Arouca Geopark: Viagem pela história geológica de Portugal G11 - Pedras Boroas do Junqueiro - Arouca Geopark Ondas da Serra
terça, 13 dezembro 2016 15:59

Arouca Geopark: Viagem pela história geológica de Portugal

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O Arouca Geopark, fica localizado no concelho de Arouca, sendo reconhecido pelo seu excecional património geológico. A sua importância ganhou relevância internacional e projeção com a atribuição da categoria de geoparque pela UNESCO. Neste rico patrimônio destaca-se em particular as trilobites gigantes de Canelas, pedras parideiras da aldeia da Castanheira e icnofósseis do Vale do Paiva. No entanto há no total 41 geossítios com interesse geológico, que podem ser visitados através de três itinerários. Há 600 milhões de anos existia nesta região um mar pouco profundo onde as estas criaturas viviam. Contudo, há cerca de 1 milhão de anos o mar desceu cerca de 200 metros matando muitas destas espécies, cujos corpos se depositaram no fundo ou à beira mar. Muitos destes fundos marinhos subiram gradualmente e passaram a fazer parte de cadeias montanhosas como as serras atuais de Arouca, deixando muitas provas da sua existência embutidas na paisagem.

Pode ler esta reportagem na totalidade ou clicar no título abaixo inserido para um assunto específico:

  1. Arouca Geopark
    1. Atribuição da classificação de geoparques pela UNESCO
    2. No mundo existem 140 geoparques classificados pela UNESCO
    3. Arouca Geopark: 41 geossítios com interesse geológico
    4. Arouca Geopark: 13 percursos pedestres
    5. Ficha técnica do Arouca Geopark
  2. Os Itinerários do Arouca Geopark
    1. Itinerário A: Freita: a serra encantada
      1. Descrição do Itinerário A: Freita: a serra encantada
      2. Geossítios a conhecer: Itinerário A
      3. Características do percurso: Itinerário A
    2. Itinerário B: Pelas minas e meandros desconhecidos do Paiva
      1. Descrição do Itinerário B: Pelas minas e meandros desconhecidos do Paiva
      2. Geossítios a conhecer: Itinerário B
      3. Características do percurso: Itinerário B
    3. Itinerário C - Paiva o vale surpreendente
      1. Descrição do Itinerário C - Paiva o vale surpreendente
      2. Geossítios a conhecer: Itinerário C
      3. Características do percurso: Itinerário C
    4. Geossítios em destaque do Arouca Geopark
      1. G6: Frecha da Mizarela a maior e mais bela cascata Portuguesa
      2. G7: Pedras parideiras que dão à luz na aldeia da Castanheira
      3. G8: Conheça as Dobras da Castanheira com 500 milhões de anos
      4. G11: Pedras Boroas do Junqueiro estranho fenómeno geológico
      5. G15: Minas da Pena Amarela
      6. G16: Minas de Rio de Frades: No Caminho do Carteiro em Arouca para vencer admirar e meditar
      7. G17: Livraria do Paiva e G18: Icnofósseis de Mourinha em Janarde
      8. G19: Meandros do Paiva
      9. G20: Cocheiros do Paiva
      10. G22: Regoufe aldeia com passado mineiro na guerra mundial
      11. G25: Centro de Interpretação Geológica de Canelas e Trilobites
      12. G29: Gralheira d'Água velho mar com fósseis e romano minerou ouro
      13. G32: Falha da Espiunca caso geológico com 500 milhões de anos
      14. G35: Cascata das Aguieiras
      15. G36: Garganta do Paiva
      16. G37: Icnofósseis de Cabanas Longas revelam rastos de trilobites
      17. G38: Miradouro "Mira Paiva"

Arouca Geopark

Arouca Geopark: Atribuição da classificação de geoparques pela UNESCO 

Fóssil de Trilobite - Museu das Trilobites - G25: Centro de Interpretação Geológica de Canelas - Arouca Geopark

Na interminável história da Terra, os continentes têm navegado à deriva pelos grossos mares. Nesta odisseia as suas placas tectónicas têm colidido, criando todo o tipo de relevo, dando vida e causando a morte com vulcões, terramotos, tsunamis, secas e inundações. O que é agora uma alta montanha pode ter sido no passado um leito marinho e o fundo do mar pode esconder ruínas de antigas civilizações, como a perdida Atlântida.

