Pardilhó encantos e recantos Ribeira do Nacinho - Pardilhó

Pardilhó encantos e recantos Destaque

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Pardilhó é uma vila pertencente ao concelho de Estarreja, nascida junto à Ria de Aveiro, repleta de encantos e recantos que facilmente enamoram o visitante. Esta terra possui uma atmosfera especial, um tempo peculiar e gentes afáveis e trabalhadoras.

Fonte da SamaritanaComeçamos esta aventura de bicicleta na Ribeira do Mourão, que pertencendo à freguesia de Avanca, fica muito próxima da sua vizinha. A sul começa uma estrada que liga a Pardilhó, ladeada de campos agrícolas, infelizmente a pequena ponte que a liga à ribeira, está danificada, mas ainda permite a passagem de pessoas e bicicletas.

As estradas e caminhos deste local são planas e indicadas para os amantes das caminhadas e cicloturismo. Aqui todos os habitantes pedalam nas suas bicicletas, novos, velhos e crianças. Por todo o lado se vêem animais a pastar, vacas, cavalos e burros, estes últimos utilizados para puxar carroças, que abundam por estas paragens. Como é uma zona agrícola, facilmente se observam agricultores a trabalhar a terra. Um deles lavrara com auxilio do seu trator e o revolver da terra, punha a descoberto insetos e vermes que eram aproveitados por bandos de pássaros para se alimentarem deste festim inusitado.

Passamos nas Ribeiras do Telhadouro, Nacinho, Aldeia Nova e Teixugueira, são todas especiais e os barcos ali ancorados, pintam a ria de cores vivas. Na Rua Pedro Ribalta, uma placa toponímica chamou-nos atenção “Beco do Cagão”, em contrapartida outra remetia para antigos afazeres, como a “Rua Seca do Bacalhau”.

A dada altura o caminho levou-nos até à Fonte da Samaritana, que se destaca pelo seu bonito painel de azulejos e o respetivo Moinho com o mesmo nome, recuperado em 2012, pela junta de freguesia local. Relembramos o episódio bíblico que inspirou esta fonte, quando Jesus como judeu usou falar para uma mulher Samaritana, pedindo-lhe água. Nesta época os judeus eram conhecidos por não gostarem dos Samaritanos, que consideravam impuros. Esta parábola entre outros ensinamentos remete para a tolerância e amar todos os seres sem falsos interesses. Este é um bom local para refletir se estamos a fazer a nossa viagem da melhor forma, sem nos desviarmos do caminho.

Fomos também visitar os monumentos de “Homenagem aos Carpinteiros Navais” e ao “Emigrante”. Este último colocado no centro de Pardilhó perto da Igreja de São Pedro.

Terminamos o percurso junto à “Pedra da maroteira”, no centro da vila, uma placa ali colocada informa que tem mais de cem anos. Este é um local onde os homens se reúnem em amena cavaqueira, tomando as suas bebidas no café ali ao pé. Foram os mais velhos que nos contaram o outro nome porque é conhecida, “Pedra das piç*** moles”. Por ali passam muitas formosas meninas e senhoras e os mais atrevidos lançam-lhes uns piropos, ao que elas respondem com aquela provocação.

Breve História da Freguesia de Pardilhó

A Terra Marinhoa, onde se inclui Pardilhó, foi criada por aluvião, conquistando espaço ao oceano pelo depósito de areias do mar, do rio Vouga e outros rios. No ano de 929 mencionam-se salinas nos arredores de Fontela (Avanca), provavelmente em terrenos onde hoje assenta Pardilhó. Seriam talvez os muros de pedra (paredes) dessas salinas que originaram o nome de Pardilhó, documentado pela primeira vez entre 1346-1357 num caderno de pergaminho, sob o nome «Pardilhoo» ou «Pardelhoo», onde também consta «Talhadoyo» e «Marinha do Talhadeiro». Nessa época os nomes das povoações vizinhas eram já quase todos conhecidos.

PEREIRA, Marco. Breve História da Freguesia de Pardilhó. 2018. Disponível em: http://jf-pardilho.com/index.php/a-freguesia/historia. Acesso em: 21 nov. 2018.

 

Breve história dos cais da ria de Aveiro e atividades

Durante séculos a economia da região lagunar da Ria de Aveiro esteve exclusivamente baseada na exploração dos seus recursos locais (Sarmento, 2005, p.207). As populações dos concelhos que rodeiam a Ria de Aveiro sempre mantiveram uma forte afinidade com este ecossistema, vivendo em função do que a Ria lhes concedia a pesca, a recolha do moliço, bivalves e crustáceos, o sal, o tráfego lagunar e a agricultura. Ao longo dos séculos estas populações desenvolveram atividades agro marinhas, em que a conjugação entre a pesca marítima e a lagunar associada à agricultura assegurava a base da economia doméstica.

Segundo Sarmento (2005, p.208) “nos séculos XII e XIII, a pesca marítima e a pesca fluvial estavam claramente diferenciadas (...)”sendo no entanto exercidas em simultâneo com o trabalho agrícola. Segundo o mesmo autor, a evolução da morfologia costeira, sobretudo a partir do século XVI, provocou a decadência da pesca lagunar, levando a que muitos pescadores se dedicassem a esta faina no mar. Já no século XIX, após a abertura e fixação da barra (1808), as atividades lagunares registam um forte incremento, suscitando a necessidade de medidas de proteção dos recursos, como a instituição de um período de defeso (1868) e a regulação dos usos.

