei a limpar, andei com a máquina às costas, para alimentar este espírito comunitário, que é muito importante e faz a diferença.

As maiores dificuldades de Cabril

Márcio Azevedo destacou as maiores dificuldades da sua freguesia, nomeadamente o facto do Parque Nacional Peneda-Gerês apesar de oferecer oportunidades turísticas, submetê-las a procedimentos restritos, burocráticos e controladores, que acabam por serem delimitadores, em comparação com a região exterior.

Outro do entrave ao desenvolvimento desta região são os constrangimentos à construção envolvendo a Barragem de Salamonde. O principal problema reside no facto de haver dois planos, um do ordenamento do parque e um plano diretor municipal da câmara de Montalegre. Esta situação obriga que para avançar um projeto, tenham que ser consultas estas duas entidades.

O Presidente defende que o processo deveria estar centralizado numa só entidade, não entendendo que um estado que defende a desburocratização não torne estes processos mais céleres.

O plano de construção de barragens tornou Cabril acessível

Foi durante o regime do Estado Novo que se iniciou o plano de construção de barragens, das estradas e das duas pontes que ligaram Cabril ao resto do país. Antes destas obras no inverno os rios Cavado e Rabacão, com os seus caudais tempestuosos impediam a passagem das pessoas e isolavam esta região.

Uma parte da barragem de Salamonde fica situada na sua freguesia, tendo o Presidente realçado que seria importante já terem concluído o seu plano de ordenamento, que ainda não aconteceu pelo facto de envolver várias entidades. A falta deste importante documento causa dificuldades por não estarem definidas regras especificas para as atividades náuticas e de construção nas suas margens.

As riquezas sociais e naturais de Cabril

O Presidente destacou as riquezas naturais de Cabril já muito conhecidas, que pode conhecer na nossa galeria deste artigo. Outras riquezas preferiu manter em segredo, porque acha que não se deve dar tudo a toda à gente sem avaliar a sua sensibilidade para as desfrutar com respeito, “Se o fizermos tornamos as coisas banais e tornámo-nos nós próprio banais também.”

O Ondas deu como exemplo possível desta banalização, algumas pessoas caminharem perto duma hora até à cascata de Cela-Cavalos na Lapela, para não a usufruírem, não sentirem as suas águas, não tomarem banho ou a contemplarem sentidamente. Estas pessoas despromovidas de sensibilidade, chegam a estes castelos, muitas vezes de chinelos de dedo, fazem uma pose sorridente para o Instagram, para dizerem que estiverem lá e rapidamente se evaporarem no consumismo da natureza.

Outros citadinos colocam o dedinho do pé na água e com risinhos dizem “Está um gelo”, ou escondem-se atrás dos namorados, quando não é o contrário, ao verem a aproximação de uma abelha, “Ai que medo”, é um regalo para quem observa estas pessoas, desfasadas da natureza e da vida selvagem.

Visitar Cabril e o Parque Nacional Peneda-Gerês sem o banalizar

Esta forma de visitar as criações da natureza não é respeitosa, não é usufruiu e respeitar o local, é a banalização no seu aspeto mais grotesco.     

Para aquelas pessoas que sabem apreciar profundamente a natureza, que estão como o Ondas da Serra atenta aos pormenores, como aquela libelinha que vimos a por ovos, num tanque de águas límpidas lá para os lados de Chãos, o Presidente não se importa de lhes dar a conhecer os segredos escondidos desta terra, o que ele não quer é ver Cabril associado à banalidade, “A maioria das pessoas que aqui chegam, trazem a lancheira, um garrafão de vinho e deixam-nos o lixo. O Parque Nacional Peneda-Gerês é o único parque nacional de Portugal que nós temos e muitas pessoas acham que veem para o parque da cidade.

Este autarca gosta de receber visitantes na sua terra, mas pede-lhes que tenham a sensibilidade de respeitar os usos e costumes desta comunidade, “Não é virem e estacionarem o carro à frente dum portelo de um lameiro, que é uma entrada para o gado nestes terrenos. Já tivemos casos que as pessoas não deitaram o gado para aquele lameiro porque os carros estavam lá estacionados.

Márcio Azevedo reina no seu castelo da Surreira do Meio Dia

Surreira do Meio Dia - Cabril

Márcio Azevedo sente o maciço granítico da Surreira do Meio Dia, como o seu castelo, que também possui um grande simbolismo para o seu povo, pela sua imponência, tradição e comunitarismo.

A Surreira marca as horas como um relógio de sol, numa altura em que as pessoas não se guiavam tanto pelo dia e pela noite, mas de acordo com as estações do ano. Ao meio dia, os raios solares entram na reentrância duma fenda natural da Surreira, que lhe deu o nome de batismo. Quando isso acontece é hora de tornar ou virar a água, para passar a regar outros campos, nos termos definidos pelas regras do comunitarismo.

Para ilustrar esta forma de viver, foi-nos dado um exemplo atual, da rega de quatro campos agrícolas que ficam situados perto do parque de campismo, dois em cima e dois em baixo, as tornas ainda são para os de cima do meio dia de domingo até ao meio dia de quarta e para os de baixo do meio dia de quarta até ao meio dia de domingo.

A Praia da Barca em Cabril

Quem se desloque à Praia da Barca em Cabril, depara-se com uma construção inacabada que perturba o ambiente equilibrado em redor, o Ondas da Serra quis saber junto do Presidente o que se passa neste local.

Sobre este assunto ele declarou que esta praia tem um enorme potencial pela sua localização e antes de entrar para a junta, já tinha um projeto para o local, que previa a construção de um bar/restaurante e instalações para desportos náuticos, amigos do ambiente e que não usassem motores a combustão, “Olhando para a nossa estratégia, localização e sabendo o que se passa na Albufeira da Caniçada, nós temos que ter dois dedos de testa e pensar o que queremos, o que não queremos e onde nos queremos posicionar em termos turísticos. Eu de certeza que não me quero posicionar na feira da ladra como a da Caniçada, se é um parque nacional, se estamos focados no ambiente, natureza, na sustentabilidade, nós temos que ter um padrão alinhado com tudo isso.”

Já durante o seu mandato apresentou o projeto à EDP, que forneceu uma quantia monetária que foi aplicada na construção dos muros limítrofes, arruamento e estacionamento, sendo o edifício construído pela junta. O Presidente vislumbra que pode estar aqui o futuro motor económico desta região, fomentando o turismo e criação de postos de trabalho estáveis. Neste momento a freguesia está à espera dum novo financiamento para a sua conclusão.

Ulisses Pereira – Historiador de Cabril

Ulisses Pereira – Historiador de Cabril

Ulisses Pereira nasceu em Cabril, sendo daquelas pessoas especiais que se diluem no seio da mãe natureza, tão bem descritas por Rui Veloso na canção “A Gente Não Lê”, “Tratar por tu os ofícios, Entender o suão e os animais, Falar o dialeto da terra, Conhecer-lhe o corpo pelos sinais”.