Na sua tempestade violenta o seu choque já criou grandes cadeias montanhosas como os Pirenéus ou Himalaias. Esta viagem dos continentes até inspirou José Saramago a contar no livro “Jangada de Pedra”, a separação da Península Ibérica da Europa e a sua viagem errante pelo Oceano Atlântico.

O concelho de Arouca possui nas suas Serras da Freita, Montemuro e Arada vestígios deste rico passado geológico. Os seus responsáveis políticos e visionários particulares conseguiram que a UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, classifica-se este território como um geoparque, nascendo o Geopark de Arouca.

Para esta esta atribuição é necessário estarem reunidas as seguintes condições cumulativas:

  • Geodiversidade – estratos rochosos com determinadas características de interesse geológico;
  • Biodiversidade – plantas e animais;
  • Património cultural;
    • Exploração da ardósia e volfrâmio. Exemplos: Pedreira do Valério, Minas de Regoufe e Minas de Rio de Frades.

No mundo existem 140 geoparques classificados pela UNESCO

No mundo existem 140 geoparques, que depois de classificados são periodicamente inspecionados por técnicos da UNESCO para verificar se mantêm as condições de atribuição do estatuto.

Para esta atribuição basta estarem referenciados três geossítios com interesse geológico, mas a riqueza geológica de Arouca permitiu catalogar até ao momento quarenta e um. Os seus locais mais conhecidos são:

  • Museu das Trilobites, denominado Centro de Interpretação Geológica de Canelas (CIGC), onde se podem encontrar restos fossilizadas das maiores trilobites que já viveram no mundo, algumas com mais de 30 cm;
  • Pedras Parideiras - Aldeia da Castanheira;
  • Frecha da Mizarela - Maior queda da água de Portugal;

Arouca Geopark: 41 geossítios com interesse geológico

G37: Icnofosseis de Cabanas Longas - Arouca Geopark

"O valioso e singular Património Geológico inventariado, cobrindo um total de 41 geossítios, constitui a base do projecto Geoparque Arouca, aliados a uma estratégia de desenvolvimento territorial que assegurará a sua protecção, dinamização e uso. Em simultâneo e em complementaridade, associam-se outros importantes valores como os arqueológicos, ecológicos, históricos, desportivos e/ou culturais e ainda a promoção da etnografia, artesanato e gastronomia da região, tendo em vista a atracção de um turismo de elevada qualidade baseado nos valores da Natureza e da Cultura."1

Arouca Geopark: 13 percursos pedestres

"Muitos destes sítios de interesse encontram-se integrados na intensa Rede de Percursos Pedestres, num total de 13, numa perspectiva de valorização e divulgação e promoção deste inestimável património. A entidade responsável pela gestão do Arouca Geopark é a AGA – Associação Geoparque Arouca."1

Ficha técnica do Arouca Geopark

  1. Localização: Concelho de Arouca;
  2. Classificação: Classificado como geoparque pela UNESCO;
  3. Geossítios: 41 geossítios;
  4. Itinerários: 3 Itinerários, A, B e C
    1. Itinerário A: Freita: a serra encantada;
    2. Itinerário B: Pelas minas e meandros desconhecidos do Paiva;
    3. Itinerário C - Paiva o vale surpreendente
  5. Percursos pedestres: 13 percursos pedestres;
  6. Centro de Interpretação:
    1. Museu das Trilobites - Centro de Interpretação Geológica de Canelas;
    2. Casa das Pedras Parideiras - Centro de Interpretação da aldeia da Castanheira;
  7. Pontos de interesse:
    1. Geodiversidade – estratos rochosos com determinadas características de interesse geológico;
    2. Biodiversidade – plantas e animais;
    3. Património cultural; Exploração da ardósia e volfrâmio:
      1. Ativas: Pedreira do Valério, onde também funciona o Museu das Trilobites - Centro de Interpretação Geológica de Canelas;
      2. Desativadas: Minas de Regoufe e Minas de Rio de Frades;

