O que fazer no Alentejo num roteiro de férias para 12 dias O que fazer no alentejo - Fortaleza de Juromenha, em frente ao Rio Guadiana e ao fundo o Lago do Alqueva Ondas da Serra

O que fazer no Alentejo num roteiro de férias para 12 dias

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O Ondas da Serra há muito que planeava fazer uma reportagem no Alentejo, para sentir o seu abraço caloroso, calcorrear os montados e abarcar as planícies cobertas por tons cálidos de bonança. Por esta razão decidimos passar as nossas férias em duas regiões distintas do Alto e Baixo Alentejo. Esperamos que a nossa demanda vos possa inspirar a conhecer o belo Alentejo e cumprir o slogan desta região turística, “Tempo para ser feliz”. Convidamos os nossos leitores acompanhar-nos de forma descontraída, por estes 12 dias de viajem e experenciar os nossos sentimentos e paixão renovada por esta região.

O que fazer no Alentejo - Onde passar as férias no Alentejo

O que fazer no Alentejo . Rebanho de Ovelhas na Ribeira de Lucefécit - Rosário - Alandroal

Nas nossas férias tentamos sempre escolher locais perto da água, sejam rios, cascatas, albufeiras ou mares. Por esta razão fazemos campismo, que nos dá uma maior liberdade de escolha e nos aproxima da natureza selvagem.

As nossas duas semanas de férias são divididas geralmente por dois locais distintos. O primeiro de forma a que possamos conhecer o seu património histórico, arquitetónico ou cultural e o segundo junto de áreas naturais, para conhecer a sua fauna e flora.

O Alentejo pareceu-nos cheio de pujança, numa região onde das fraquezas fizeram forças e onde os campos estão cultivados por oliveiras a perder de vista, amendoeiras, laranjais, usado para a criação de bovinos, ovinos, caprinos, suínos, equídeos ou semeados com todo o tipo de cereais. A viticultura foi bastante desenvolvida e onde se produz vinhos de excelente qualidade.

O seu artesanato tem na olaria o seu expoente máximo de representação da sua forte identidade regional.

Esta região possui um vasto leque de opções de alojamento e restauração onde pode saborear pratos tradicionais. Pode passar tempo de qualidade nas suas praias fluviais, museus e no seu rico património cheio de história. Aqui a natureza está sempre presente, vivendo uma coexistência pacifica com o progresso material, onde pode passear pelos seus trilhos, passadiços ou aldeias ribeirinhas, como Juromenha ou Capelins.

Lugares para visitar nas férias no Alentejo

Dia 01 - Férias no Alentejo - Alandroal 

Parque de Campismo do Rosário

O que fazer no Alentejo - Parque de Campismo do Rosário - Rosa Maria do Ondas da Serra

Nestas férias começamos por visitar o concelho do Alandroal, distrito de Évora, no Alto Alentejo, onde ficamos acampados no Parque de Campismo do Rosário, no Monte das Mimosas, que fica situado perto da aldeia com o mesmo nome a cerca de 10 quilómetros da sede do concelho.

Escolhemos este parque no meio de um típico monte alentejano rodeado por azinheiras, onde reina o sossego recortado pelo zumbido das cigarras e chocalhos das ovelhas, que ali perto pastam e pernoitam.

Pela manhã ao raiar do dia, as rolas empoleiradas nas oliveiras por cima das tendas, namoravam cantarejando, para desespero de alguns campistas.

Ribeira de Lucefécit

O que fazer no Alentejo - Ribeira de Lucefécit

O calor rebenta com estrondo às primeiras horas da manhã, mas ali perto corre a Ribeira de Lucefécit, um dos braços do Alqueva, que exploramos com o nosso caíque e aproveitamos para meter conversa com os parcos pescadores que encontramos nas margens. Estes homens ou têm muito azar ou são aselhas no ofício, ainda estamos à espera do primeiro que nos diga que o local é bom e que teve sorte, lá está o ditado “O segredo é a alma do negócio”.

Para quem gosta de observar aves as suas margens são refugio para garças, cegonhas e outras passaradas que por ali namoram, conversam e se alimentam.

As observações astronómicas no lago do Alqueva

Caindo a noite assistíamos maravilhados à sinfonia do Criador num Universo tão esplendoroso que nos sugava para o infinito com o seu poder de atração. O Alqueva é uma região especial para fazer observações do cosmos devido à pouca poluição atmosférica e iluminação noturna.

Por aqui existem alguns centros de observação astronómicas onde pela lente de potentes telescópios pode ver no presente o nosso passado e estrelas que podem já ter sido engolidas por um buraco negro. Nós com uns simples binóculos vimos muita atividade no céu noturno, parecia uma autoestrada congestionada, não tínhamos ideia deste movimento e se será tudo terreno, rara foi a noite que não fossemos dormir sem ver uma estrela cadente. Na próxima visita ao local, esperamos levar um telescópio para amadores e obter alguma formação básica.

Dia 02 - Férias no Alentejo - Alandroal

Manuel Fialho | Pastor de Ovelhas

O que fazer no Alentejo. Pastor de Ovelhas na Ribeira de Lucefécit - Rosário - Alandroal

Ainda o sol espreitava pela manhã e as rolas davam os bons dias, já nos levantávamos para fazer uma caminhada até à aldeia do Rosário. Antes já um pastor apascentava o rebanho junto da Ribeira de Lucefécit, Manuel Fialho, com 30 anos, natural de Pardais e residente no Rosário, disse que se tinha levantado às 06h00, para conduzir as suas 19 ovelhas, acompanhado pelo seu hiperativo cachorro.  

As casas caiadas por faixas coloridas encimadas por criativas chaminés

O que fazer no alentejo | Chaminé típica Alentejana numa casa de Rosário - Alandroal

Pelo caminho podemos apreciar no cimo dos montes, os casebres com as paredes caídas de branco e rematadas com as tradicionais faixas de azul, amarelo e vermelho. As casas são personalizadas pelas suas típicas chaminés de influência árabe, de forma cilíndrica, quadrada ou retangular, pintadas de várias formas e encimadas por criativos cata ventos. O seu tamanho pode chegar aos três metros de altura por um metro de diâmetro e poderá estar ligado ao estatuto social do seu proprietário. Alguns deles insatisfeitos mandavam construir mais do que uma chaminé para reforçar o seu estatuto.    

Aldeia do Rosário1

“Embora se desconheça a data exata da sua fundação, sabe-se por documentos que já existia no ano de 1588. Esta aldeia confronta com os antigos concelhos, a este de Juromenha e oeste e sul com Terena. Esta antiga freguesia foi extinta nos primeiros anos do século XX, tendo sido integrada na freguesia de Nossa Senhora da Conceição - Alandroal.“

Igreja de Nossa Senhora do Rosário - Rosário - Alandroal

O que fazer no Alentejo. Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Este pequeno percurso terminou junto da Igreja de Nossa Senhora do Rosário cuja construção foi iniciada no século XVI.

Alandroal “O Concelho dos Três Castelos”1

O que fazer no Alentejo. Castelo de Alandroal

“Com uma localização estratégica junto à fronteira com Espanha, através da margem direita do grande lago do Alqueva, “O Concelho dos Três Castelos”, Alandroal, Terena e Juromenha, exibe um património histórico e cultural exemplar integrado numa bela paisagem natural.”

Alandroal glorificado nos “Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões

O grande poeta que glorificou a epopeia dos Descobrimentos, Luís Vaz de Camões, cantou nos seus versos dois ilustres nascidos nesta terra, Pero Rodrigues cavaleiro português, Alcaide-Mor de Alandroal no período das Lutas da Independência de 1283-85 e Diogo Lopes Sequeira (1465-1530), fidalgo, navegador, 4 Governante da Índia de 1518 a 1522, que aportou pela primeira vez em Málaga em 1509, antes da sua conquista por Afonso Henriques. Esteve ao serviço do Rei D. Manuel I e executou com sucesso várias missões de navegação e reconhecimento.

Canto VIII - Estrofe 33

Na mesma guerra vê que presas ganha

Estoutro Capitão de pouca gente;

Comendadores vence e o gado apanha

Que levavam roubado ousadamente;

Outra vez vê que a lança em sangue banha

Destes, só por livrar, co amor ardente,

O preso amigo, preso por leal:

Pero Rodrigues é do Landroal. 

