Ecopista do Vale do Vouga Estação de Sernada do Vouga - Águeda

Ecopista do Vale do Vouga Destaque

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Depois de nós últimos tempos termos feitos algumas caminhadas exploratórias, Ondas da Serra resolveu mudar de ares e ir pedalar para Águeda e Server do Vouga. Com base neste objetivo fomos conhecer a Ecopista do Vale do Vouga e vamos relatar aqui a nossa experiência e algumas sugestões que poderão ser úteis.

Ecopista da linha do VougaNós decidimos começar o percurso junto da antiga estação do Carvoeiro - Águeda. Nesta aldeia estacionamos o carro junto ao “Café do Nó”, de Teresa Melo. Outra alternativa que damos para começarem é na estação de Sernada do Vouga ainda ativa, que podem aproveitar para visitar. No nosso caso deixamos esta visita para o regresso.

O percurso a partir do Carvoeiro é em terra batida, por entre frondosa vegetação e acompanhando o rio Vouga e sussurro das suas águas. O trilho serpenteia por montes e falésias, onde o homem abriu à força de picaretas e quem sabe explosivos túneis na rocha para a passagem dos comboios.

Esta parte da pista faz a ligação entre Sernada do Vouga e a Foz do Rio Mau, no concelho de Sever do Vouga, aproveitando para o efeito, a plataforma da antiga Linha Ferroviária do Vouga. Acontece por vezes no percurso termos lado a lado, três vias de comunicação, fluvial, rodoviária e ferroviária. Esta última foi desativa e colocada ao serviço da comunidade, dando-lhe uma reforma digna de quem já cumpriu bem a sua missão.

O dia estava ameno e fazia-se sentir o cheiro das mimosas, ouvia-se o cantar dos corvos e outros pássaros.  Por vezes parecia que íamos entrar pela casa dentro das pessoas, porque antigamente as guarda-linhas viviam para servir os comboios nos locais onde a ferrovia se cruzava com a estrada.

A dada altura encontramos a foz do Rio Mau, nosso conhecido quando fizemos o percurso pedestre 2.3 - “Cabreia e Minas do Braçal” em Sever do Vouga. Ficamos tristes porque conhecemos a sua beleza para montante e achamos que merecia um final mais honroso para a sua foz e não um emparedado de betão. A partir deste ponto o piso muda para betuminoso e dá gosto pedalar, para aqueles que como nós não são especialistas em BTT.

Ao chegar à localidade da Foz, junto à Estrada Nacional 16, uma ponte que dá acesso a uma casa, construída com um estilo vertiginoso, parece que se vai desabar no rio e só a força de dois cabos evitam que o pilar central que ostenta uma inclinação notável, se precipite nas aguas. A dada altura por entre a folhagem vislumbra-se ao fundo a Ponte do Poço de São Tiago. Ao passarmos pela mesma, abre-se diante de nós um espetáculo deslumbrante, embora a sua altura possa fazer tremer os mais vertiginosos.  É neste ponto que o rio foge para o lado contrário e deixamos de o ter pela mão. Este troço foi onde encontramos muitas pessoas a caminhar, correr ou andarem de bicicleta e um casal de ingleses a passear.

Chegamos à antiga estação de Paradela, local muito bem conservado, possuindo um café em funcionamento, onde na esplanada se ouvia música. Em frente ergue-se a Fábrica de Massas do Vouga, ostentando ainda um estilo da revolução industrial. Em muitos campos e quintais encontram-se laranjais, em Cedrim, com vista para a capela e ao bater da uma da tarde paramos para comer algumas com autorização do dono que ali perto tinha acabado de trabalhar a terra. É por esta razão que por estes locais foi criada o PR3 - Rota das Laranjeiras. Comemos este fruto junto a um espigueiro, mas ao contrário do habitual este guardava espigas e encontramos outro com a mesma finalidade, já não se vê disto na nossa zona vareira.

Nos temos este habito quando o tempo o permite, de em certas aldeias sairmos do percurso e darmos umas voltas para conhece-las um pouco melhor e se possível encontrar uma boa taberna com vinho e comida da região. No regresso fomos visitar a capela deste lugar, onde fizemos um pouco de recolhimento e agradecimento pela vida nos proporcionar estes belos momentos. Todos as religiões e credos são importantes, na nossa Constituição existe a liberdade de culto que nos respeitamos. Junto da mesma encontramos um belíssimo painel de azulejos que emoldura um fontanário, representando o batismo de Jesus Cristo por João Batista, como somos de Ovar que ostenta o titulo “Cidade Museu do Azulejo”, interessamos por estes pormenores.