Um homem que se descreve como simples bicho do mato, que sente o pulsar da terra e trabalha no seu ventre. Nasceu de pais professores, que eram também agricultores e criadores de gado, que viviam frugalmente da terra e lhe moldaram o carácter.

Sendo um apaixonado por estas vivências, já maior chegou a ser vezeireiro em Cabril e a passar 5 meses na serra.

Não foi fácil chegarmos à sua fala, no dia 02 de junho 2021, à hora marcada para a entrevista não pode comparecer. Ulisses com a bênção da geradora Gaia viu a sua esposa dar à luz a sua filha Maria Luís. Para esta família desejamos felicidade e longa e próspera vida para este rebento.

Este contador de Cabril possui formação em História e Arqueologia pela Faculdade de Letras do Porto, atualmente é trabalhador independente, no passado correu o país a trabalhar na área da construção civil de barragens e túneis.

Ulisses Pereira viajou por muitas terras, mas a paixão pela sua perdurou, sendo por esta razão que a transporta sempre consigo, “Eu no meu saco de viajem ando sempre com um frasquinho de terra de Cabril. Parece mentira, mas é verdade.

A paixão por Cabril influenciada pelo avô

Ulisses Pereira e avô José Pereira

Ao seu avô José Pereira deve-lhe o sentir Cabril, homem que depois de trabalhar 40 anos no Brasil, regressou à sua terra, tinha o neto 10 anos. A criança começou cedo acompanhá-lo nas subidas à serra, onde lhe ensinava o nome dos penedos, se fazia o carvão, praticava o contrabando e localização das cabanas dos pastores.

O seu avô tem atualmente 92 anos, continua a viver em Cabril, fazendo ainda a criação de vacas, mantendo a antiga jovialidade e independência. Este homem ainda faz pontualmente o caminho da vezeira para Lagoa, que são cerca de 7/8 quilómetros a pique na montanha. No ano passado fizeram o caminho juntos e no final o avô surpreendeu-o com esta tirada, “Quem quiser vir a Espanha, pode vir, que eu ainda vou.

O gosto pelo estudo da história de Cabril

Com a influência do avô e dos conhecimentos que foi adquirindo pela sua terra, começou cedo a desenvolver o gosto pela sua história, “Eu acho que me dedico à história de Cabril desde que me lembro. Eu tenho 42 anos, os cafés aqui não são assim tão antigos, no inverno a noite vinha muito cedo, para passar o tempo organizavam-se serões, que naquele tempo eram na casa do Carvalho, onde se contavam histórias de bruxedos, responsos para animais perdidos, para cortar o cosco, sarampo, varicela e feitiçarias. Eu tenha estas recordações porque sempre me interessei por história. Naquele tempo nós estávamos deslocados de tudo, hoje estamos a 45/50 minutos de Braga, mas antes não havia estradas, só há 20 anos é que foram construídos eu tive a sorte de poder viver esse isolamento.

O responso para animais perdidos ou achados

O registo mais antigo da “Vezeira das Vacas”, que Ulisse Pereira encontrou foi de 1640 e como a serra é extensa havia grande probabilidade de algum animal se perder e não ser encontrado. A crença popular levou as pessoas a encontrarem na sua fé resposta para estes infortuníos e para estas questões rezavam um responso para coisas perdidas ou achadas, na esperança de os encontrarem. Este responso era rezado de joelhos, em silêncio e virados para a igreja de São Lourenço de Cabril, nos seguintes termos:

Santo António se levantou
Se vestiu e se calçou,
Seus pés e suas mãos lavou,
E para o paraíso caminhou,
O senhor encontrou,
Que lhe perguntou:
-Onde vais tu António?
-Senhor convosco vou.
-Tu comigo não irás,
-Tu no mundo ficarás,
-O vivo guardarás,
-E o perdido encontrarás
-Pelo hábito que vestiste,
-Pelo cordão que cingiste,
-Pelo livro que abriste,
-Assim como tiraste o teu pai da sentença falsa
-Livrai (aqui diz-se o que se quer responsar) da má sorte, da morte, de lobos e lobas, raposos e raposas e dos males do mundo
-Pela honra e glória da virgem Maria um Pai Nosso e uma Avé Maria

Se o responso fosse rezado sem enganos o animal não corria perigo, caso contrário era necessário irem logo procurar o animal, antes que algo lhe sucedesse. Como era uma terra de comunitarismo os vizinhos ajudavam na sua procura, que podia estar escanhotado (aleijado).

Ulisses Pereira salientou que hoje já ninguém sabe rezar estes responsos e até havia um para os emigrantes que partiam para fora para ganharem a vida, vindo as pessoas a casa do avô para o rezarem e os ajudar na nova vida. Ainda há partes de responsos que não pode partilhar, porque têm que ser ditos em voz baixa pelas pessoas num determinado contexto, viradas para a igreja, maravilhas dum saber ancestral que se irá diluir no tempo.

A etimologia de Cabril

Ulisses Pereira explicou-nos que o nome de Cabril advém de ter sido sempre uma terra de cabras. Por outro lado, descende também de capriz, onde este gado ficava na serra, durante o verão, recortada por inúmeros carreiros e caminhos para estes animais.

No inverno as cabras e as vacas ficavam nas cortes, por baixo das casas. No andar superior habitavam as pessoas e o calor que os animais produziam em baixo em conjunto com o amadurecimento do esterco, ajudavam aquecer as casas, que eram em granito e fustigadas por frios ventos cortantes.

A fundação de Cabril por pastores nómadas

Segundo este historiador Cabril foi fundado por pastores nómadas, que praticavam a transumância e não terão começado logo a habitar esta terra junto do rio, onde hoje é o centro da freguesia. Esta progressão terá ocorrido gradualmente do cimo da serra para o fértil vale, onde o rio corria e nasceram as aldeias. Prova disto são as construções dos currais na serra, que segundo Ulisses e citando um estudo do Professor Batista, datam de 1500 dc.

O isolamento de Cabril atraiu foragidos da justiça

Aqui também chegaram foragidos da justiça, que procuravam locais inacessíveis, por terem praticado algum crime. Estes criminosos depois de passarem o Cavado ficavam livres da alçada da justiça. Muitos deles começaram a servir em casas como a do Vila Boa, dos Casais ou do Costa e nunca ninguém sabia ao certo a sua proveniência. Depois estes homens acabavam por constituir família e ajudar aumentar a população das aldeias.

O acolhimento de pessoas de etnia cigana

Ulisses Pereira mencionou uma lei régia da época medieval em que obrigava que toda a gente que não tivesse minister (ofício), era obrigada trabalhar na agricultura, recebendo Cabril nestas circunstâncias 12 famílias de etnia cigana.

Atualmente houvesse falar muito na geringonça, isto era o dialeto que as pessoas desta etnia falavam.  Outras terras que também os receberam nestas circunstâncias foram Miranda do Douro, Torre de Moncorvo e Alfandega da Fé. Por esta razão naquele tempo havia muitas pessoas desta etnia na agricultura, no entanto por ordem real foram proibidos de falar no seu dialeto.