Os Itinerários do Arouca Geopark

Itinerário A: Freita: a serra encantada

Descrição do Itinerário A: Freita: a serra encantada

"O nome do itinerário diz quase tudo! Contudo, fica a faltar aquilo que vai descobrir, ao longo da sua viagem. Este itinerário cruza uma das mais belas áreas deste território. No planalto da Serra da Freita, localizado a mais de 1000 metros de altitude, vai poder observar uma vasta paisagem que abarca parte substancial do Norte e Centro do país. Este itinerário vai conduzi-lo numa viagem com cerca de 22 quilómetros de veículo motorizado e 3,5 quilómetros a pé. Ao longo da «Serra Encantada» poderá visitar 11 geossítios, nove deles localizados no planalto da Serra da Freita.

Todo este itinerário se desenvolve em área natural classificada como Rede Natura 2000 (Serra da Freita e Arada), e seguramente irá encontrar aqui espécies animais e vegetais que irão despertar a sua atenção. Percorrer a «Serra Encantada» é também uma boa oportunidade para encontrar e visitar testemunhos da ação humana que vão desde a pré-história, passando pela Idade do Bronze, até às infraestruturas dos nossos dias. A terminar, porque mais do que as palavras, é importante que experimente, não deixe de passar pelas aldeias tradicionais que vão bordejando estas montanhas. Será certamente muito bem acolhido pelos habitantes locais.

Geossítios a conhecer: Itinerário A

Características do percurso: Itinerário A

  • Ponto de partida: G1: Panorâmica do Detrelo da Malhada;
  • Ponto de chegada: G13 e G14: Pedras Cebola;
  • Distância: 20,00 km;
  • Altitude máxima: 340 m;

Itinerário B: Pelas minas e meandros desconhecidos do Paiva

Descrição do Itinerário B: Pelas minas e meandros desconhecidos do Paiva

"O presente itinerário é o mais longo dos sugeridos para a Rota dos Geossítios do Arouca Geopark, permitindo aceder a recantos destas montanhas e destes vales onde outrora ocorreram explorações mineiras. Este percurso desenvolve-se na região sudeste e numa das áreas de menor densidade populacional do território Arouca Geopark, onde ainda se preservam algumas evidências da exploração do volfrâmio durante a 2ª Guerra Mundial, ou da exploração do ouro pelos romanos nesta região.

Geossítios a conhecer: Itinerário B: 

Características do percurso: Itinerário B

  • Ponto de partida: Complexos mineiros de Rio de Frades ou Regoufe;
  • Ponto de chegada: G24: Panorâmica da Senhora da Mó;
  • Distância: 62,00 km;
  • Altitude máxima: 680 m;

Itinerário C - Paiva o vale surpreendente

Descrição Itinerário C - Paiva o vale surpreendente

"Este itinerário tem como cenário-base o rio Paiva, que no seu vale contempla os visitantes com descobertas surpreendentes em permanência. Na verdade o rio Paiva possui uma grande importância na construção da paisagem do Arouca Geopark, contribuindo para a modificação desta através de processos erosivos, de transporte e de deposição de sedimentos ocorridos na sua bacia hidrográfica.

Ao longo destes cursos de água surgiram diversas povoações com relevante importância histórica, económica e cultural. São muitas as histórias e as lendas construídas nas margens que, muitas vezes, passaram através das gerações e configuram um forte elemento de identidade cultural dos habitantes desta região. Este itinerário está definido na região nordeste do Arouca Geopark e estende-se ao longo de aproximadamente 27 km, dos quais cerca de 11 km terão de ser realizados a pé. Integra a visitação a 12 geossítios." 1

Geossítios a conhecer: Itinerário C

Características do percurso: Itinerário C

  • Ponto de partida: Coleção de fósseis do Centro de Interpretação Geológica de Canelas;
  • Ponto de chegada: G32: Falha de Espiunca;
  • Distância: 18,00 km;
  • Altitude máxima: 530 m;

