Centro de Interpretação Geológica de Canelas Trilobites Ondas da Serra
sábado, 03 dezembro 2016 00:39

Centro de Interpretação Geológica de Canelas Destaque

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As trilobites eram uns pequenos seres que pertenceram à espécie de “Crustáceos marítimos que dominaram a fauna do planeta durante a era Paleozoica. Encontram-se em Canelas - Arouca algumas das maiores e mais raras e até únicas espécies no mundo. Estes fósseis são da maior importância, mesmo a nível internacional, para estudo da origem e evolução da vida na Terra. Estes animais, que viviam em águas profundas ou em águas superficiais, extinguiram-se rapidamente há cerca de 230 milhões de anos.” Fonte CM Arouca.

Entrevista ao proprietário do Centro de Interpretação Geológica de Canelas

Naquela altura uma grande catástrofe abateu-se sobre a terra, uma serie de violentas explosões vulcânicas lançaram para a atmosfera cinzas e gases nocivos que acabaram por envenenar o mar, extinguindo a maioria dos seres vivos na terra e nos oceanos.

A visão de Manuel Valério para a proteção destes fósseis

De forma a conhecermos melhor um local onde podem ser encontrados vestígios desses antigos fósseis, foi realizada uma entrevista com Manuel Valério proprietário do Centro de Interpretação Geológica de Canelas - Arouca, perto do caminho de acesso à Espiunca.

Manuel ValérioPode contar-nos um pouco sobre a história deste museu?

Posso, há cerca de 200 anos que existe aqui ao lado uma exploração de ardosia, durante a exploração destas rochas têm sido encontrados bastantes fosseis de animais que viveram no fundo marinho há 500 milhões de anos, onde se incluem a trilobite que era o animal mais conhecido daquela época.

Pode-se então afirmar que esta zona de Arouca há muitos milénios era um fundo dum vasto oceano?

Estas rochas foram formadas no fundo de um oceano, que na altura não era aqui em Arouca.

Atualmente ainda se podem encontrar fosseis nesta pedreira?

Sim e a pedreira ainda continua a ser explorada.

De que forma os fósseis das Trilobites que aqui foram descobertos se diferenciam a nível internacional?

Os fosseis desta pedreira são considerados em termos de tamanho, os maiores do mundo. Já vieram aqui muitas entidades internacionais fazerem os eu estudo s e realizados 3 ou 4 congressos mundiais de paleontologia nos últimos 10 anos.

Por vezes ficasse com a ideia que este museu é pouco conhecido e poderia ser mais divulgado?

Pode ser verdade mas nós também não ambicionamos ter milhões de visitantes porque somos um pequeno museu e que fica situado numa zona muito isolada. Mesmo assim estamos contentes com os resultados, principalmente com as escolas, acima de tudo é um museu didático.

Quem quiser visitar aqui o vosso museu como é que o pode fazer?

Podem fazê-lo durante a semana, exceto às segundas e se for em grupo convém fazer marcação prévia. Temos preços especiais para grupos escolares, aliás este museu é visitado 90% por escolas.

Pode indicar-nos qual a média de visitantes que tem anualmente e a sua origem?

Temos em média 10 mil visitantes por ano, sendo na sua maioria nacionais.

Tem alguns projetos para um futuro próximo?

Vamos entrar em obras para melhorar o próprio museu, inaugurar a exibição de um novo filme introdutório, porque antes de visitar o museu é exibido um filme para os visitantes perceberem melhor como se formam os fósseis. Vamos também fazer uma nova exposição e reformular toda a informação que está no museu. Estas obras não vão ser de grande monta mas principalmente para introduzir um pouco de interatividade nas apresentações.

A nível da cooperação institucional existe algum intercâmbio entre o vosso museu e outras entidades públicas?

Sim, nos integramos o Geoparque de Arouca que é o organismo faz a divulgação de todo o potencial geológico desta terra.

Os incêndios que afetaram Arouca no Verão passado tiveram algum impacto nas visitas e afluência de pública a este museu?

Afetou bastante o número de visitantes que decaiu cerca de 80%, agravado pelo facto do incêndio ter ocorrido em pleno Verão no mês de Agosto. Muitas pessoas deixaram de vir e também se queimou parte do passadiço que é uma infraestrutura interessante.

De que forma as pessoas particulares podem ajudar a preservar esta região, já que de todos os percursos pedestres temos conhecimento que só o PR1, Caminhos de Montemuro e PR10, rota dos aromas não foram afetados pelos incêndios?

Isso é muito difícil, isto arde sempre, que eu me lembre a cada 15/20 anos há um grande incêndio, fora os outros pequenos que há nesses intervalos, isso é normal porque as condições em pleno Verão são muito difíceis. Neste verão em concreto havia muito calor e vento.

Acha que estão a serem tomadas medidas para minimizar este problema, nomeadamente uma gestão integrada da floresta?

Não, cada um faz à sua maneira o proprietário de um terreno não o limpa porque o seu vizinho também não o faz e se houver um incêndio arde tudo na mesma. É por isso que individualmente não vale a pena fazer nada, talvez só com a criação de um grupo ou uma associação.  

Muito obrigada por nos ter recebido na sua "casa" e desejamos que continuem a divulgar este conhecimento às gerações futuras e que as vossas instalações sejam renovadas de forma alcançarem os objetivos pretendidos.

Leia também: Falha da Espiunca

 

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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