Igreja de São Lourenço de Cabril

Igreja de São Lourenço de Cabril

Antigamente Cabril chamava-se São Lourenço de Cabril e a sede da Igreja não era onde existe atualmente. Em termos rigorosos Ulisses Pereira explicou-nos que não existe a aldeia de Cabril, nenhuma das 15 que constituem a freguesia tem esse nome.

Originalmente a igreja matriz estava localizada no lugar de São Loureço, Ulisses Pereira pensa que a mudança ocorreu em 1754, para o lugar da Vila, onde se encontra atualmente. As circunstância estão relacionadas com o facto da freguesia ser muito grande e as pessoas de Fafião e Lapela serem obrigadas a percorrer grandes distâncias até São Lourenço, para assistirem a eventos religiosos, batizarem os recém-nascidos logo após o nascimento, já que devido à grande mortalidade infantil os pais temiam que a criança pudesse não sobreviver e ter que ser sepultada sem o batismo ou a necessidade de dar a extrema-unção aos moribundos.

Este processo de mudança foi muito burocrático, demorando entre 30/40 anos, começando por uma primeira petição efetuada pelos habitantes de Fafião e Pincães ao Bispo de Braga. Na missiva eles solicitavam autorização para a construção duma nova igreja ou que se mudasse a de São Lourenço. Este povo alegou que no inverno, as chuvas aumentavam os caudais dos ribeiros que tinham que passar, dificultando a deslocação para a aldeia de São Lourenço, que durante a noite não podiam caminhar, que já tinham população para ter uma igreja matriz e proveitos para manterem um padre.

Esta primeira petição não obteve resposta e eles fazerem uma segunda, tendo o Bispo enviado para o local um padre visitador, para averiguar da justeza do pedido. Este visitador ficou a viver na casa do padre de São Lourenço, acompanhando-o em todas as voltas e serviços religiosos de forma a dar no final o seu parecer ao bispo.

Como este dignitário do bispo veio de verão, deu um parecer negativo, tendo sido só à terceira tentativa, em 1754 que o bispo deu finalmente autorização para mudarem a igreja numa primeira fase para um lugar de Covato, que Ulisses desconhece onde se situava e depois para o Outeiro da Vila, onde se encontra atualmente, porque tinha espaço para um cemitério e ficava equidistante de todas as aldeias.

O comunitarismo de Cabril

Ulisses Pereira realçou que o comunitarismo nasceu nesta região pela necessidade das pessoas entreajudarem-se na partilha das águas ou guarda dos animais. Com a revolução industrial em 1800 e mecanização da agricultura, diminui a necessidade da força animal nas vessadas, em que se lavravam ou semeavam os campos, contudo este desenvolvimento só aqui chegou em 1980.

Nas vessadas os agricultores que precisassem lavrar os seus respetivos campos, juntavam-se para o fazem à vez, assim como para a guarda dos seus animais. No gado bovino era contratado um vezeireiro que ficava 5 meses na serra durante a transumância. Em relação ao gado caprino, também era guardado à vez, o que tem dez cabras guarda um dia, o que tem 20 guarda dois, o que tem 30 guarda três vezes, o que tem 40 guarda quatro, até perfazer um mês.

Este comunitarismo ainda se pratica atualmente duma forma mais ligeira, como por exemplo quando vão vindimar, ficando a dever um dia ou mais ao vizinho, para quando aquele precisar.

A Surreira do Meio Dia uma serra de cabras 

Monumento à cabra ao fundo Surreira do Meio Dia

A Surreira do Meio Dia não deixa ninguém indiferente sendo também uma paixão deste homem. O seu nome advém de antes de aparecerem os relógios de bolso, as pessoas regerem a sua vida pelo movimento aparente do sol.

Este maciço tem uma reentrância situada numa fratura entre duas montanhas e empiricamente o povo aprendeu a usar o seu relevo como marcação solar e aplicar ao comunitarismo. Este maciço é considerado uma serra de cabras, onde existem os poios, não sendo facilmente acessíveis ao homem e protegendo-as no inverno dos lobos. Neste exíguo espaço chegou a ser mantida uma população de duas a três mil cabras.   

A Águia-real no Parque Nacional Peneda-Gerês

Águia-real em Cabril

A Águia-real, tem uma enorme envergadura e Ulisses tem um prazer enorme em velas voar. A última fêmea do parque morreu no vale do Ramiscal, voava sozinha e nos últimos anos fazia o ninho, punha os ovos, mas não eclodiam por não estarem fertilizados.

Estas águias abundam no vale do Douro, mas segundo Ulisses Pereira no Gerês por culpa do Parque Nacional entraram em declínio. As águias são bastantes territoriais, por isso aqui não poderão existir mais de 2/3 casais. Estas aves só chocam dois ovos, quando eclodem uma das crias ataca a outra até a matar, por uma questão de sobrevivência porque o alimento que recebem não chega para ambas. Apesar destes problemas neste momento Cabril já tem alguns casais de águias-reais que voam de Espanha.

Durante muito tempo a Águia-real nidificou numa figueira na Surreira do Meio Dia, este historiador contou-nos que já subiu com o Presidente Márcio Azevedo, a quina da Surreira e estiveram no sítio onde os antigos diziam que a águia fazia o ninho. Chegados ao cimo ele ficou muito feliz por ali ter encontrada esta mítica árvore. Em frente desta área da surreira foi criado um monumento que assinala este facto.

Durante a nossa estadia em Cabril para fazer esta reportagem, ao fim de alguns dias a carregar os binóculos sem resultados, junto ao aproveitamento hidroelétrico de Vila Nova – Paradela – Cabril, quando estávamos a fazer o trilho dos Poços Verdes, que começa no Xertelo, tivemos a felicidade de ver um casal, exibindo a sua grande envergadura e asas brancas, aproveitando as correntes ascendentes para bailarem, exibindo toda a sua força e elegância. 

A preservação da fauna e flora em Cabril

Borboleta em Cabril

Sobre este tema Ulisses Pereira contou-nos que a cabra brava ou pyrinaica que agora abunda nas altas montanhas e fragas da serra do Gerês é uma reintrodução feita com sucesso. No entanto esta espécie tem crescido em demasia, porque não existem predadores suficientes para manter o seu número controlado, já que há poucos lobos para lhes dar caça.

Este excesso também prejudica algumas espécies de vegetais como o lírio do Gerês ou a fistularia lusitânica nervosa.

A cabra autóctone da serra do Gerês, era o ibex- Português e foi declarada extinta a 17 de setembro de 1908, sendo conhecida no nosso território apenas por cabra montesa, a cabra pyrinaica lusitânica era uma subespécie extinta da ibex Espanhola que habitou os grandes penedos da serra do Gerês.

Os Garranos do Gerês, ao contrário do que as pessoas pensam não são originários desta região, tendo vindo da Mongólia quando esta região foi invadida pelos hunos. O cavalo selvagem da península ibérica chamava-se zebro, que era listado de cor castanha. Os primeiros europeus a entrar em África foram Portugueses e Espanhóis e ao verem as zebras que eram parecidas com este cavalo da sua península, deram-lhe o mesmo nome.

