Avanca e Pardilhó receberam FESTCORDEL – Festival Internacional do Verso Popular FESTCORDEL – Festival Internacional do Verso Popular

Avanca e Pardilhó receberam FESTCORDEL – Festival Internacional do Verso Popular Destaque

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São conhecidos por repentistas, cantadores de desgarradas, descante ou desafio. Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha e Aveiro receberam, entre 21 de Fevereiro a 4 de Março, a primeira edição do FESTCORDEL – Festival Internacional do Verso Popular. Dedicado à arte do verso popular, o festival reuniu poetas de Portugal, Espanha, Brasil e Marrocos.

Augusto CanárioNo fim-de-semana passado, o Ondas da Serra foi assistir alguns espetáculos no âmbito deste festival no Centro Paroquial de Avanca e na Associação Cultural e Recreativa Saavedra Guedes em Pardilhó, onde a viola braguesa namorou a nordestina.

Por vezes na vida das pessoas e dos países há coisas que se perdem inconscientemente, recordamos os tempos de infância de muitos dos nossos leitores, onde os grupos de cantadores e cantadeiras se podiam escutar com facilidade nas nossas festas e romarias, muitas vezes em palcos improvisados, tal como o verso fácil que saía dessas carismáticas gargantas, que gradualmente se foram apagando.

Tanto em Avanca como em Pardilhó a apresentação foi efetuada por um erudito nestes assuntos, Professor António Abreu Freire. No sábado teve pesarosamente de anunciar que o mau tempo tinha impedido o Augusto Canário e Cândido Miranda de estarem presentes, mas que no domingo estariam em Pardilhó. Apesar disso os Brasileiros Geraldo Amâncio e Jorge Macedo atuaram com grande brilhantismo.

Na sua alocução o Professor António Abreu fazendo uso de toda a sua sapiência, justificou a realização deste primeiro festival, que no próximo ano irá ser realizado no verão. Explicou algumas das histórias do nascimento desta arte, no século passado, as pessoas não entendiam a missa entoada em latim e quando chegavam cá fora, descantavam o que tinham ouvido, o seja gozavam com a situação. Em Portugal Augusto Canário e Cândido Miranda, têm-se esforçado por manter vida esta tradição.

É neste contexto que o Professor publicou o primeiro livro de desgarradas há mais de 80 anos, “As Desgarras de Augusto Canário e Amigos”, sendo um dos seus objetivos resgatar esta tradição.

Em Portugal esta arte entrou em declínio, mas os nossos emigrantes que embarcaram para terras do Brasil há mais de meio século, iniciaram um movimento que nunca mais parou de crescer e atualmente existem cerca de cinco a seis mil repentistas.

Este festival fez referência a dois dos últimos mestres portugueses já falecidos. Avanca teve o seu último cantante José Marques, mais conhecido por “Sardinha”, imortalizado num painel de azulejos na estação de Avanca, que já foi por várias vezes vandalizado e até tiros já levou, foi dito que irá ser restaurado. O outro mestre foi António Abreu Freire que viveu em três continentes e na Murtosa.

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Muitos destes versos desta arte popular eram escritos em folhetos, que para melhor observação eram pendurados num cordel, dai surgiu o nome “literatura de cordel”, que conta histórias de mexericos, politica, religião ou sabedoria popular. Os mesmos são feitos para que o ritmo, rima e métrica tornam a sua entoação harmoniosa para os ouvidos e serem de fácil assimilação.

O povo entende e gosta mas por cá esta literatura acabou, no Brasil há gente a viver disto, como o que esteve neste festival, Klévisson Viana, do Seara, Fortaleza. Estes artistas têm cerca de 40 livros e 200 folhetos publicados, é o autor de muitos e participa em declamações e feiras literárias.

Nas escolas e universidades não se ensina esta literatura, por esta razão foram oferecidos os livros de António de Abreu Freire, “O roteiro do verso popular” e de António de Abreu Freire e Geraldo Amâncio “FESRCORDEL A Festa do Verso Encantado”.

Se no sábado a dupla brasileira autuou sozinha no domingo juntou-se-lhes os portugueses que fizeram as delicias do publico presente. Um momento especial aconteceu quando Geraldo Amâncio sabendo o gosto do nosso Augusto Canário por instrumento populares, ofereceu-lhe a sua viola, para ele enriquecer o seu museu.

Muito se poderia escrever sobres estes enriquecedores dias, mas terminamos com o repente que os quatro cantores luso-brasileiros cantaram e contagiaram o publico presente em Pardilho que os acompanhou, lindíssimo.

“Segura o remo da bateira meu amor

Seguro o remo pra bateira não virar

Segura o remo vira a proa prá Torreira

Quem nunca andou de bateira

Não sabe o que é remar”

 

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