Ao longo dos séculos e até meados do século XX a Ria de Aveiro, funcionou como o mais importante eixo de comunicação entre as populações ribeirinhas, na ausência de grandes eixos rodoviários (a estrada que liga Ovar a São Jacinto foi construída em 1952, EN327). O vento e “ (...) os canais lagunares foram aproveitados para o transporte e deslocação entre as margens (...)” (Sarmento, 2005, p.219) sendo rotineiras as travessias e comuns a associação entre habitações e bateiras nas margens da Ria. Este contexto dá lugar à criação de uma grande diversidade de embarcações e de cais e locais de acostagem.

Robaina, M. and Martins, F. and Figueiredo, E. and Albuquerque, H., Nunca mais voltas ao Cais? Percepções sociais e políticas sobre os Cais da Ria de Aveiro. RIA, Aveiro, 1981. 

 

Cais da Ribeira da Aldeia

No Cais da Ribeira da Aldeia de Cima estão presentes a prática de canoagem e ginásio da Secção de Canoagem da A.C.R. Saavedra Guedes, a recuperação de barcos de madeira, um Café Snack/bar (entretanto encerrado), atividades de merendas promovidas pelos familiares dos atletas e por instituições como lar de terceira idade da Quinta do Resende e o Rancho Etnográfico de Pardilhó (que organizam também alguns eventos recreativos no cais), caravanismo e passeios autónomos de embarcações no âmbito do recreio náutico.

Robaina, M. and Martins, F. and Figueiredo, E. and Albuquerque, H., Nunca mais voltas ao Cais? Percepções sociais e políticas sobre os Cais da Ria de Aveiro. RIA, Aveiro, 1981. 

 

Igreja São Pedro

Esta Igreja fica localizada na Avenida António Joaquim Resende. É um imóvel simples, com características rurais, com arquitetura oitocentista e novecentista. Foi edificado entre 1812 e 1835. Veio substituir a primeira Igreja da freguesia construída durante o domínio Filipino, em 1638. Possui uma torre sineira, adossada à esquerda da nave. A frontaria é revestida com azulejos e, internamente, estes também são utilizados, quer na capela-mor quer em guarnições. O pavimento é dividido em sepulturas, por meio de faixas de cantaria, com campas de madeira. Possui cinco retábulos, de inspiração setecentista, com esculturas de madeira dos séculos XVIII, XIX e XX.

CM Estarreja. Património Religioso: Igreja de São Pedro. Disponível em: https://www.cm-estarreja.pt/patrimonio_religioso. Acesso em: 21 nov. 2018.

 

Fonte da Samaritana

Na Fonte da Samaritana, em Pardilhó, encontra-se um painel de azulejos pintado por Carlos Mendes, no ano de 1910, na antiga Fábrica “Santos Mártires”, em Aveiro, o qual é um dos poucos painéis figurativos que ainda restam daquela centenária fábrica aveirense e que deu origem à Fábrica Aleluia.
Em 1905, um grupo de operários e pintores que até então trabalhava na Fábrica da Fonte Nova, em Aveiro, entre os quais os irmão João Aleluia e Feliciano Aleluia, João Bernardo Júnior, António de Lima e João Gonçalves, fundou a Fábrica dos Santos Mártires, então situada no atual Bairro do Alboi. No ano seguinte, a sociedade foi dissolvida, ficando João Aleluia com Fábrica dos Santos Mártires até que em 1917/8 a produção foi transferida para uma nova unidade, nas proximidades do Canal do Cojo, que passou a ser conhecida por Fábrica Aleluia.

O pintor ceramista Carlos Mendes também trabalhou na Fábrica da Fonte Nova, como refere Patrícia Sarrico na sua tese de mestrado, juntamente com artistas como Licínio Pinto e Francisco Pereira, entre outros. No entanto, e conforme a assinatura datada que se encontra neste painel, no ano de 1910 Carlos Mendes trabalhava na Fábrica Santos Mártires.

Para além deste painel representando o episódio bíblico da Samaritana e Jesus no poço de Jacob (ou melhor, no caso, na fonte), há ainda um outro painel, possivelmente executado na Fábrica das Devesas, em Gaia, mas que por motivos desconhecidos foi cortado, faltando parte da assinatura do artista e também da designação da fábrica onde foi executado. Para além destes dois painéis, a fonte possui um bom conjunto de azulejos de padrão.

ECCLESIA. Fonte da Samaritana.: Painel da Fábrica dos Santos Mártires em Pardilhó. 2014. Disponível em: http://sites.ecclesia.pt/cv/fonte-da-samaritana-painel-da-fabrica-dos-santos-martires-em-pardilho. Acesso em: 21 nov. 2018.

 

Percurso das Ribeiras de Pardilhó - PR6 - Estarreja

Este percurso começa junto à Ribeira do Mourão e passa pelas Ribeiras do Telhadouro, urbe de Saltadouro, Ribeiras do Nacinho, Tabuada, Aldeia e Teixugueiras, onde termina. O mesmo possui cerca de sete quilómetros, sendo dotado duma grande beleza por caminhar de braço dado com a ria, que inspira tranquilidade, sendo também muito apropriado para a observação de aves.

Fonte: Bio Ria - http://www.bioria.com/percurso_ribeiras_pardilho

 

Ribeira do Nacinho

 

Ribeira da Aldeia

 

 

 

Ribeira do Mourão

O trator e as aves

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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