A caça ilegal e o envenenamento dos lobos

Monumento ao lobo ibérico - Fafião - Cabril - Montalegre

Segundo Ulisses Pereira a população de lobos continua a ser dizimada, por nas suas palavras, “Uns enegrumes, que são do meu povo e da minha população, onde eu vivo e que tento sensibilizar, mas que acho que dou o meu tempo por perdido, não consigo. Eu sei que foram abatidos bastantes lobos no último ano.

O Ondas da Serra apurou junto de várias fontes que um dos métodos para abater os lobos é colocarem carcaças de animais envenenadas em locais estratégicos para eles se alimentarem, mas as águias-reais são as primeiras a chegarem, devido à sua excelente visão e acabam por ser as primeiras vitimas deste crime.

Há muitas vezes interesses escondidos com estas práticas, como defenderem a população de cavalos que pastam nas serras. Foi-nos indicado que pelo menos um suspeito já se encontra sob a alçada da justiça. Apesar destas investigações, Ulisses Pereira gostaria de ver ainda mais empenho do Parque Nacional e das autoridades no combate a estes crimes.

Para quando um livro do Ulisses Pereira?

Ulisses Pereira transpira sabedoria, amor pela sua terra, usos e costumes, paixão pela natureza e seres que nela habitam. Esperemos que um dia possa ter energia e empenho para escrever alguns livros sobre estas histórias, para as gerações futuras conhecerem as suas raízes e as inspirem a viverem pacificamente com os outros seres vivos e regressem à mãe natureza.

Armando Maia - Gerente do Parque de Campismo de Cabril

Armando Maia - Gerente do parque de campismo de Cabril

Armando Maia, partilha o sobrenome com a terra onde nasceu, tendo descoberto o Gerês depois de 25 anos a trabalhar em diferentes áreas. Chegou a Cabril para ajudar um primo que tinha reiniciado o parque de campismo, tendo numa fase posterior sido convidado para sócio e há cerca de sete anos acabado por ficar com a cota completa.

Este homem confidenciou-nos que a paixão por Cabril foi à primeira vista, devido à sua imensidão selvagem com pouca gente, “Há 4 anos atrás quando chegávamos à cascata de Pincães tínhamos de tossir para dar tempo para algum casal se vestir. Agora é muito difícil estarem lá menos de 10 a 15 pessoas. Cabril está na moda por ser muito selvagem.”

Cabril terra selvagem procurada pelo seu isolamento

No vale de Cabril há muitas serras e imensidão para explorar, “Eu tenho clientes estrangeiros que fazem Pirineus e Alpes e vem para aqui de dois em dois anos para fazerem os percursos que querem, durante de 3 a 4 dias na serra. Estas pessoas conhecem estas serras melhores que muitos pastores, porque dizem que nos Alpes está tudo tão marcadinho que só falta colocarem semáforos nos cruzamentos dos caminhos. Por vezes passam uma tarde a fazer com a minha ajuda um planeamento, desenhando um trajeto, calculando horários e pontos de passagem. À medida que estas pessoas vão avançando vão-me mandando mensagens para eu saber se estão a cumprir o planeamento, onde estão e se há algum problema.

História do Parque de Campismo de Cabril

Gerês Greenparq - Parque de Campismo de Cabril

O parque de campismo de Cabril tem cerca de 33 anos, sendo o terreno propriedade da junta de freguesia e a as instalações da cooperativa de utilidade pública “Trote Gerês”. O parque começou por ser frequentado principalmente por Dinamarqueses, que participavam num convénio duma organização nacional.

Este parque já passou por muitas dificuldades que lhe deram má fama, sendo usado para consumos de substâncias ilegais e funcionar em sistema de autogestão. Por todas estas razões foi registada a marca Gerês Greenparq, para recuperar o espaço, a sua credibilidade e fazer regressar as pessoas. Este gerente com o seu empenho e trabalho ao longo dos anos disse ter conseguido inverter este declínio e recuperar o local.

O apoio do Armando Maia ao campista

Neste parque Armando Maia não se limita a administrá-lo duma forma conservadora, aproveitando-se do seu grande poder de comunicação e memória visual, todo o campista que aqui chega, tem direito a um tratamento personalizado e munido de caneta e papel fornece-lhes de forma gratuita roteiros especializados para conhecerem a região, adaptados aos seus conhecimentos, capacidades físicas e objetivos da visita.

No entanto se ele perceber que estas pessoas não têm a capacidade de usufruir em pleno e respeitar os usos e costumes desta região, não terão grande apoio deste homem que acima de tudo quer promover a terra que ama de forma sustentável.

Nos primeiros anos o parque teve pouca afluência, mas que tem aumentando gradualmente. No passado recente o atual gerente e o primo tinham tempo para dar uma volta com os clientes pelas atrações naturais da região. Agora o Armando Maia aproveita os meses com menos afluência para regressar à natureza e tentar descobrir outras maravilhas para dá-las a conhecer aos seus habituais clientes que o mereçam.

Um parque com clientes de todas as nações

A grande maioria dos frequentadores do parque são Portugueses, seguidos pelos Holandeses, Belgas, Franceses, Alemães, nos últimos dois anos foi visitado por Americanos, Canadianos, Australianos e Neozelandeses, o ano passado foi o ano dos Ingleses. O parque no corrente ano foi visitado pela primeira vez por três pessoas da Tunísia e uma da Eslovénia. Aqui também já acamparam turistas da China, Bolívia e muitos Brasileiros. Agora o parque já tem clientes que regressam com os filhos para lhes mostrarem a região.

A afluência excessiva de pessoas a Cabril e ao Gerês

Em virtude do Gerês estar na moda, Armando Maia referiu que há aqui parques de campismo que estão por vezes tão lotados que os clientes lhe ligam a perguntar se tem vagas porque para isso iam para a Caparica, reforçando a ideia que este excesso de pessoas não se compadece o que deve ser a preservação do Parque Nacional Peneda-Gerês. Na sua opinião quem perde com isto são os turistas habituais, porque os seus habitantes acabam por ganhar com este aumento da procura. Deu como exemplo a área reduzida da cascata de Pincães, que é uma maravilhada da região, que só deveria se visitada no máximo por dez pessoas e que por vezes estão lá trinta ou quarenta, principalmente durante o mês de agosto. 

A pegada ecológica que o acesso indiscriminado de turistas deixa na região de Cabril

Armando Maia declarou que o maior problema acontece na praia do Bustelinho, situada Barragem de Salamonde, perto do parque de campismo, uma área bem arborizada e acolhedora, que sublinhou estar localizada em terrenos privados. Segundo ele uma das causas desta desregulação é a falta de policiamento.

Ele deu-nos como exemplo o do ano passado, em que foi necessário a Guarda Nacional Republicana, ter interditado a estrada para a Barca, que dá acesso a esta praia, porque estavam mais de cem carros ali estacionados e cerca de trezentas pessoas na praia, algumas com comportamentos de risco, que podiam causar um fogo e fazer muitas vitimas.