 

Canto X - Estrofe 52

Também Sequeira, as ondas Eritreias

Dividindo, abrirá novo caminho

Pera ti, grande Império, que te arreias

De seres de Candace e Sabá ninho.

Maçuá, com cisternas de água cheias

Verá, e o porto Arquico, ali vizinho;

E fará descobir remotas Ilhas,

Que dão ao mundo novas maravilhas.

Travessa dos Arcos - Alandroal

O que fazer no Alentejo. Travessa dos Arcos - Alandroal

A meio da manha fomos conhecer o Alandroal, vila dominada pelo seu castelo altaneiro e casario branco. Chegados a estes domínios percorremos a bonita e fresca Travessa dos Arcos para chegar ao centro, caracterizada pelos seus arcos que permitem a passagem para as casas vizinhas. Apesar de ser uma rua exígua, permite ver ao fundo a torre com o relógio do castelo.

História do Alandroal1

“A origem do nome Alandroal deve-se à antiga existência no local de numerosas matas de alandros ou aloendros. A sua fundação data de 1298, no reinado de D. Dinis, pela Ordem de Avis. Elevada a vila em 1486, por Carta de Foral atribuída por D. João II, viu anexados, já no século XIX, os antigos municípios de Terena e Juromenha.

Verdadeiro paraíso para apaixonados pela história e pela arquitetura, Juromenha foi, logo em 1167, um dos palcos da reconquista do Alentejo por D. Afonso Henriques e pelo lendário Geraldo Sem-Pavor. Cerca de duas décadas depois seria perdida durante a invasão do califa Almansor, sendo recuperada definitivamente em 1242, no reinado de D. Sancho I.”

Castelo do Alandroal1

O que fazer no Alentejo. Interior do Castelo de Alandroal

O bonito castelo desta vila possui muralhas que permitem uma vista soberba sobre a vila e as planícies em redor e imaginar-se uma sentinela medieval, a patrulhar o local pelo caminho da ronda, atento ao horizonte para dar o alerta à chegada dos sarracenos, tropas de castelã ou leão. 

“Este Castelo Medieval do século XIII, foi fundado por D. Lourenço Afonso, Mestre da Ordem de Avis, a mando do Rei D. Dinis, entre 1294 e 1298, teve assinatura de um arquiteto muçulmano, cujo nome surge numa inscrição localizada no torreão direito da porta do castelo onde se lê, “Eu, Mouro Galvo”. Típica fortificação gótica, com portas ogivais, vários torreões e uma altiva torre de menagem adossada à muralha acomodava um pequeno bairro.

No seu interior estão devidamente assinalados: a porta e torre dos paços, praça de armas, caminho da ronda, aposentos térreos, porta da vila e a torre de menagem.

Dentro das suas muralhas merece visita a Igreja Matriz do século XVI. O vasto átrio do castelo tem outros portões fortificadas que permitem sair para conhecer outras zonas da vila.”

Fonte da Praça - Alandroal1

O que fazer no Alentejo. Fonte da Praça - Alandroal

“Na Praça da República, merece atenção a Fonte Monumental, obra do barroco ladeada por duas esculturas e com origem nos séculos XVII e XVIII. A fonte foi mandada construir no reinado de D. Pedro II, tendo sido remodelada no mesmo século. Apresenta uma caixa imponente, toda revistada a mármore da região. Destinava-se ao abastecimento humano, debitando a água por seis carracas leoninas, lateralmente tem uma tanqueta destinada a ser utilizada como bebedouro animal.

A fonte das seis bicas com cabeças de leão

O que fazer no Alentejo. Fonte da Praça - Fonte das Seis Bicas- Alandroal

A fonte possui seis bicas, representadas por cabeças de leões, conhecida como Bica das Feiticeiras, Santo António, Namorados, Reis, São Pedro e São João. A fachada é ritmada por quatro pilastras embelezadas por florões pendentes e rematada por frontão enquadrado por urnas incendiárias e centrado pelas armas coroadas do reino. Foi amputada recentemente, devido ao furto, dos dois bustos que a enobreciam. Nos mármores dos brancos laterais há vestígios de quatro jogos de covinhas.”

Igreja da Misericórdia Alandroal1

O que fazer no Alentejo. Igreja da Misericórdia - Alandroal

“Conjunto de duas igrejas paralelas uma quinhentista e outra setecentista comunicantes através da capela-mor. Com uma interessante integração da igreja primitiva na atual, destaca-se a porta principal com as armas de D. João V. Igreja do século XVIII, é do estilo barroco da época Josefina. No seu interior salientam-se o retábulo em talha dourada da capela-mor.”

A restauração Alentejana

O nosso primeiro almoço Alentejano foram migas com carne de porco. Duma forma geral durante estas férias nos restaurantes que frequentamos a qualidade e quantidade da comida foi sofrível ou razoável e os preços a escaldar como a temperatura exterior. Neste âmbito ficamos um pouco defraudados, para a próxima temos que estudar melhor esta matéria para não sermos surpreendidos.

História e Evolução da Raça Bovina Alentejana2

O que fazer no alentejo - História e Evolução da Raça Bovina Alentejana

Ao regressar ao Rosário paramos junto a um monte para observar centenas de cabeça de gado da raça Alentejana, que nos ficaram também a minar.  

“Os bovinos autóctones da região Alentejana representam uma forma primitiva e milenar da espécie bovina e disso são prova os fósseis existentes no Museu dos Serviços Geológicos de Lisboa, pelas semelhanças que apresentam com peças correspondentes aos atuais bovinos (Andrade, 1948). O mesmo autor refere que o gado bovino Alentejano é derivado de uma forma meridional do Bois primigenius, que se terá desenvolvido no sul da Península Ibérica e que terá emigrado para África, tendo regressado à Península Ibérica depois da última glaciação.”

Padrão da Raça Bovina Alentejana2

“Aspeto Geral - A conformação desta raça advém das condições climáticas e regime alimentar a que foi sujeita ao longo dos anos. Este tipo de regime muito desequilibrado originou-lhe um grande desenvolvimento, da região abdominal e de toda a sua estrutura óssea. O desenvolvimento da tão caraterística barbela com as suas sete pregas, não é mais do que o aumento da área de transpiração dos animais permitindo-lhes, assim, suportar com melhor eficiência as amplitudes térmicas a que estão sujeitos;

Pele e pelagem - Vermelha, podendo ir do retinto ao trigueiro, sendo os pelos todos da mesma cor. São excluídos da raça, animais com interpolações de pelos brancos ou pretos em qualquer zona do corpo, exceto na borla da cauda onde se permitem os pelos brancos interpolados. As aberturas naturais são de cor rosada e normalmente desprovidas de pelos, podendo ter várias tonalidades de rosa;

Cabeça - Bem desenvolvida e com um tamanho considerável. A sua maior largura é por cima dos olhos, o chanfro é reto ou ligeiramente convexo.”

Durante a tarde fomos andar de caíque na Albufeira de Lucefecit, desta forma podemos amenizar o calor que se fazia sentir pela proximidade da água. Acabamos este dia como se tornou hábito a observar o cosmos a refletir sobre o nosso lugar nesta engrenagem e agradecer ao Universo por podermos celebrar a sua criação.

Dia 03- Férias no Alentejo - Alandroal

Montes e Montado Alentejano

O que fazer no alentejo. Montes Alentejanos

Reservamos este dia para conhecer a Praia Fluvial de Reguengos de Monsaraz, pelo caminho profundamente embrenhados no Alto Alentejo foi raro ver pessoas ou automóveis. Aqui a natureza pintou singularmente belos quadros nos montes, em tons pardos, pontilhado no horizonte pelas azinheiras emolduradas pelo azul celeste.

Aldeia de Cabeça do Carneiro


O que fazer no alentejo. Aldeia de Cabeça de Carneiro - Santiago Maior - Alandroal - Évora

Depois de muitos quilómetros a civilização deu sinal de vida na aldeia de “Cabeça de Carneiro”, onde o gado bovino Alentejano não está delimitado por arame farpado, mas deambula livremente vigiado por um pastor com o seu dinâmico cão.

Aldeia de Motrinos - Reguengos de Monsaraz - Évora

O que fazer no alentejo - Casa e chaminé tipicas na aldeia de Motrinos - Reguengos de Monsaraz - Évora

Paramos na Aldeia de Motrinos - Reguengos de Monsaraz - Évora, para tomar café e apreciar a sua beleza. Esta é uma típica aldeia alentejana, com o baixo casario vestido de branco.

