Macieira de Alcôba - Parta à descoberta dos seus encantos e tradições Torre sineira da capela de Macieira de Alcôba

Macieira de Alcôba - Parta à descoberta dos seus encantos e tradições Destaque

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A nossa equipa foi conhecer a aldeia de Maceira de Alcôba, pertencente ao concelho de Águeda. Ficamos maravilhados com a sua riqueza a nível natural, arquitetónico, tradicional e religioso. São poucos os adjetivos que poderíamos empregar para descrever o que se pode fazer e visitar. Apesar destas dificuldades selecionamos algumas das suas potencialidades que encontramos quando fomos caminhar pela PR4 – Trilho das Terras de Granito.

Aqui pode visitar bonitas capelas, perceber no centro interpretativo como a cultura do milho moldou a sua cultura e tradições, apreciar o casario em granito, gastronomia, os vários percursos pedestres, moinhos, levadas e piscina fluvial. O mais interessante é que fica tudo perto e pode facilmente chegar pelo seu pé a qualquer local. Temos a certeza que num dia não vê tudo.

Como chegar: Nós como viemos do norte utilizamos a A29, sentido norte-sul, saímos para a A25 em direção a Viseu. Aqui abandonados esta via no corte para as Talhadas, tomando a direção de Águeda. A dada altura viramos em direção a A-dos-Ferreiros e Préstimo, depois é sempre em frente não tem como se enganar.

Brevemente iremos publicar o nosso artigo do percurso propriamente dito e alguns testemunhos das suas velhas gentes.

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Aldeia Pedagógica do Milho Antigo

Macieira assenta nos granitos da Serra do Caramulo, chamado de "Monte d'Alcobar" em tempos idos.

A sua paisagem testemunha um modo de vida agropastoril baseada numa quase mococultura do milho, que moldou o território, dos campos aos caminhos e construções e o calendário dos homens, do trabalho, às festividades.

As terras de Alcôba, nos lugares de Macieira, Urgueira, Carvalho e Ribeiro, souberam preservar muito do que eram. E ainda bem pois no "Milho Antigo", de semente endógena que resiste à globalização e na biodiversidade, reside muito do potencial desta terra.

  • Trabalhos do Milhos:
  • Estrumação
  • Lavrada
  • Sementeira
  • Sacha
  • Regas
  • Cortar a bandeira
  • Colheira
  • Desfolhada
  • Armazenagem
  • Malhada
 

Igreja Paroquial de São Martinho de Alcôba

A Igreja Paroquial de São Martinho de Alcôba cujo orago é São Martinho, foi construída com blocos de granito, à semelhança da maioria das edificações da povoação. Data de finais do século XIX a reforma a que foi sujeita, todavia persistem algumas paredes da igreja anterior, que deria de finais do século XVII, princípios do seguinte.

A frontaria e a torre encontrada à direita fazem já parte dessa remodelação. Um pormenor curioso consiste numa grande pedra de granito colocada na fachada posterior que, segundo Gonçalves (1959), é "datada de 1898, na qual se coloca pão que se destribui a seguir aos funerais.".

 

 

Estação da Biodiversidade de Macieira de Alcôba

A Estação da Biodiversidade de Macieira de Alcôba é um percurso pedestre interpretativo de aproximadamente 1,2 Km com 8 painéis dispersos ao longo do caminho, onde pode consultar informação sobre a diversidade biológica.

Os painéis são uma espécie de guia de campo, onde encontra imagens e comentários sobre plantas e animais comuns que pode observar.

O percurso inicia-se nesta aldeia e segue por entre hortas campos de milho e pomares. Termina com a chegada ao pinhal, onde ainda podem ser observados carvalhos e castanheiros antigos e imponentes, testemunhos das florestas primitivas que outrora povoaram a Serra do Caramulo. Parte do trilho da EB coincide com a pequena rota PR3 implementada na aldeia, que os visitantes podem aproveitar para visitar.

 

 

Eiras e Espigueiros

Mais que um sequeiro de grãos, a eira era um lugar de encontros e de festa onde se selaram alianças para a vida, comandadas pelo abraço do milho-rei.

Ainda hoje, os espigueiros enchem a paisagem com a fartura das casas

"Na vila de Macieira quer Deus queira quer não queira sempre haverá milho na eira...", sabedoria popular local.

 

 

Escola Primária

Esta escola foi construída no âmbito do Plano dos Centenários lançado pelo governo em 1940.