Passamos pelo antigo apeadeiro da Senhora de Lourosa e a dada altura podemos ver ao fundo a nova barragem do Vouga. Escolhemos para almoçar um parque de merendas em Arcozelo das Mais. Aqui as antigas instalações da estação servem agora como sede da Associação Cultural e Recreativa das Mais – Nova Geração. Este local já pertence a Oliveira de Frade, distrito de Viseu. Ali bem perto pode comer e beber no restaurante do “O Ramiro”, explorados por Carlos Cruz e Rosa Cruz. Segundo uma senhora que nos indicou o local disse que além dos bons pratos também faz umas boas bifanas. Para quem gosta de caminhadas ali começa a Rota do Gaia.

O tempo não permitiu que continuássemos em frente, aqui o piso é em terra batida e a gravilha torna mais difícil pedalar, regressamos pelo mesmo caminho e apesar de ainda ser cedo abateu-se um frio serrano que desapareceu lá mais para baixo para o vale.  

No final fomos visitar como dissemos a estação de Sernada do Vouga, tendo passado por uma ponte metálica que apenas permite uma fila de trânsito. Na estação dois trabalhadores deram-nos algumas informações importantes e prestarão o seu testemunho.

 

Pessoas

A dada altura do percurso antes da ponte do Poço de Santiago, encontramos um casal a caminhar descontraidamente que pelo ar pareciam não ser Portugueses, o que se veio a confirmar. A senhora chama-se Ana Lam, 66 anos e homem Robert Lam, com 66 e 67 anos, respetivamente, são Ingleses e vivem em França e estão ambos reformados. O casal está a passar férias em Vale de Cambra e disseram que estavam a gostar muito daquele percurso.

Na estação de Sernada do Vouga dois trabalhadores que ali faziam uns melhoramentos, muito empenhados no seu oficio pararam uns segundo para nos dar o seu testemunho. Luís Portela, com 50 anos, residente em Talhadas – Sever do Vouga, casado, com dois filhos já adultos, Susana com 27 e Sérgio com 24, e Aristides Silva, com 59 anos, residente em aldeia de Virela - Arcozelo das Mães – Oliveira de Frades, casado, tem uma filha que reside em França e já tem um neto. O local onde reside tem uma bonita vista sobre a barragem do Vouga e uma ilhas, onde termina o rio Teixeira.

Quando lhes explicamos a razão do nosso nome e as suas influencias marítimas e serranas, recebemos de Aristides Silva uma das melhores descrições para a inspiração do nosso nome, “Tem lógica Ondas da Serra, porque nas serras quando havia aqueles campos de centeio e lhe dava o sol e vinha o vento que dobrava o centeio conforme passava levantando ondas até ficar plano outra vez, vinha depois outro vento que voltava a fazer aquelas ondas, muito bonito”. Palavras para que o nosso povo é poeta.

 

Percurso

  • Estação de Sernada do Vouga – Estrada;
  • Carvoeiro – Águeda – Piso em terra;
  • Foz do Rio Mau – Piso Betuminoso;
  • Ponte de Poço de S.Tiago, antiga ponte ferroviária sob o rio Vouga - Sever do Vouga;
  • Antiga estação de Paradela – Sever do Vouga – Piso Betuminoso;
  • Antigo apeadeiro de Cedrim – Sever do Vouga – Piso Betuminoso;
  • Santuário de Nª Srª dos Milagres
  • Antigo apeadeiro da Senhora de Lourosa – Barreiro - Oliveira de Frades – Piso em terra;
  • Apeadeiro de Ribeiradio – Oliveira de Frades Frades – Piso em terra;
  • Arcozelo dos Mais - Oliveira de Frades – Piso em terra.

 

Como chegar

A25, sentido poente-nascente, saída para Macinhata do Vouga, ou se vier pelo IC1, sentido norte-sul, saída Macinhata do Vouga, esta alternativa é um pouco mais difícil.