Aldeia de Motrinos - Das oito chaminés de escuta

O que fazer no alentejo - Casa e chaminé tipicas na aldeia de Motrinos - Reguengos de Monsaraz - Évora

Esta aldeia caracteriza-se pelas suas ricas oito chaminés de escuta com símbolos de proteção, todas decoradas, segundo apuramos a mais antiga é do século XVII.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo – Motrinos3

O que fazer no alentejo - Igreja de Nossa Senhora do Carmo – Motrinos - Reguengos de Monsaraz - Évora

“Dado o aumento populacional da aldeia dos Motrinos e os difíceis acessos à vila de Monsaraz sede de Concelho e de Freguesia, decidiu o padre Manuel Soeiro de Morais, prior da paróquia de S. Tiago, construir com a ajuda da população uma igreja cuja obra ficou pronta por volta do ano de 1750. Tendo o referido padre deixado dinheiro para que se comprassem duas vacas, autorizadas a pastar na Coutada de Monsaraz e com o produto das referidas vacas se fosse comprando os adornos e alfaias necessárias à igreja. O novo prior de S. Tiago, Manuel Gomes Cunqueiro Velho disse em 1758 que naquela igreja da Nossa Senhora do Carmo, se celebrasse missa todos os Domingos e dias Santos, paga pela população da Barrada e dos Motrinos.

Esta igreja foi vitima de um grande incêndio nos primeiros anos de 1900, provocado pelo fogo de artificio que se encontrava guardado na sacristia. Depois de reparada continuou sendo filial da igreja Matriz de Monsaraz dado que a freguesia de S. Tiago já tinha sido extinta em 1848.”

Fonte e Chafariz do Telheiro – Reguengos de Monsaraz4

O que fazer no Alentejo. Fonte e Chafariz do Telheiro – Reguengos de Monsaraz

Já tínhamos entrados nos domínios de Monsaraz, onde a fortaleza dominante intimida os forasteiros, mas que acalma os nossos guerreiros pelas armas que dançam ao vento, com as cores da bandeira nacional e relembrar a outros povos que aqui mandam os bravos lusitanos.

Pelo caminho chamou-nos atenção a Fonte e Chafariz do Telheiro, que conta uma singular história: 

Brasão Municipal na Fonte e Chafariz do Telheiro – Reguengos de Monsaraz4

O que fazer no alentejo. Brasão Municipal de reguengos de Monsaraz na Fonte e Chafariz do Telheiro

“A atual Fonte do Telheiro foi edificada em 1723 para substituir o antigo Poço da Vila. Tem uma cúpula de meia laranja, pináculos agudos aos cantos e frontões com enrolamento ao gosto barroco. Cerca de 1930 recebeu obras que incluíram o esgrafito com o brasão municipal que subsiste no lado norte.

O Chafariz do Telheiro, que durante séculos abasteceu Monsaraz, mantém a estrutura medieval primitiva do tempo de D. Fernando, Conde de Arraiolos e futuro 2 Duque de Bragança, que ordenou a sua construção em 1422.” 

Albufeira do Alqueva – Maior Lago Artificial da Europa

O que fazer no Alentejo. Albufeira do Alqueva – Maior Lago Artificial da Europa

A Barragem de Alqueva em arco português, fica situada no rio Guadiana, a sua construção permitiu a criação do maior reservatório artificial de água da Europa Ocidental, também chamado de grande lago.

Esta obra veio definitivamente trazer prosperidade a esta região que abrange os municípios de Moura, Reguengos, Mourão, Portel, Alandroal, Serpa, Barrancos e Vidigueira. Aqui pode fazer passeios de barco, atividades aquáticas, observação astronómica e experiencias como balonismo.

Praia fluvial de Reguengos de Monsaraz

O que fazer no Alentejo. Praia fluvial de Reguengos de Monsaraz

A Praia Fluvial de Reguengos de Monsaraz fica situada numa península fluvial, com espaços bem ordenados e locais para estacionar. O areal é extenso e existem zonas concessionadas com relva e aluguer de sombrinhas. Se for cedo pode aproveitar para ficar nas sombras de algumas azinheiras que ali existem.

A água da albufeira tem uma temperatura agradável, mas nas horas de maior calor é difícil permanecer fora dela. Aqui existe uma boa oferta de restauração a preços equilibrados, onde pode saborear como nós um fresco vinho branco da região.

Se quiser pode fazer várias atividades aquáticas que as empresas locais proporcionam, como passear de barco e dançar ao som da música.

Monumento ao Cante Alentejano - Monsaraz5

O que fazer no Alentejo. Monumento ao Cante Alentejano - Monsaraz

Durante a tarde fomos visitar a fortificação de Monsaraz, na subida do monte para a fortaleza paramos para ver a magnifica vista sobre o Lago do Alqueva, “Que para alguns trouxe prejuízo pra muitos eu preconizo será farta a sua mesa”, conforme canta acertadamente a música “Barragem do Alqueva,” do Grupo de Cantares Regionais, “Amantes do Alentejo”.

Aqui podemos também admirar o monumento ao Cante Alentejano, que foi considerado pela UNESCO, “Património Cultural Imaterial da Humanidade”. Esperamos que esta distinção ajude na preservação desta tradição que em nossa opinião representa a alma deste nosso povo e que só escutando ao vivo pode ser totalmente aprendido pelos sentidos, pelas vozes, rostos e movimentos dos homens alentejanos.

“Monumento inaugurado no dia 18 de julho de 2015 pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, e pelo Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Monsaraz, Jorge Nunes, na presença da população e dos Grupos Corais da Casa do Povo de Reguengos de Monsaraz, da Freguesia de Monsaraz, Gente Nova de Campinho, “Os Amigos do Cante” de São Marcos do Campo – Falcões, “Os Bel’Aurora de Campinho e de Perolivas.”

Fortificação de Monsaraz5

O que fazer no alentejo. Fortificação de Monsaraz

Esta fortificação merece ser visitada pela forma como está preservada, pela beleza que encontra ao virar de cada esquina, com uma vista soberba sobre o Alqueva e campos em redor. Aqui pode encontrar vários monumentos históricos, religiosos, exposições, lojas de artesanato, estabelecimentos de restauração e bebidas, alojamento e serviços públicos essenciais. O que também nos alegrou foi ver a nossa bandeira esvoaçar ao vento no alto do castelo e prestar homenagem aos nossos valorosos guerreiros que se não pelejassem com acervo teríamos porventura agora outra em seu lugar.

História de Monsaraz - Cidadela inexpugnável5

O que fazer no alentejo. Castelo de Monsaraz

"Devido à sua posição geográfica a colina de Monsaraz sempre ocupou um importante lugar na história do Concelho, tendo sido ocupada por diversos povos desde a pré-história. No séc. XIII, Monsaraz cai sob domínio do islão através das invasões muçulmanas que ocuparam grande parte da Península Ibérica. Passou a designar-se Saris ou Sarish e a pertencer ao reino de Badajoz, um dos maiores e mais importantes focos da cultura árabe.

Em 1167, foi conquistada aos muçulmanos por Geraldo Sem Pavor numa expedição que partiu de Évora, também esta recém-conquistada. Após a derrota de D. Afonso Henriques em Badajoz, Monsaraz cai novamente em poder dos árabes. Em 1232, apoiado por cavaleiros templários, D. Sancho II reconquista-a em definitivo, sendo posteriormente doada à Ordem do Templo.

O que fazer no alentejo.Castelo e Fortificação Medieval de Monsaraz

Após as guerras de 1383-1385, a Vila de Monsaraz é integrada na Casa de Bragança e passa a ser uma das mais preciosas fontes de rendimento da grande casa ducal portuguesa.

Em 1512, D. Manuel concede novo foral à Vila de Monsaraz, reformulando a vida pública e jurídica do Concelho. Após a Restauração de 1640, a Vila recebeu importantes acrescentos táticos, como o levantamento de uma nova cintura abaluartada, tornando-se numa poderosa “cidadela inexpugnável”, interligada com o sistema defensivo de Elvas, Juromenha, Olivença e Mourão.”