Geossítios em destaque do Arouca Geopark

  
 

G6: Frecha da Mizarela

G6: Frecha da Mizarela a maior e mais bela cascata Portuguesa

A Frecha da Mizarela foi esculpida na Serra da Freita em Arouca, junto das aldeias da Mizarela e perto de Albergaria da Serra. Neste arrepiante local, que bloqueia os que têm vertigens, do miradouro vislumbra-se o Rio Caima a despejar brutalmente e destemido as águas no abismo, numa queda com mais de 60 metros de altura, naquela que é a maior queda d'água de Portugal. Neste artigo vamos conhecer este magnífico local, os pontos de interesse, as suas aldeias em redor, geossítios, praia fluvial, ver um vídeo da descida ao vale e fotos, que lhe vão despertar a curiosidade e vontade de a conhecer.

 

 

G7: Pedras parideiras

G7: Pedras parideiras que dão à luz na aldeia da Castanheira

Quem sobe para a Serra da Freita em Arouca, está longe de imaginar que no seu planalto irá encontrar tantas maravilhas de Portugal, abertas paisagens, gado de raça caprina e bovina apascentar livremente pelas serranias, um rico património natural e geológico e as suas aldeias serranas de Albergaria da Serra, Cabaços, Merujal e Castanheira, onde até as inférteis pedras dão à luz e são chamadas parideiras. Este fenómeno das pedras parideiras, apesar de haver outros casos relatados, com estas características minerais, segundo apuramos, é único no mundo. Reza a lenda que as mulheres colocavam estas pedras à noite debaixo do travesseiro para ajudarem quando queriam ter filhos

 

 

G8: Campo de dobras da Castanheira

G8: Conheça as Dobras da Castanheira com 500 milhões de anos

O campo de dobras da Castanheira ocorre nas rochas mais antigas do Arouca Geopark. Estas formaram-se há mais de 500 milhões de anos nas profundezas de um mar antigo, onde se depositaram camadas alternantes de sedimentos que, por diagénese e metamorfismo, originaram as rochas xistentas e metagrauvacoides. Nesta região ocorrem ainda inúmeros filões de quartzo. Há cerca de 350 milhões de anos, os continentes de então começaram a juntar-se para formar o supercontinente Pangeia e este processo originou uma enorme cadeia montanhosa: as Montanhas Variscas. As rochas intensamente dobradas que aqui são uma espécie de fotografia da formação dessas montanhas antigas, semelhante à atual Cordilheira dos Andes, sendo a Serra da Freita apenas um pequeno resquício das suas raízes, já muito erodidas.

 

 

G11: Pedras Boroas do Junqueiro

G11: Pedras Boroas do Junqueiro estranho fenómeno geológico

A Serra da Freita é dotada de prodígios geológicos, como as Pedras Boroas do Junqueiro, ou rochas dobradas por milhares de anos, pedras parideiras que dão à luz ou como estas do Junqueiro que parecem pão para o povo. Lá para os lados do Junqueiro - Arouca, os penedos por ação da erosão, água, vento e sol, resolveram tomar a forma de boroas, com amarelo milho e assim enganar o fraco engenho humano. "As Pedras Boroas são o resultado da erosão diferencial que o granito sofreu e que pós em evidência a sua estrutura base. Este fenómeno dá origem à formação de uma rede de fissuras poligonais nas partes da rocha mais erodidas que, à vista desarmada, lembra a superfície de uma boroa, pelo que a rocha foi assim batizada."

 

 

G15: Minas da Pena Amarela

G15: Minas da Pena Amarela

"Na área das Minas da Pena Amarela encontramos dezenas de bocas de minas que testemunham antigas explorações clandestinas. Estas podem ser observadas a partir de um ponto panorâmico ou percorrendo um percurso mesmo junto das mesmas. Foram exploradas pelos «pilhas», principalmente arouquenses no tempo da dita «Febre do Volfrâmio». No período auge da Segunda Guerra Mundial, os «pilhas» aventuraram-se a abrir a picareta a dura rocha na esperança de encontrar o «ouro negro» que lhe permitiria fazer uma pequena fortuna. Mais tarde, em 1953, estas minas foram concessionadas tendo sido obtido o alvará para a chamada Pena Amarela nº 1 e Pena Amarela nº 2. A falta de escoamento do produto levou, tal como todas as outras minas de volfrâmio em Arouca, ao seu abandono em 1988. Além de toda a carga histórica e mineira que aqui se respira, o arranjo cénico da paisagem envolvente é também inesquecível.