Ao abrigo do Plano dos Centenários, até final de década de 1950, foram construídos mais de 700 edifícios escolares novos, que incluíam um total superior a 12 000 salas de aula.

Estes novos espaços pedagógicos permitiram diminuir acentuadamente o analfabetismo e aumentar o ensino obrigatório de três para quatro anos, passando de 62% de analfabetos em 1930 para 30% em 1960.

 

 

Piscina Fluvial de Macieira Alcôba

Fomos encontrar nesta altura fria e chuvosa do ano, a Piscina Fluvial de Macieira Alcôba vazia. A mesma é alimentada por um pequeno riacho, quando os dias aquecem a comporta é fechada, para ser criada uma pequena baia.

Os campos em redor, os arvoredos, as águias que cruzam os céus, criam um ambiente que nos fez ter vontade de regressar no verão para nos banharmos e fazer também o percurso dos moinhos que começa do outro lado da estrada, por uma antiga levada.

 

 

Moihos de rodízio

Perto da aldeia, onde foi construída a Piscina Fluvial de Macieira Alcôba, pode visitar o Moinho de Novo e o Moinho Pequeno na Corga do Chão do Ribeiro.

Estes dois moinhos tradicionais da região são movidos por pequenos rodízios de madeira, capazes de funcionar sazonalmente com pequenos caudais.

Foram recuperados e encontram-se em funcionamento. Na fotografia pode observar-se a pequena levada que leva água aos moinhos e por onde se pode caminhar. No Verão pode passar um dia na praia fluvial e depois do almoço, enquanto faz digestão pode passar pelas suas margens.

 

 

Milagre d'Urgueira

Associado a este forno existe uma... lenda. Num dia de romaria e quando a procissão estava a passar, um homem tirou uma flor do andor e, com ela presa na boca, entrou no forno para lá colocar o pão para cozer.

Embora o homem estivesse descalço e sem proteção alguma, não sofreu qualquer queimadura, tendo a flor saído de lá com a mesma frescura e viço com que entrou.

Este feito foi considerado um milagre, e o pão cozido nesse forno passou a ser considerado sagrado, sendo distribuído pela população e guardado durante todo o ano, a fim de ser dado a doentes para ajudar na cura de certas maleitas.

O Festival-Romaria Milagre d'Urgueira decorre todos os anos no terceiro domingo do mês de agosto.

 

 

Forno da Urgueira

Localizados a cerca de 700 metros de altitude na encosta da Serra do Caramulo, aproximadamente a 300 metros da aldeia da Urgueira, o forno e a ermida de Nª Srª da Guia resultam da promessa da família Duarte Reis, no final do século XIX.

Contam as gentes que esta família de Urgueira, aventureira por vocação, passou grandes tormentas em viagens marítimas, regressando do Brasil com o voto a Nª Srª da Guia e a promessa de construir um forno sobre a laje de granito, num local onde se vissem as areais brancas da praia.

O forno tinha que arder oito dias e oito noites para aquecer. Lenda, história ou facto real, uma vez por ano o forno comunitário da Urgueira é aquecido durante vários dias como fornalha gigante, preparando-se para cozer pão de milho com centeio, que será colocado e retirado por um homem que vai dentro do forno. Esta tarefa é realizada com as suas próprias mãos, nuas, e um trajo tradicional serrano, de borel, lã e linho e trambém um cravo que levava na boca.

Com as grandes confusões e tumultos disputados entre os crentes e cépticos do milagre da Urgueira, veio a ordem régia, através do Administrador do Concelho, de acabar com a romaria e, desde 1906 até 1996, as grossas paredes do forno da Urgueira mantiveram-se frias e não hoube mais romaria, nem milagre da Urgueira.

Nesse último ano, a Associação Etnográfica "Os Serranos" relançaram o "milagre da Urgueira", reavivando a lenda e as memórias destas paragens. De novo, em cada 3ª domingo de agosto, a urgueira é inundada por milhares de romeiros e curiosos que confluem a estas paragens para (re)viver o milagre.

Desde 1999 que o forno voltou a cozer pão que é sortilégio para os crentes e admiração para os restantes. Não apanha bolor e dá força interior (adaptado de textos de J.F. Belazaima).

 

 

A Senhora da Guia

A Nossa Senhora da Guia está sempre presente na reconstituição da romaria o "milagre d'Urgeira".

Seja no alto das 3 colunas de granito, na entrada do parque, a saudar todos os que chegam, seja no repouso da sua ermida, ou na viagem anual que realiza e dá uma volta ao forno pousada nos ombros de robustos homens.