A falta de cuidados das pessoas para andarem no Gerês

Armanda Maia salientou em relação à segurança das pessoas que, “É a falta de respeito das pessoas que vêm para o Geres, mas não veem para usufruir o Gerês, vêm de férias, passear para o Gerês como se fossem para a praia. Vêm de chinelo de dedo para a montanha, sem água, comido e chapéu. Eu tenho encontrado coisas que só à bofetada. Foi este género de gente que veio estragar o Gerês.

Por estes caminhos este homem já tem encontrado casais com bebés ou sem a robustez física necessária para percorrerem os trilhos ou acesso às lagoas. Depois os acidentes acontecem em lugares remotos, sendo necessário resgatar estas pessoas.  

Em termos de acumulação de lixo Armando Maia referiu que está controlado, mas que no ano passado foi um caso atípico, depois do desconfinamento a 18 de maio, que coincidiu com um dia de muito calor, nas imediações da ponte de Cabril, não havia espaço para mais carros e todos os campos cultivados com batata e milho ficaram destruídos, o pensamento era, “Há água ali já vamos. Se fosse preciso empurravam-se uns aos outros para chegar à água.

Onde dormir em Cabril

O GERES GREENPARK, Parque de Campismo de Cabril, situa-se no Parque Nacional Peneda-Gerês, nas margens do rio Cabril. Sendo um local ideal para campismo, apreciadores da natureza e da montanha. Aqui pode partir à descoberta de ricos percursos e rotas pedestres, enquanto aprecia uma das paisagens mais bonitas do norte de Portugal. Destaque ainda para a Pedra d'água, a Cascata de Pincães ou o Fojo dos Lobos, as principais atrações a visitar perto do parque.

O parque possui espaço para tendas individuais, aluguer de bungalows e estacionamento de autocaravanas.

Localização e contactos

Parque de Campismo: Cabril - Montalegre
Telefone: +351 917 007 831
Site: GERES GREENPARQ
Email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Agradecimentos

O Ondas da Serra agradece ao Sr. Armando Maia e ao GERES GREENPARK, todo o apoio que nos deram para a realização deste trabalho. Sem as suas preciosas dicas, planificação dos itinerários e contactos com as pessoas, não poderíamos ter feito em tão pouco tempo, um trabalho com este alcance e esperemos com a qualidade que esta região e as pessoas de Cabril merecem. Pela nossa parte queremos voltar porque ainda há muito para contar e sobretudo porque nos enamoramos pela Surreira do Meio Dia.

Vídeo | O que fazer em Cabril | O que ver em Cabril

O que fazer em Cabril | O que ver em Cabril

Monumento à Águia-real - Surreira do Meio Dia

Monumento à Águia-real - Surreira do Meio Dia

Durante muito tempo a Águia-real nidificou numa figueira na Surreira do Meio Dia, na serra em frente foi criado um monumento que assinala este local. Para aqui chegar terá que seguir a estrada que sobe a serra de Cabril em direção a Xertelo, ficando o monumento localizado no lado direito do cimo do planalto, com uma vista deslumbrante para a Surreira, Vale de Cabril e Albufeira de Salamonde.

Ponte sobre o Rio Cabril

Ponte sobre o Rio Cabril com vista para Albufeira de Salamonde

Esta é uma ponte relativamente moderna, que fica situado no início do lugar da Vila – Cabril, a meio caminho entre as praias fluviais da Barca e Bustelinho. Este local merece uma paragem devido à sua grande beleza, com vista para a Albufeira de Salamonde, Vale de Cabril e Surreira do Meio Dia. Junto à sua margem passa a Grande Rota 50 do Gerês. No seu começo foi construído um conhecido restaurante, com vista panorâmica para o rio e albufeira.

Igreja de São Lourenço de Cabril

Igreja de São Lourenço de Cabril

Esta Igreja originalmente ficava localizada na aldeia de São Lourenço, mas como ficava afastada de lugares como Fafião e Pincães, este povo fez várias petições ao bispo, para que a mesma fosse mudada de lugar ou construída uma nova. Depois de várias décadas à espera, com avanços e recuos, em 1754, foi dada autorização e construção iniciou-se no lugar da Vila em Cabril. Esta Igreja possui no seu adro exterior várias sepulturas com tampas graníticas ricamente trabalhadas.

Moinho de Cubo Vertical – Xertelo

Moinho de Cubo Vertical – Xertelo

Este moinho de cubo vertical foi restaurado, sendo movido por um sistema pouco usual em Portugal que aplica os princípios da gravidade, para a água cair de uma levada, para o interior dum poço circular, com cerca de um metro de diâmetro, com 3/4 metros de altura, fazendo mover as pás do rodizio e a mó, para a moagem de centeio e milho, utilizado antigamente para confecionar pão que alimentava todas as casas da aldeia de Xertelo.  

“Um dos mais admiráveis legados da aldeia de Xertelo é o seu Moinho, em ótimo estado de recuperação, recebe parte da água das levadas que foram construídas, algumas centenárias, que podemos igualmente apreciar ao longo do trilho. O que torna este moinho especial é a sua estrutura em pedra criada e avançada até ao teto do moinho, que leva a água até então, caindo com a força da gravidade como se tratasse de uma cascata.

A técnica não torna o moinho tão eficiente, mas a altura a que se encontra a sua queda de água torna por si só, ao longo duma espécie de chaminé um acumulador ou deposito de água. No moinho existe ainda um manípulo de madeira perfeitamente recuperado, que faz a água avançar, estando o reservatório cheio, abrindo uma espécie de gaveta, a água circula puxada pela gravidade fazendo girar o rodízio a uma velocidade constante, efetuando desta forma a moagem dos cereais, cuja velocidade de processamento é também controlada pela moleira ou moleiro.”  Fonte: PR9 – Trilho dos Poços Verdes, CM Montalegre

Este monumento está inserido na rota do PR9 – Trilho dos Poços Verdes. É uma pena que não o tivéssemos visto a trabalhar.

Antiga fonte e tanque público em Xertelo

Antiga fonte e tanque público em Xertelo

“Beber em todas as fontes, deveria ser o sonho do homem livre de espírito”, por esta razão não deixamos de contemplar estes antigos monumentos. A aldeia do Xertelo, a mais elevada da região de Cabril, sendo o seu núcleo populacional um bonito de exemplar de arquitetura popular, com as suas casas em granito, capela, cruzeiro e moinho.

Nesta aldeia descobrimos uma bonita fonte que já matou a sede ao longo da sua história a muita gente, bovinos, caprinos, pássaros e outras criaturas. Neste local gerações de mulheres lavaram a roupa suja do seu corpo e dos assuntos da terra. Esta fonte ostenta a data de 1827 e tem a particularidade da água brotar da boca duma cara antropomórfica em granito com proeminentes bochechas e olhos salientes. Alguém teve o cuidado de ali colocar uma caneca para matar a sede ao caminhante.