A paisagem é marcada por vales fortemente encaixados onde correm águas límpidas e cristalinas como a ribeira da Cobela e a Ribeira da Pena Amarela, que confluem ali bem perto. A ribeira da Cobela forma até uma queda de água que prende o olhar do pedestrianista. A exploração das Minas da Pena Amarela relaciona-se com a exploração de tungsténio e estanho que ocorreu, no passado, na região de Arouca e que integram um conjunto de depósitos que ocorrem desde a Galiza a Castela (Espanha) atravessando o norte e centro de Portugal, definindo a designada “Província metalogenética estano-volframítica Ibérica”. Esta ocorrência torna Portugal o país da Europa mais rico neste minério, razão pela qual foi cobiçado pela Inglaterra e pela Alemanha principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, dada a utilização deste minério no fabrico de armas e munições."1

INFORMAÇÕES ÚTEIS: Localidade: Pena Amarela, Freguesia de Moldes; Altitude: 450 m; Coordenadas: 40,8888889 | -8,2055556

 

 

G16: Minas de Rio de Frades

G16: Minas de Rio de Frades: No Caminho do Carteiro em Arouca para vencer admirar e meditar

O PR6 Caminho do Carteiro é um árduo trilho, sempre a subir, por escadarias em pedra e encostas íngremes, que começa em Rio de Frades e percorre a antiga volta que estes homens faziam para entregar a correspondência nesta aldeia e nas de Cabreiros e Tebilhão. Pelo caminho passa por uma antiga mina de exploração de volfrâmio, num túnel aberto pelo interior da montanha e que foi requalificado. As encostas têm uma com vista assombrosa para o fundo do vale, que estarrecem os mais temerosos e antigas explorações deste minério que eram feitas muitas vezes de forma ilegal, esburacando a serra em busca do ouro negro.

 

 

G18 – Icnofósseis de Mourinha

G17: Livraria do Paiva e G18: Icnofósseis de Mourinha em Janarde

A aldeia de Janarde em Arouca é o ponto de partida para o percurso pedestre mais curto em extensão do Arouca Geopark, mas dos maiores em significado e beleza, o PR5 – Livraria do Paiva e Icnofósseis de Mourinha. Originalmente o nome do percurso apenas faz referência à livraria, mas nós achamos que pela importância e qualidade dos seus icnofósseis, o seu nome deveria traduzir essa importância. Nós adoramos ver naquela parede rochosa, outrora o fundo um leito marinho os rastros da passagem de antigas criaturas. Este percurso pedestre tem como pontos de interesse a aldeia de Janarde, Rio Paiva, Conheiros e Meandros do Paiva, a Livraria do Paiva e os Icnofósseis da Mourinha.

 

 

G19:  Meandros do Paiva

G19: Meandros do Paiva

"Localizado junto à aldeia de Janarde e facilmente observável do ponto alto sobranceiro à mesma, este geossítio é composto por grandes sinuosidades no curso do rio Paiva. Na verdade, os <<meandros do Paiva>> não se tratam  de meandros propriamente ditos, uma vez que estas estruturas apenas se formam em resultado exclusivo da dinâmica fluvial nas secções terminais dos rios. tratam-se sim de <<falsos meandros>> induzidos pela tectónica e diferenciação litológica, dando origem a uma paisagem de excecional beleza."1

INFORMAÇÕES ÚTEIS: Localidade: Janarde, União das freguesias de Covelo de Paivó e Janarde; Altitude: 224 m; Coordenadas: 40,55396 | -8,085857

 

 

G20: Cocheiros do Paiva

G20: Cocheiros do Paiva

Ao subir para ver os Meandros do Paiva observe na encosta amontados de calhaus que constituem os “Cocheiros” e parece que ali foram depositados propositadamente, mas que são fruto da erosão, das mudanças abruptas de temperatura, do inverno e verão, noite e dia e que vão desfazendo a dura pedra em lascas menores. Aqui no cimo o povo construiu um pequeno cruzeiro para agradecer ao Senhor tão bela criação, saiba o homem a manter sem estragar ou plantar com eucalipto.

