Vieira do Minho terra de contrastes Praia fluvial da albufeira da barragem do Ermal - Telesky Ondas da Serra

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Vieira do Minho no sopé da Serra da Cabreira, vizinha do Parque Nacional da Peneda-Gerês, perto da azafama da área metropolitana do Porto, é um bom refugio para passar uns dias tranquilos, junto da natureza e vida selvagem.

Pormenor dum sino junto à Igreja de EspinoEstas notas de viagem foram tomadas durante uns dias de férias que passamos nesta região, onde as formosas formas da natureza contrastam por vezes com a má empresa humana.  

Aqui a iluminaria das estrelas é um regalo no céu noturno, olhado por cima das copas das árvores do campismo municipal. Este bonito parque está bem organizado, onde as regras são feitas cumprir e reina a limpeza. Este espaço fica situado entre dois rios, que ali se encontram e formam um pequeno lago, com águas limpas e povoado por pequenos peixes. Na parte superior os campistas têm acesso às piscinas municipais, com extensos relvados e uma soberba vista para a serra. A mesma fecha durante as horas do almoço e nos dias de maior calor a lotação é rapidamente esgotada.    

Na encosta junto de um dos rios fica localizado o parque municipal, com frondosas árvores e plantado de flores, mas a necessitar de obras urgentes. Que pena não ser feita uma grande intervenção para requalificar a frente ribeirinha, aproveitando o açude do rio para fazer uma praia e desbravar o amazónico parque florestal.

Saímos um domingo bem cedo de bicicleta para visitar ali perto a Barragem do Ermal, onde se organiza um conhecido festival. Nós ficamos arrebatados pela sua beleza e atónitos pelo campismo selvagem ali montado, tendas, caravanas, diligências, lixo acumulado, restos de fogueiras improvisadas com pedras à laia do velho Oeste e umas fragrâncias que voavam com a fresca brisa, dos alívios humanos matinais e outras mais antigas, mas melhor temperadas. Os automóveis e caravelas são ancorados o mais perto possível das águas para os seus pilotos darem de beber aos cavalos.

Não demos de caras com índios ou cowboys, mas pelo avançar do dia, vislumbramos sinais de fumo, alertamos a cavalaria que disseram que a prioridade era o Gerês, depois um fogo vem e queima tudo, até pessoas! 

Na outra margem da Barragem fica situado uma praia não vigiada, como fica mais perto da ilha do Ermal, muitas pessoas alcançam-la facilmente a nadar. Aqui uma empresa fornece vários divertimentos, sendo o mais mediático o teleski, mas o local tem outros atrativos como um café com vista soberba sobre a albufeira, insufláveis e aluguer de barcos.   

Para os amantes do BTT, por aqui há vários trilhos, uma manhã saímos do parque bem cedo em direção de Cantelães, subimos a Serra da Cabreira, onde no planalto encontramos cavalos autóctone Garranos e onde um potro mais curioso aproximou-se para indagar, bovinos da raça cruzada e perdizes por aqui também abundam. Ao descer a encosta oposta tem-se uma vista soberba sobre a Barragem de Salamonde e aldeia de Espino, onde uma vaca nos beijou a máquina de filmar e estragou algumas fotos, por não termos limpado bem a objetiva.

Em Ruivães passamos dias divertidos na praia fluvial de Poço das Traves, requalificada pela freguesia, onde as águas são límpidas para nadar e os mais novos dão grandes bombas. O local possui um pequeno bar, mesas para piqueniques e grelhadores, mas tem que telefonar para a junta freguesia para reservar, telefone 253 658 032. O problema é que nem sempre essas marcações são bem respeitadas pela empresa que gere o local.

O local, paisagisticamente rico, é pontuado por vários edifícios e inclusivamente vestígios de uma antiga ponte, que acrescentam ao local uma riqueza invulgar de união entre a estrutura verde, a água e o edificado. A cantaria aparelhada de pedras de granito pontuam o espaço e aludem a vivências de outros tempos mantendo a harmonia entra a paisagem e o edificado.

De forma a manter esse carácter do lugar as intervenções levadas a cabo foram feitas de forma a preservá-lo. Mais importante que manter o carácter dos edifícios é manter o carácter idílico do local e inclusivamente a natureza salvagem do mesmo, que o marca e que aparentemente lhe confere o factor atrativo de quem o visita atualmente. Neste sentido, a ruína é também entendida como elemento a preservar, como um vestígio a descobrir, estimulando a curiosidade e aventura para pessoas de todas as idades.

Por esse motivo, é criado um percurso interpretativo no edificado fazendo referência à sua função original, unindo o lazer à história e o Património natural ao cultural. Salienta-se que os edifícios existentes são na sua maioria antigos moinhos, excluindo um, o de maior área, que constituía um lagar de azeite.Créditos: Junta de Freguesia de Ruivães.

Estas gentes são católicas devotas e por isso foram edificados para sua proteção alguns santuários, cujo nosso destaque vai para a Senhora da Lapa, incrustada num penedo e Nossa Senhora da Fé, que domina a serra com a sua cruz para proteção dos crentes e da passarada, que ali constrói os seus ninhos, para alegrar a natureza com os seus bailados e chilrear.

A confluência destas montanhas, dos seus vales e albufeiras protegidas criam um microclima onde a força do sol não é quebrada pelo vento frio do litoral e oferecem-lhe um verão mais quente.

As últimas pedaladas que demos de bicicleta foi entre o campismo e a aldeia histórica de Agra. Pelo caminho passamos por bonitas aldeias, com os seus campos bem cultivados, regados de milho e protegidas pelos seus templos. Antes de entrar na aldeia paramos junto da ponte Romana da Parada, onde nos refrescamos nas águas do rio Ave que ali nasce. Depois de darmos umas voltas pelas antigas calçadas da aldeia, onde a maioria foi reconstruída para o turismo rural, fomos provar a deliciosa posta da raça cruzada e um vinho verde tinto que encerrou da melhor forma estes dias no Minho.   

 

 

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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