Este monumento está inserido na rota do PR9 – Trilho dos Poços Verdes.

Fojo do Lobo de Xertelo

Fojo do Lobo de Xertelo

O Fojo do Lobo do Xertelo, é um notável engenho secular, construído pelas populações e que era utilizado para a captura do lobo ibérico.

Em Fafião existe outro engenho desta natureza, que está integrado na caminhada PR1 – Trilho do Pão, do Azeite e dos Miradouros. Estas armadilhas no passado serviam para defenderem o homem do ataque dos lobos aos rebanhos, mas que contribuíram também para o seu declínio na serra do Gerês. Não podemos julgar as ações dos nossos ancestrais, fizeram o que acharam correto para sobreviverem e prosperaram, mas a nossa condição humana deve evoluir de forma que todos os seres tenham uma coexistência pacifica, só então o homem terá evoluído na sua caminhada neste planeta e quem sabe aproximar-se do seu Criador.

Cruzeiro da Senhora da Saúde – Xertelo

Cruzeiro da Senhora da Saúde – Xertelo

O Cruzeiro da Senhora da Saúde – Xertelo é um monumento religioso voltado para a serra, datado de 1871, tendo sido construído em granito e ostentando uma cruz no topo. Na base apresenta outra cruz menor em relevo e uma reentrância na rocha assinalado com três cruzes metálicas.

Este monumento está inserido na rota do PR9 – Trilho dos Poços Verdes.

Ponte da Mizarela – Conhecida também pela ponte do diabo

Ponte da Mizarela – Conhecida também pela ponte do diabo

"Diz-se que um padre, querendo fazer uma pirraça ao Diabo, se disfarçou de salteador perseguido pelas justiças de Montalegre, e foi certo dia, à meia-noite, àquele lugar para passar o rio. Como o não pudesse passar, por meio de esconjuros, invocou o auxílio do Inimigo. Ouve-se um rumor subterrâneo e eis que aparece, afável e chamejante, o anjo rebelde:

- "Que queres de mim?" - perguntou ele.
- "Passa-me para o outro lado e dar-te-ei a minha alma."

Santanas, que antegozava já a perdição do sacerdote, estendeu-lhe um pedaço de pergaminho garatujado e uma pena molhada em saliva negra, dizendo:

- "Assina!".

O padre assinou. O Demo fez um gesto cabalístico e uma ponte saiu do seio horrendo das trevas. O clérigo passa e, enquanto o diabo esfrega um olho, saca da caldeirinha da água benta, que escondera debaixo da capa de burel, e asperge com ela a infernal alvenaria, fazendo o sinal da cruz e pronunciando bem vincadas as palavras do exorcismo.

Santanas, logrado, deu um berro bestial e desapareceu num boqueirão aberto na rocha, por onde saíram línguas de fogo, estrondos vulcânicos e fumos pestilenciais. O vulgo das redondezas, na sua ignorância e ingenuidade, e não sabemos a origem, aproveita-se da ponte para ali exercer um rito singular.

Quando uma mulher, decorridos que sejam dezoito meses após o seu enlace matrimonial, não houver concebido, ou, quando pejada, se prevê um parto difícil ou perigoso, não tem mais que ir à Mizarela, à noite, para obter um feliz sucesso. Ali, com o marido e outros familiares, espera que passe o primeiro viandante. Este é então convidado para proceder à cerimónia, a qual consiste no batismo in ventris do novo ou futuro ser. Para isso, o caminhante colhe, por meio de uma comprida corda com um vaso adaptado a uma das extremidades, um pouco de água do rio e com a mão em concha deita-a no ventre da paciente por um pequeno rasgão aberto no vestuário para este efeito, acompanhando a oração com a seguinte ladainha:

"Eu te batizo
criatura de Deus,
Pelo poder de Deus,
e da Virgem Maria.
Se for rapaz, será ‘Gervás’,
se for rapariga, será ‘Senhorinha’,
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,
um Padre-nosso e uma Ave-maria."

O barulhar iracundo da cachoeira no abismo imprime a estas cenas um cunho de tétrica magia. Segue-se depois uma lauta ceia, assistindo, geralmente, o improvisado padrinho. E o êxito é completo: um neófito virá alegrar a família. Claro que se na primeira noite não passar o viandante desejado, a viagem à Mizarela repetir-se-á até o cerimonial se realizar nas condições devidas.

De um dos lados ergue-se um enorme rochedo que o povo denominou "Púlpito do Diabo", por crer que o Demo vai ali pregar à meia-noite, quando as bruxas das redondezas se reúnem em magno concílio…

- Mário Moutinho e A. Sousa e Silva, O mutilado de Ruivães”. Fonte: www.serradogeres.com

“Será que esta lenda tem um fundo de verdade? Não se sabe! A verdade é que em Barroso há muito Gervásios muitas Senhorinhas.“ Fonte: PR5 Trilho da Ponte da Misarela, CM Montalegre

Surreira do Meio Dia

Surreira do Meio Dia

“A Surreira do Meio Dia é um maciço granítico rochoso de grande imponência, tendo sido o último local de nidificação da Águia-real na Serra do Gerês. Espécie que foi extinta e cujo trabalho em prol do seu regresso tem sido um dos mais ambiciosos da freguesia e da concelhia de Montalegre. As suas escarpas estão viradas para o conjunto de aldeias que compõem o coração de Cabril, como São Ane, Chãos, Vila Boa, Bostochão, Chelo, Fontaínho incluindo a Baixa de Cabril.” Fonte: PR9 – Trilho dos Poços Verdes, CM Montalegre

Rio Cabril

Rio Cabril

O Rio Cabril é um afluente da margem direita do rio Cávado, que desagua na albufeira de Salamonde. “A importância deste rio é vital à alimentação de toda a região do alto Cávado, um conjunto de túneis que percorrem as montanhas levam a água extraída dos vários rios e riachos, afluentes à barragem que alimenta o Cávado, uma das maiores da região de Paradela.” Fonte: PR9 – Trilho dos Poços Verdes, CM Montalegre

Rio Fafião

Poço Verde no Rio Fafião

“O Rio Fafião, ou Rio Toco como é localmente conhecido, é um dos principais cursos fluviais da serra do Gerês, alimentado por nascentes próprias e pelas águas que escorrem das inúmeras corgas e cursos de água temporários.

À semelhança de outros rios e ribeiros da serra do Gerês, apresenta um vale encaixado, de vertentes rochosas e declives acentuados. Nas zonas de maior profundidade do leito rochoso é muito caraterístico a formação de lagoas naturais (“piscinas”), muito apreciadas pelos turistas pelas suas águas cristalinas.” Fonte: www.walkingpenedageres.pt

É neste Rio que pode encontrar a Lagoa Verde de Fafião, situada a 30 minutos a pé do miradouro de Fafião.