Castelo e Fortificação Medieval de Monsaraz5

O que fazer no alentejo | Castelo e Fortificação Medieval de Monsaraz

“As obras têm início após a Reconquista Cristã e prolongam-se por vários reinados. Visando incrementar o povoamento e a sua defesa, o rei D. Afonso III, pela mão do cavaleiro Martim Anes, começa a erguer a nova alcáçova e as cinco torres quadrangulares que a compõem, o cubelo e o troço da barbacã sul.

No reinado seguinte, sob a égide do rei D. Dinis, procede-se à construção da Torre de Menagem e quase toda a barbacã exterior. Por fim, D. Fernando constrói a cortina interior de separação do alcácer com o casario da vila. A muralha que delimita a praça de armas é constituída em pedra de xisto e cal reforçada por torres, ao passo que os panos de alvenaria que rodeiam a vila se encontram assentes em xisto, granito, argamassa de barro e cal.”

Um Castelo transformado em Praça de touros5

O que fazer no alentejo. Praça de touros do Castelo de Monsaraz

“Por volta de 1830 as antigas edificações da praça de armas do castelo de Monsaraz encontravam-se em adiantado estado de ruína mercê do abandono humano do edifício militar. Os habitantes de Monsaraz começaram então a erguer a sua “praça de touros”, aproveitando os materiais dessas antigas construções e tirando pedras de que precisam de alguns troços da muralha que também se encontrava em ruína. Desde então, é tradição realiza-se nessa praça a habitual corrida de touros das Festas em honra do Senhor Jesus dos Passos.”

Igreja Nossa Senhora da Lagoa - Monsaraz5

O que fazer no Alentejo. Igreja Nossa Senhora da Lagoa - Monsaraz

No Largo D. Nuno Álvares desta cidadela, destacamos para visitar as Igrejas de Nossa Senhora da Lagoa e da Misericórdia e o Museu do Fresco.

“A primitiva igreja Nossa Senhora da Lagoa gótica é construída na segunda metade do século XIII, sendo a sua referência mais antiga do tempo do rei D. Dinis.

Em virtude da peste negra que assolou a região, a igreja original desaparece no reinado de D. João I, dando azo à construção de uma nova Matriz, uma vez que as reduzidas dimensões do edifício não permitiam o sepultamento da população local.

A construção da atual igreja matriz, da responsabilidade do arquiteto Pêro Gomes, é do século XVI, baseada no estilo renascentista, com três naves apoiadas em quatro colunas toscanas, onde predomina o xisto regional.

O frontão encontra-se decorado com um painel de azulejos e encabeçado por uma Cruz da Ordem de Cristo, representativo de Nossa Senhora da Conceição. O altar-mor, composto por talha dourada, manifesta duas esculturas em madeira que representam Santo Agostinho e Santa Mónica. O seu interior está ornamentado com decorações artísticas dos séculos XVII e XVIII e com oito capelas laterais.

É essencial destacar o túmulo de Gomes Martins Silvestre, primeiro alcaide e povoador de Monsaraz, construído em mármore de Estremoz, cuja face frontal mostra um cortejo fúnebre onde desfilam diversas figuras e no topo uma figura alusiva à atividade do cavaleiro templário.”

Montado de Porcos da Raça Alentejana

O que fazer no alentejo. Porco Preto da Raça Alentejana

Ao regressarmos ao Rosário vimos uma exploração de suínos perto de Terena, da raça Alentejana, mais conhecidos por “porco preto”.

História e Evolução2

“O Porco de Raça Alentejana é, na pecuária extensiva, o melhor exemplo do animal perfeitamente adaptado ao ecossistema Montado e ao habitat que este lhe proporciona. Reúne todas as condições de exploração dos recursos naturais do Montado tirando, por um lado, partido e maximização dos seus resultados e rendimentos e, por outro, conseguindo resistir às condições adversas da natureza, utilizando a gordura acumulada durante a montanheira ao longo do ano.

O que fazer no alentejo. Reserva Ecológica Nacional dos concelhos de Alvito e de Ferreira do Alentejo e Albufeira de Odivelas e Alvito. Bolotas.

O Porco Alentejano tem um grande potencial de transformar bolota em carne podendo, assim, ser encarado como um animal que no período de Montanheira acumula gorduras que lhe vão proporcionar, no resto do ano, reservas que permitem complementar as alimentações umas vezes pobres e de deficiente constituição e, outras vezes, muito escassas e transformá-las em motor da vida até à próxima montanheira.

O binómio porco/montado que “o porco está para a bolota e para o montado, como o camelo está para a água e para o deserto”. Foi este binómio que, através dos tempos, o transportou junto dos povos suportando com eles as farturas e as minguas daqueles que a todo o momento ficam dependentes do rigor da natureza.”

Dia 04 - Férias no Alentejo - Alandroal

Fortaleza de Juromenha a Sentinela do Guadiana

O que fazer no alentejo. Fortaleza de Juromenha a Sentinela do Guadiana

Continuando os nossos descobrimentos pelo Alandroal fomos conhecer Juromenha, pelas constantes referências elogiosas que nos chegaram e que são merecidas. Esta terra situada numa posição estratégica junto ao Rio Guadiana, ao longo da nossa história esteve sempre de atalaia às gentes de Castela que sempre nos quiserem conquistar.

História de Juromenha1

“Conhecida como a “sentinela do Guadiana”, por se encontrar num cerro elevado sobre as margens do rio, esta povoação, em particular o seu castelo, parece ter tido uma fundação bastante antiga. A construção da estrutura medieval mostra aproveitamento de materiais de construção romanos e visigóticos, não se podendo afirmar com certeza que tenha tido ocupação dessa época.

As primeiras referências a Juromenha aparecem em textos árabes por volta dos finais do século VIII e, sobretudo, no século IX, quando os muladis – povos muçulmanos de origem ibérica – insatisfeitos com a sua posição na estrutura social islâmica se começam a revoltar e se constituem movimentos de autonomia. Após o fim do califado de Córdova, no início do século XI, e do fim do reino taifa de Badajoz (ao qual Juromenha pertence) os dois movimentos reformistas berberes, Almorávidas e Almóadas, são quem governa na região até esta ser conquistada, em 1167 por Geraldo sem Pavor, a quem se diz que D. Afonso Henriques nomeou alcaide. Na última fase de ocupação islâmica acredita-se que Juromenha tenha sido uma azóia, local defendido por muçulmanos voluntários que dividiam o tempo entre as atividades bélicas e espirituais. Desta cronologia pertencem a porta, as torres que a ladeiam e o pano de muralha em taipa militar.

Já no período cristão recebe a sua carta de foral de D. Dinis em 1312, que manda reforçar as muralhas e em 1515 recebe de D. Manuel o segundo foral. Durante a Guerra da Restauração foi construída a fortaleza abaluartada, adaptada à nova artilharia, de planta poligonal composta por duas cinturas de muralha, seguindo o modelo tipo Vauban. Ainda decorriam estas obras quando, em 1659, explodiu o paiol de pólvora danificando gravemente boa parte das estruturas.

Fortaleza de Juromenha em ruínas

O que fazer no Alentejo. Interior da Fortaleza de Juromenha em ruínas

No interior das muralhas destacam-se, já em ruínas, as igrejas da Misericórdia e de São Francisco e a Igreja Matriz de Nª Sra. do Loreto- que se pensa ter origem em meados do século XIII, com o nome de Santa Maria- a cadeia, os antigos Paços do Concelho e a cisterna."

Igreja da fortaleza de Juromenha em ruínas

O que fazer no Alentejo.Igreja no interior da fortaleza de Juromenha em ruínas

Esta fortaleza possui uma bonita vista para o Rio Guadiana e Espanha. O seu interior está uma lastima, com vários edifícios em ruínas, embora já tenham começado timidamente a proteger o local, colocando um teto na igreja principal. Esta antigo templo foi bastante vandalizada, mas onde a mão humana não chegou ainda se podem ver frescos e pinturas originais do altar.

Mulheres Alentejanas de Juromenha

O que fazer no alentejo. Mulheres Alentejanas de Juromenha - Alandroal

Quando chegamos a Juromenha falamos com duas mulheres que estavam na cavaqueira sentadas na soleira duma porta, Maria Roseti, 72 anos e Antónia Camelo, com 88 anos. Estas simpáticas senhoras falaram-nos na lenda de Rainha Mena, segundo conta o povo, o Rei irmão queria tomá-la à força, ela para evitar a ofensa matou-se atirando-se abaixo da torre do castelo gritando “Juro Menha”.