INFORMAÇÕES ÚTEIS: Localidade: Janarde, União das freguesias de Covelo de Paivó e Janarde; Altitude: 224 m; Coordenadas: 40,55396 | -8,085857

 

 

G22: Minas de Regoufe

G22: Regoufe aldeia com passado mineiro na guerra mundial

A aldeia de Regoufe, fica localizada em Arouca, sendo o seu acesso muito difícil. Esta terra fica localizada no fundo de um vale e mantém ainda viva os ecos do seu passado agrícola, com o cultivo da terra, a pastorícia e restos da sua história mineira. Daqui partem dois dos melhores trilhos de Arouca, para Drave e Covelo de Paivô. Ao caminhar pelas suas lajes de pedra encontramos a cada virar da esquina velhos agricultores, rebanhos de ovelhas, cabras ou outros animais.

 

 

G25: Centro de Interpretação Geológica de Canelas

G25: Centro de Interpretação Geológica de Canelas e Trilobites

O Centro de Interpretação Geológica de Canelas, fica localizado em Arouca, sendo popularmente conhecida como a "Pedreira do Valério", que é explorada comercialmente e de onde são extraídas ardósias, desde meados do século XX. Neste local que outrora foi um leito marinho com pouca profundidade viveram muitos seres vivos, como as trilobites, que morreram e fossilizaram nos sedimentos do leito arenoso. Os trabalhos neste local puseram à vista estes fósseis e a visão do seu explorador Manuel Valério, depressa identificou a sua importância, riqueza e lutou pela sua preservação, que culminou com a construção deste museu. Neste artigo conhecemos este homem que nos contou a história deste projeto e lembramos com saudade em virtude de ter partido prematuramente.

 

 

G29: Crista quartzítica da Gralheira d'Água

G29: Gralheira d'Água velho mar com fósseis e romano minerou ouro

Quem gosta de montanhas, geologia e história caótica da terra regressa com frequência ao Arouca Geopark, para descobrirmos a nossa odisseia a bordo de caravelas do tamanho de continentes. Nestas serras cada pedra sussurra o passado se a soubermos interpretar ou ouvirmos os homens que as estudam. Navegamos numa jornada pela caminhada interpretada do "Vale do Paiva", onde ficamos a conhecer melhor a “Pedreira do Valério”, onde nas lousas ganham vidas gigantescos fósseis de trilobites e escalamos a Gralheira d'Água, onde romanos extraíram ouro de antigas minas mouras. No seu miradouro saboreamos as paisagens longínquas de Alvarenga e Cinfães e conhecemos a lenda do rego do boi.

 

 

G32: Falha da Espiunca

G32: Falha da Espiunca caso geológico com 500 milhões de anos

A Falha da Espiunca, é o geossítio G32 do Arouca Geopark, sendo considerada uma falha normal, com deslocamento dos blocos de 1,70 metros. Esta falha pode ser vista numa parede rochosa situada junto à estrada municipal 505 e Ponte da Espiunca, sobre o rio Paiva, numa das extremidades da entrada dos Passadiços do Paiva. Esta falha geológica ocorre no talude da estrada nas rochas mais antigas desta região, que se formaram há mais de 500 milhões de anos nas profundezas de um antigo mar, onde se foram depositando sedimentos, cujos estratos quartzíticos se encontram aqui bem perceptíveis.

 

 

G35 - Cascata das Aguieiras

"A cascata das Aguieiras é observável a partir de miradouro integrado nos Passadiços do Paiva encontrando-se inserida numa área designada pelos praticantes de desportos de águas bravas no rio Paiva por «Garganta do Paiva» (G36), que geologicamente define o troço em que o rio se encaixa em canhão no granito de Alvarenga.