 

Ponte do Poço de Santiago

Nesta ponte circulou até 1972, o saudoso comboio do Vale do Vouga, carinhosamente designado por “Vouguinha”. A sua construção remonta ao ano de 1913, tendo sido necessários três a quatro anos para a sua conclusão. Teve como seu orientador no terreno o Eng. Francês F. Mercier que dirigiu a construção da ponte. Como se integra num conjunto potencialmente turístico, a Câmara Municipal valorizou ainda mais aquele imóvel, através da aplicação de um sistema de iluminação. O ciclo completa-se com o deleite de quem visita a Ponte durante o dia ou, à noite, experimentando simultaneamente, nos restaurantes aí sediados, os sabores vincados de uma gastronomia local.

Fonte: https://www.flickr.com/photos/ccdrc/5869627492

 

Ecopista do Vale do Vouga – percurso de Águeda

Ecopista do Vale do Vouga – percurso de Sever do Vouga

 

Início/Fim: Começa junto ao antigo Apeadeiro de Carvoeiro, ao PK 63,941.

Fim/Início: Termina no Lugar da Foz, próximo da foz do Rio Mau, ao PK 66,527.

Extensão: 2.500 metros.

Caracterização do Percurso: Como parte da antiga linha ferroviária está transformada em artéria rodoviária, o Percurso de Águeda, da Ecopista, só começa junto ao antigo Apeadeiro de Carvoeiro. Segue em direcção ao Apeadeiro da Foz do Rio Mau, já no concelho de Sever do Vouga, sempre paralelo à EN16 e ao Rio Vouga.

Pontos de Interesse: O Vale do Rio Vouga, com as suas paisagens espectaculares, caracteriza esta Ecopista.

Envolvência: O Percurso desenvolve-se entre zonas florestais e agrícolas, sempre muito próximo do Rio Vouga.

Utilização: Via ciclopedonal, pelo que é permitida a circulação a pé e de bicicleta.

Piso e sinalização: O piso é em saibro. Apresenta sinalização vertical específica e balizamento nos acessos à Ecopista.

Declive: Praticamente plana.

Grau de Dificuldade: Sem qualquer dificuldade.

Inauguração: Entrou em funcionamento em 2012.

Notas: Na Foz do Rio Mau liga-se ao Percurso de Sever do Vouga.

Fonte: http://www.ciclovia.pt/ciclovias/2centro/1aveiro/lvvouga/lvv22020406.php

 

Início/Fim: Começa no Lugar da Foz, próximo da foz do Rio Mau, ao PK 66,527.

Fim/Início: Termina em Fontelas, nos limites do concelho com Oliveira de Frades. Extensão: 10.384 metros.

Caracterização do Percurso: A Ecopista de Sever do Vouga resulta da parceria entre o Município de Sever do Vouga e a Refer para a reabilitação da antiga Linha Ferroviária do Vouga (Sernada do Vouga - Viseu).

Com início no Lugar da Foz, ao lado da foz do Rio Mau, a Ecopista segue para Norte sempre paralela ao Rio Vouga e à EN16. Passa o edifício da antiga Estação da Paradela, e continua até aos limites do concelho com Oliveira de Frades, em Fontelas.

Pontos de Interesse:     O Percurso de Sever do Vouga atravessa 5 túneis e uma ponte centenária, a Ponte do Poço de Santiago, ponte monumental que é um símbolo de identidade de toda a região. O Vale do Rio Vouga, com as suas paisagens espetaculares, caracteriza esta Ecopista.

Envolvência: O Percurso desenvolve-se entre zonas florestais e agrícolas, sempre muito próximo do Rio Vouga.

Utilização: Percurso pedonal partilhado com as bicicletas, onde também é permitido circular de patins, trotineta e skate.

Piso e sinalização: Piso em betuminoso de cor vermelha. Apresenta sinalização vertical e horizontal.

Declive: Sem declives acentuados, subindo ligeiramente em direção a Cedrim.

Grau de Dificuldade: Dificuldade Média.

Inauguração: Em 2009 entrou em funcionamento o primeiro Percurso, entre a Foz do Rio Mau e a estação CP de Paradela.

O Percurso entre Paradela e Cedrim foi inaugurado no dia 7 de Setembro de 2013.

Notas:  Na Foz do Rio Mau liga-se ao Percurso de Águeda.

Fonte: http://www.ciclovia.pt/ciclovias/2centro/1aveiro/lvvouga/lvv22020407.php

 

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social com distribuição da informação pela Internet, que visa promover a identidade regional e o turismo através da promoção da cultura, património, monumentos, museus, desporto, economia, gastronomia, ecologia e coletividades dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, Arouca e dos restantes municípios desta região.

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