PR5 – Percurso Pedestre “Juromenha, Sentinela do Guadiana”

O que fazer no Alentejo. PR5 - Juromenha, Sentinela do Guadina - Caminhada Juromenha

Para conhecer Juromenha decidimos fazer o PR5 – Percurso Pedestre “Juromenha, Sentinela do Guadiana”. Queremos chamar atenção dos nossos leitores que no Alentejo para fazer caminhadas deve começar quando o sol nascer, porque a partir das 11h00 o calor torna-se insuportável. Este é um percurso muito bonito para fazer e se gostar de fazer observação de pássaros leve os seus binóculos que nas margens do rio poderá encontrar várias espécies de aves. 

Almoço com peixe do rio 

Almoçamos num restaurante local onde comemos peixe do rio, com um sabor particular, ao som do grupo “Grupo Instrumental Banza”, que são de Beja, mas vivem em Lisboa.

Humberto Delgado – General Sem Medo

Do outro lado do Guadiana fica Espanha e terra "Los Almerines", de má memória para os amantes da liberdade, da honra e coragem e onde um dia uma brigada da PIDE, assassinou o General Sem Medo, Humberto Delgado e a sua secretária, Arajaryr Campos, tendo depois os corpos sido transportados para “Villanueva del Fresco”.

Castelo de Terena1

O que fazer no Alentejo. Castelo de Terena - Alandroal

No regresso ao Rosário paramos na bonita vila de Terena. “O seu foral data de 1262, mas o castelo só foi edificado no século XV, constituindo um exemplar notável duma Fortaleza Senhorial do período manuelino. A sua construção foi ordenada por D. João I, Monarca que integrou o burgo no patronato da Ordem de Avis. 

Pormenores da construção do Castelo de Terena

O que fazer no Alentejo. Castelo de Terena - Alandroal

"A fortaleza é constituída pela porta da vila, barbacã, torre de menagem, porta da traição, torreões e muralha e adarve. Na Torre de Menagem esteja atento ao pormenor do aparelho de seteiras cruciformes e bombardeiras.“

Capela de Nossa Senhora da Boa Nova1

O que fazer no Alentejo. Capela de Nossa Senhora da Boa Nova - Terena - Alandroal

Da fortaleza de Terena pode avistar ao fundo a Capela de Nossa Senhora da Boa Nova, onde estão a decorrer obras de conservação, sendo caracterizada pelos seus magníficos frescos.

“Trata-se de um templo-fortaleza, de planta em cruz grega, com três pórticos de arcos ogivais góticos, encimados por balcões defensivos, decorados com as armas reais portuguesas. No interior, de linhas góticas, os altares colaterais são em talha dourada, do século XVIII. Os alçados da nave foram pintados, no século XIX, por Silva Rato, de Borba. O púlpito é da mesma época. No presbitério, a abóbada é coberta por pinturas que representam os reis portugueses até D. Afonso IV e algumas cenas do Apocalipse de São João. O retábulo, maneirista, é do século XVI.”

Igreja São Pedro de Terena10

O que fazer no Alentejo. Igreja de São Pedro de Terena - Alandroal

"De acordo com testemunhos a Igreja Matriz é anterior a 1394, e está situada na elevação mais alta da vila. Segundo reza a tradição esta é a segunda Igreja Matriz, sucedendo assim à primeira Igreja que hoje é conhecida como Santuário da Boa Nova. Das origens, conservam-se as estátuas góticas do Padroeiro e Santa Catarina Mártir em mármore expostos nos acrotérios da fachada principal. Sofreu alteração no século XVI, de cujo período são os vestígios da ábside, de abóbada nervurada, e outros. No século XVIII foram executadas o retábulo de talha dourada do altar-mor e o púlpito, em mármore."

Museu da Torre do Relógio de Terena

O que fazer no Alentejo. Museu da Torre do Relógio de Terena - Alandroal

O Museu da Torre do Relógio de Terena foi inaugurado em julho de 2021. Ao subir a fresca e exígua escadaria empedrada da torre do relógio poderá ver alguns quadros com alguma história da Vila de Terena, bem como o relógio de corda ainda a funcionar e no topo uma vista panorâmica sobre a Vila de Terena com o seu castelo.

O relógio de corda foi construído por, Manuel Francisco Cousinha, nascido no final do Séc. XIX, em Sobral Magro, freguesia de Pomares, concelho de Arganil, e falecido em Almada em 1692. Este relojoeiro foi o introdutor em Portugal, da técnica de relojoaria mecânica de torre da era moderna.

Dia 05- Férias no Alentejo - Alandroal

Porcas da raça alentejanas

O que fazer no Alentejo.Porcas pretas da raça Alentejana - Alandroal

Este foi um dia sui generis, começamos pela manhã bem cedo no Rosário e seguindo as indicações tentamos visitar a Anta do Monte de Santa Luzia, que segundo as placas informativas parecia ser já ali. O problema foi que andamos muitas quilómetros e não encontramos nada, até fomos perguntar sem resultados a uma idosa da herdade “Monte de Santa Luzia”. Desistimos e no caminho de volta pelo menos encontrámos uma exploração de porcas da raça alentejanas, da cor preta e bem nutridas.

Fomos então em direção a Reguengos de Monsaraz, onde ficamos maravilhados com os vastos hectares de vinhas plantadas. Nesta cidade tentamos em vão ir a tempo de fazer uma visita guiada à conhecida Adega José de Sousa. Fomos depois tentar a visita na Adega Carmim, mas por causa da pandemia deixaram de fazer visitas temporariamente.

Ainda fomos a tempo de visitar o Centro Oleiro de São Pedro do Carval, mas a importância e riqueza desta arte artesanal merece uma nova visita mais detalhada.

Fomos retemperar forças num restaurante em Monsaraz com vista para o Alqueva e à tarde regressar pela última vez nestas férias à praia fluvial desta terra e nadar nas suas temperadas águas.  

Centro Oleiro de São Pedro do Corval5

O que fazer no Alentejo. Artesanato louça em barro de São Pedro do Corval - Reguengos de Monsaraz

“A tradição da cerâmica em São Pedro do Corval remonta aos tempos pré-históricos, graças à existência de depósitos de argilas com caraterísticas específicas nesta zona do Concelho de Reguengos de Monsaraz, que motivaram desde sempre esta atividade.

Por entre potes, rodas de oleiros e fornos descobrem-se peças utilitárias tradicionais únicas que nos transportam para os tempos antigos em que o barro se moldava às necessidades dos trabalhos dos campos e das vidas humildes no Alentejo.

Atualmente encontramos em São Pedro do Corval verdadeiras obras de arte, quer na forma, quer na decoração – a pintura cerâmica – feitas com um saber ancestral e uma estética caraterística da região. Aliado à experiência única de poder ver ao vivo o barro a ser moldado pelas experientes mãos do mestre oleiro na sua roda e de poder partilhar dos seus conhecimentos e vivências, São Pedro do Corval, com mais de duas dezenas de olarias em constante funcionamento é por excelência o maior centro oleiro do país e um dos maiores da Península Ibérica.”

Festa Ibérica da Olaria e do Barro5

“A ‘Festa Ibérica da Olaria e do Barro’, é um evento transfronteiriço que une há quase duas décadas os dois maiores centros oleiros da Península Ibérica, nomeadamente São Pedro do Corval (Portugal) e Salvatierra de los Barros (Espanha). Desta forma pretende-se promover e comercializar as peças de olaria que se produzem nas duas localidades.

A “Festa Ibérica da Olaria e do Barro”, é organizada em anos alternados em cada município e tem como objetivo valoriza a olaria, chamar atenção para o seu valor artesanal e artístico e apontar estratégias para o seu desenvolvimento económico e profissional.”

Dia 06 - Férias no Alentejo - Odivelas - Ferreira do Alentejo

Reserva Ecológica Nacional dos concelhos de Alvito e de Ferreira do Alentejo e Albufeira de Odivelas e Alvito

O que fazer no Alentejo. Reserva Ecológica Nacional dos concelhos de Alvito e de Ferreira do Alentejo. Albufeira de Odivelas e Alvito

Depois destes dias cheios de atividade deslocarmos para o Baixo Alentejo, mais precisamente para a Reserva Ecológica Nacional dos concelhos de Alvito e de Ferreira do Alentejo, ficando alojados no Parque de Campismo da Barragem de Odivelas, situada no seu interior.