Esta cascata é formada pela queda de água da ribeira das Aguieiras, resultando da confluência de diversos tributários que atravessam a freguesia de Alvarenga.

Após percorrerem parte considerável desta freguesia, as águas desta ribeira caem vertiginosamente pelas escarpas graníticas que ladeiam a margem direita do rio Paiva através de um conjunto de desníveis que totalizam cerca de 160 metros.

A origem desta queda de água é condicionada pela rede de fraturação ortogonal deste maciço granítico, desconhecendo-se a existência de outros elementos estruturais que condicionem a mesma. Neste sentido, a ribeira das Aguieiras terá aproveitado uma fratura no granito de Alvarenga, uma linha de fragilidade que permitiu o seu encaixe.

Sobre este miradouro é, também, possível observar o cabeço rochoso onde se encontra implantado o «Castelo de Carvalhais», um castelo roqueiro da época da Reconquista (Séc. IX-XII), reduto defensivo e estrategicamente posicionado, provavelmente destinado a controlar a travessia do rio Paiva, uma importante barreira morfológica entre as margens do Douro e o vale de Arouca."1

INFORMAÇÕES ÚTEIS: Localidade:Canelas, União de Freguesias de Canelas e Espiunca ; Altitude: 266 m; Coordenadas:

 

 

G36 - Garganta do Paiva

G36 - Garganta do Paiva

"A Garganta do Paiva corresponde a um segmento do rio Paiva onde o leito se torna mais estreito e se prolonga desde a ponte de Alvarenga até ao Vau (G30). Esta ponte, datada do século XVIII, foi mandava construir por alvará de D.Maria I, no ano de 1971. É composta por dois arcos de volta inteira, possui 42 metros de comprimento e é em cantaria. Sobre a ponte é possível observar, para jusante, o vale do Paiva encaixado sobre paredes graníticas abruptas, que curiosamente, contrasta com o vale bem mais aberto, a montante desta ponte. este estrangulamento deve-se à maior resistência do granito de Alvarenga à meteorização e erosão quando comparada com as rochas metassedimentares a montante da ponte, num fenómeno de erosão diferencial. Integrado neste troço destaca-se ainda a ocorrência de marmitas de gigante e da Cascata das Aguieiras (G35).

A área correspondente a este geossítio é, também, um clássico das águas bravas em Portugal, constituído por desafiantes rápidos de classe IV+ e V, numa escala de I e VI. Merece particular relevo o <<Rápido Grande>>, um rápido longo e técnico, sendo o palco da espetacular da prova anual de Kayak Extremo do Paiva Fest. As íngremes paredes rochosas deste geossítio são, ainda, ricas em biodiversidade saltando à vista manchas coloridas de verde-limão que correspondem ao líquen Acospora hilaris (indicador de clima mediterrâneo). As fissuras naturais na rocha granítica são, ainda, refúgio para inúmeras aves de rapina que sobrevoam o vale do Paiva."1

INFORMAÇÕES ÚTEIS: Localidade:Ponte de Alvarenga, Alvarenga e União de Freguesias de Canelas e Espiunca; Altitude: 181 m; Coordenadas: 40,957675 | -8,174149

 

 

 

Geossítio G37 - Iconfósseis de Cabanas Longas

G37: Icnofósseis de Cabanas Longas revelam rastos de trilobites

Quem olha para as serras de Arouca está longe de imaginar que há muitos milhares de anos esta zona estava submersa por um mar pouco profundo e há riquezas ocultas por detrás dos penedos. Neste ambiente marinho viveram pequenos seres, como as trilobites, que deixaram o seus rastos sulcados no leito arenoso. Estas provas do passado foram preservadas no Geossítio G37 - Iconfósseis de Cabanas Longas, localizado perto da Aldeia de Portugal da Paradinha - Alvarenga - Arouca. A abundância destes antigos registos geológicos fez nascer o Arouca Geopark e colocou este concelho como referência internacional para o estudo da evolução da fauna, flora e geologia da terra. Neste artigo vamos descrever as suas características, aspetos técnicos, biodiversidade em redor, pontos de interesse e apresentar as suas fotos mais representativas.

