Ondas da Serra

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é uma marca registada e um Órgão de Comunicação Social periódico inscrito na ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social, com um jornal online. O nosso projeto visa através da publicação das nossas reportagens exclusivas e originais promover a divulgação e defesa do património natural, arquitetónico, pessoas, animais e tradições do distrito de Aveiro e de outras regiões de Portugal. Recorreremos à justiça para defendermos os nossos direitos de autor se detetarmos a utilização do nosso material, texto e fotos sem consentimento e de forma ilegal.     

URL do Sítio: http://ondasdaserra.pt

Sistelo é uma aldeia de montanha, situada no interior nortenho, do concelho de Arcos de Valdevez, enclausurada no alto da Serra da Peneda em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês. Ao longo da história os seus habitantes moldaram a paisagem montanhosa agreste, profundamente rural, em socalcos para amanharem o sustento e criarem bovinos da raça cachena. Os forasteiros apaixonaram-se pela sua beleza e começaram a chamar-lhe de Tibete Português. O rio Vez atravessa o seu vale e o povo chama-lhe seu e canta-lhe canções de amor. A sua eloquência é realçada por quem percorrer a sua ecovia ou passadiços. No entanto, a desertificação do interior também atingiu esta terra e os seus habitantes permanentes contam-se pelos dedos das mãos. Isto levou ao abandono agrícola que tem apagado a sua marca distintiva, com o crescimento de vegetação e derrocadas nos socalcos abandonados outrora totalmente cultivados.

O percurso pedestres PR24 – Trilho dos Socalcos do Sistelo, desenvolve-se nesta freguesia do concelho de Arcos de Valdevez. Esta caminhada é caracterizada pelos socalcos que contribuíram para ter ganho o título de ser uma das “7 Maravilhas de Portugal”, na categoria de Aldeia Rural. Esta forma que os seus antepassados arranjaram para moldar a paisagem e conseguirem cultivar as terras para o seu sustento, mudam de tonalidade e beleza conforme as estações do ano. Pelo caminho poderão ser encontrados traços da sua ancestralidade e práticas agrícolas. Por vezes nos lugares mais inusitados descansam ou pastam bovinos da raça Cachena, alheios ao tempo e curiosidade dos forasteiros. Os socalcos, muros, espigueiros e casas em granito, das aldeias de Sistelo e Padrão conferem um caráter respeitoso e austero, da sua velha longevidade, mas que lentamente estão a morrer degradados pelo abandono. Subir estas encostas e ver Sistelo ao longe, rodeado de socalcos é uma das melhores formas de abarcar a sua beleza paisagística e de o celebrar.

A Aldeia da Paradinha nasceu em Alvarenga, Arouca, no distrito de Aveiro, entre as serras da Freita e Montemuro. A sua construção vernacular de traça tradicional em xisto e ardósia valeu-lhe a distinção de Aldeia de Portugal. O seu casario em cascata numa encosta montanhosa estende-se até ao Rio Paiva onde nasceu uma aprazível praia fluvial e parque de merendas. Aqui já não existem moradores permanentes, só turistas do alojamento local ou casas restauradas. Muitos desses casebres e empreendimentos hoteleiros foram recuperados ou construídos, por vezes com materiais e técnicas inapropriadas que desvirtuam a sua autenticidade rural. A beleza desta aldeia e seu enquadramento natural podem ser abraçados do miradouro “Mira Paiva”, que lança vistas para o rio serpenteante no fundo do vale, que desemboca nos Passadiços do Paiva a jusante. Esta região há milhões de anos foi um mar pouco profundo e onde subsistem fósseis e vestígios geológicos, para quem souber procurar.  Existem muitos pontos de interesse arquitetónicos, geológicos, naturais e gastronómicos, que podem ser apreendidos e que vamos partilhar.        

O Trilho dos Pescadores é constituído por 13 etapas, com 226,5 km, com início em Sines, no sudoeste Algarvio e final em Lagos, nos Algarves. Estes percursos pedestres destacam-se pela beleza das assombrosas e arrepiantes arribas arrebatadas, ao longo do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. A fauna e flora são ricas e exuberantes, que lançam fragrâncias que se elevam na maresia e lhe inebriam os sentidos. Os nevoeiros matinais escondem segredos que o sol teima desvendar. Há recantos nos profundos abismos, que nunca houveram visto viva alma e poderão abrigar um tempestuoso Neptuno. Este é o reino da sedutora Calipso que o tenta atrair para o aprisionar na sua caverna, com o marulhar das águas, canto das aves, zumbido dos bichos e sibilante vento. Do alto dos pináculos poderá maravilhar-se com paisagens longínquas, praias exuberantes e pequenas enseadas com perdidos portos de pesca. Os seus caminhos milenares foram abertos pelos pescadores na sua árdua faina marítima. Neste artigo vamos contar-lhe a aventura da nossa da 5 etapa, entre Zambujeira do Mar e Odeceixe e como ficamos enamorados pela demanda do seu tesouro que havemos de abarcar.

Viajar de comboio pela Linha Férrea do Douro, com 150 anos e 171,5 km, faz-nos recuar devagar até ao século XIX. A viagem começa na moderna estação de Porto Campanhã, junto ao litoral e termina no Pocinho, no interior transmontano. A locomotiva a vapor é agora alimentada a diesel e começa por rasgar caminho por uma urbe fortemente apinhada, onde as gentes se atropelam para respirar. A linha eletrificada começa por ter dois sentidos, até perder a luz e ficar sozinha. A máquina vence impenetráveis túneis e profundas pontes e vai-se aproximando do Rio Douro, seu companheiro inseparável por 120 km. O casario começa a rarear e vai dando lugar a arribas em socalcos vinhateiros e curvas ondulantes do rio. O comboio vai sulcando o Rio Douro e vendo os cruzeiros subirem pelas eclusas. A paisagem de arrebatar culmina no Douro Vinhateiro, que foi por homens moldado e recebeu da UNESCO o título de Património da Humanidade. A via férrea no passado terminava em Barca d’Alva, junto a Espanha, mas homens funestos que agora escrevem livros sobre a arte de bem governar, deram ordens para a encerrar. Estes vilões de memória curta, no final do século XX, mataram parte destas linhas e destruíram muito do seu património, sem dar cavaco ao povo que juraram representar.  

Percorrer de bicicleta a Ecopista do Sabor foi uma aventura épica que vamos narrar, realçando a riqueza sublime dos vales do Douro e Sabor. Começamos a viagem de comboio, para chegar ao destino, pela Linha do Douro, abarcando as paisagens através da janela, navegando junto às arribas do rio Douro, até chegar ao Pocinho. Aqui começa a Ecopista do Sabor, construída aproveitando o traçado da antiga linha férrea, que nos finais do século XX, foi como outras vilmente encerrada sem atender às populações do interior. Alguns destes decisores que deveriam ter sido julgados podem agora apresentar livros e discorrer com enlevo sobre a arte de bem governar. Neste percurso pedalamos junto às antigas estações onde o património foi esquecido, destruído e abandonado. Apesar do desatino a sua reconversão em pista ciclável veio dinamizar e recuperar parte da sua glória, embora por vezes o coração se ressinta da grave ofensa, mas temos que perdoar. Neste artigo vamos escrever sobre a sua localização, características técnicas, história e pontos de interesse.