Reserva Ecológica Nacional6

O que fazer no alentejo.Reserva Ecológica Nacional dos concelhos de Alvito e de Ferreira do Alentejo e Albufeira de Odivelas e Alvito. Libélula

“A Reserva Ecológica Nacional (REN) é uma estrutura biofísica que integra áreas com valor e sensibilidade ecológicos ou expostas e com suscetibilidade a riscos naturais. É uma restrição de utilidade pública que condiciona a ocupação, o uso e a transformação do solo a usos e ações compatíveis com os seus objetivos.”

Barragem de Odivelas - Ferreira do Alentejo7

O que fazer no Alentejo. Barragem de Odivelas e Alvito

“A barragem de Odivelas, fica situada no interior da Reserva Ecológica Nacional dos concelhos de Alvito e de Ferreira do Alentejo, na bacia hidrográfica do rio Sado, na ribeira de Odivelas, ocupa uma área de cerca de 973 ha, tendo sido construída em 1972, com a finalidade primária de regadio, constituindo hoje uma importante infraestrutura hidroagrícola que se encontra integrada na segunda fase de execução do plano de rega do Alentejo e que faz parte do empreendimento de fins múltiplos do Alqueva.”

Parque de Campismo de Odivelas - Ferreira do Alentejo - Tenda do Ondas da Serra

O que fazer no Alentejo. Parque de campismo de Odivelas - Ferreira do Alentejo. Tenda do Ondas da Serra.

Nas imediações deste parque de campismo constatamos logo a riqueza a nível florestal, paisagística e tranquilidade. Passamos por cima da barragem de Odivelas, pelo frondoso parque de merendas e depois de percorrer algumas centenas de metros por caminhos de terra batida, chegamos ao nosso destino.

Tivemos a sorte de conseguir um local com uma vista soberba sobre a albufeira, a poucos metros de várias baias, onde todos os dias bem cedinho nos banhávamos nas suas tépidas águas.

Os animais da Reserva Ecológica Nacional do Alvito e Ferreira do Alentejo

O que fazer no Alentejo. Reserva Ecológica Nacional de Ferreira do Alentejo e Alvito, proteção dos coelhos e lebres

A riqueza desta reserva fica bem demonstrada na sua rica fauna e flora, onde coabitam melgas, mosquitos, vespas, centopeias, formigas, escorpiões, javalis, raposas, doninhas, furões, bufos reais, coelhos, cobras, lagartinhas, lagartas dos pinheiros e 100 espécies de aves.

Aqui podemos destacar os coelhos e as lebres, que vivem às centenas, em luras abertas no meio de vegetação terrestres, ou há sombras das árvores e que não se assustam com a presença humana só fugindo em última instância com alguma relutância. Pela manhã ao romper do dia e ao final da tarde, estes animais saem das luras para se alimentarem. Esta sua atividade alerta os predadores, por isso é comum serem sobrevoados por bufos reais e outras águias para tentarem caçar um mais incauto.

A proibição da utilização de embarcações com motor auxiliar na Albufeira de Odivelas

O que fazer no Alentejo. Parque de campismo de Odivelas - Ferreira do Alentejo

Em virtude da água desta albufeira ser usada para alimentação humana, no regadio e ser uma reserva ecológica, não é permitido em toda a sua extensão, a navegação barcos a motor e motos de água, para não poluir e manter a tranquilidade.  Por esta razão também não se pode ouvir música com o volume muito alto, para desgosto de miúdos e graúdos.

Não há restrições para o uso de caíques, barcos à vela, gaivotas e todos os divertimentos aquáticos que não usem motor auxiliar e por aqui há muitas baias e locais recônditos para explorar.

Dia 07- Férias no Alentejo - Odivelas - Ferreira do Alentejo

Quinta de animais do Parque de Campismo de Odivelas - Ferreira do Alentejo

O que fazer no Alentejo. Quinta de animais do Parque de Campismo Odivelas - Ferreira do Alentejo

Neste dia levantámo-nos cedo e fomos conhecer a área à volta do parque de campismo, percorrendo a margem da albufeira, para incomodo dos coelhos e lebres.

Maria José Morgado, a tratadora dos animais

O que fazer no Alentejo. Maria José Morgado a tratadora dos animais na quinta do Parque de Campismo Odivelas - Ferreira do Alentejo

A nossa caminhada levou-nos até à quinta dos animais do parque, onde posemos em sobressalto, os cães, galinhas, cavalos, burros e ovelhas, porque percebemos que estavam à espera do desjejum matinal, que chegou com a sua tratadora Maria José Morgado, que vive em Odivelas.

Estivemos a conversa com esta simpática Alentejana que já aqui trabalha há 15 anos. Contou-nos que estava a dar um miminho aos animais, porque as ovelhas têm muito feno para comer no campo. Quando entra no recinto deve ter cuidado porque se levar um saco de comida os carneiros dão-lhe marradas.

Lembra-se de um dia um grande Bufo Real, ter entrado no galinheiro e ficado preso nas redes. Quem o salvou foi o seu patrão que lhe colocou um casaco por cima e o libertou.

Há cerca de três anos, uma raposa era vista assiduamente, caminhando no pequeno muro da piscina, tendo-a visto a desenterrar ali perto, o resto duma pata de coelho. Ela começou a dar-lhe ração e o animal foi-se aproximando sem medo para comer.

Dia 08- Férias no Alentejo - Odivelas - Ferreira do Alentejo

O nascer do sol na Albufeira de Odivelas e Alvito

O que fazer no Alentejo. Nascer do sol na Albufeira de Odivelas e Alvito

Acordamos bem cedo para assistir ao nascer do sol às 06h42, não há palavras para descrevermos a sua beleza e fizemos um “Puja”, para agradecermos à natureza esta oportunidade para celebrarmos a sua criação. Depois do um frugal desjejum fomos caminhar até à barragem e ver nas suas encostas centenas de pássaros alheios à nossa presença a bailarem em coreografias encenadas pela liberdade e necessidade de apanham os insetos que por ali esvoaçavam.

Os homens do Café Abelha em Odivelas - Ferreira do Alentejo

O que fazer no Alentejo. Homens a conversar no exterior do Café Abelha - Odivelas - Ferreira do Alentejo

Fomos depois a Odivelas, onde na Padaria Tobias, compramos pão alentejano com chouriço que comemos com café no “Café Abelha”. No exterior os homens reunidos à volta dum banco conversavam animadamente.

As plantações em redor de Odivelas

O que fazer no Alentejo. Casas típicas Alentejanas em Odivelas - Ferreira do Alentejo

Visitamos o exterior da Igreja de Santo Estevão e as grandes extensões de terreno à volta plantadas com todos os tipos de culturas e árvores de fruto. No litoral onde vivemos damos tudo por garantido, por aqui ter um multibanco é tão raro que tem honras de ter uma placa para o assinalar. 

Ferreira do Alentejo

Ainda durante a manhã fomos às compras e conhecer Ferreira do Alentejo, conhecida também por Ferreira, pertencente ao distrito de Beja. Esta vila está bem desenvolvida e onde se podem encontrar nas suas ruas muitos migrantes de origem Indiana e de etnia cigana que trabalham na agricultura local. 

Capela do Calvário ou de Santa Maria Madalena8

O que fazer no Alentejo.Capela do Calvário ou de Santa Maria Madalena - Ferreira do Alentejo

“Apeada no século XIX (1868) da rua do Calvário para a atual localização à entrada da cidade é o ex libris da vila de Ferreira do Alentejo. Também denominada de Santa Maria Madalena ou simplesmente “igreja das pedras”, o edifício tem uma cúpula coberta por pequenas pedras graníticas que evocam a cena do apedrejamento de Cristo durante a Via Sacra ou Caminho do Calvário e igualmente o episódio da mulher adúltera, identificada por Maria Madalena.”