 

 

Urgueira

Lugar de povoamento antigo a leste de Maceira de Alcôba, colocado em altitude. Sítio de passagem de almocreves do conhecido forno da Urgeira em que todos os anos um homem entra e sai do milagrosamente do ileso e que chama gente de todas as partes à romaria de Nª Srª da Guia no 3 domingo de agosto

Esta aldeia da freguesa de Maceira de Alcôba, tem a sua origem na alusão à urze branca, queiroga ou betouro, denominações beirãs da espécie arbustiva "Erica arborea".

Sob este asfalto estão escondidas as pedras da estrada romana que ligou Talábriga (Vacca) a Viseu e nesta aldeia chegaram habitar várias dezenas de famílias, minguando com a emigração, para o Brasil durante o século XIX. Foi um destes aventureiros, da família Duarte Reis que, necessitando de mais proteção do que a do S. Domingos (orago desta capela) poderia dar, Invocou a Nª Srª da Guia durante uma tempestade no Atlântico Sul. Quando regressou à Urgueira saldou a proteção recebida com a construção do forno no cabeço da Junqueira onde posteriormente, os seus descendentes ergueram a ermida, em 1899 ("Os Serranos" - Associação Etnográfica)

 

 

Capela de Nª Srª de Fátima

Sobraceira à aldeia de Macieira de Alcôbro, a Capela de Nª Srª de Fátima, protege o povo e confere uma magnifica vista ao visitante. Foi construida entre 1928 e 1930, num monte arborizado e com vista privilegiada para as aldeias em redor.

Esta Capela foi inspirada pela aparição de de Nossa Senhora de Fátima em 1917, sendo contemporâne do Santuário de Fátima. A construção teve início em 1928, sendo o segundo templo mais antigo do pais dedicado à Nª Srª de Fátima

A mesma situa-se em Outeiro da Vila, famosa pelas suas vistas. "Esta freguesia está situada em ha monte, entre outros mais altos, deste povo Macieira onde está Igj", não se descobre povoação alguma, mas Paindo para logo conjunto a ha caBeço chamado outeuro da vila, Se descobrem marias Povoações entre as quais as mais notáveis he a vila de Aveiro, e Mas, e estando o tempo São Se descobre a villa de figueira, e os Seos Navios do Mar (...), Macieira de Abril 28 de 1758, (Século XVII, Memória Paroquial de 1758)

 

 

Centro Interpretativo do Milho antigo

Centro Interpretativo da Aldeia do Milho Antigo, que se desenvolve no antigo edifício paroquial e no edifício da Junta de Freguesia de Macieira de Alcôba, contando este com uma exposição permanente que permitirá a compreensão integral da paisagem, arquitetura e território, cultura material e imaterial tradicional associada ao milho antigo. Uma parte deste Centro Interpretativo é dedicado ao público infanto-juvenil, onde é contada a história do personagem Grãozinho Milhão, herói na defesa da genética do milho antigo, e onde as crianças de diversas idades são convidadas a conhecer o milho desde a sua escala macro (plantação) até à escala micro (ADN). O núcleo de exposição dispõe de diversos recursos materiais, ricos em conteúdos pedagógicos, com atividades diversificadas e facilmente adaptáveis a programas escolares e às diversas faixas etárias, onde as fichas pedagógicas são uma importante componente de apoio à visitação e consolidação de conhecimentos.

Importa destacar ainda a recriação de uma típica loja antiga de aldeia, bem como a recuperação de algumas estruturas e alguns engenhos locais associados à cultura do milho, como moinhos e a moinhola da aldeia, que permitem melhor interpretar as antigas técnicas de moagem de cereais, nomeadamente o milho antigo que foi em tempos essencial na atividade agrícola e no tecido económico da zona serrana em que se insere Macieira de Alcôba.

Este é um dos principais projetos que tem contribuído para a melhoria da sustentabilidade das populações locais: surgiram novos projetos associados ao turismo rural, foram recuperadas antigas casas da aldeia, criados novos postos de trabalho. IMPORTANTE: foram usados materiais locais bem como, sempre que possível, recorreu-se a mão-de-obra da aldeia!

Visitas: As marcações reservas e visitas são feitas por marcação ou email, 234 640 294 / 234 561 187 / 967 189 435 / Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

Fontes: CM Águeda. Fotos e enquadramento da informação, Ondas da Serra.

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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