Albufeira de Salamonde

Albufeira de Salamonde

“Albufeira de Salamonde, uma das muitas barragens construídas no Cávado, tendo começado a encher em 1953, trazendo consigo grandes alterações na paisagem, no clima e no modo de vida da população local, nomeadamente nas práticas agrícolas. Hoje, passados mais de 60 anos, já poucos se recordam de Cabril sem o enorme plano de água. Para além da beleza paisagística, esta albufeira é muito procurada pelos visitantes para a pesca lúdica e desportos aquáticos.”  Fonte: www.walkingpenedageres.pt

Praias da Barca e do Bustelinho

Praia do Bustelinho com vista para a Praia da Barca na outra margem, ambas na Albufeira de Salamonde em Cabril

A Praia da Barca fica situada na Freguesia de Cabril, possuindo excelentes acessos, parque de estacionamento e merendas. Do lado oposto desta albufeira fica situada a Praia do Bustelinho, cujo acesso se faz pela estrada que segue para Pincães e Fafião, depois de passar a ponte e antes do parque de campismo, fica do lado esquerdo, por onde se fazia o acesso ao antigo lugar da Barca, hoje submerso pela albufeira. Tenha em atenção que atualmente a mesma foi cortada ao transito pela GNR, por questões de segurança.

Estas duas praias têm uma vista deslumbrante sobre a Albufeira de Salamonde, as suas águas são temperadas, mas o seu nível é muito variável. Ambas não têm vigilância e por isso é necessário ter muito cuidado quando as frequentar.

Cascata de Pincães

Cascata de Pincães

“Na parte sul do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) fica esta magnífica cascata na localidade de Pincães, perto de Cabril. A piscina natural é das mais incríveis do país e vale bem a caminhada pé. Esta cascata, que irrompe apressadamente da rocha, cria uma das piscinas naturais mais bonitas da região. Não é acessível de carro e pede uma caminhada de cerca de 15 minutos.” Fonte: CM Montalegre

“O rio de Pincães corre aqui numa garganta relativamente profunda, para o rio Cávado, precipitando-se de forma abrupta na vertente granítica, formando a cascata de Pincães. A cascata de Pincães deve ser visitada pelo caminho que vem da aldeia, com a devida cautela para evitar quedas. É uma das mais belas cascatas e uma das mais visitadas do Parque Nacional da Peneda-Gerês. A queda de água precipita-se de uma altura de cerca de 20 metros, alimentando uma pequena lagoa de água translucida, muito convidativa à contemplação, ao relaxamento, à fotografia e ao lazer.” Fonte: www.walkingpenedageres.pt

As águas desta cascata são usadas pelos habitantes de Pincães na agricultura e pelo sistema de comunitarismo, por isso por vezes o seu reservatório é aberto ficando ela vazia.

Poços Verdes do Sobroso – 7 lagoas

Poços Verdes do Sobroso – 7 lagoas

“Perto de Cabril, no Parque Nacional da Peneda-Gêres, encontramos um local paradisíaco que origina uma cadeia de lagoas, a Cascata das 7 Lagoas, umas das pérolas do Gerês. São dotadas de uma incrível paisagem envolvente que contrasta com a água pura, límpida e cristalina. É um local de perfeita comunhão com a natureza. Para os amantes da adrenalina existe a possibilidade de saltar a 10 metros de altitude. Para os mais aventureiros existe uma com um pequeno escorrega natural que lhe permite ter momentos de pura diversão. Conta com umas mais compridas e outras mais fundas o que lhe permite nadar. O caminho para lá chegar exige uma longa caminhada a pé, de pelo menos 6 km (para cada lado). Mas vale o esforço. Vai encontrar uma harmonia de cores, onde o verde da água e o castanho das rochas fazem um casamento incrível. “ Fonte: CM de Montalegre

Estes poços estão inseridos na caminhada do PR9 – Trilho dos Poços Verdes, CM Montalegre

Caminhada à volta do lugar da Vila e Chãos – Cabril

Caminhada à volta do lugar da Vila e Chãos – Cabril

Quem a visitar a Igreja de São Lourenço de Cabril, pode depois continuar a caminhar por uma pequena estrada lateral que irá dar a um trilho que desce a encosta até ao Rio Cabril, com uma bonita vista sobre o vale. Aqui pode passar o rio para a outra margem por uma ponte pedonal, se desejar pode continuar a caminhar e dar a volta pela outra margem do rio em direção a montante e lugar de Chãos, onde existe outra ponte para regressar à estrada principal que atravessa a freguesia e ao ponto de partida.

Há ainda outra alternativa que é depois de passar a ponte sobre o Rio Cabril e que segue para Pincães e Fafião, virar à direita numa estrada que dá acesso à aldeia de São Ane e seguir por caminhos agrícolas, perto da margem do rio e passar para o outro lado na ponte pedonal acima mencionada no lugar de Chãos. Contudo não deixe de visitar a ponte que dá acesso ao caminho que vai sair às traseiras da capela, mencionado no parágrafo anterior. Se tiver dúvidas sobre o trajeto e estiver alojado no parque de campismo pode sempre pedir ajuda ao Sr. Armando Maia, que está sempre disponível para os seus clientes. 

Miradouro de Fafião

Miradouro de Fafião

Este miradouro radical, fica situada no alto de Cabril, na aldeia de Fafião – Montalegre. O mesmo foi construído entre dois íngremes penedos, sendo a travessia feita por um pequeno e estreito tabuleiro metálico, com vista para o precipício que faz tremer os corações mais temerosos e dá vida aos corajosos. Este miradouro oferece uma vista suprema sobre a barragem de Salamonde, rio Fafião e o fojo do lobo. Este ponto de interesse desta região fica no caminho para a lagoa verde no Rio Fafião, a cerca de 30 minutos de caminho a pé por estradões de terra batida.

Poço verde – Fafião

Poço verde – Fafião

O Poço Verde de Fafião, é outro ponto de interesse que pode visitar nesta região de Cabril. Fica localizada no vale do rio Toco, sendo caracterizado pelas suas águas cristalinas e tons esverdeados que mudam de tonalidades ao longo do dia. Por esta razão a melhor altura para o visitar é a primavera-verão e dias ensolarados. No resto do ano, chuvas e nevoeiros podem estragar o seu passeio. As águas deste poço são frias, mas revigorantes e os penedos granitos que a rodeiam aquecidos pelo sol rapidamente o prepararam para novos mergulhos.

Como chegar ao Poço Verde de Fafião

Para chegar ao Poço Verde de Fafião irá ter que caminhar um pouco. O trilho começa num estradão de terra batida que passa junto ao campo de futebol e Miradouro de Fafião. No total são aproximadamente 5 km ida/volta, com baixo grau de dificuldade.

Depois de passar o campo de futebol, pode estacionar o automóvel perto do miradouro e começar a caminhada a subir.  A dada altura irá encontrar duas bifurcações, volte sempre à esquerda. Depois o estradão começa a descer até ao fundo do vale onde encontra uma ponte que não deve passar, volte antes dela à esquerda por um trilho e poucos metros à frente há outro trilho à direita que dá acesso ao poço.   