Dia 09- Férias no Alentejo - Odivelas - Ferreira do Alentejo

Percurso Pedestre PR2 – Rota da Água – Ferreira do Alentejo

O que fazer no Alentejo. PR2 – Rota da Água – Ferreira do Alentejo - Barragem de Odivelas, canais de rega

Reservamos a manhã para fazer a caminhada PR2 – Rota da Água, que passa junto à Barragem de Odivelas e dá a volta pela aldeia. Este percurso é interessante pelo facto de seguir os canais de rega que saem da barragem e irromper pelos campos cobertos de oliveiras, amendoeiras, laranjeiras ou montado de Sobro e Azinho.

Este percurso tem uma tipologia Circular, com a distância 13,3 Km, sendo feito facilmente em três a quatro horas, por caminhos rurais, que não oferecem grande dificuldade. O começo/fim situa-se no Largo da Praça, Odivelas, mas nos optamos por começar junto ao parque de campismo de Odivelas onde já existem perto as marcas do trilho.

Descrição e Motivos de Interesse do PR2 - Ferreira do Alentejo - Grandes planícies Alentejanas8

O que fazer no alentejo. Descrição e Motivos de Interesse do PR2 - Ferreira do Alentejo - Grandes planícies Alentejanas

“Estas são as grandes planícies que, em tempos, brilhavam ao sol com o dourado manto dos cereais, salpicado por olivais centenários e azinheiras dispersas. Atualmente as paisagens vão ficando mais verdes com os sucessivos avanços do regadio e aparecem olivais em copa e em sebe, laranjais e amendoais. No topo da colina, a Aldeia de Odivelas é vigilante sobre todos estes campos e sobre a ribeira a que dá o nome e que sempre foi o motivo de fixação dos povoadores deste território.”

História da Aldeia de Odivelas – Ferreira do Alentejo 8

O que fazer no Alentejo. Odivelas - Ferreira do Alentejo

“A história da Aldeia de Odivelas – Ferreira do Alentejo, remonta seguramente ao período romano, tendo sido ponto de passagem da estrada imperial logo no século II, ligando Beja a Alcácer do Sal. Com cerca de 500 habitantes, tem a particularidade de se situar num outeiro que se destaca no relevo circundante, criando um miradouro natural sobre a vasta planície, vigiando a Ribeira de Odivelas.”

Montado de Sobro e Azinho – Ferreira do Alentejo 8

O que fazer no Alentejo. PR2 – Rota da Água – Ferreira do Alentejo - Montado de sobro e azinho

“Ecossistema criado pelo homem característico do Alentejo. São florestas de sobreiros e azinheiras com um equilíbrio muito delicado. Os sobreiros são árvores de porte robusto, com uma casca de enorme importância comercial, chamada cortiça. As azinheiras produzem bolota de excelente sabor, importante alimento para o gado, lenha e produção de carvão.”

Igreja de Santo Estevão - Odivelas – Ferreira do Alentejo8

O que fazer no Alentejo. Igreja de Santo Estevão - Odivelas – Ferreira do Alentejo

“Situada no ponto mais alto da aldeia, é um dos mais antigos edifícios, remontando a sua construção ao século XVII. Do período da construção será a planta original do templo e o varandim protegido nos ângulos por pequenas torres cilíndricas e coruchéus, de características populares, típicos da transição Manuelino – renascença. Após os danos do terramoto de 1755 são os painéis de azulejos e os altares em talha dourada.”

Cestas de Esteira de Odivelas – Ferreira do Alentejo8

“A Ribeira de Odivelas e as amplas zonas alagadas ao seu redor dão origem ao aparecimento abundante do junco que, de forma artesanal e com uma sabedoria ancestral é colhido, seco, tingido e enlaçado de forma artística, criando as muito originais Cestas de Esteira de Odivelas. Para uso do dia a dia, mas compras, nas merendas e no transporte de bens, são hoje património cultural e artesanal com enorme valor a nível nacional.“

Campos Agrícolas – Ferreira do Alentejo8

O que fazer no Alentejo.PR2 – Rota da Água – Ferreira do Alentejo - Campos agrícolas, plantação de amêndoa

“As planícies de solos férteis associados à capacidade de rega, ora pela Albufeira de Odivelas, ora pela distribuição da Albufeira do Alqueva, são hoje longos campos de produção agrícola de onde se destacam centenas de hectares de laranjais, amendoais e olivais. Estão ainda presentes vastos campos de cereal de produção de forragem para alimento de gado e para pastagem extensiva.”

Barragem de Odivelas8

O que fazer no Alentejo. PR2 – Rota da Água – Ferreira do Alentejo - Barragem de Odivelas, canais de rega

“Espelho de água de beleza sem fim, estende-se ao longo da Ribeira de Odivelas, numa albufeira que serve de reserva de água essencial à rega dos campos agrícolas circundantes e espaço de lazer para atividades náuticas. começou a distribuir água em 1972 e apresenta um paredão de 500 metros de coroa e 55 metros de altura, com capacidade de 96 milhões de metros cúbicos “

Ribeira de Odivelas8

O que fazer no Alentejo. PR2 – Rota da Água – Ferreira do Alentejo - Ribeira de Odivelas com nenúfares

“A Ribeira de Odivelas nasce na Serra do Mendro e desagua no Rio Sado, após 70 Km de percurso. Atualmente tem caudal condicionado pelas Barragens de Odivelas e de Albergaria dos Fusos, importantes recursos de água para o regadio agrícola. Os troços da ribeira fora das albufeiras são importantes galerias ripícolas e habitat de grande diversidade de espécies de vegetais e animais.”

Esta Ribeira infelizmente foi invadida por Nenúfares e Jacintos e a corrente tem pouco caudal, apresentado um aspeto pouco saudável.

Dia 10- Férias no Alentejo - Odivelas - Ferreira do Alentejo

A Estátua da Ferreira com dois malhos

O que fazer no Alentejo. Estátua da Ferreira - Ferreira do Alentejo

Com as férias aproximarem-se do fim aproveitamos cada momento para assistir ao nascer do sol e desfrutar das belezas deste local. É habitual quando vamos acampar começarmos a viver de acordo com o tempo solar e aproximarmo-nos daquilo que deveria ser a nossa natureza. Por esta razão às primeiras horas do dia acordávamos, tomávamos o nosso banho na albufeira, dávamos os bons dias aos coelhos e peixes que saltavam no rio.

Pela manhã regressamos às compras a Ferreira do Alentejo e aproveitamos para conhecer mais um pouco da vila. Ao passar a Odivelas paramos para tomar o pequeno-almoço, o pão foi da padaria Tobias e o café do Abelha.

Estátua da Ferreira – 500 anos do Foral de Ferreira do Alentejo8

Em relação ao curioso nome desta vila, consultamos um documento deste município que pode explicar a sua toponímia e a valente estátua duma mulher representado uma ferreira armada com dois poderosos malhos, “Essa cidade seria, contudo, atacada, por volta de 405 da Era Cristã, por povos bárbaros, os suevos e os godos, que teriam sido detidos pela valentia de uma valorosa mulher. Essa mulher, esposa de um ferreiro, terá defendido a porta do castelo com dois malhos.

Esta vila recebeu foral de D. Manuel I em 1516, tendo pertencido aos duques de Aveiro e posteriormente à coroa.

Igreja de Nossa Senhora da Assunção8

O que fazer no Alentejo. Igreja de Nossa Senhora da Assunção - Ferreira do Alentejo

“Do património edificado de Ferreira do Alentejo, destaca-se a igreja matriz de Nossa Senhora da Assunção, datada do século XIV. Templo quinhentista, sofreu já desde a sua construção diversas obras de restauro.

Da primitiva traça são o portal que exibe o escudo da antiga Comenda de Santiago de Espanha e torre flanqueante do Norte. A mais notável peça do edifício primitivo encontra-se afixada na banda do evangelho e consta do monumento funerário gótico-manuelino do comendador, D. João de Sousa e sua mulher D. Branca de Ataíde.

No interior, pode ver-se uma abóbada artesoada no batistério e, no altar de Nossa Senhora da Luz, uma tábua também quinhentista.”

Igreja de Nossa Senhora da Conceição8

O que fazer no Alentejo. Igreja de Nossa Senhora da Conceição - Ferreira do Alentejo

“A Igreja de Nossa Senhora da Conceição foi fundada em meados do século XVIII, a igreja, inicialmente consagrada a São Pedro, abriga, no seu interior, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição que se diz ter acompanhado Vasco da Gama e o fidalgo Cristóvão Estribeiro numa das suas viagens para a Índia. No seu interior destaca-se o painel de azulejos sobre o arco de cruzeiro considerado único na Península Ibérica.”