 

 

G38: Miradouro Mira Paiva

G38: Miradouro "Mira Paiva"

"Este geossítio inclui o ponto panorâmico de Mira Paiva e toda a área abrangente até à margem direita do rio Paiva. Deste local, de elevado valor paisagístico, é possível observar o vale do Paiva, a aldeia de xisto da Paradinha, classificada como Aldeia de Portugal®. O rio abraça de forma convexa a zona de recreio e lazer anexa a esta aldeia. Com efeito a corrente é mais forte na margem côncava, erodindo-a mais do que a margem convexa, onde deposita parte da sua carga sólida. Por este motivo, observam-se na margem convexa (e, neste caso, na margem direita) uma área fluvial formada, em grande parte, por calhaus soltos, de origem diversa mas boleados pelo rio, que por si só contam a história geológica da região."1

INFORMAÇÕES ÚTEIS: Localidade: Paradinha - Alvarenga - Arouca; Altitude: 280 m; Coordenadas: 40,56139 | -8,10219

 

Créditos e Fontes pesquisada

Texto: Ondas da Serra com exceção do que está em itálico e devidamente referenciado.

Fotos: Ondas da Serra.

1 - Arouca Geopark, aroucageopark.pt/

Lida 2870 vezes

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Ondas da Serra

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Conheça a Cascata das Aguieiras das mais belas de Portugal

A Cascata das Aguieiras fica localizada na freguesia de Alvarenga, concelho de Arouca, distrito de Aveiro. Esta queda de água é o geossítio de interesse com a identificação G35 do Arouca Geopark. Esta maravilha geológica destaca-se pelos sucessivos desníveis por onde a água, proveniente da ribeira com o mesmo nome, se precipita e que no conjunto totalizam cerca de 160 metros. A torrente em queda é descarregada na Garganta do Rio Paiva, onde este curso de água adquire um carácter violento e feroz para vencer as encostas estreitas. A sua importância é reforçada pela forma como pode ser observada pelo miradouro integrado nos Passadiços do Paiva ou Ponte Suspensa 516 Arouca. 

Passadiços do Paiva: Guia Teórico-Prático para fazer o trilho

A fama dos Passadiços do Paiva em Arouca, por quem Gaia se enamorou, foi elevada pelos ventos aos quatros cantos da Terra. As suas formosas escadarias parecem tomar os céus de encontro ao Criador. O rio Paiva que as acompanha é dos últimos de águas bravas e mais limpas da Europa. O seu percurso ondulante acariciando o vale aproxima o ser humano da natureza que esqueceu, mas quer resgatar. Este Jardim do Éden, pode conduzi-lo aos verdes prados e águas refrescantes, porque nada lhe falta, por isso temos o dever de o proteger e enaltecer a sua natureza. Esta aventura vai desvendar algumas das riquezas da sua fauna, flora, geologia, história, rápidos e praias fluviais. Muito se tem escrito sobre este premiado ser, contudo neste artigo vamos dar-lhe uma visão prática da visita, para colmatar uma das suas lacunas, para você saber de antemão o que pode ver, ouvir, cheirar, provar e tocar.

Icnofósseis de Cabanas Longas revelam rastos de trilobites

Quem olha para as serras de Arouca está longe de imaginar que há muitos milhares de anos esta zona estava submersa por um mar pouco profundo e há riquezas ocultas por detrás dos penedos. Neste ambiente marinho viveram pequenos seres, como as trilobites, que deixaram o seus rastos sulcados no leito arenoso. Estas provas do passado foram preservadas no Geossítio G37 - Iconfósseis de Cabanas Longas, localizado perto da Aldeia de Portugal da Paradinha - Alvarenga - Arouca. A abundância destes antigos registos geológicos fez nascer o Arouca Geopark e colocou este concelho como referência internacional para o estudo da evolução da fauna, flora e geologia da terra. Neste artigo vamos descrever as suas características, aspetos técnicos, biodiversidade em redor, pontos de interesse e apresentar as suas fotos mais representativas.