Poio das cabras

Poio das cabras

“O Poio das Cabras é talvez a mais notável marca de sobrevivência nesta serrania do Parque Nacional Peneda-Gerês. Local especificamente escolhido pelo pastor para alocar as cabras bravias, autóctones, para que não ficassem expostas ao Lobo Ibérico. A aprendizagem poderá ter vindo das observações da Cabra Lusitana que foi extinta nos finais do século XIX, espécie também autóctone que deambulava por toda a Serra do Gerês, que fazia bom uso das penedias graníticas mais íngremes onde o lobo não arriscava trepar, desta forma mantinham-se a salvo.

Ainda hoje é possível observar estes míticos locais, marcados pela visível corrosão do granito causado pela urina ácida das cabras, vistosos corrimentos que tornavam a rocha branca ou rosada. Esta é a região do Porto Novo, um cruzamento entre Cabril e o trilho ancião mariolado pelos pastores. Nestas passagens o rio toma contornos mais agressivos, sulcando ao longo do seu percurso lajes tão vincadas que quase se torna um desfiladeiro. Muitas das vezes, a impossibilidade de voltar com o gado, fazia com que neste local fosse o mais seguro de pernoitar, há ainda um pequeno abrigo rudimentar, bem como a entrada para esse abrigo propriamente selada por um amurado retangular estrito, onde o lobo porventura não usava entrar.” Fonte: Caminhada do PR9 – Trilho dos Poços Verdes, CM Montalegre

Fecha do Pinhedo

Fecha do Pinhedo

“Num dos estradões que dão acesso aos Poços Verdes do Sobroso, integrado parcialmente no trilho, encontramos uma ponte cujas águas que passam por baixo provêm do Ribeiro do Pinhedo, que nasce algures no coração da Serra do Gerês. Embora de Verão corra apenas um fio de água, durante as restantes épocas do ano o seu curso é fortíssimo, aqui reside a belíssima Fecha do Pinhedo, cujas águas sulcam a rocha deformada ao longo de milhares de anos à sua conveniência, formando polimentos graníticos mais apreciados nas épocas balneares. “  Fonte: PR9 – Trilho dos Poços Verdes, CM Montalegre

Trilho dos Poços Verdes do Sobroso, Sete Lagoas – PR9 - Xertelo

Trilho dos Poços Verdes do Sobroso, Sete Lagoas – PR9 - Xertelo

Este Trilho dos Poços Verdes por nós efetuado e que recomendamos pela sua beleza e riqueza natural. Este é um percurso circular que começa e acaba na aldeia de Xertelo e tem 10,5 Km de extensão. A primeira parte até às lagoas não tem muita dificuldade, mas depois no regresso pela vertente oposta onde pode encontrar muitas mariolas e o Poio das Cabras, a sua dificuldade aumenta consideravelmente.

Pontos de interesse do Trilho dos Poços Verdes do Sobroso

Em Xertelo: Aldeia de Xertelo, Fonte e lavadouro públicos, Moinho de Cubo Vertical, Fojo do Lobo, Cruzeiro da Senhora da Saúde e levada.
Restante percurso: Surreira do Meio Dia, Rio Cabril, Fecha e Cascata do Pinhedo, Poços Verdes do Sobroso – Sete Lagoas, Mariolas e Poio das Cabras.

Cascata de Cela-Cavalos – Lapela

Cascata de Cela-Cavalos – Lapela

“É uma das cascatas menos movimentadas e menos conhecidas da região de Cabril. A sugestão é deixar o carro junto da capela de Santa Luzia, em Cela. O acesso não é difícil, bastando descer um estradão com cerca de 1,5 km. O melhor é que parte desse caminho é feito com uma vista espetacular sobre o vale e o rio (Cávado), ao som da água que se ouve ao longe. Apesar das águas serem frias, a cascata é formidável. Os peixinhos vêm mordiscar as pernas e o descanso faz-se sobre as suas gigantescas rochas, que amparam as pequenas lagoas que a queda de água cria.” Fonte: CM Montalegre

A cascata pela manhã forma por vezes arco-íris quando recebe o sol pelo ângulo certo. Numa das suas vertentes, junto a um moinho à um caminho relativamente seguro que dá acesso a um lago no topo superior com uma vista soberba sobre a cascata inferior e vale em redor. As suas águas são frias, mas revigorantes.

Como chegar à Cascata de Cela-Cavalos

Para chegar a esta cascata depois de estacionar o carro na aldeia da Lapela, deverá caminhar cerca de dois quilómetros, por um estradão que começa perto duma fonte e um cruzeiro. A caminhada começa por descer uma encosta, terá depois que passar por cima duma primeira ponte em madeira denominada “Ponte da Corga de Trás da Meda”. A dada altura irá começar a ver no fundo do vale o Rio Cavado, continue a caminhar até encontrar uma segunda ponte em madeira que não deve ultrapassar, neste ponto vira à esquerda por um pequeno trilho que a cascata fica ali próximo e já a pode escutar.

Águia-real – Um ícone ameaçado do Parque Nacional Peneda-Gerês

“É uma das maiores aves voadores do mundo, distribuindo-se pela Eurásia e pela América do Norte. Vive geralmente nas regiões montanhosas, nidificando em escarpas mais ou menos inacessíveis. Em voo distingue-se pelas asas largas, compridas quase retas podendo atingir 2,30 metros de envergadura.

O vigor e a destreza são particularidades que fazem da Águia-real um predador perfeito, capturando roedores, répteis e mamíferos de medio porte como a raposa. Desempenha por isso um papel importante no equilíbrio das cadeias alimentares e no ecossistema onde vive.

É uma das espécies mais emblemáticas do Parque Nacional Peneda-Gerês, mas também das mais ameaçadas na região e território português encontrando-se catalogada <<em perigo>> no Livro dos Vertebrados de Portugal.

A estricnina usada ilegalmente para combater os lobos, mas de que a águia é também vitima, o abate intencional e a pilhagem constituem, no Parque Nacional, a par da perturbação do habitat, da falta de presas e de uma taxa de reprodução baixa, os principais motivos que estão a levar ao seu desaparecimento.

Atualmente, a Águia-real é alvo de um projeto de conservação que visa melhorar o estado da população. O ordenamento dos desportos de montanha e em particular da escalada, a recuperação do habitat, a erradicação do veneno, a melhoria da fiscalização e a sensibilização para as questões de conservação da espécie e do seu habitat são algumas medidas em curso previstas no “PLANO DE CONSERVAÇÃO DA ÁGUIA-REAL.” Fonte: Parque Nacional Peneda-Gerês

Leia também:São João do Campo - Campo Gerês | Terra de Canastros e da Geira Romana - Parque Nacional Peneda-Gerês

Galeria de fotos de Cabril

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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O Ondas da Serra foi conhecer a aldeia de São João do Campo - Campo do Gerês - Terras de Bouro – Braga, situada em pleno Parque Nacional Peneda-Gerês. Neste artigo vamos dar a conhecer esta aldeia, a Albufeira de Vilarinho da Furna, os percursos pedestres da Geira Romana e da Águia do Sarilhão e uma VÍBORA que nos assustou.