Infelizmente quando fomos visitar esta pequena igreja, que passa despercebida à entrada da vila, estava fechada, esperamos um dia regressar para ver esta Nossa Senhora que um dia poderá ter ajudado o nosso grande navegador a chegar à Índia.

Dia 11 - Férias no Alentejo - Odivelas - Ferreira do Alentejo

Vila Nova da Baronia - Alvito

O que fazer no Alentejo. Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção - Vila Nova da Baronia

Quando mudamos de parque de campismo e saímos do Rosário para Odivelas, passamos junto da bonita estação de caminho de ferro de Vila Nova da Baronia e a ficamos com vontade de conhecer esta terra. Um dia bem cedo fomos a esta vila onde tomamos o desjejum na Pastelaria Papoila e começamos a caminhar pelas suas ruas apreciando a sua bonita traça.

Esta vila pertence ao concelho do Alvito, distrito de Beja, sento formado por apenas esta duas freguesias.

História da Vila Nova da Baronia9

“No século XVII, esta vila tomou a designação atual, por fazer parte do grande senhorio dos Barões do Alvito. A referência mais antiga a esta vila data do séc. XIII. Foi Fundada em terras doadas pelo concelho de Évora ao Chanceler-mor de D. Afonso Anes, em 1257, o qual as integrou no seu couto de Alvito.

Em 1279 é testada pelo Chanceler à Ordem da Santíssima Trindade. Foi este mosteiro que lhe concedeu o primeiro foral em 1280, documento que regula as relações entre senhores e indivíduos, estabelecendo obrigações e privilégios dos habitantes da localidade.”

Presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova da Baronia

O que fazer no Alentejo. Presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova da Baronia, Agostinho José de Ó Mira

Passávamos em frente da junta de freguesia, quando fomos chamados pelo seu Presidente, Agostinho José do Ó Mira, que percebendo que éramos visitantes nos acolheu calorosamente e nos ofereceu documentação sobre à sua terra e uma bandeira heráldica.

Este homem ao saber que queríamos visitar a Igreja Matriz solicitou ao Sr. Octávio Marques, da Comissão Fabriqueira, que a tinha acabado de fechado, para a reabrir, estando ambos com pressa para irem a uma importante reunião, onde também iria estar o senhor padre. Disse-lhe também que fosse abrir ali perto a Igreja do Senhor dos Passos, para nos vermos os seus bonitos frescos. Este homem resignando acabou por nos confessar que afinal já não tinha tempo para ir à dita reunião, “Eles estão lá todos, eles que resolvam!

Agradecemos aos dois por nos terem recebido tão bem e com certeza que havemos de regressar para ver novamente estes e outros monumentos.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção - Vila Nova da Baronia9

O que fazer no Alentejo. Altar em talha dourada da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção - Vila Nova da Baronia

“Esta igreja fica localizada no Largo Francisco Manuel Fialho. Desconhece-se a data da sua edificação, estando apenas documentada que ruiu no final do século XVI e foi posteriormente reconstruída. É um exemplar da arquitetura maneirista nacional. A sua dimensão reflete a importância desta vila, antigamente concelho autónomo e primeiramente denominada “Vila Nova a par do Alvito”.

O seu interior testemunha ainda essa riqueza com os diversos altares de talha dourada, os retábulos de pintura maneirista e o forro azulejar. Destaque para a campanha global da Capela das Almas, executada em 1604 de acordo com contrato sobrevivente e que consistiu na execução da pintura sobre tábua, do retábulo dourado e da pintura mural dos alçados.”

Nesta igreja há uns painéis com pinturas em ambas as faces, para serem colocados nuns nichos próprios durante a procissão da quaresma, domingo de Sr. Lázaro de Pentecostes ou de ramos.

Capela do Senhor dos Passos - Vila Nova da Baronia9

O que fazer no Alentejo. Capela do Senhor dos Passos - Vila Nova da Baronia - Frescos da última ceia de Cristo com os apóstolos

“A Capela do Senhor dos Passos fica localizada na Rua da Liberdade. A sua construção remonta ao final do século XVI. Pertenceu originalmente à Misericórdia, estando adossada à casa do despacho da irmandade.

Edifício integrável na arquitetura do período filipino tem, no seu interior, duas grandes riquezas: por um lado, a campanha de pintura mural do século XVII retratando as “Obras Corporais da Misericórdia” (nos alçados), medalhões hagiológicos (na abóboda da nave), símbolos da Paixão de Cristo (na abóboda da capela-mor) e episódios da Vida de Cristo (nos alçados da capela-mor).

Na ousia, uma tela do último quartel do século XVI da autoria de Francisco Campo retrata o tema da “Visitação”.

Esta capela serve presentemente de capela mortuária da vila.”

Estação de caminho de ferro de Vila Nova da Baronia

O que fazer no Alentejo. Estação de caminho de ferro, CP de Vila Nova da Baronia

A estação de caminho de ferro de Vila Nova da Baronia, pertence a linha do Alentejo, troço Lisboa – Évora – Beja (final). Em Casa Branca é necessário fazer um transbordo para a linha do Alentejo, que começa no Barreiro e acaba na Funcheira. O governo de Passos Coelho cortou a ligação da linha do Alentejo com a do Algarve, entre Beja e Ourique.

Dia 12- Férias no Alentejo - Odivelas - Ferreira do Alentejo

A viagem da cigarra - Albufeira de Odivelas

O que fazer no Alentejo. Albufeiras de Odivelas e Alvito - Cigarra

Reservamos o nosso último dia de férias para fazer pela manhã uma caminhada na floresta junto à barragem. Aqui a sua rica fauna e flora aplacaram os nossos sentidos. Tivemos um privilegio duma cigarra ter viajado no nosso chapéu de palha até ao momento que ficou farta de tantas fotos e vídeos e esvoaçou para longe protestando pelo desassossego.

O resto do dia como habitualmente foi passado a fazer o almoço, grelhados ou estufados, beber o bom vinho alentejano fresquinho, nadar ou nas horas mais quentes do dia procurar a melhor sombra, o que por vezes se afigurou impossível.

Não é que sejamos supersticiosos, esta era uma sexta-feira dia 13 de agosto, há sempre um dia nas férias em que tudo corre mal e este foi o nosso. A carne na arca frigorifica estragou-se, sofremos picadas de insetos e fomos atacados por carraças, felizmente que a tarde correu melhor e o jantar em pleno. Por vezes basta aguardar que os grossos mares se acalmem.

Dia 13 - Fim das Férias no Alentejo - Regresso Ovar 

O regresso a Ovar

Sílvio Dias do Ondas da Serra - Castelo do Alandroal

E foi assim que terminou esta aventura alentejana, confessamos que gostamos do calor para nos podermos banhar, mas já estávamos cansados destas altas temperaturas e ansiávamos sorver o nosso ar marítimo vareiro. Regressamos com a alma lavada e o sentimento pleno que vivemos dias numa região especial. A todos obrigado por nos acompanharem e que este relato vos possa inspirar de alguma maneira e queiram conhecer algumas das nossas experiências.  

Veja os vídeos destas férias na nossa Playlist do Youtube

Playlist Youtube | O que fazer no Alentejo - Locais para visitar nas suas férias

 Fontes bibliográficas consultadas ou excertos transcritos 

1-Fonte: Câmara Municipal de Alandroal
2-Fonte: Catalogo Oficial das Raças Autóctones Portuguesas – Direção Geral da Alimentação e Veterinária
3-Fonte: Facebook página Casinha do Sol-Posto
4-Fonte: Região de Turismo de Évora
5-Fonte: Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz
6-Fonte: ccdr-lvt.pt – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo
7-Fonte: Resolução do Conselho de Ministros n.º 184/2007, aprovou o Plano de Ordenamento da Albufeira de Odivelas e altera a delimitação da Reserva Ecológica Nacional dos concelhos de Alvito e de Ferreira do Alentejo.
8-Fonte:  Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo
9-Fonte:  Junta de Freguesia de Vila Nova da Baronia e Câmara Municipal do Alvito
10-Fonte: visitarportugal.pt


Texto: Ondas da Serra e municípios envolvidos e referenciados. Fotos: Ondas da Serra

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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