Ecopista do Tâmega – O domínio do Rio e do Alto da Senhora da Graça Ecopista do Tâmega - Ao fundo o Monte Farinhas, conhecido pelo Alto da Senhora da Graça - Santuário da Srª da Graça Ondas da Serra

Ecopista do Tâmega – O domínio do Rio e do Alto da Senhora da Graça Destaque

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O Ondas da Serra foi até Amarante percorrer a ecopista do Tâmega que liga esta cidade a Arco de Baúlhe, numa extensão de 40 quilómetros, marcada pelo rio, vinhas e Alto da Senhora da Graça.

Arco de BaúlheHá muitos anos que o “Caminho de Ferro do Valle do Tâmega”, deixou de resfolgar por estas encostas. No século passado esta linha servia as gentes de Marco de Canaveses até Arco de Baúlhe, mas a 1 de janeiro de 1990 o serviço comercial foi desativado a partir de Amarante. Em 2007 as três autarquias envolvidas, Amarante, Celorico de Basto e Mondim de Basto, assinaram um protocolo com a REFER e Estado, para requalificarem esta via.

As ecopistas nascidas de antigas linhas férreas têm a singular característica de estarem perto do povo, rusticidade e terriolas. Por vezes há a sensação que vamos entrar pela porta adentro dum qualquer casebre. Frequentemente nos quintais vimos mulheres à volta da roupa, homens a lavrar, galos a cantar e chaminés a fumegar, parece que o tempo recua.

O Rio Tâmega, galego de nascimento, divide três das mais belas regiões Lusitanas, Douro, Minho e  Trás-os-Montes. Correm alegres estas águas, já sem a ameaça da barragem do Fridão, matando a sede aos vinhedos destes verdes vinhos. “Súbito temos na frente a barreira longa e Majestosa do Marão, divisórias de povos e províncias, e lá no fundo, numa névoa luminosa e verde de arvoredo, no grande vale, adivinha-se o Tâmega. Cortesão, 1987

Este ondulante e plano percurso, tem também uma passagem pelo túnel de Gatão. Com exceção de alguns quilómetros em terra batida, o piso é betuminoso e está bem mantido. No dia em que o percorremos vimos com agrado vários trabalhos de limpeza e manutenção. 

Na estação da Chapa, encontramos atarefada Maria Soares, filha do antigo chefe da estação, Manuel Soares, que em tempos ali trabalhou por uma década. Ainda moçoila relembrou a beleza de ver ali passar os comboios a vapor. As composições e o seu querido pai já partiram, ficou a saudade e a mãe com 82 anos, que por ali ainda resiste.

No Lourido à sombra do árvoredo descansavam das pedaladas, José Leite e Maria do Carmo Leite. O pai e filha partilharam connosco que adoram este percurso que fazem quase diariamente entre Celorico e Mondim.

Paramos para matar a sede num bar junto à via, explorado pelo Rancho Santa Maria de Canedo. Quem nos serviu foi o seu cantador, Carlos Leonel Meireles e em conversa descobrimos ser um dos admiradores do conjunto dos nossos “Amigos da Tasca Centenária”. Ali são preparados almoços para pessoas e grupos que percorrem esta via, (contactos no final do artigo).

Leia também: Os Amigos da Tasca Centenária e da música popular Portuguesa

Em Canedo de Basto, descobrimos que originalmente por ali se venerava a Srª da Conceição, até que o Padre António Moreira Dias descobriu uma imagem de Santa Maria de Canedo e mudou o culto da terra.

Duma forma geral ficamos muito impressionados com a beleza, limpeza e estado de conservação deste percurso, das quais destacamos as estações de Celorico de Basto e Arco de Baúlhe. Achamos, contudo, que a estação de Amarante poderia ser requalificada e melhor preservada. O pior foi o estado em que encontramos a de Mondim de Basto, que possui ainda bonitos painéis de azulejos retratando a vida do povo, lavandeiras e vindimas. No entanto os mesmos estão agora grafitados, arrancados, partidos ou danificados. Neste local pare um pouco e desloque-se para ao exterior onde tem uma vista soberba sobre a cidade, rio e antiga ponte.

Em Gatão passamos pela austera Igreja Românica de São João Baptista. Em Codeçoso saímos do trilho para ir visitar a bonita Igreja de Santo André e conhecer a terra.  Em Vila Nune – visitamos o exterior da Igreja de Santo André.  Destacamos também Igreja Matriz de São Pedro de Brítelo, pelo ondulado formato da torre que contrasta com as da nossa região.

 

 

Existem também algumas pontes das quais destacamos a da Santa Natália, sobre o rio como o mesmo nome, Carvalhas e Barreirinho, todas com vistas soberbas sobre o rio, vinhas e campos agrícolas. 

O percurso é dominado pelo Rio Tâmega e Impressionante Monte Farinhas, em Mondim de Basto, mais conhecido pelo Alto da Senhora da Graça, onde foi construído um santuário com o mesmo nome. No entanto é mais conhecido por ser a etapa rainha da volta a Portugal em bicicleta.

Lá chegamos por fim a Arco de Baúlhe, sem tempo para visitar o seu museu ferroviário e ponte velha. Um dia em cheio e não podíamos regressar sem trazer o famoso vinho verde desta região que por aqui abunda em quantidade e qualidade e que acompanhou sem poupanças o nosso jantar.

É por todas estas emoções, povos, histórias e tradições que somos um grande país e temos esta coisa que só por vezes absorvemos, “Alma Lusitana”.

Leia também: Ecopista do Vale do Vouga

Marcação de almoços: Associação Recreativa e Cultural de Santa Maria – Canedo de Basto, 938 899 621 / 939 280 769 | Rua da Estação – Canedo de Basto – 4890-144 Celorico de Basto

 

 

 

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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